{"id":4857,"date":"2024-05-15T10:05:45","date_gmt":"2024-05-15T13:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=4857"},"modified":"2024-05-15T10:05:45","modified_gmt":"2024-05-15T13:05:45","slug":"5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos-eixo-2-estar-a-altura-do-acontecimento-imprevisto","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos-eixo-2-estar-a-altura-do-acontecimento-imprevisto\/","title":{"rendered":"5\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul \u2013 Discursos e corpos: a causa do dizer &#8211; Eixos Tem\u00e1ticos &#8211; EIXO 2 &#8211; Estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4814&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Fl\u00e1via C\u00eara (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Uma an\u00e1lise tem sua rotina nas sess\u00f5es, sua parte sem\u00e2ntica que faz uma s\u00e9rie da qual n\u00e3o podemos prescindir. Elas s\u00e3o os acontecimentos previstos, diz Miller. Em uma an\u00e1lise, no entanto, inclu\u00edmos o real, e por isso, espera-se seus imprevistos, sua por\u00e7\u00e3o a-sem\u00e2ntica, seus acontecimentos que inscrevem um antes e um depois, que marcam a pulsa\u00e7\u00e3o de um tempo com a presen\u00e7a de um dizer que toca o corpo. Afinal, o dizer, em psican\u00e1lise, tem a ver com o tempo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> e \u201cn\u00e3o h\u00e1 acontecimento sen\u00e3o de dizer\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Em que tempo se d\u00e1 a an\u00e1lise uma vez que, dizia Freud, o inconsciente \u00e9 atemporal? Como operar para que n\u00e3o trabalhemos na dimens\u00e3o da eternidade simb\u00f3lica? O essencial, comenta Miller, &#8220;\u00e9 estabelecer uma conex\u00e3o entre a atemporalidade do inconsciente, quer dizer, entre o seu passado definitivo, a sua inscri\u00e7\u00e3o para sempre, e o presente do analisante, operando assim um reenvio da fala \u00e0 escrita&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Neste sentido, o inconsciente \u00e9 uma leitura em aberto, um devir. Ele se produz na medida em que \u00e9 lido, o inconsciente-repeti\u00e7\u00e3o e \u00e9, ele mesmo, intempestivo quando irrompe em sua fun\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 importante a varia\u00e7\u00e3o do tempo, o uso do corte para produzir um sujeito e extrair um mais-de-gozar<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. A passagem do inconsciente-repeti\u00e7\u00e3o ao inconsciente-interpreta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 na inclus\u00e3o do tempo e na escrita de uma barra. Por um lado uma barra no S, uma vez que a determina\u00e7\u00e3o superg\u00f3ica \u00e9 suspensa, e uma barra no A quando a indetermina\u00e7\u00e3o encontra a certeza do ato, do salto, e isola um significante, encontrando um n\u00facleo ininterpret\u00e1vel, quando S1 n\u00e3o corresponde mais a S2 (S1\/\/S2)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Uma hip\u00f3tese: estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto solicita do analista estar \u00e0 altura da interpreta\u00e7\u00e3o do inconsciente<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>Quando se est\u00e1 determinado pelo discurso do mestre, quando \u201cuma marca distinta tem o poder de absorver o sujeito\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, fazendo coincidir sem resto, o discurso anal\u00edtico retoma, pelo dizer, a indetermina\u00e7\u00e3o do sujeito, cria uma margem em rela\u00e7\u00e3o ao significante que o absorve, levando em conta a dimens\u00e3o &#8220;opaca \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de dizer&#8221;<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> necess\u00e1ria para que \u201cpossa haver um dizer que se diz sem que a gente saiba quem o diz\u201d, como afirmou Lacan<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. Esta singular rela\u00e7\u00e3o com a fala e o discurso muda a rela\u00e7\u00e3o com o dizer de quem atravessa uma experi\u00eancia anal\u00edtica e incide no corpo e no la\u00e7o. Ou seja, a pol\u00edtica da psican\u00e1lise, a de fazer existir o inconsciente, pretende uma muta\u00e7\u00e3o do sujeito, uma muta\u00e7\u00e3o do modo de gozo. Fazer do inconsciente um acontecimento \u00e9 trabalho do analista. Como faz\u00ea-lo?<\/p>\n<p>A experi\u00eancia anal\u00edtica, a partir do seu discurso, recolhe, nos ditos, a gram\u00e1tica singular de cada um, as formas com que o corpo foi tomado pelo discurso, para ser lida. \u00c9 importante, neste sentido, perguntar qual a rela\u00e7\u00e3o com o dizer hoje?<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Como se conta um acontecimento ou uma hist\u00f3ria? Como andam os impasses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica? Podemos arriscar que h\u00e1 uma tend\u00eancia, que se amplificou com as m\u00faltiplas plataformas de redes sociais, de fazer coincidir dizer e dito sem equ\u00edvoco, uma identidade entre eles que sup\u00f5e uma exatid\u00e3o do sentido. Mas a comunica\u00e7\u00e3o pretendida logo encontra-se com o mal-entendido que encontra um vertiginoso destino de esclarecimento, lacra\u00e7\u00e3o e cancelamentos prevalecendo um inquestion\u00e1vel do dito (como fato). Quando algo perturba a realidade performativa do Eu, n\u00e3o raro, em vez do corpo ser afetado pela ang\u00fastia, o que afeta \u00e9 o \u00f3dio. Esse \u00e9 um dos desafios pol\u00edticos da nossa \u00e9poca que tamb\u00e9m introduz uma dimens\u00e3o temporal que \u00e9 a da urg\u00eancia. Neste sentido, as rela\u00e7\u00f5es entre corpo e tempo acontecem nas disrup\u00e7\u00f5es de gozo que se produzem no encontro com um real. Isso que acontece no corpo est\u00e1 fora do discurso ou aprisionado por ele? Como distinguir esses pontos e no que eles orientam o trabalho na cl\u00ednica? Lacan deu a pista que o analista faz par com a urg\u00eancia. Como instalar um tempo em que o dizer tenha um lugar para que se possa dar voltas em torno dos ditos (<em>le tour du dits<\/em>)<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>Em 1968, no Semin\u00e1rio sobre o ato anal\u00edtico, Lacan j\u00e1 o apresentava como um dizer que visa uma transforma\u00e7\u00e3o, uma subvers\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o no sujeito que toca sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 puls\u00e3o, este eco do dizer no corpo. O ato anal\u00edtico se orienta, ent\u00e3o, por um dizer que participa da escrita do gozo. Por isso, o tempo da sess\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 cronol\u00f3gico, e sim tempo libidinal, que p\u00f5e em jogo o corpo e a linguagem, levando em conta a conting\u00eancia, o tempo do instante para modificar o campo dos poss\u00edveis. Ato e corte, em uma sess\u00e3o, bem como suas rela\u00e7\u00f5es com o tempo, se apresentam como a presen\u00e7a de um dizer atento ao imprevisto, aos \u201cesc\u00e2ndalos da enuncia\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e0s forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, um dizer onde a vida vibra. Imprevisto que o analista agarra porque algo diferente do aprisionamento mortificante aparece e \u00e9 importante fazer com que isso se insinue no sintoma<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>, que ressoe no corpo na aposta de que na fulgura\u00e7\u00e3o desse instante, algo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, se escreva.<\/p>\n<p>Como cada analista pode estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto? Ou ainda, como p\u00f4de fazer o inconsciente existir? Que usos dos lapsos, do corte, que manejos do tempo permitiram que algo do imprevisto ganhasse a dimens\u00e3o do dizer como acontecimento? Nosso convite \u00e9 para formalizar e transmitir esses instantes fugidios, o que esses espa\u00e7os de lapsos e seus usos nos ensinam.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Conferir o argumento da V Jornada da EBP-Sul escrito por Nohem\u00ed Brown e Miller, J.-A. <em>El Ultimissimo Lacan<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014, p. 262.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 21, os n\u00e3o-tolos erram<\/em>. Aula de 15 de janeiro de 1974. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Er\u00f3tica do tempo<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Cf. Miller, J.-A.\u00a0 <em>Los usos del lapso.<\/em> Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2010. Bassols, M. Tiempo y goce. Bassols, M. L\u00f3gica de la sesi\u00f3n corta. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.revistavirtualia.com\/articulos\/657\/la-sesion-corta\/logica-de-la-sesion-corta<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. <em>Los usos del lapso.<\/em> Especialmente o cap\u00edtulo XI El acontecimiento imprevisto.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. <em>Idem<\/em>. Conferir tamb\u00e9m Laurent, \u00c9ric. A interpreta\u00e7\u00e3o: da escuta ao escrito. <em>Correio: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>. S\u00e3o Paulo: EBP, n. 87, abril de 2022.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. <em>Los usos del lapso, <\/em>p. 185.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. O nosso sujeito suposto saber. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, <\/em>n. 47. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, pp. 11-14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Lacan, J. O engano do sujeito suposto saber. <em>Outros escritos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Um texto interessante para trabalhar este ponto \u00e9 o de Clotilde Leguil, <em>La parole comme pouvoir versus le pouvoir de la parole<\/em>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/journees.causefreudienne.org\/la-parole-comme-pouvoir-versus-le-pouvoir-de-la-parole\/?print=print<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Lacan, J. O aturdito. Em: <em>Outros escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. <em>Le tours dits<\/em> (as voltas ditas), <em>Le tours du dits<\/em> (as voltas dos ditos) s\u00e3o hom\u00f3fonos a <em>L&#8217;etourdit<\/em>, t\u00edtulo original do texto de Lacan.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. O inconsciente e o corpo falante. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4814&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Estar \u00e0 altura do acontecimento imprevisto Fl\u00e1via C\u00eara (EBP\/AMP) \u00a0Uma an\u00e1lise tem sua rotina nas sess\u00f5es, sua parte sem\u00e2ntica que faz uma s\u00e9rie da qual n\u00e3o podemos prescindir. Elas s\u00e3o os acontecimentos previstos, diz Miller. 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