{"id":4855,"date":"2024-05-15T10:04:15","date_gmt":"2024-05-15T13:04:15","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=4855"},"modified":"2024-05-15T10:04:15","modified_gmt":"2024-05-15T13:04:15","slug":"5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos-eixo-1-o-interpretador-e-o-analisando","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos\/5a-jornada-da-ebp-secao-sul-discursos-e-corpos-a-causa-do-dizer-eixos-tematicos-eixo-1-o-interpretador-e-o-analisando\/","title":{"rendered":"5\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul \u2013 Discursos e corpos: a causa do dizer &#8211; Eixos Tem\u00e1ticos &#8211; EIXO 1 &#8211; O interpretador \u00e9 o analisando"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4814&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O interpretador \u00e9 o analisando<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Li\u00e8ge Goulart<br \/>\n(EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>O mundo de cada ser falante s\u00f3 existe na medida em que funciona uma determinada ordem que constitui o mundo, ou seja, o mundo obedece \u00e0s ordens do mestre.<\/p>\n<p>Para que uma an\u00e1lise aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio instaurar a m\u00e1quina do sentido: recolher, dos ditos, os trope\u00e7os, os lapsos, os significantes privilegiados que fazem la\u00e7o para esse sujeito, sujeito ao fantasma; recolher as mensagens cifradas e acolher o deciframento interpretativo que o pr\u00f3prio sujeito do inconsciente j\u00e1 realiza.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual a fun\u00e7\u00e3o do analista que segue seu analisando interpretador? Pensemos nos efeitos que ressoam no corpo, no programa de gozo de cada um: de que ordem s\u00e3o? Podemos localizar aqui um primeiro desarranjo nos sentidos que estavam operando previamente? Como operar com eles e de diferentes modos? Um extrato de um percurso cl\u00ednico em seus in\u00edcios: um analisante vinha discorrendo em torno do que girava a novela familiar. De repente, interrompe sua fala e diz que lembrou da m\u00fasica de Caetano Veloso que diz \u201calguma coisa est\u00e1 fora da ordem\u201d, ao que a analista imediatamente pergunta: \u201cQual \u00e9 a ordem?\u201d. Isso muda o caminho da fala analisante. A analista n\u00e3o interv\u00e9m perguntando o que \u00e9 que estava fora da ordem (o que levaria a discorrer mais e mais sobre o j\u00e1 sabido); a analista aponta para um outro caminho para a fala que pode, ent\u00e3o, incluir uma leitura\/escrita de um ponto fantasm\u00e1tico, n\u00e3o sabido at\u00e9 ent\u00e3o, ao menos o quanto isso tocava, ferozmente, seu corpo e sua vida. O real \u00e9 sem lei, est\u00e1 fora de qualquer ordem, mas \u00e9 necess\u00e1rio algo do que aparece como imperativo, como ordem.<\/p>\n<p>Interromper a cadeia de sentidos desperta: n\u00e3o sempre como revela\u00e7\u00e3o de saber, mas ali onde o sentido era adormecedor. Para Lacan, \u00e9 preciso a\u00ed um for\u00e7amento para pescar e destacar o lugar de onde <em>isso<\/em> goza. Ele diz que o dizer que da\u00ed se decanta n\u00e3o \u00e9 um dito. \u00c9, antes, ler\/escrever, \u00e9 leitura do que se escreve no corpo; \u00e9 leitura que pode equivocar uma escrita de gozo. Lacan diz que n\u00e3o joga com os equ\u00edvocos, mas sim os desmistifica<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>O corpo depende do discurso, e a estrutura do inconsciente como discurso do Outro bebe dessa fonte. No entanto, o discurso anal\u00edtico \u00e9 o que pode toc\u00e1-lo, na medida em que n\u00e3o \u00e9 ortopedia, mas parte da equivoca\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 estrutura do inconsciente como real. O equ\u00edvoco possibilita o surgimento do mal-entendido. N\u00e3o se trata da substitui\u00e7\u00e3o de sentidos, mas da no\u00e7\u00e3o mesma de que o mal-entendido \u00e9 de estrutura no inconsciente como real. Lacan menciona que o sujeito \u00e9 hiante, aludindo \u00e0 hi\u00e2ncia que o objeto <em>a<\/em> imprime entre um significante e outro, sendo o sujeito localizado ali, nessa hi\u00e2ncia, sendo essa fenda mesma<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Como opera o discurso anal\u00edtico para tocar o corpo aprisionado e extrair um outro corpo?<\/p>\n<p>Como orientar-nos na cl\u00ednica, visando a hi\u00e2ncia da boa maneira?<\/p>\n<p>N\u00e3o tem fim ao que uma interpreta\u00e7\u00e3o pode chegar. E o que deve vir no lugar da interpreta\u00e7\u00e3o sem fim?<\/p>\n<p>O analista, por ter como suporte o saber no lugar da verdade, pode interrogar-se como tal sobre o que \u00e9 a estrutura do saber. \u00c9 a partir da\u00ed que interpreta: S(\u023a).<\/p>\n<p>\u201cO que nasce de uma an\u00e1lise, nasce no n\u00edvel do sujeito, do sujeito que fala, por meio da merda que o objeto <em>a<\/em> lhe prop\u00f5e na figura de seu analista.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Seria um sujeito hiante, no cora\u00e7\u00e3o do \u201ca\u201d, nessa hi\u00e2ncia entre S<sub>1<\/sub> e S<sub>2<\/sub>? O que se modifica a\u00ed ao longo de uma an\u00e1lise?<\/p>\n<p>O real faz do corpo uma caixa de resson\u00e2ncia, de vibra\u00e7\u00e3o em acorde com lal\u00edngua, esse furo atrativo de libido que conjuga som e sentido.<\/p>\n<p>Um significante que ressoa, durante o percurso, n\u00e3o fica reduzido \u00e0 met\u00e1fora (que pode ser infinita, que pode deslizar infinitamente na meton\u00edmia), mas comporta o furo da linguagem, sulco no real, pois o real n\u00e3o pode ser anulado. Uma met\u00e1fora, por si s\u00f3, pode n\u00e3o incluir o que \u00e9 aqui crucial: unir som e sentido para ser capaz de fazer fun\u00e7\u00e3o de outra coisa.<\/p>\n<p>Lacan orienta a ousadia e a coragem de \u201cum truque\u201d conveniente, esse que poderia cortar o ponto em que a reta infinita se fecha, no infinito. H\u00e1 verdade no gozo de lal\u00edngua, mas tem a dimens\u00e3o de uma verdade n\u00e3o-toda, \u00e9 verdade vari\u00e1vel, \u00e9 varidade.<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, visa ao gozo que, sim, h\u00e1 e n\u00e3o pode ser absorvido pela m\u00e1quina do sentido, mas visa, tamb\u00e9m, ao gozo do \u201cn\u00e3o h\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>S<sub>1<\/sub> \u00e9 um acontecimento de gozo no corpo produzido no ponto traum\u00e1tico do encontro do corpo com lal\u00edngua. Importa aqui \u201cmeter a m\u00e3o\u201d no gozo de lal\u00edngua. Seria isso o for\u00e7amento do qual fala Lacan? \u00c9 da ordem de uma inflex\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de ir contra o gozo ou tentar domestic\u00e1-lo. Lacan diz (em subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo) que o gozo \u00e9 \u201caquilo cuja falta faria v\u00e3o o universo\u201d. Trata-se, ent\u00e3o, de captar o relevo do gozo, o programa de gozo e destac\u00e1-lo, dando corpo, tamb\u00e9m, no lugar mesmo do analista, a isso que se situa como sem-sentido, como um perturbador peda\u00e7o do real.<\/p>\n<p>O for\u00e7amento \u00e9 o equivocar, a partir do corpo, como eco de um dizer: uma modula\u00e7\u00e3o que equivoca um significante que toca lal\u00edngua do corpo.<\/p>\n<p>O entusiasmo, as sutilezas, os recursos para encarnar a \u201cabje\u00e7\u00e3o\u201d do gozo do Um, s\u00e3o instrumentos \u00e9ticos que podem propiciar uma tor\u00e7\u00e3o. Essa topologia deve ser mantida durante todo o percurso anal\u00edtico (e n\u00e3o somente ao final, quando o inferno de um gozo alcan\u00e7a uma tor\u00e7\u00e3o no ponto da causa do desejo e da causa do dizer), pois o ponto central de uma an\u00e1lise \u00e9 o trabalho em torno disso que n\u00e3o \u00e9 domestic\u00e1vel.<\/p>\n<p>Incidindo em lal\u00edngua, como suporte corporal e fazendo-se caixa de resson\u00e2ncia, o analista pode tocar o n\u00facleo do que concerne o percurso analisante. Enquanto o trauma golpeia, paralisa, emudece e produz sidera\u00e7\u00e3o, o que pode surgir de novo a\u00ed? Qual o estatuto do S<sub>1<\/sub> que mortifica, nesse caminho do interpretador que \u00e9 o analisando? Como pode essa mortifica\u00e7\u00e3o ser perfurada topologicamente?<\/p>\n<p>Do corpo ressonante de lal\u00edngua que somos, apenas o apreendemos ao sermos atravessados pelo Outro que \u00e9 tamb\u00e9m filho do discurso, ou seja, barrado. Somos falados, fecundados pelo discurso que passa a compor o suporte que \u00e9 o corpo, como pot\u00eancia de contra\u00e7\u00e3o e hi\u00e2ncia entre sentido e gozo, entre enunciado e enuncia\u00e7\u00e3o, entre o dito e o dizer, entre a fala e a vocifera\u00e7\u00e3o. Como a vocifera\u00e7\u00e3o (enunciado e enuncia\u00e7\u00e3o em ato) pode emergir como poss\u00edvel? Como a transfer\u00eancia permite suportar esse esburacamento e esse trabalho com ambos os gozos (o H\u00e1 Um do gozo e o gozo do \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d)?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 23: <em>O sinthoma<\/em>. (1975-1976) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. p. 133.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. (1971-1972) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. p. 222.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibidem<\/em>, p. 227.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4814&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] O interpretador \u00e9 o analisando Li\u00e8ge Goulart (EBP\/AMP) O mundo de cada ser falante s\u00f3 existe na medida em que funciona uma determinada ordem que constitui o mundo, ou seja, o mundo obedece \u00e0s ordens do mestre. 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