{"id":3908,"date":"2023-06-20T19:12:30","date_gmt":"2023-06-20T22:12:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3908"},"modified":"2023-10-02T06:36:38","modified_gmt":"2023-10-02T09:36:38","slug":"4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-referecias-bibliograficas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-referecias-bibliograficas\/","title":{"rendered":"4\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Louco-motiva: a cada um seu acento &#8211; Refer\u00eacias Bibliogr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #800000;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/span><\/h3>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>Linha A &#8211; Loucura, Del\u00edrio e Liberdade:<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p>\u201cOs neur\u00f3ticos d\u00e3o as costas \u00e0 realidade por consider\u00e1-la \u2014 no todo ou em parte \u2014 insuport\u00e1vel. O tipo mais extremo desse afastamento da realidade aparece em alguns casos de psicose alucinat\u00f3ria, nos quais se procura negar o acontecimento que provocou a loucura (Griesinger). Mas, na verdade, todo neur\u00f3tico faz o mesmo com algum fragmento da realidade. E assim nos defrontamos com a tarefa de investigar, em seu desenvolvimento, a rela\u00e7\u00e3o do neur\u00f3tico e do pr\u00f3prio ser humano com a realidade, desse modo admitindo, no corpo de nossas teorias, a significa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do mundo externo real\u201d <strong>(FREUD, S. Os dois princ\u00edpios do funcionamento ps\u00edquico. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 82)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um produto ps\u00edquico que se acha nas pessoas mais normais e que, no entanto, oferece uma not\u00e1vel analogia com as mais selvagens produ\u00e7\u00f5es da loucura, e que os fil\u00f3sofos n\u00e3o compreenderam mais do que a loucura mesma. Refiro-me aos sonhos\u201d <strong>(FREUD, S. Algumas considera\u00e7\u00f5es sobre o conceito de inconsciente na psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 200)<\/strong><\/p>\n<p>\u201c(&#8230;) o famoso <em>Elogio da Loucura<\/em> continua a ter todo o seu valor, o de identific\u00e1-la ao comportamento humano normal \u2013 ainda que esta \u00faltima express\u00e3o n\u00e3o tenha sido empregada naquela \u00e9poca. O que era ent\u00e3o dito na linguagem dos fil\u00f3sofos, de fil\u00f3sofo para fil\u00f3sofo, acabou com o tempo por ser levado a s\u00e9rio, tomado ao p\u00e9 da letra \u2013 virada que se operou com Pascal, o qual formula com todo acento do grave e do meditado, que sem d\u00favida h\u00e1 uma loucura necess\u00e1ria, que n\u00e3o ser louco da loucura de todo mundo seria ser louco de uma outra forma de loucura\u201d <strong><strong><strong>(LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 3: As Psicoses. 23 de novembro de 1955).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Aquele que sabe encontra-se, como tal, numa posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o perigosa, est\u00e1 t\u00e3o fadado ao fracasso e ao sacrif\u00edcio, que seu caminho tem de ser, como diz em algum lugar Pascal, o de ser louco junto com os outros.<br \/>\nFazer-se de louco \u00e9 uma das dimens\u00f5es do que eu poderia chamar de a pol\u00edtica do her\u00f3i moderno\u201d <strong><strong><strong>(LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 6: O Desejo e sua Interpreta\u00e7\u00e3o. 15 de abril de 1959).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Um, como voc\u00eas sabem, \u00e9 frequentemente evocado por Freud como significante de uma ess\u00eancia do Eros que seria feita de fus\u00e3o, isto \u00e9, que a libido seria o tipo de ess\u00eancia que de dois tenderia a fazer Um. Segundo um velho mito, que com certeza n\u00e3o \u00e9, em absoluto, de boa m\u00edstica, o mundo, por uma das tens\u00f5es fundamentais, tenderia a fazer apenas Um. Esse mito s\u00f3 pode funcionar num horizonte de del\u00edrio, e n\u00e3o tem nada a ver com seja o que for que encontramos na experi\u00eancia\u201d <strong><strong><strong>(Lacan, J. O Semin\u00e1rio, Livro 19: &#8230; Ou Pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012, 03 de mar\u00e7o de 1972).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cPortanto, n\u00e3o \u00e9 que eu me desvie do drama social que domina nossa \u00e9poca. \u00c9 que o funcionamento de minha marionete evidenciar\u00e1 melhor para cada um o risco que o tenta, toda vez que se trata da liberdade. Pois o risco da loucura se mede pela pr\u00f3pria atra\u00e7\u00e3o das identifica\u00e7\u00f5es em que o homem engaja, simultaneamente, sua verdade e seu ser.<br \/>\nAssim, longe da loucura ser um fato contingente das fragilidades de seu organismo, ela \u00e9 virtualidade permanente de uma falha aberta em sua ess\u00eancia. Longe de ser a liberdade \u201cum insulto\u201d, ela \u00e9 sua mais fiel companheira, e acompanha seu movimento como uma sombra.<br \/>\nE o ser do homem n\u00e3o apenas n\u00e3o pode ser compreendido sem a loucura, como n\u00e3o seria o ser do homem se n\u00e3o trouxesse em si a loucura como limite de sua liberdade\u201d <strong>(LACAN, J. Formula\u00e7\u00f5es sobre a causalidade ps\u00edquica (1946). In: ___. <\/strong><strong><em>Escritos<\/em><\/strong><strong>, <\/strong><strong><strong>Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1998, p.177).<\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa loucura, seja qual for sua natureza, conv\u00e9m reconhecermos, de um lado, a liberdade negativa de uma fala que renunciou a se fazer reconhecer, ou seja, aquilo que chamamos de obst\u00e1culo \u00e0 transfer\u00eancia, e, de outro lado, a forma\u00e7\u00e3o singular de um del\u00edrio (&#8230;) que objetiva o sujeito em uma linguagem sem dial\u00e9tica\u201d <strong>(Lacan, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem<\/strong><strong><strong><strong> (1953). In: ___. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1998, p. 281).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cEssa rela\u00e7\u00e3o do homem com a fala \u00e9 evidente no ve\u00edculo [<em>m\u00e9dium<\/em>] psicanal\u00edtico \u2013 o que torna ainda mais extraordin\u00e1rio que ela seja negligenciada em seu fundamento. Mas trata-se de um c\u00edrculo, porque, n\u00e3o reconhecendo o fundamento, busca-se o ve\u00edculo [<em>m\u00e9dium<\/em>] em outro lugar: ou seja, em sabe-se l\u00e1 que afeto imediato, verdadeiro del\u00edrio a recobrir uma a\u00e7\u00e3o pela qual o homem talvez aborde mais de perto o n\u00facleo constitutivo da raz\u00e3o. Esse \u00e9 o espet\u00e1culo que nos oferece a psican\u00e1lise quando procura justificar-se pelos m\u00e9todos das disciplinas coexistentes em seu campo, o que s\u00f3 faz ao pre\u00e7o de substantifica\u00e7\u00f5es m\u00edticas e \u00e1libis falaciosos\u201d (<strong>LACAN, J. \u201cA psican\u00e1lise verdadeira, e a falsa\u201d (1958). In: ___. Outros escritos<em>.<\/em> Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 2003, p. 173)\u00ad\u00ad<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00ad\u00ad<\/strong>\u201c(&#8230;) advert\u00eancia de Pascal, que ecoa, desde o despontar da era hist\u00f3rica do \u2018eu\u2019, nestes termos: &lt;&lt;os homens s\u00e3o t\u00e3o necessariamente loucos que seria enlouquecer por uma outra forma de loucura n\u00e3o ser louco&gt;&gt;\u201d <strong>(LACAN, J. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem (1953). In: ___. Escritos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998, p. 284)<\/strong><\/p>\n<p>\u201c&#8230; Os organicistas tendem a dar ao sistema do del\u00edrio o alcance de uma elabora\u00e7\u00e3o intelectual de um valor secund\u00e1rio e de pouco interesse. Apesar do refor\u00e7o que lhes demos at\u00e9 aqui, n\u00e3o os seguiremos a este respeito.\u201d<strong> (Lacan, J. Da psicose paranoica em suas rela\u00e7\u00f5es com a personalidade [1932], p.216).<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Chamo de cl\u00ednica universal do del\u00edrio aquela que toma como seu ponto de partida o seguinte: todos os nossos discursos n\u00e3o passam de defesas contra o real&#8221; <strong><strong><strong>(MILLER, J.A. \u201cCl\u00ednica ir\u00f4nica\u201d, Matemas 1. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1966, p. 190).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca do falasser, digamos a verdade, analisamos qualquer um. Analisar o falasser demanda jogar uma partida entre del\u00edrio, debilidade e tapea\u00e7\u00e3o. \u00c9 dirigir um del\u00edrio de maneira que sua debilidade ceda \u00e0 tapea\u00e7\u00e3o do real\u201d <strong><strong><strong>(MILLER, J.A. In: ___. \u00a0O Osso de uma An\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2015, p. 135).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201cAnte el loco, ante el delirante, no olvides que eres, o que fuiste, analizante, y que tambi\u00e9n t\u00fa hablas de lo que no existe\u201d <strong><strong><strong>(MILLER, J.A. \u201cIron\u00eda\u201d. In: <em>Consecuencias n\u00b07, <\/em>novembro de 2011).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 deste ponto que o neur\u00f3tico \u2013 polo normal \u2013 traz em si o S2 que necessita, isto \u00e9, em determinada circunst\u00e2ncia ele sabe o que deve dizer. Esta \u00e9 nossa compreens\u00e3o precipitada. E Lacan nos convida a ser um pouco mais psic\u00f3ticos, um pouco mais perplexos. Convida-nos a ler as coisas sem entend\u00ea-las e ajuda-nos com seu estilo que produz a perplexidade. Ensina-nos a n\u00e3o apagar o momento da perplexidade, a n\u00e3o sair correndo com nosso S2, nosso saber apoiado em nossa fantasia, para decifrar e afirmar que n\u00e3o temos nenhuma dificuldade e entendemos o que se passa. Tentar n\u00e3o entender o que ocorre \u00e9 uma disciplina. Por que n\u00e3o traduzir desta forma a foraclus\u00e3o do Nome do Pai, a forclus\u00e3o deste S2 que para o neur\u00f3tico permite-lhe decifrar tudo sem perplexidade?\u201d <strong>(MILLER, J-A. A inven\u00e7\u00e3o do del\u00edrio. p.19 <\/strong><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/JAMDelir.pdf\"><strong>http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/JAMDelir.pdf<\/strong><\/a><strong>)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Significante Um \u00e9 sempre elementar, n\u00e3o sabemos o que ele significa, ele deixa o sujeito na perplexidade, \u00e0 espera do saber, do S2 ou do del\u00edrio. Todo saber \u00e9 del\u00edrio e o del\u00edrio \u00e9 um saber, com o elemento de del\u00edrio que sempre h\u00e1 na inven\u00e7\u00e3o\u201d <strong><strong><strong>(SELDES, R. O operador da perplexidade. In: ___ Correio 90, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise.\u00a0 S\u00e3o Paulo, Abril 2023. Acontecimentos pol\u00edticos de corpo, p.144).<\/strong><\/strong><\/strong><\/p>\n<p>\u201c&lt;&lt;Todo mundo \u00e9 louco, quer dizer, delirante&gt;&gt; vem fazer um corte significativamente \u00e0 clivagem neurose-psicose, presente como efeito da met\u00e1fora paterna ou seu fracasso. Sob o risco de fazer a estrutura psic\u00f3tica aparecer como deficit\u00e1ria (&#8230;), trata-se de um convite a ultrapassar essa considera\u00e7\u00e3o sobre o defeito, sobre o erro, para dirigir nossa aten\u00e7\u00e3o sobre a particularidade da cren\u00e7a delirante. A distin\u00e7\u00e3o entre saber e cren\u00e7a vai de encontro \u00e0 distin\u00e7\u00e3o operada entre del\u00edrio como Real, Real da psicose, e del\u00edrio como semblante, semblante social, entre o terapeuta e seu paciente. (&#8230;) A quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com a verdade, presente no cora\u00e7\u00e3o de &lt;&lt;todo mundo \u00e9 louco&gt;&gt;, deveria orientar o cl\u00ednico para que se desprenda da postura de &lt;&lt;t\u00e9cnico da loucura&gt;&gt;\u201d <strong>(<\/strong><strong>LAHUTTE, B. \u201c<em>Del\u00edrio\u201d. <\/em>In:___ SCILICET: As Psicoses Ordin\u00e1rias e as Outras \u2013 sob Transfer\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2018, p. 116).<\/strong>[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][vc_column_text]\n<h3><em><strong><span style=\"color: #993300;\">Linha B: Corpo e Cl\u00ednica<\/span> <\/strong><\/em><\/h3>\n<p>\u201cDe fato, em um grande n\u00famero de casos, a an\u00e1lise se decomp\u00f5e em duas fases [\u2026] A primeira compreende todos os preparativos necess\u00e1rios e hoje t\u00e3o complicados e dif\u00edceis de cumprir, at\u00e9 que finalmente se compra a passagem, chega-se \u00e0 plataforma e se garante um lugar no vag\u00e3o. Agora se tem o direito e a possibilidade de viajar para um pa\u00eds distante, mas ap\u00f3s todos esses preparativos ainda n\u00e3o se est\u00e1 l\u00e1 (\u2026) ainda \u00e9 preciso que se cumpra a pr\u00f3pria viagem, de uma esta\u00e7\u00e3o \u00e0 outra<strong>\u201d (Freud, S. Sobre a psicog\u00eanese de um caso de homossexualidade feminina (1920). IN:__ Obras incompletas de Sigmund Freud. <em>Neurose, psicose, pervers\u00e3o.<\/em> Belo Horizonte, Aut\u00eantica, 2019, p. 163-164)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAs rela\u00e7\u00f5es com o Outro nos del\u00edrios s\u00e3o agora propostas \u00e0 nossa investiga\u00e7\u00e3o. Poderemos\u00a0 responder a elas ainda melhor tanto mais que nossos termos nos ajudam, fazendo-nos distinguir o sujeito, aquele que fala, e o outro com o qual ele est\u00e1 preso na rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, centro de gravidade do seu eu individual, e no qual n\u00e3o h\u00e1 palavra. Esses termos nos permitir\u00e3o caracterizar de maneira nova psicose e neurose\u201d\u00a0<strong>(LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 3, As psicoses, 30 de novembro de 1955)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA linguagem funciona inteiramente na ambiguidade, e a maior parte do tempo voc\u00eas n\u00e3o sabem absolutamente nada do que est\u00e3o dizendo. Na nossa interlocu\u00e7\u00e3o mais corrente, a linguagem tem um valor puramente fict\u00edcio, voc\u00eas atribuem ao outro o sentimento de que est\u00e3o sempre entendendo, e que n\u00e3o tem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com qualquer coisa que seja poss\u00edvel de ser aprofundada. os nove d\u00e9cimos dos discursos efetivamente realizados s\u00e3o completamente fict\u00edcios\u201d\u00a0\u00a0<strong>(LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 3, As psicoses,<\/strong> <strong>25 de janeiro de 1956)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDito de outro modo, o que h\u00e1 sob o h\u00e1bito, e que chamamos de corpo, talvez seja apenas esse resto que chamo de objeto <em>a\u201d<\/em><strong> (LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 20, Mais ainda. Rio de Janeiro, Zahar Ed. 2008, 21 de novembro de 1972)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQue haja algo que funda o ser, certamente que \u00e9 o corpo\u201d <strong>(LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 20, <em>Mais ainda<\/em>, 08 de maio de 1973)<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma das coisas essenciais que eu disse da \u00faltima vez \u2013 a an\u00e1lise se distingue, entre tudo que j\u00e1 foi produzido at\u00e9 agora de discurso, por enunciar isto, que constitui\u00a0 o osso de meu ensino: que eu falo sem saber. Falo com o meu corpo, e isto, sem saber. Digo, portanto, sempre mais do que sei\u201d <strong>(<\/strong><strong>LACAN, J. <\/strong><strong>O Semin\u00e1rio, livro 20, Mais ainda. Rio de Janeiro, Zahar Ed. 2008, 15 de maio de 1973)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsse n\u00f3, qualific\u00e1vel de borromeano, \u00e9 insol\u00favel sem que se dissolva o mito do sujeito \u2013 do sujeito como n\u00e3o suposto, isto \u00e9, como real \u2013 que ele n\u00e3o torna mais diverso do que cada corpo que assinala o falasser, cujo corpo s\u00f3 tem estatuto respeit\u00e1vel, no sentido comum da palavra, gra\u00e7as a esse n\u00f3\u201d <strong>(<\/strong><strong>LACAN, J. <\/strong><strong>O Semin\u00e1rio, livro 23, <em>O sinthoma,<\/em> 09 de dezembro de 1975)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa medida em que o inconsciente n\u00e3o deixa de se referir ao corpo, penso que a fun\u00e7\u00e3o do real pode ser distinguida dele. Penso que n\u00e3o se pode conceber o psicanalista de outra forma sen\u00e3o como um sinthoma. N\u00e3o \u00e9 a psican\u00e1lise que \u00e9 um sinthoma, mas o psicanalista\u201d <strong>(<\/strong><strong>LACAN, J. <\/strong><strong>O Semin\u00e1rio, livro 23, O sinthoma, 13 de abril de 1976)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 sua consci\u00eancia que o sujeito est\u00e1 condenado, mas a seu corpo, que resiste de muitas maneiras a realizar a divis\u00e3o do sujeito\u201d<strong> (LACAN, J. \u201cResposta a estudantes de filosofia\u201d. In: Outros escritos, Rio de Janeiro, Zahar, 2003, p. 213)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO simb\u00f3lico imprime no corpo imagin\u00e1rio representa\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas tecidas e desatadas pelo corpo falante. \u00c9 nesse sentido que sua debilidade destina o corpo falante como tal ao del\u00edrio. Perguntamo-nos como algu\u00e9m que foi analisado poderia ainda se imaginar como sendo normal\u201d <strong>(MILLER, J-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. IN: Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do X Congresso da AMP, no Rio, em 2016. Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise). Dispon\u00edvel em:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9\">https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9<\/a><\/p>\n<p>\u201cO signo recorta a carne, a desvitaliza e a cadaveriza, o corpo, ent\u00e3o, se separa dela. Na distin\u00e7\u00e3o entre o corpo e a carne, o corpo se mostra apto para figurar, como superf\u00edcie de inscri\u00e7\u00e3o, o lugar do Outro do significante. Para n\u00f3s, o mist\u00e9rio cartesiano da uni\u00e3o psicossom\u00e1tica se desloca. O que faz mist\u00e9rio, mas permanece indubit\u00e1vel, \u00e9 o que resulta do dom\u00ednio do simb\u00f3lico sobre o corpo. Para diz\u00ea-lo em termos cartesianos: o mist\u00e9rio \u00e9, sobretudo, o da uni\u00e3o da fala com o corpo. Por esse fato de experi\u00eancia, pode-se dizer que ele \u00e9 do registro do real\u201d <strong>(MILLER, J-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. IN: Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do X Congresso da AMP, no Rio, em 2016. Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise) Dispon\u00edvel em:<\/strong><u> \u00a0<\/u><a href=\"https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9\">https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9<\/a><\/p>\n<p>\u201cO falasser tem de se haver com seu corpo como imagin\u00e1rio, assim como tem de se haver com o simb\u00f3lico. O terceiro termo, o real, \u00e9 o complexo ou o implexo dos dois outros. Trata-se do corpo falante com seus dois gozos, gozo da fala e gozo do corpo: um leva ao escabelo, o outro sustenta o sinthoma. (&#8230;) O corpo falante goza, portanto, em dois registros: por um lado, ele goza de si mesmo, ele se afeta de gozo, ele se goza \u2013 uso do verbo na forma reflexiva; por outro, um \u00f3rg\u00e3o desse corpo se distingue de gozar de si mesmo, ele condensa e isola um gozo \u00e0 parte que se reparte entre os objetos a\u201d<strong> (MILLER, J-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. IN: Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do X Congresso da AMP, no Rio, em 2016. Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise) Dispon\u00edvel em:<\/strong><u>\u00a0 <\/u><a href=\"https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9\">https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/Template.asp?intTipoPagina=4&amp;intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9<\/a><\/p>\n<p>\u201c&#8230; E Lacan nos convida a ser um pouco mais psico\u0301ticos, um pouco mais perplexos. Convida-nos a ler as coisas sem entende\u0302-las e ajuda-nos com seu estilo que produz a perplexidade. Ensina-nos a na\u0303o apagar o momento da perplexidade, a na\u0303o sair correndo com nosso S2, nosso saber apoiado em nossa fantasia, para decifrar e afirmar que na\u0303o temos nenhuma dificuldade e entendemos o que se passa. Tentar na\u0303o entender o que ocorre e\u0301 uma disciplina.\u201d <strong>(Miller, J-A. A inven\u00e7\u00e3o do del\u00edrio, p.21)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cElevar a debilidade psicanal\u00edtica \u00e0 seguran\u00e7a soberana do gesto cir\u00fargico de cortar, essa seria a salvaguarda da psican\u00e1lise\u201d <strong>(Miller, Os trumains, 2020).<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLacan faz, assim, do analista o parceiro-testemunha do que se perde, do que o sujeito perdeu, em \u00faltima an\u00e1lise, do seu luto, daquilo de que ele era a falta, da separa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m como <em>\u2018separti\u00e7\u00e3o\u2019 <\/em>(<em>s\u00e9partition<\/em>) de um peda\u00e7o do corpo.<\/p>\n<p>(&#8230;) \u00c9 o que faz Lacan dizer que &lt;&lt;a presen\u00e7a do psicanalista \u00e9 irredut\u00edvel, como testemunha dessa perda&gt;&gt;. Pois a perda n\u00e3o se produz \u00e0 luz do dia, mas &lt;&lt;necessariamente numa zona de sombra&gt;&gt;. Essa perda nos confronta com um ponto opaco em nossa pr\u00f3pria fala. Ela nos faz experienciar o obscurantismo da nossa fala. Ali onde eu acreditava saber o que pensava e o que dizia, eis que me encontro onde n\u00e3o pensava estar, num lugar onde n\u00e3o esperava me encontrar.<\/p>\n<p>(&#8230;) Confrontar-se com o inconsciente como aquilo que se perde \u00e9 tamb\u00e9m cernir os efeitos do trauma\u201d <strong>(LEGUIL, C. \u201cPresen\u00e7a do analista e experi\u00eancias do inconsciente\u201d. <\/strong><strong>In:__ Correio, n\u00b0 90. S\u00e3o Paulo, EBP, 2023).<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;La po\u00e9tica psicoanal\u00edtica supone un acto de lenguaje que desplaza, disloca, el significante amo. Es una po\u00e9tica que sobrepasa al analista y al analizante. Como dice Lacan, el analista es poema m\u00e1s que poeta cuando accede a esta dimensi\u00f3n del lenguaje. Es el punto donde la &#8220;orthe doxa&#8221; que se apoya sobre la estructura en lo real, testimonia de la &#8220;mentira&#8221; de lo real&#8221; (<strong>LAURENT, \u00c9. El caso, del malestar a la mentira. IN:__ Cuadernos de Psicoan\u00e1lisis, Bilbao, Eolia, n.26, 2002). Dispon\u00edvel em: <\/strong><a href=\"http:\/\/ea.eol.org.ar\/03\/es\/textos\/txt\/pdf\/el_caso.pdf\">http:\/\/ea.eol.org.ar\/03\/es\/textos\/txt\/pdf\/el_caso.pdf<\/a><\/p>\n<p>&#8220;(&#8230;) el lenguaje siempre implica una <em>r\u00e9son <\/em>en el cuerpo. Siempre implica una vibraci\u00f3n particular que Lacan calific\u00f3 a partir de la frase po\u00e9tica de Francis Pongr, la r\u00e9son que hace en el cuerpo resonamiento, en el sentido de la reverberaci\u00f3n y que es del orden del afecto. En efecto no hay captura del sujeto en el lenguaje sin que haya un afecto. Es la generalizaci\u00f3n que Lacan hace en su \u00faltima ense\u00f1anza de la categor\u00eda freudiana del afecto. All\u00ed designa todo lo que en el cuerpo responde a s\u00ed mismo y que no es del orden del significante, sino eco de esta captura en el significante&#8221; (<strong>LAURENT, \u00c9.\u00a0&#8220;La despatologizaci\u00f3n neuro del autismo y la nuestra&#8221;. IN:__ Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n\u00b032. Buenos Aires, Escuela de la Orientaci\u00f3n Lacaniana, 2002 p.157)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO corpo \u00e9, portanto, superf\u00edcie de inscri\u00e7\u00e3o falha (<em>en d\u00e9faut<\/em>) com rela\u00e7\u00e3o ao trauma do gozo. Mas, como consist\u00eancia mental, ele se imagina como um lugar em que nada falta. Ele se pensa como recept\u00e1culo de sensa\u00e7\u00f5es \u2018proprioceptivas\u2019 e dos afetos que lhe surgem. Torna-se, ent\u00e3o, o deposit\u00e1rio do que Lacan chama de \u2018ideia de si\u2019\u201d <strong>(LAURENT, \u00c9. O avesso da biopol\u00edtica &#8211; uma escrita para o gozo. Rio de Janeiro: Contracapa, 2016, p. 18).<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTer um corpo, no sentido da psican\u00e1lise, \u00e9 fazer a experi\u00eancia do gozo, inscrevendo-se numa superf\u00edcie, mas sem ter correlato subjetivo. O sujeito, assim, \u00e9 produzido como aus\u00eancia, como furo. \u00c9 <em>furotraumatizado<\/em> (<em>troumatis\u00e9<\/em>). Ele, todavia, n\u00e3o para de tentar n\u00e3o se ausentar, de querer (se) ver, de querer captar de novo o momento de seu desaparecimento. \u00c9 o que est\u00e1 em jogo no roteiro de gozo, a fantasia, mistura de significantes que contaram, de imagens on\u00edricas e de experi\u00eancias de gozo no corpo. O sujeito tenta, assim, aproximar-se do gozo, cristalizando-o num objeto ou num roteiro mais ou menos ritualizado. Mas essa tentativa \u00e9 incessantemente marcada pelo equ\u00edvoco, pois o corpo n\u00e3o disp\u00f5e, efetivamente, de um local est\u00e1vel para acolher o gozo\u201d <strong>(LAURENT, \u00c9. O avesso da biopol\u00edtica &#8211;<em> uma escrita para o gozo.<\/em> Rio de Janeiro: Contracapa, 2016, pp. 19-20)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAssim (&#8230;) essa cl\u00ednica permite sair da oposi\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre foraclus\u00e3o e n\u00e3o foraclus\u00e3o (&#8230;) trata-se, em cada caso, de tentar encontrar uma montagem dos n\u00f3s que d\u00ea conta de um sujeito, mais al\u00e9m de sua inser\u00e7\u00e3o num pequeno espa\u00e7o compartimentado ou numa classe cl\u00ednica\u201d <strong>(<\/strong><strong>MAC\u00caDO, Luc\u00edola. \u201cUm problema com a alteridade\u201d. IN:__ Correio 86, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo, out-2021, pg.69. Ep\u00edgrafe do caso cl\u00ednico citando \u00c9ric Laurent).<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA loucura de cada um n\u00e3o integra nenhuma s\u00e9rie, nem mesmo a de quem carrega. N\u00e3o se exibe com orgulho, nem se torna d\u00f3cil ferramenta. Ela \u00e9 o equivalente ao que vimos definindo como sintoma. A cl\u00ednica do del\u00edrio generalizado d\u00e1 um novo lugar ao sintoma. Ele n\u00e3o \u00e9 mais apenas doen\u00e7a, falta de sa\u00fade, mas tra\u00e7o de gozo. N\u00e3o \u00e9 a particularidade de cada um, mas \u00e9 (&#8230;) &lt;&lt;o bizarro de um gozo mil vezes desconsiderado por n\u00e3o caber no que se \u00e9&gt;&gt; Sem um lugar para esse gozo, o universal da sa\u00fade se torna o del\u00edrio do imperativo do supereu. (&#8230;) N\u00e3o \u00e9 &lt;&lt;sa\u00fade <em>sem esquecer <\/em>da loucura&gt;&gt;. \u00c9 &lt;&lt;n\u00e3o h\u00e1 sa\u00fade sem loucura&gt;&gt;\u201d <strong>VIEIRA, M.A. \u201cSintoma e Loucura\u201d. IN:__ <\/strong><strong>Curinga, v.1 n.0. Belo Horizonte: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise &#8211; Se\u00e7\u00e3o Minas, 2010, p.111-112)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;As\u00ed, las construcciones del analista no pueden alcanzar a todo lo que la suposici\u00f3n de una estructura permite inferir. Deben mantenerse en las proximidades de lo vivo, de la realidad sexual del inconsciente puesta en acto&#8221; <strong>(BERENGUER, E. &#8220;\u00bfC\u00f3mo se construye un caso? Seminario te\u00f3rico y cl\u00ednico&#8221;. IN:__ NED Ediciones. Espanha, 2018) Dispon\u00edvel em: <\/strong><a href=\"https:\/\/blogs.ead.unlp.edu.ar\/psicoterapia1\/files\/2020\/05\/Comoconstruiruncaso-Berenguer.pdf\">https:\/\/blogs.ead.unlp.edu.ar\/psicoterapia1\/files\/2020\/05\/Comoconstruiruncaso-Berenguer.pdf<\/a><\/p>\n<p>\u201cSe o real de cada sujeito \u00e9 imodific\u00e1vel, o que tem que se modificar \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do sujeito para fazer frente a esse real que o habita. Desta transforma\u00e7\u00e3o subjetiva o analista, a partir do caso, tratar\u00e1 de dar conta\u201d <strong>(ZACK, O. \u201cReflex\u00f5es a prop\u00f3sito da constru\u00e7\u00e3o do caso\u201d. IN:__ Curinga, v.1 n.0. Belo Horizonte: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise &#8211; Se\u00e7\u00e3o Minas, 2010, p.150)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No es poco habitual, adem\u00e1s, en la presentaci\u00f3n de un caso escuchar una colecci\u00f3n de citas de autoridad (de referentes cuya autoridad se invoca mediante ese procedimiento), citas que \u2018distraen\u2019 respecto de lo que acontece realmente en la direcci\u00f3n de la cura. De ese modo, frecuentemente el analista permanece \u2018oculto\u2019 detr\u00e1s de una ret\u00f3rica compartida (y aprobada) por la comunidad de pertenencia&#8221; (<strong>SINATRA. E. &#8220;De una cuesti\u00f3n preliminar a la construcci\u00f3n del caso: el empleo de las citas&#8221; <\/strong><strong>\u00a0IN:__\u00a0 Revista Virtualia,\u00a0 Mayo de 2012) Dispon\u00edvel em:\u00a0 <\/strong><a href=\"https:\/\/www.revistavirtualia.com\/storage\/articulos\/pdf\/uyoztO3ZHz3dQPTEZLfF2fcl77tmFPelCZ8Y5vIu.pdf\">https:\/\/www.revistavirtualia.com\/storage\/articulos\/pdf\/uyoztO3ZHz3dQPTEZLfF2fcl77tmFPelCZ8Y5vIu.pdf<\/a>[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Linha C: Literatura, Filosofia e <em>Outras Vias&#8230;<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>FILOSOFIA:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Nunca existiu uma grande intelig\u00eancia, sem uma veia de loucura&#8221; <strong>(Arist\u00f3teles)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEmbora os homens costumem ferir a minha reputa\u00e7\u00e3o e eu saiba muito bem quanto o meu nome soa mal aos ouvidos dos mais tolos, orgulho-me de vos dizer que esta Loucura, sim, esta Loucura que estais vendo \u00e9 a \u00fanica capaz de alegrar os deuses e os mortais\u201d <strong>(Erasmo de Rotterdam. Elogio da Loucura)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso ter ainda caos dentro de si para dar \u00e0 luz uma estrela bailarina. Eu vos digo, ainda h\u00e1 caos dentro de v\u00f3s. Ai de n\u00f3s. Aproxima-se o tempo em que o homem n\u00e3o dar\u00e1 \u00e0 luz nenhuma estrela. (&#8230;) Nenhum pastor e um s\u00f3 rebanho! (&#8230;) Todos querem o mesmo, todos s\u00e3o iguais, e quem sente de outro modo vai voluntariamente para o manic\u00f4mio. Outrora todo mundo era doido.&#8221; <strong>(Nietzsche, Assim Falou Zaratustra)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Assim, para fora da minha verdade-loucura, eu mergulhei (&#8230;). Que eu seja exilado de toda a verdade! Somente um tolo! Somente um poeta&#8221; <strong>(Nietzsche, Assim Falou Zaratustra)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Louco [nas cartas do Tar\u00f4] quer dizer o limite da palavra, o lado de l\u00e1 da soma que n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o vazio, a presen\u00e7a superada, que se transforma em aus\u00eancia, o saber \u00faltimo, que se torna ignor\u00e2ncia, disponibilidade\u201d <strong>(CHEVALIER, J. &amp; GHEERBRANT, A., Dicion\u00e1rio de S\u00edmbolos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNaquilo que \u00e9 chamado, grosso modo, loucura, h\u00e1 duas coisas: h\u00e1 um furo, um rasgo, como uma luz repentina, um muro que \u00e9 atravessado; e h\u00e1, em seguida, uma dimens\u00e3o muito diferente, que poder\u00edamos chamar de desabamento. Um furo e um desabamento. Lembro-me de uma carta de Van Gogh. &lt;&lt;Devemos \u2013 escrevia ele \u2013 minar o muro&gt;&gt;. Salvo que romper o muro \u00e9 dific\u00edlimo e se o fazemos de forma muito bruta nos machucamos, ca\u00edmos desabamos. Van Gogh acrescenta ainda que &lt;&lt;devemos atravess\u00e1-lo com uma lima, lentamente e com paci\u00eancia&gt;&gt;. Temos ent\u00e3o o furo e depois esse desabamento poss\u00edvel\u201d <strong>(Deleuze, G., A ilha deserta e outros textos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNaquilo que \u00e9 chamado, grosso modo, loucura, h\u00e1 duas coisas: h\u00e1 um furo, um rasgo, como uma luz repentina, um muro que \u00e9 atravessado; e h\u00e1, em seguida, uma dimens\u00e3o muito diferente, que poder\u00edamos chamar de desabamento. Um furo e um desabamento\u201d <strong>(Deleuze, G. In:__ A ilha deserta e outros textos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por isso que a psican\u00e1lise encontra nessa loucura por excel\u00eancia &#8211; a que os psiquiatras chamam esquizofrenia &#8211; o seu \u00edntimo, o seu mais invenc\u00edvel tormento: pois nesta loucura se d\u00e3o, sob uma forma absolutamente manifesta e absolutamente retra\u00edda, as formas da finitude em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 qual, de ordin\u00e1rio, ela avan\u00e7a indefinidamente (e no intermin\u00e1vel) a partir do que lhe \u00e9 volunt\u00e1ria-involuntariamente oferecido na linguagem do paciente. (&#8230;) como se a psicose expusesse numa ilumina\u00e7\u00e3o cruel e oferecesse de um modo demasiado long\u00ednquo, mas justamente demasiado pr\u00f3ximo, aquilo em cuja dire\u00e7\u00e3o a an\u00e1lise deve lentamente caminhar\u201d. <strong>(FOUCAULT, M. As ci\u00eancias humanas. In:__ As palavras e as coisas)<\/strong><\/p>\n<p><strong>LITERATURA<\/strong>:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 impossibilidade de ser al\u00e9m do que se \u00e9 \u2013 no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o del\u00edrio (&#8230;) aceito tudo o que vem de mim porque n\u00e3o tenho conhecimento das causas e \u00e9 poss\u00edvel que esteja pisando no vital sem saber&#8221; <strong>(Clarice Lispector, Perto do cora\u00e7\u00e3o selvagem)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Creo que todos tenemos un poco de esa bella locura que nos mantiene andando cuando todo alrededor es tan insanamente cuerdo\u201d<strong> (Julio Cort\u00e1zar)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA loucura, objeto dos meus estudos, era at\u00e9 agora uma ilha perdida no oceano da raz\u00e3o; come\u00e7o a suspeitar que \u00e9 um continente\u201d<strong>(Machado de Assis, O Alienista)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEl arma del poeta es la locura.\u201d <strong>(Alejandra Pizarnik, Diarios)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA normalidade \u00e9 uma estrada pavimentada. \u00c9 confort\u00e1vel para caminhar. Mas nela n\u00e3o crescem flores\u201d <strong>(Vincent Van Gogh, Cartas a Theo)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA loucura, longe de ser uma anomalia, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o normal humana. N\u00e3o ter consci\u00eancia dela, e ela n\u00e3o ser grande, \u00e9 ser homem normal. N\u00e3o ter consci\u00eancia dela e ela ser grande, \u00e9 ser louco. Ter consci\u00eancia dela e ela ser pequena \u00e9 ser desiludido. Ter consci\u00eancia dela e ela ser grande \u00e9 ser g\u00e9nio.\u201d <strong>(Fernando Pessoa, Aforismos e afins)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cArre! por n\u00e3o poder agir de acordo com o meu del\u00edrio!\/ Arre! por andar sempre agarrado \u00e0s saias da civiliza\u00e7\u00e3o!\/ Por andar com a <em>douceur des moeurs<\/em> \u00e0s costas\/ como um fardo de rendas!\u201d <strong>(\u00c1lvaro de Campos)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSentir tudo de todas as maneiras\/ Sentir tudo excessivamente\/ Porque todas as coisas s\u00e3o, em verdade, excessivas\/ E toda a realidade \u00e9 um excesso, uma viol\u00eancia\/ Uma alucina\u00e7\u00e3o extraordinariamente n\u00edtida\/ Que vivemos todos em comum com a f\u00faria das almas\/ O centro para onde tendem as estranhas for\u00e7as centr\u00edfugas\/ Que s\u00e3o as psiques humanas\/ no seu acordo de sentidos\u201d <strong>(\u00c1lvaro de Campos)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Como pode o homem\/ Sentir-se a si mesmo\/ Quando o mundo some?\/ Como vai o homem\/ Junto de outro homem\/ Sem perder o nome? <strong>(Carlos Drummond de Andrade, Especula\u00e7\u00f5es em torno da palavra homem)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No descome\u00e7o era o verbo.\/S\u00f3 depois \u00e9 que veio o del\u00edrio do verbo.\/ O del\u00edrio do verbo estava no come\u00e7o, l\u00e1 onde a crian\u00e7a diz: eu escuto a cor dos passarinhos (\u2026)\/ Em poesia que \u00e9 voz de poeta, que \u00e9 a voz de fazer nascimentos\/ &#8212; o verbo tem que pegar del\u00edrio&#8221; <strong>(Manoel de Barros, O livro das ignor\u00e2ncias)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 as palavras n\u00e3o foram castigadas com a ordem natural das coisas. As palavras continuam com seus deslimites&#8221; <strong>(Manoel de Barros, Retrato do artista quando coisa)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u2026foi aparando as arestas de sua personalidade, emocionalizando sua vida mental. Pensava que aos olhos dela ascenderam a uma estatura angelical; e, na medida em que prendia cada vez mais a si a natureza f\u00e9rvida de sua companheira, ouvia a voz impessoal que reconhecia como sua, insistindo na incur\u00e1vel solid\u00e3o de toda a alma&#8221; <strong>(JOYCE, J., Dublinenses)<\/strong>[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #800000;\"><strong>Linha D: Semblante e Sinthoma<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>\u201c\u00c9 nisso que Joyce desliza, desliza, desliza at\u00e9 Jung, desliza at\u00e9 o inconsciente coletivo. Que o inconsciente coletivo seja um sinthoma, n\u00e3o h\u00e1 melhor prova que Joyce, pois n\u00e3o se pode dizer que Finnegans Wake, em sua imagina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o participa desse sinthoma\u201d (O Semin\u00e1rio, Livro 23: O Sinthoma. 16 de mar\u00e7o de 1976)<\/p>\n<p>\u201cPenso que n\u00e3o se pode conceber o psicanalista de outra forma sen\u00e3o como um sinthoma. N\u00e3o \u00e9 a psican\u00e1lise que \u00e9 um sinthoma, mas o psicanalista\u201d (O Semin\u00e1rio, Livro 23: O Sinthoma. 13 de abril de 1976)<\/p>\n<p>\u201cE\u0301 instrutivo ver como Lacan reconhece um lugar para o princ\u00edpio do prazer nesse est\u00e1gio do Um. Esse princ\u00edpio quase animal, ac\u00e9falo, se o definimos apenas como padecer o menos poss\u00edvel; e\u0301 desse princ\u00edpio do prazer que Lacan pode dizer que isso n\u00e3o cessa um instante. Podemos dizer que e\u0301 verdadeiramente a \u00fanica lei que ele reconhece no est\u00e1gio do sinthoma&#8221; (Miller, J-A. Perspectivas do Semin\u00e1rio 23, p.147)<\/p>\n<p>\u201c&#8230; o sintoma \u00e9 antes de tudo um fato de enrola\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sintoma quando o n\u00f3 perfeito rateia, quando o n\u00f3 se enrola, quando h\u00e1, como dizia Lacan, lapso do n\u00f3. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, esse sintoma feito de enrola\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m ponto de basta e, em particular, o ponto de basta do casal. Assim, tamb\u00e9m o sintoma \u00e9 um termo Janus. O sintoma, em uma das suas faces, \u00e9 o que n\u00e3o vai bem, e na outra, a que Lacan, recorrendo \u00e0 etimologia, denominou de sinthoma, o \u00fanico lugar onde, para o homem que se enrola, finalmente isso rola\u201d\u00a0 (MILLER, J-A. \u201cA Teoria do Parceiro\u201d. In:__ Os circuitos do desejo na vida e na an\u00e1lise &#8211; EBP (orgs.) &#8211; Contra Capa Livraria, 2000, p.207)<\/p>\n<p>\u201cUm significante articula-se a um outro, e n\u00e3o a uma coisa. \u00c9 por isso que\u00a0 \u201co significante irrealiza o mundo\u201d, afirma Miller. \u00c0 medida que falamos, aquilo a que nos referimos ficcionaliza-se; o que \u00e9 nomeado cessa\u00a0 de existir como tal para ser semblantizado. O referente passa a ser vazio\u201d (SALAMONE. D. Luis- Todos loucos, In__: Semblantes e sintomas, Scilicet, S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2009. p.359).<\/p>\n<p>\u201cLa distinci\u00f3n entre saber y creencia se une a la distinci\u00f3n operada entre el delirio como real, real de la psicosis, y el delirio como semblante, semblante social entre el terapeuta y su paciente. (&#8230;) La cuesti\u00f3n de esta relaci\u00f3n con la verdad, presente en el n\u00facleo de \u2018todo mundo es loco\u2019, deber\u00eda orientar al practicante para que se desprenda de la postura de \u2018t\u00e9cnico del delirio\u2019\u201d.\u00a0 (LAHUTTE, Bertrand. \u201cDelirio\u201d, IN: SCILICET: Las psicosis Ordinarias y las otras bajo transferencia. Org. Miller J.A. 2017 pg. 111)<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica via que se abre mais al\u00e9m \u00e9, para o falasser, fazer-se tolo [<em>dupe<\/em>] de um real, quer dizer, montar um discurso no qual os semblantes obstringem um real, um real no qual se crer sem a ele aderir, um real que n\u00e3o tem sentido, indiferente ao sentido e que s\u00f3 pode ser aquilo que ele \u00e9. A debilidade \u00e9, ao contr\u00e1rio, a tapea\u00e7\u00e3o [<em>duperie<\/em>] do poss\u00edvel. Ser tolo, tapeado por um real \u2013 o que ostento \u2013 \u00e9 a \u00fanica lucidez aberta ao corpo falante para se orientar. Debilidade \u2013 del\u00edrio \u2013 tapea\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a trilogia de ferro que repercute o n\u00f3 do imagin\u00e1rio, do simb\u00f3lico e do real.\u201d (Miller, J-A. \u201cO inconsciente e o corpo falante\u201d. In:__ O osso de uma an\u00e1lise)<\/p>\n<p>\u201cDe in\u00edcio, h\u00e1 a interpreta\u00e7\u00e3o da \u00e9poca do sintoma, que se apoia sobre o sentido e a significa\u00e7\u00e3o; depois, h\u00e1 aquela que sabe jogar com o equ\u00edvoco, o escrito na fala, que \u00e9 a \u00fanica que pode \u2018liberar algo do sinthoma\u2019. A divis\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais no n\u00edvel de uma subjetividade que palpita, mas sim no uso da lal\u00edngua como equ\u00edvoco. Lacan, numa declara\u00e7\u00e3o perempt\u00f3ria, fala n\u00e3o mais dos efeitos de verdade que liberam algo do sintoma, e sim de efeitos de equ\u00edvoco que operam: \u2018\u00e9 unicamente pelo equ\u00edvoco que a interpreta\u00e7\u00e3o opera\u2019. Trata-se de utilizar o dizer de forma que, na fala, o efeito de escrito permita fazer surgir o equ\u00edvoco, \u00fanico a tocar o sinthoma por seu \u2018rezonar\u2019 (<em>r\u00e9son<\/em>) ou conson\u00e2ncia. Se, como vimos, o corpo falante fala por suas puls\u00f5es, \u00e9 que elas s\u00e3o, no corpo, os tra\u00e7os (traces), \u2018o eco do fato de que h\u00e1 um dizer\u2019 que tocou\u201d. (LAURENT, E. <em>O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo.<\/em> Rio de Janeiro: Contracapa, 2016, p. 181).<\/p>\n<p>\u201cO corpo que fala testemunha o discurso como la\u00e7o social que vem se inscrever sobre ele: \u00e9 um corpo socializado. Essa dimens\u00e3o coletiva aparece em seus desarranjos e nomea\u00e7\u00f5es\u201d (LAURENT, E. <em>O avesso da biopol\u00edtica. Uma escrita para o gozo.<\/em> Rio de Janeiro: Contracapa, 2016, p. 213).[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #800000;\"><strong>Linha E: Refer\u00eancias do argumento e preparat\u00f3rias:<\/strong><\/span><\/h3>\n<ol>\n<li><strong> Ep\u00edgrafe presente no argumento de Leonardo Scofield<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201cPara haver paradigma \u00e9 preciso haver a singularidade de um caso apreendido como incompar\u00e1vel. Em seguida, engancham-se vag\u00f5es a essa locomotiva que parte sozinha, tal como o gato de Kipling\u201d (MILLER, Jacques-Alain &#8211; Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan: entre desejo e gozo, 2011.<\/p>\n<p><strong>I. Esta\u00e7\u00e3o 3\u00aa &#8211; Duas locomotivas<\/strong> \u2013 <strong>Trechos de \u201cA natureza devora o progresso e o ultrapassa\u201d (1937) de Benjamin P\u00e8ret, apresentados por Raul Antelo. <\/strong><\/p>\n<p>\u201cO sil\u00eancio pesa nos ouvidos como uma pepita de ouro na m\u00e3o, mas o ouro \u00e9 mais mole que uma laranja. Por\u00e9m, o homem est\u00e1 por ali. Abriu um corredor em meio ao verde e, ao longo de todo esse corredor, desen\u00adrolou um fio telegr\u00e1fico. Mas logo a floresta se cansou de dedilhar a corda que nunca produzia mais que uma voz de homem, e as plantas, mil plantas mais zelosas, mais ardentes umas que as outras, se apressaram a sufo\u00adcar essa voz debaixo de seu beijo\u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>\u201cA floresta recuou diante do machado e da dinamite, mas entre duas passagens de trem se lan\u00e7ou sobre a via f\u00e9rrea dirigindo ao maquinista gestos provocativos e olhadelas sedutoras. Uma vez, duas, ele resistir\u00e1 \u00e0 ten\u00adta\u00e7\u00e3o que o perseguir\u00e1 ao longo de todo percurso, de uma travessa verdejante a um sinal dissimulado por um enxame de abelhas (&#8230;) A m\u00e1quina se deter\u00e1 para um enlace que queria pas\u00adsageiro, mas que se prolongar\u00e1 ao infinito, ao sabor do desejo perpetuamente renovado da sedutora\u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>\u201cA partir da\u00ed come\u00e7a a lenta absor\u00e7\u00e3o: biela por biela, pino a pino, a locomotiva entra no leito da floresta e, de vol\u00fapia em vol\u00fapia, submerge, freme, geme como uma leoa no cio. Fumega orqu\u00eddeas, sua caldeira abri\u00adga os jogos de crocodilos sa\u00eddos dos ovos na v\u00e9spera, enquanto no apito moram legi\u00f5es de colibris que lhe d\u00e3o uma vida quim\u00e9rica e provis\u00f3ria pois muito em breve a flama da floresta, ap\u00f3s ter demoradamente lambido sua presa, a engolir\u00e1 como uma ostra\u201d<\/p>\n<p><strong>III. Esta\u00e7\u00e3o 4\u00aa \u2013 Leitura e apresenta\u00e7\u00e3o do caso Mlle. B. \u2013 Trechos da apresenta\u00e7\u00e3o realizada por Licene Garcia e Diego Cervelin<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a mental&#8230; sim, \u00e9 bem dif\u00edcil pensar os limites [dela] (&#8230;) Ela n\u00e3o tem a menor ideia do corpo que ela tem para colocar dentro deste vestido. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para habitar a vestimenta. Ela \u00e9 este pano. Ela ilustra o que eu chamo de semblante. Ela \u00e9 isto. H\u00e1 uma vestimenta e ningu\u00e9m para se colocar ali dentro. Ela n\u00e3o tem rela\u00e7\u00f5es existentes, a ideia de rela\u00e7\u00f5es entre um certo n\u00famero de pessoas, apenas com vestimentas, \u00e9 tudo o que existe para ela\u201d <strong>(LACAN, J. O caso de Mademoiselle B. In: Boletim, ano IV, n. 9, Porto Alegre: APPOA, nov. 1993,\u00a0pp.\u00a030-31)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A parafrenia \u00e9 a doen\u00e7a mental em sua excel\u00eancia. Distinguem-se nela variedades. \u00c9 como o simb\u00f3lico, o imagin\u00e1rio e o real. \u00c9 a doen\u00e7a mental por excel\u00eancia, \u00e9 a doen\u00e7a de ter uma mentalidade&#8221; <strong>(LACAN, J. O caso de Mademoiselle B. In: Boletim, ano IV, n. 9, Porto Alegre: APPOA, nov. 1993,\u00a0pp.\u00a030-31)<\/strong><\/p>\n<p><strong>III. Esta\u00e7\u00e3o 5\u00aa \u2013 As loucuras dos discursos e a experi\u00eancia do singular \u2013 Trecho do livro<\/strong><strong> \u201cA Louca e o Santo\u201d \u2013 apresentado por Teresa Pavone.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAqueles que assistiram ao exerc\u00edcio contest\u00e1vel da \u2018apresenta\u00e7\u00e3o de doentes\u2019 no recinto do Hospital Sainte-Anne conhecem bem o mal-estar provocado por um del\u00edrio.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito hesita longamente antes de admitir o r\u00f3tulo da psiquiatria: vejamos, este homem sente-se perseguido, e se o fosse realmente? Nada implica verdadeiramente a ades\u00e3o, exceto o compromisso tem\u00edvel que o esp\u00edrito \u00e9 obrigado a fazer com o real: louco este homem o \u00e9 indubitavelmente desde o instante em que perturba a ordem p\u00fablica, seus vizinhos, sua fam\u00edlia e sociedade. A este crit\u00e9rio, e somente a ele reconhece-se a loucura. Foi exatamente assim que Madaleine encontrou a dela: dormindo sobre um banco p\u00fablico [&#8230;] O del\u00edrio de Madaleine, tal como apresentado por Janet com honestidade irretoc\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 contest\u00e1vel nem por um instante. Que comporte sua carga de verdade social n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pouco. Segundo nossos crit\u00e9rios, Madaleine pertencia \u00e0 categoria dos doentes mentais, \u00e9 certo.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o saber\u00edamos esquivar a quest\u00e3o da santidade. Camponesa italiana no Messogiorno, Madaleine teria sido objeto de peregrina\u00e7\u00f5es, mesmo ainda hoje neste final de s\u00e9culo XX, burguesa de prov\u00edncia errante em Paris, ela n\u00e3o escapa \u00e0 Sap\u00eatri\u00e8re\u201d <strong>(CL\u00c9MENT, C.; KAKAR, S. \u201cO azar de Madaleine\u201d, In: A Louca e o Santo. Rio de Janeiro,\u00a0 Ed.: Relume Dumar\u00e1, 1997, p. 95)<\/strong>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Linha A &#8211; Loucura, Del\u00edrio e Liberdade: \u201cOs neur\u00f3ticos d\u00e3o as costas \u00e0 realidade por consider\u00e1-la \u2014 no todo ou em parte \u2014 insuport\u00e1vel. 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