{"id":3865,"date":"2023-05-24T10:54:10","date_gmt":"2023-05-24T13:54:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3865"},"modified":"2023-09-26T15:16:11","modified_gmt":"2023-09-26T18:16:11","slug":"4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-eixo-iii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-eixo-iii\/","title":{"rendered":"4\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Louco-motiva: a cada um seu acento &#8211; Eixo III"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #800000;\">Eixos tem\u00e1ticos<\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Eixo: Que b\u00fassola \u00e9 essa?<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Nohem\u00ed Brown<\/h6>\n<p>Um mapa nos d\u00e1 um panorama da densidade do terreno e os caminhos opcionais. A b\u00fassola \u00e9 um instrumento de outra ordem, marca a dire\u00e7\u00e3o a seguir. N\u00e3o indica tudo o que encontraremos no caminho, mas sim, para onde podemos nos dirigir. Portanto, uma b\u00fassola nos orienta, especialmente quando percorremos um caminho que desconhecemos, onde as refer\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o claras. Uma b\u00fassola talvez seja o elemento mais pertinente para os tempos que correm. J.-A. Miller coloca como b\u00fassola o aforismo lacaniano: \u201cTodo mundo \u00e9 louco, isto \u00e9, delirante\u201d. A import\u00e2ncia de um aforismo como este, radica em que ele \u00e9 um enunciado breve, conciso, mas no qual se afirma um saber. Portanto, tem um valor epist\u00eamico, mas, como sabemos, nossos conceitos s\u00e3o os instrumentos com os quais operamos na pr\u00e1tica. Nesse sentido, essa b\u00fassola lacaniana<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, por um lado, permite nos orientarmos no \u00faltimo ensino de Lacan, e, por outro, condiciona a pr\u00e1tica contempor\u00e2nea. O ensino condiciona a pr\u00e1tica anal\u00edtica e essa b\u00fassola \u00e9 convocada a incidir nela.<\/p>\n<p>Algumas consequ\u00eancias:<\/p>\n<p><strong>&#8211; Todos delirantes<\/strong><\/p>\n<p>Se \u00e9 com os efeitos de sentido que constru\u00edmos nosso mundo, as palavras introduzem no corpo representa\u00e7\u00f5es e o corpo \u00e9 capturado pelo sentido. H\u00e1 um certo \u201cimp\u00e9rio do sentido sobre nossos corpos e a nosso modo nos enrolamos nele\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.Com o aforismo que estamos trabalhando, se destaca a extens\u00e3o da categoria de loucura, onde todo o ser falante \u00e9 carente com rela\u00e7\u00e3o ao saber sobre a sexualidade, sobre o gozo do corpo. O que a psicose nos ensina \u00e9 que o significante sempre \u00e9 enigm\u00e1tico. O del\u00edrio, por outro lado, acrescenta outro significante, que \u00e9 o do saber. O del\u00edrio \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o de saber sobre esse significante enigm\u00e1tico. Neste sentido, a constru\u00e7\u00e3o de um saber diante do mais singular, dessa marca de gozo, tem a estrutura de linguagem do del\u00edrio. Desde esta perspectiva, todos delirantes! Podemos dizer, em uma an\u00e1lise o que orienta \u00e9 essa opera\u00e7\u00e3o de subtra\u00e7\u00e3o que permite isolar ou cingir um significante com valor de gozo, sempre enigm\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>-A <em>extimidade<\/em> do real<\/strong><\/p>\n<p>Este aforismo implica a <em>extimidade<\/em> do real<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> com rela\u00e7\u00e3o ao sentido. Portanto, o que nos orienta \u00e9 o real e tem sido condensado na afirma\u00e7\u00e3o: a orienta\u00e7\u00e3o pelo real. Mas, o que significa isso? Esta me parece ser uma pergunta que conv\u00e9m colocar a trabalho e n\u00e3o dar por suposta. Inclusive, podemos precisar que se trata de uma orienta\u00e7\u00e3o pelo real? do real? Para o real? De modo inicial, podemos dizer que orientar-se pelo real implica que n\u00e3o se faz primordialmente pelo simb\u00f3lico, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sem ele. N\u00e3o quer dizer que se descarta o simb\u00f3lico ou torna-lo irrelevante, mas que n\u00e3o \u00e9 ele que orienta. Os registros se problematizam, como nos ensina Lacan na <em>Terceira, <\/em>texto que marca o in\u00edcio do \u00faltimo ensino, onde retoma seus tr\u00eas &#8211; real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio &#8211; e os reformula. Fazendo disso uma articula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas consist\u00eancias que ressalta o que as mantem juntas; os arranjos que permitem o n\u00f3 que sustenta um la\u00e7o com a vida do <em>parletre<\/em>. Orienta\u00e7\u00e3o para o real, implica que o real est\u00e1 ali, que n\u00e3o depende do analista, mais bem, o analista depende dele. Se orienta por ele. O analista tem por miss\u00e3o enfrent\u00e1-lo.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Esse real s\u00f3 pode ser enodado.<\/p>\n<p>Se falamos de ensino, h\u00e1 algo que n\u00e3o pode ser ensinado, especialmente com rela\u00e7\u00e3o ao real; por isso, a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do analista se torna fundamental.<\/p>\n<p><strong>&#8211; H\u00e1 gozo<\/strong><\/p>\n<p>Essa b\u00fassola tem como suposto que <em>h\u00e1 gozo<\/em>. H\u00e1 momentos ao longo de um tratamento em que algo pode se apaziguar ou perturbar, isto \u00e9, algo da ordem do gozo. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 algo irredut\u00edvel nesse gozo. O real do gozo; mais do que decifr\u00e1-lo, h\u00e1 que localiz\u00e1-lo para saber-fazer com ele. Retomar a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise a partir da dimens\u00e3o deste aforismo \u00e9 localizar o elementar na estrutura, tomar em conta a subst\u00e2ncia gozante que n\u00e3o se articula a nenhum circuito pulsional, nem no fantasma. Isto \u00e9, o que do gozo permanece n\u00e3o negativiz\u00e1vel. Laurent prop\u00f5e que a consist\u00eancia do real na experiencia anal\u00edtica seria um \u201cmoterial\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> que nos habita, tomado no sentido do real que se inscreveu nos nossos corpos. Ent\u00e3o, como nos servimos disso para formalizar uma entrada em an\u00e1lise, uma dire\u00e7\u00e3o de tratamento, um final?<\/p>\n<p><strong>&#8211; Um farol<\/strong><\/p>\n<p>A ideia de um \u00faltimo momento de escans\u00e3o no ensino de Lacan, permite uma certa ordena\u00e7\u00e3o considerando diferentes giros epist\u00eamicos. Os ditos e as formula\u00e7\u00f5es de Lacan n\u00e3o s\u00e3o contempor\u00e2neos uns dos outros; eles foram formulados em momentos diferentes, e em \u00e9pocas diferentes. Primeiro Lacan, segundo&#8230; s\u00e3o um certo ordenamento dos giros no ensino de Lacan. A base da formaliza\u00e7\u00e3o dessas escans\u00f5es \u00e9 a pr\u00f3pria experi\u00eancia anal\u00edtica, seus impasses, suas \u00e9pocas. Portanto, \u00e9 importante considerar estes momentos e seu ordenamento, n\u00e3o em uma ideia de progress\u00e3o, mais em um efeito de retroa\u00e7\u00e3o, que permita esclarecer e iluminar os pontos que se mantinham opacos, ou at\u00e9 como pontos cegos de outro momento do ensino. Neste sentido, o efeito de retroa\u00e7\u00e3o \u00e9 como um farol que permite tornar vivos nossos conceitos. Uma b\u00fassola que nos permite extrair e apreender sobre o conceito, por exemplo, de desejo do analista<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, de sintoma, interpreta\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante considerar as consequ\u00eancias dessa b\u00fassola. Que b\u00fassola \u00e9 essa? Como nos orienta na escuta, na nossa pr\u00e1tica e poder formaliz\u00e1-la na constru\u00e7\u00e3o do caso. Mas tamb\u00e9m, como podemos ler, se poss\u00edvel, retroativamente os conceitos e dando outra luz. Isto \u00e9, dando o valor ao que aprendemos dos primeiros momentos do ensino, articulados \u00e0 experi\u00eancia anal\u00edtica. \u00c9 disso que se trata uma b\u00fassola: como nos orientarmos no mar de conceitos e ditos do paciente.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, J.-A. <em>Todo el mundo es loco<\/em> (2008). Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015. Pp. 325-343.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Solano, E. \u201cDelirios y despertares. Una lectura estructural del delirio\u201d. <em>In: Virtualia<\/em>, n. 42, mayo 2023.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Miller, J.-A. <em>La experiencia de lo real en la cura psicoanal\u00edtica<\/em> (1998). Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2006, p. 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Lacan, J. <em>A terceira; Teoria de lalingua<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar,2022, p. 31.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Laurent, E. \u00bfQu\u00e9 es un psicoan\u00e1lisis orientado hacia lo real? <em>In: Freudiana<\/em>, n. 71, 2014.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Esse termo j\u00e1 introduzido no Semin\u00e1rio 11, \u00e9 lido por Miller introduzindo essa orienta\u00e7\u00e3o para o real: \u201ca redefini\u00e7\u00e3o do desejo do analista, que n\u00e3o \u00e9 um desejo puro&#8230;, mas um desejo de alcan\u00e7ar o real, de reduzir o Outro a seu real e liber\u00e1-lo do sentido\u201d. Miller, J.-A. \u201cO real no s\u00e9culo XXI\u201d. <em>In: Scilicet. Um real para o s\u00e9culo XXI<\/em>. Belo Horizonte: Scriptum, 2014, p. 31.<\/h6>\n[\/eikra-vc-text-title][\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Eixos tem\u00e1ticos Eixo: Que b\u00fassola \u00e9 essa? Nohem\u00ed Brown Um mapa nos d\u00e1 um panorama da densidade do terreno e os caminhos opcionais. A b\u00fassola \u00e9 um instrumento de outra ordem, marca a dire\u00e7\u00e3o a seguir. N\u00e3o indica tudo o que encontraremos no caminho, mas sim, para onde podemos nos dirigir. 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