{"id":3863,"date":"2023-05-24T10:53:23","date_gmt":"2023-05-24T13:53:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3863"},"modified":"2023-09-26T15:15:55","modified_gmt":"2023-09-26T18:15:55","slug":"4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-eixo-ii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-eixo-ii\/","title":{"rendered":"4\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Louco-motiva: a cada um seu acento &#8211; Eixo II"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #800000;\">Eixos tem\u00e1ticos<\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #800000;\"><strong>Eixo II &#8211; \u201cSalvar a cl\u00ednica\u201d<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Maria Teresa Wendhausen<\/h6>\n<p>O t\u00edtulo deste eixo foi retirado do discurso de encerramento de J.A. Miller da grande conversa\u00e7\u00e3o virtual da AMP, em 2022<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ele prop\u00f5e no referido discurso colocar a trabalho o aforismo lacaniano \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d, situando-o no contexto da \u00e9poca da despatologiza\u00e7\u00e3o<strong>, <\/strong>produto da substitui\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios jur\u00eddicos pelos princ\u00edpios cl\u00ednicos. Esta substitui\u00e7\u00e3o, nos diz, coloca em risco a cl\u00ednica, podendo incidir sobre seu desaparecimento.<\/p>\n<p>Indica como podemos salvar a cl\u00ednica a despeito de qualquer despatologiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sugere, ent\u00e3o, fazer coexistir a desapari\u00e7\u00e3o de toda patologia e o igualitarismo p\u00f3s cl\u00ednico com a conserva\u00e7\u00e3o das distin\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de estabelecer uma hierarquia entre os dois termos.<\/p>\n<p>Aqui nos indagamos: seria poss\u00edvel pensar a cl\u00ednica ir\u00f4nica, proposta no texto com o mesmo nome, do autor antes referido, como um modo de salvar a cl\u00ednica?<\/p>\n<p>Neste texto Miller faz uma pergunta: \u201ccomo encarnar a refer\u00eancia vazia?\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Esta pergunta diz respeito \u00e0 perspectiva ir\u00f4nica da linguagem, que ele recomenda. Coloca que para esta perspectiva a linguagem faz inexistir aquilo do que se fala. \u201cO axioma de Lacan segundo o qual a verdade tem estrutura de fic\u00e7\u00e3o comporta que a palavra tem efeito de fic\u00e7\u00e3o. O segredo da cl\u00ednica universal do del\u00edrio \u00e9 que a refer\u00eancia \u00e9 vazia\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica universal do del\u00edrio \u00e9 a que ele op\u00f5e a\u00ed \u00e0 cl\u00ednica diferencial das psicoses e prop\u00f5e que ela seja o fundamento desta \u00faltima.<\/p>\n<p>Esclarece-nos que esta cl\u00ednica \u00e9 aquela que toma como ponto de partida o seguinte: \u201ctodos os nossos discursos n\u00e3o passam de defesa contra o real\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> e que para construir esta perspectiva cl\u00ednica seria preciso alcan\u00e7ar a ironia infernal do esquizofr\u00eanico, \u201caquela da qual ele faz uma arma e que incide, diz Lacan, na raiz de toda rela\u00e7\u00e3o social\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. H\u00e1 na esquizofrenia uma exclus\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Isto denuncia que todos os discursos n\u00e3o passam de semblante, n\u00e3o h\u00e1 discurso que n\u00e3o seja de semblante, portanto \u201ctodo mundo \u00e9 louco, delirante\u201d. A base desta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 Outro do Outro, o Outro n\u00e3o existe. N\u00e3o h\u00e1 significa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para o gozo.<\/p>\n<p>Podemos dizer que a cl\u00ednica ir\u00f4nica, a partir da inexist\u00eancia do Outro, deixa lugar para a conting\u00eancia, para o dizer, para o que \u00e9 mais singular a cada um. Trata-se da posi\u00e7\u00e3o de gozo do sujeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria esta a quest\u00e3o que hoje enquanto analistas temos que nos a ver, esta vertente do gozo, nos tempos em que o Outro n\u00e3o mais existe, tempos da queda e at\u00e9 da evapora\u00e7\u00e3o do pai? Como cada um se vira com este gozo? Como o analista opera a\u00ed?<\/p>\n<p>Miller coloca que o analista \u201cescuta o que se enuncia da boca do paciente, o que se vocifera do lugar de mais ningu\u00e9m\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. Um pouco antes diz que se refere ao fato de que \u201cali onde se sofre, se goza\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Assim, se o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o de cada um, um a um, cabe ao analista seguir o sujeito em sua inven\u00e7\u00e3o para fazer frente ao real do gozo. O analista \u00e9 aquele que segue, que segue o analisante que sabe. \u00c9 o que se chama a docilidade do analista.<\/p>\n<p>Aqui, talvez, possamos tomar o t\u00edtulo desta jornada, \u201cLouco-motiva: a cada um seu acento\u201d, desde esta posi\u00e7\u00e3o do analista, ou seja, desde esta posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber e da docilidade que ela implica, para que cada um dos que nos procuram possa encontrar o acento no trem dos \u201ctempos que correm\u201d<strong>. <\/strong><\/p>\n<p>Trata-se do analista sintoma, um furo que amarra real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio quando o Outro n\u00e3o mais existe.<\/p>\n<p>Isto diz respeito \u00e0 cl\u00ednica borromeana, aquela para a qual importa mais saber de que maneira o sujeito arranja para si um modo de amarra\u00e7\u00e3o do gozo, do que da exist\u00eancia ou n\u00e3o do Nome-do-pai. \u201cPrescindir do pai, servir-se dele\u201d, dir\u00e1 Lacan no Semin\u00e1rio 23<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Podemos pensar que esta seria uma posi\u00e7\u00e3o condizente com o que se apresenta hoje na civiliza\u00e7\u00e3o e que como analistas nos cabe estar \u00e0 altura, sustentando que no real, h\u00e1 um furo no saber?<\/p>\n<p>Deixo esta pergunta em aberto, somando a ela duas outras que me surgiram na prepara\u00e7\u00e3o deste eixo: Como pensar a transfer\u00eancia e a interpreta\u00e7\u00e3o dentro da perspectiva aqui desenvolvida? De que modo o diagn\u00f3stico estrutural ainda tem seu lugar nesta cl\u00ednica? Espero que animem nosso trabalho para que muitas outras se coloquem.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MILLER, J.A. Todo mundo \u00e9 louco. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n. 85, dez 2022<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> _________. Cl\u00ednica Ir\u00f4nica in Matemas I.\u00a0 Rio de Janeiro, Zahar, 1996. P.195<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ibid., p.194<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Ibid., p. 190<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Ibid., p.190<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> MILLER, J.A. Todo el mundo es loco. Buenos Aires, Paidos, 2020, p. 333<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> Ibid., p.333<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> LACAN, J. O semin\u00e1rio livro 23. Rio de Janeiro, Zahar, 2007.<\/h6>\n[\/eikra-vc-text-title][\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Eixos tem\u00e1ticos Eixo II &#8211; \u201cSalvar a cl\u00ednica\u201d Maria Teresa Wendhausen O t\u00edtulo deste eixo foi retirado do discurso de encerramento de J.A. Miller da grande conversa\u00e7\u00e3o virtual da AMP, em 2022[1]. Ele prop\u00f5e no referido discurso colocar a trabalho o aforismo lacaniano \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d, situando-o no contexto da \u00e9poca da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":3835,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3863","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3863"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4588,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3863\/revisions\/4588"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}