{"id":3857,"date":"2023-05-24T10:14:27","date_gmt":"2023-05-24T13:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3857"},"modified":"2023-09-26T15:15:13","modified_gmt":"2023-09-26T18:15:13","slug":"4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento\/4a-jornada-da-ebp-secao-sul-louco-motiva-a-cada-um-seu-acento-argumento\/","title":{"rendered":"4\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; Louco-motiva: a cada um seu acento &#8211; Argumento"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #800000;\">Argumento<\/span><\/h3>\n<blockquote><p>\u201cPara haver paradigma \u00e9 preciso haver a singularidade de <em>um<\/em> caso apreendido como incompar\u00e1vel. Em seguida, engancham-se vag\u00f5es a essa locomotiva que parte sozinha, tal como o gato de Kipling.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Partimos orientados pelo pr\u00f3ximo Congresso da AMP, cujo t\u00edtulo \u00e9: \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Esse aforismo, destacado por Miller, de um Lacan \u201c<em>a posteriori<\/em>\u201d, p\u00f3s \u201cmomento de concluir\u201d, ganha aqui o valor de interpreta\u00e7\u00e3o de seu \u00faltimo ensino. Apesar de ter sido enunciado para defender o departamento de psican\u00e1lise atrav\u00e9s de uma cr\u00edtica feroz ao ensino, tal aforismo \u00e9 propriamente cl\u00ednico. O que preocupa Lacan \u00e9 \u201ca estrutura de todo ensino\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Donde extra\u00edmos o termo estrutura para convid\u00e1-los a colocar a trabalho a estrutura da linguagem e a estrutura dos discursos.<\/p>\n<p>A passagem do Lacan estruturalista, em sua concep\u00e7\u00e3o do significante ser aquele que representa o sujeito para outro significante, fornece as bases operat\u00f3rias e constituintes do sujeito do inconsciente. Este estruturado como uma linguagem, entre S<sub>1<\/sub> e S<sub>2<\/sub>. Qualquer um dos tr\u00eas discursos, hist\u00e9rico, universit\u00e1rio e do mestre mant\u00eam ligados dois significantes, e s\u00e3o objeto da cr\u00edtica de Lacan ao dizer que \u201c\u00e9 preciso ser louco para ensinar, quem ensina delira\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, pois articula dois significantes estruturando um saber numa cadeia de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3871 aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/argumento001-300x49.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"49\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3872 aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/argumento002-300x45.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"45\" \/><\/p>\n<p>O empuxo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sentido com seus efeitos de domina\u00e7\u00e3o se proliferam em nossos tempos. A conhecida parceria mercado e ci\u00eancia n\u00e3o cessa de ofertar objetos que prometem tamponar a falta. As seitas religiosas encontram mais mercado para seus dogmas que d\u00e3o sentido a tudo. As demandas de trabalho excessivas excluem qualquer possibilidade de que algo saia da s\u00e9rie repetitiva e d\u00ea lugar ao novo, ao mesmo tempo em que as novidades n\u00e3o param de surgir. E as, n\u00e3o t\u00e3o novas, Intelig\u00eancias Artificiais prometem dominar toda e qualquer produ\u00e7\u00e3o de sentido dispon\u00edvel nos c\u00f3digos bin\u00e1rios de maior complexidade poss\u00edvel. As rela\u00e7\u00f5es prioritariamente on-line limitam a circula\u00e7\u00e3o dos corpos ao mesmo tempo em que a rolagem das p\u00e1ginas da web torna-se infinita e o tempo cada vez mais escasso tem seus intervalos completamente preenchidos.\u00a0 Que loucura!!! Resta a\u00ed espa\u00e7o para o singular, para o imposs\u00edvel ou est\u00e1 tudo dominado?<\/p>\n<p>Se seguimos \u00e0 risca a orienta\u00e7\u00e3o desse axioma lacaniano, veremos que a cr\u00edtica \u00e9 \u00e0 estrutura de domina\u00e7\u00e3o. Aqui se acorda a refer\u00eancia de Miller ao gato de Kipling, sendo aquele animal que n\u00e3o se deixa domesticar pelo discurso e caminha sozinho tornando-se a refer\u00eancia do singular, do paradigm\u00e1tico. Isso nos leva a apostar que a loucura de todos \u00e9 a estrutura da linguagem.<\/p>\n<p>Supor a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 crer na domina\u00e7\u00e3o, no universal e na exclus\u00e3o da heterogeneidade, na exclus\u00e3o da singularidade, portanto, do objeto da pr\u00e1xis psicanal\u00edtica. Isso levar\u00e1 ao \u201cdesaparecimento programado da cl\u00ednica\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Como n\u00f3s poder\u00edamos \u201calinhar nossa pr\u00e1tica a essa nova era, sem nostalgia, sem amargura, sem esp\u00edrito de vingan\u00e7a?\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, nos pergunta Miller. Como distinguir os chamados \u201cestilos de vida\u201d agrup\u00e1veis em sintomas, singulares testemunhos do imposs\u00edvel, do real?<\/p>\n<p>O recurso que nos resta \u00e9 a refer\u00eancia ao discurso do analista sendo aquele que \u201cn\u00e3o domina seu sujeito\u201d. Isso se d\u00e1 tamb\u00e9m por ele n\u00e3o operar a partir de um saber como agente, e sim pela fun\u00e7\u00e3o do objeto <em>a<\/em> que causa desejo e n\u00e3o submete a uma significa\u00e7\u00e3o. Nesta mesma perspectiva sustenta-se a falta a ser inerente ao <em>parl\u00eatre<\/em> em qualquer tentativa identit\u00e1ria baseada no binarismo dos significantes, por estrutura incapazes de definir, por exemplo, a posi\u00e7\u00e3o sexuada de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O que preconiza a operatividade do discurso anal\u00edtico fora das rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de escutar o outro a partir de uma verdadeira quest\u00e3o. O que seria verdadeiro na quest\u00e3o?<\/p>\n<p>Sobretudo em tempos onde a guerra das narrativas produz efeitos de massa devastadores e ressuscita ferozmente o \u00f3dio ao diferente, precisamos nos interrogar para al\u00e9m da verdade deliberadamente mentirosa e das meias verdades que portam as narrativas. Trata-se aqui de um campo de investiga\u00e7\u00e3o genu\u00edno onde o lugar da verdade est\u00e1 vazio. Isso implica na posi\u00e7\u00e3o de quem busca localizar n\u00e3o apenas os significantes mestres que orientam um sujeito, mas aquilo que o fixa em um modo de gozo. A investiga\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico constata a ruptura, a disjun\u00e7\u00e3o estrutural entre S<sub>1<\/sub> e S<sub>2<\/sub> e d\u00e1 a ela o valor contingencial, efeito de verdade.<\/p>\n<p>A loucura de todos (n\u00f3s) adquire sua fun\u00e7\u00e3o a partir do modo exclusivo, incompartilh\u00e1vel, de cada falasser responder ao que n\u00e3o se pode significar de sua exist\u00eancia. \u00c9 nessa perspectiva que se pode ler a refer\u00eancia de Miller \u00e0 locomotiva que parte sozinha como o gato de Kipling: Ao localizar o <em>um <\/em>indomestic\u00e1vel, pode-se lig\u00e1-lo \u00e0 cadeia de significantes, mas resta o um-sozinho n\u00e3o domin\u00e1vel pelo discurso, n\u00e3o apreens\u00edvel pelo sentido. Donde pontuamos pelo h\u00edfen o termo louco-motiva, destacando o espa\u00e7o vazio entre os significantes, sem desconsiderar, da loucura de cada um, o la\u00e7o poss\u00edvel de se estabelecer n\u00f3s.<\/p>\n<p>Interrogamos, por exemplo, se o que Lacan chama de a \u201cjunc\u0327a\u0303o mais i\u0301ntima do sentimento de vida no sujeito\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> n\u00e3o seria o acento singular que este porta, deixando expl\u00edcita a loucura e a ela todos expostos em sua rela\u00e7\u00e3o com a linguagem e o que lhe escapa. Por isso, \u00e9 importante saber sobre os tons do que faz sentido para cada falasser, o que o motiva em sua neurose ou psicose.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, torna-se imprescind\u00edvel dedicar-se a investigar sobre o modo de uso que cada um faz de seu corpo em sua falta a ser. \u00c9 importante cernir como cada um porta seu corpo e os usos que se faz do c\u00f3digo, da estrutura, para levar esse corpo a ocupar seu lugar no mundo, pois \u00e9 disso que se trata no la\u00e7o social, para al\u00e9m das narrativas identificat\u00f3rias. O acento pr\u00f3prio a cada um, para al\u00e9m da l\u00edngua que se fala, testemunha um vazio que pode ter fun\u00e7\u00e3o de causa com a qual n\u00e3o se identifica e a partir da qual se constitui \u00fanico, singular. Isso \u00e9 o que pretendemos promover nesta Jornada: o encontro de cada um com aquilo que lhe causa e lhe faz Um, para al\u00e9m da loucura que nos une. Que nesta louco-motiva, o discurso anal\u00edtico opere para que cada um tenha seu acento preservado. Que possamos assim fazer da cl\u00ednica psicanal\u00edtica e sua singularidade um paradigma vivo em nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Scofield, Leonardo \u2013 AP (EBP\/AMP) .<br \/>\nArgumento da 4a Jornada da EBP &#8211; Se\u00e7\u00e3o Sul. 05\/2023<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, Jacques-Alain. <em>Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan<\/em>: entre desejo e gozo. Trad. de Vera Avellar Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. p. 92-93.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. Todo mundo \u00e9 louco &#8211; AMP 2024. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. Trad. de Vera Ribeiro. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, n. 85, dez. 2022. p. 8.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, Jacques. Transfer\u00eancia para Saint Denis? Lacan a favor de Vincennes! In: <em>Correio<\/em>: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Trad. de S\u00e9rgio Laia. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, n. 65, p. 31.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> MILLER, Jacques-Alain. Todo mundo \u00e9 louco &#8211; AMP 2024. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. Trad. de Vera Ribeiro. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, n. 85, dez. 2022. p. 9.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Ibid.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> LACAN, Jacques. De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose. In: <em>Escritos<\/em>. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;4421&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Argumento \u201cPara haver paradigma \u00e9 preciso haver a singularidade de um caso apreendido como incompar\u00e1vel. Em seguida, engancham-se vag\u00f5es a essa locomotiva que parte sozinha, tal como o gato de Kipling.\u201d[1] Partimos orientados pelo pr\u00f3ximo Congresso da AMP, cujo t\u00edtulo \u00e9: \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d[2]. 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