{"id":3696,"date":"2022-08-19T08:32:34","date_gmt":"2022-08-19T11:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3696"},"modified":"2022-08-19T08:32:34","modified_gmt":"2022-08-19T11:32:34","slug":"3a-jornada-da-ebp-secao-sul-a-escuta-analitica-referencias-bibliograficas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/3a-jornada-ebp-secao-sul-a-escuta-analitica\/3a-jornada-da-ebp-secao-sul-a-escuta-analitica-referencias-bibliograficas\/","title":{"rendered":"3\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; A Escuta Anal\u00edtica &#8211; Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3495&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas &#8211; 3a Jornada EBPSUL<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Sigmund Freud<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Recomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico. In: Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica. Trad. de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica,\u00a0 2017.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;As regras t\u00e9cnicas que aqui coloco como proposta resultaram da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia ao longo de muitos anos, ap\u00f3s ter retornado de outros caminhos que geraram preju\u00edzos tamb\u00e9m pr\u00f3prios.\u00a0 Facilmente se percebe que elas, ou pelo menos muitas delas, juntam-se em uma \u00fanica prescri\u00e7\u00e3o [&#8230;] a) A tarefa que segue, diante da qual se v\u00ea o analista que como tal trata mais de um paciente por dia, tamb\u00e9m lhe parecer\u00e1 a mais dif\u00edcil. Pois ela consiste em, ao longo do tratamento, manter na mem\u00f3ria os incont\u00e1veis nomes, datas, detalhes da lembran\u00e7a, ocorr\u00eancias [<em>Einf\u00e4lle<\/em>] e produ\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a em que um paciente apresenta durante meses e anos, n\u00e3o os confundindo com material semelhante oriundo de pacientes analisados ao mesmo tempo ou em momento anterior [&#8230;]. No entanto, a t\u00e9cnica \u00e9 muito simples. Ela recusa todos os meios de apoio, como ouviremos a seguir, mesmo a anota\u00e7\u00e3o, consistindo apenas no fato de n\u00e3o querer memorizar algo espec\u00edfico e dispensando a mesma &#8216;aten\u00e7\u00e3o equiflutuante&#8217; &#8211; como eu j\u00e1 a havia chamado &#8211; ao que ouvimos. Dessa forma, economizamos o esfor\u00e7o da aten\u00e7\u00e3o que, de resto, n\u00e3o conseguir\u00edamos mesmo durante muitas horas ao dia, al\u00e9m de evitarmos um perigo, que \u00e9 insepar\u00e1vel da postura atenta e intencional. Pois assim que afiamos a aten\u00e7\u00e3o intencionalmente at\u00e9 um determinado ponto, come\u00e7amos a selecionar em meio ao material apresentado; fixamos uma parte de maneira bastante acurada, eliminando outra em seu lugar e, nessa sele\u00e7\u00e3o, fiamos as nossas expectativas ou as nossas inclina\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 justamente isso que n\u00e3o podemos fazer; se na sele\u00e7\u00e3o seguimos as nossas expectativas, corremos o risco de nunca encontrarmos algo diferente daquilo que j\u00e1 sabemos; se seguirmos as nossas inclina\u00e7\u00f5es, certamente falsificaremos a poss\u00edvel percep\u00e7\u00e3o. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que em geral ouvimos coisas cuja import\u00e2ncia s\u00f3 se revelar\u00e1 a posteriori [<em>nachtr\u00e4glich<\/em>]\u201d. (p. 93-94).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Qualidades ps\u00edquicas. In: Comp\u00eandio de Psican\u00e1lise e outros escritos inacabados. Trad. de Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO inconsciente pode tornar-se consciente atrav\u00e9s de nossos esfor\u00e7os e nesse processo podemos admitir a impress\u00e3o de frequentemente superarmos fortes resist\u00eancias. Quando tentamos fazer o mesmo com outro indiv\u00edduo, n\u00e3o podemos esquecer que o preenchimento consciente de suas lacunas perceptivas, a constru\u00e7\u00e3o que lhe oferecemos, ainda n\u00e3o significa que se tenha conseguido tornar-lhe consciente o conte\u00fado inconsciente correspondente. Em vez disso, ocorre que esse conte\u00fado est\u00e1, em princ\u00edpio, dispon\u00edvel para ele em uma dupla fixa\u00e7\u00e3o: uma vez na reconstru\u00e7\u00e3o consciente que acaba de receber e, al\u00e9m disso, em seu estado inconsciente original. Nossos esfor\u00e7os continuados costumam lograr \u00eaxito, na maioria dos casos, por esse inconsciente se tornar consciente a ele mesmo, de modo que essas duas fixa\u00e7\u00f5es venham a coincidir\u201d. (p. 53).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Explica\u00e7\u00e3o pela Interpreta\u00e7\u00e3o do Sonho. In: Comp\u00eandio de Psican\u00e1lise e outros escritos inacabados. Trad. de Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] Em vista da compila\u00e7\u00e3o e da multiplicidade de sentidos das rela\u00e7\u00f5es entre o sonho manifesto e seu subjacente conte\u00fado latente, \u00e9 naturalmente leg\u00edtimo perguntar de que modo, afinal, \u00e9 poss\u00edvel derivar um do outro e se, ao faz\u00ea-lo, contamos somente com um feliz palpite, apoiando-nos, talvez, na tradu\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos que aparecem no sonho manifesto. Pode-se dizer que, na grande maioria dos casos, essa tarefa \u00e9 resolvida a contento, mas somente com o aux\u00edlio das associa\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio sonhador trouxer aos elementos do conte\u00fado manifesto. Qualquer outro procedimento \u00e9 arbitr\u00e1rio e n\u00e3o nos oferecer\u00e1 certeza alguma\u201d. (p. 75- 77).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. A T\u00e9cnica Psicanal\u00edtica. In: Comp\u00eandio de Psican\u00e1lise e outros escritos inacabados. Trad. de Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe nas apresenta\u00e7\u00f5es do trabalho anal\u00edtico se ouve falar t\u00e3o pouco em \u2018constru\u00e7\u00f5es\u2019, isso se deve ao fato de que, em vez disso, fala-se em \u2018interpreta\u00e7\u00f5es\u2019 [<em>Deutungen<\/em>]\u00a0 e seus efeitos. Mas penso ser \u2018constru\u00e7\u00e3o\u2019 o termo infinitamente mais adequado. Interpreta\u00e7\u00e3o se refere \u00e0quilo que fazemos com um \u00fanico elemento do material, a exemplo de uma ocorr\u00eancia [<em>Einfall<\/em>], um ato falho ou assemelhados. Mas falamos em constru\u00e7\u00e3o quando apresentamos ao analisando um peda\u00e7o de sua hist\u00f3ria pregressa esquecida [&#8230;]. E \u00e9 a\u00ed que surge, em primeiro lugar, a pergunta: que garantias temos durante o nosso trabalho\u00a0 nas constru\u00e7\u00f5es de que n\u00e3o seguiremos por caminhos errados, colocando em risco o sucesso do tratamento, caso defendamos uma constru\u00e7\u00e3o incorreta?\u201d (p. 370).<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>O caminho que come\u00e7a com a constru\u00e7\u00e3o do analista deveria terminar com a recorda\u00e7\u00e3o do paciente; nem sempre ele vai t\u00e3o longe. In\u00fameras vezes n\u00e3o conseguimos levar o paciente \u00e0 recorda\u00e7\u00e3o do recalcado. Em vez disso, se executarmos a an\u00e1lise de forma correta, conseguimos que ele tenha uma convic\u00e7\u00e3o segura da verdade da constru\u00e7\u00e3o, que, do ponto de vista terap\u00eautico, tem o mesmo efeito que uma recorda\u00e7\u00e3o recuperada.&#8221; (p. 376).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Al\u00e9m do Princ\u00edpio de Prazer. In: Al\u00e9m do Princ\u00edpio de Prazer. Trad. de Maria Rita Salzano Moraes. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica, 2020.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] podemos ent\u00e3o dizer que a neurose anterior foi agora substitu\u00edda por uma nova neurose de transfer\u00eancia. O m\u00e9dico esfor\u00e7ou-se para restringir o mais poss\u00edvel o campo dessa neurose de transfer\u00eancia, para pressionar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 lembran\u00e7a e para admitir o m\u00ednimo poss\u00edvel de repeti\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Como regra geral, o m\u00e9dico n\u00e3o pode poupar o analisando dessa fase do tratamento; ele \u00e9 obrigado a deix\u00e1-lo reviver certa parte de sua vida esquecida e cuidar para que seja conservada uma medida de discernimento, em fun\u00e7\u00e3o da qual a realidade vis\u00edvel possa sempre, apesar de tudo, ser novamente reconhecida como reflexo de um passado esquecido\u201d. (p. 87).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. O Eu e o Id. In: Obras completas, volume 16: o eu e o id. Trad. de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA palavra \u00e9, afinal, o res\u00edduo mnem\u00f4nico da palavra ouvida.\u201d (p. 25).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Uma neurose do s\u00e9culo XVII envolvendo o dem\u00f4nio. In: Obras completas, volume 15: psicologia das massas e an\u00e1lise do eu. Trad. de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m pequenos sinais t\u00eam seu sentido e valor, sobretudo nas condi\u00e7\u00f5es de surgimento da neurose. Sem d\u00favida, podemos tanto superestim\u00e1-los como subestim\u00e1-los, e a medida em que chegamos a utiliz\u00e1-los continua sendo uma quest\u00e3o de tato&#8221;. (p. 102).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. O del\u00edrio e os sonhos na Gradiva de W. Jensen. In: Obras completas, volume 8. Trad. de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a contrapartida para a dupla determina\u00e7\u00e3o dos sintomas, na medida em que as falas mesmas s\u00e3o sintomas e, como esses, resultam de compromissos entre consciente e inconsciente. Ocorre apenas que essa dupla origem \u00e9 mais facilmente notada nas palavras do que nas a\u00e7\u00f5es, e quando se consegue, na mesma constru\u00e7\u00e3o verbal, dar uma boa express\u00e3o \u00e0s duas inten\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s das palavras &#8211; o que muitas vezes \u00e9 poss\u00edvel, pela natureza flex\u00edvel do material da fala -, temos ent\u00e3o o que \u00e9 denominado &#8216;ambiguidade&#8217;.&#8221; (p. 109).<\/p>\n<p>\u201cCada tratamento psicanal\u00edtico \u00e9 uma tentativa de liberar o amor reprimido que achou uma pobre sa\u00edda no compromisso de um sintoma&#8221;. (p. 115).<\/p>\n<p><strong>FREUD, Sigmund. Car\u00e1ter e erotismo anal. In: Obras completas, volume 8. Trad. de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2015.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPortanto, se a neurose obedece \u00e0 linguagem, ela toma as palavras no sentido original, pleno de significado, e onde parece usar figuradamente um termo, via de regra est\u00e1 restaurando o seu velho sentido&#8221;. (p. 356-357).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><strong>Jacques Lacan<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 3<\/em>: as psicoses (1955-1956). Trad. de Aluisio Menezes. 2 ed. revisada. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO que acontece se voc\u00eas se apegam unicamente \u00e0 articula\u00e7\u00e3o do que ouvem, ao sotaque, e mesmo as express\u00f5es dialetais, ao que quer que seja literal no registro do discurso de seu interlocutor? \u00c9 preciso acrescentar a isso um pouco de imagina\u00e7\u00e3o, pois talvez isso nunca possa ser estendido ao extremo, mas \u00e9 muito claro quando se trata de uma l\u00edngua estrangeira &#8211;\u00a0 o que voc\u00eas compreendem num discurso \u00e9 outra coisa que o que est\u00e1 registrado acusticamente\u201d (p. 162)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] A frase s\u00f3 se torna viva a partir do momento que ela apresenta uma significa\u00e7\u00e3o\u2026 se estamos bem persuadidos de que a significa\u00e7\u00e3o se relaciona\u00a0 sempre a alguma coisa, que ela s\u00f3 vale na medida em que remete a uma outra significa\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro que a vida de uma frase est\u00e1 profundamente ligada a este fato: o de que o sujeito est\u00e1 \u00e0 escuta, que ele se reserva esa significa\u00e7\u00e3o\u201d (p. 162)<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 da natureza da significa\u00e7\u00e3o, enquanto ela se projeta, tender incessantemente a se fechar para que ouve. Em outras palavras, a participa\u00e7\u00e3o do ouvinte do discurso com aquele que \u00e9 o seu emissor \u00e9 permanente, e h\u00e1 um v\u00ednculo entre o ouvir e o falar que n\u00e3o \u00e9 externo, no sentido em que n\u00f3s ouvimos falar, mas que se situa no pr\u00f3prio n\u00edvel do fen\u00f4meno da linguagem. \u00c9 no n\u00edvel em que o significante acarreta a significa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o no n\u00edvel sensorial do fen\u00f4meno, que o ouvir e o falar s\u00e3o como o direito e o avesso. Escutar palavras, acomodar o seu ouvir a elas, \u00e9 j\u00e1 ser mais ou menos obediente a elas. Obedecer n\u00e3o \u00e9 outra coisa, \u00e9 ir ao encontro, numa audi\u00e7\u00e3o\u201d (p. 162 &#8211; 163)<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] Chegamos agora ao limite onde o discurso, se ele desemboca em alguma coisa al\u00e9m da significa\u00e7\u00e3o, \u00e9 sobre o significante no real. Nunca saberemos, na perfeita ambiguidade em que ele subsiste, o que ele deve ao casamento com o discurso\u201d. (p. 165)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Semin\u00e1rio 5<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 5 <\/em>: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente.(1957-1958). Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] \u00e9 justamente isso que se trata de retomar, por baixo e atrav\u00e9s dessa cr\u00edtica, a partir da a\u00e7\u00e3o da fala nesta cadeia criadora em que ela \u00e9 sempre suscet\u00edvel de gerar novos sentidos.\u201d (p. 53-54).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] no decorrer de um discurso intencional em que o sujeito se apresenta como querendo dizer alguma coisa, produz-se algo que ultrapassa seu querer, que se manifesta como um acidente\u2026 nas condi\u00e7\u00f5es em que se produz esse acidente, verifica-se que ele \u00e9 registrado e valorizado na categoria de fen\u00f4meno significativo de engendramento de um sentido.\u201d (p. 54).<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas est\u00e3o vendo, portanto, que a tirada espirituosa do ignorante ou do ing\u00eanuo, daquele de quem tomo a palavra para fazer dela um chiste, desta vez est\u00e1 toda aqui, por assim dizer, no n\u00edvel do Outro. N\u00e3o preciso mais provocar no Outro nada que constitua o corte s\u00f3lido, pois ele j\u00e1 me \u00e9 totalmente dado por aquele cuja boca recolho o dito precioso cuja comunica\u00e7\u00e3o constituir\u00e1 um chiste, e o qual elevo, com isso, \u00e0 dignidade de palavra-mestra atrav\u00e9s de minha hist\u00f3ria\u201d (p. 134- 135).<\/p>\n<p>\u201cAgora que a psican\u00e1lise est\u00e1 constitu\u00edda, e que se desenvolveu num discurso muito amplo e mobilizador, podemos formar uma ideia &#8211; mas formamos muito mal &#8211; do que foi o alcance do que Freud introduziu, quando come\u00e7ou a ler os sintomas de seus pacientes, a ler em seus pr\u00f3prios sonhos e a trazer para n\u00f3s a no\u00e7\u00e3o do desejo inconsciente [&#8230;] \u00e9 certo que estas interpreta\u00e7\u00f5es se apresentavam naquele momento, at\u00e9 certo ponto, como tendo de ser feitas, como interpreta\u00e7\u00f5es eficazes para a resolu\u00e7\u00e3o do sintoma [&#8230;] quando Freud fazia interpreta\u00e7\u00f5es dessa ordem, ele se achava diante de uma situa\u00e7\u00e3o completamente diferente da situa\u00e7\u00e3o atual. com efeito, numa interpreta\u00e7\u00e3o-veredito, tudo o que sai da boca do analista, desde que haja interpreta\u00e7\u00e3o propriamente dita, esse veredito, isso que \u00e9 dito, proposto, tido como verdadeiro, literalmente adquire valor a partir daquilo que n\u00e3o \u00e9 dito. A quest\u00e3o, portanto, \u00e9 saber contra qual fundo n\u00e3o dito prop\u00f5e-se uma interpreta\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 333-334).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] \u00e9 preciso voltar \u00e0queles tempos de frescor em que nada era implicado pela interpreta\u00e7\u00e3o do analista, a n\u00e3o ser a detec\u00e7\u00e3o de imediato, por tr\u00e1s de algo que apresentava paradoxalmente como absolutamente fechado, de um X que estava mais al\u00e9m\u201d (p. 334).<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] o que chamo de sintoma \u00e9 aquilo que \u00e9 analis\u00e1vel [&#8230;] O sintoma apresenta-se sob uma uma m\u00e1scara, apresenta-se de uma forma paradoxal.\u201d (p. 335).<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] Digamos que o sujeito se interessa, que est\u00e1 implicado na situa\u00e7\u00e3o de desejo, e \u00e9 essencialmente isso que \u00e9 representado por um sintoma, o que traz, aqui, a ideia de m\u00e1scara [&#8230;] \u00e9 a prop\u00f3sito disso que Freud pode nos dizer que o sintoma fala na sess\u00e3o. O i<em>sso fala<\/em>&#8220;. (p. 337).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] \u00e9 isso que deve, no final, vir marcar a assun\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e plena do sujeito em sua pr\u00f3pria fala. O que significa &#8211; no horizonte da fala sem o qual, exceto tra\u00e7ando rotas falsas e produzindo desconhecimentos, nada na an\u00e1lise poderia ser articulado &#8211; que o sujeito reconhe\u00e7a onde est\u00e1\u201d (p. 521).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 6<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 6 <\/em>: o desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o (1958-1959). Trad. de Claudia Berliner. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.<\/p>\n<p>\u201cPela pr\u00f3pria estrutura instaurada pela rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o Outro enquanto lugar da fala, algo falta no n\u00edvel do Outro. O que ali falta \u00e9 precisamente o que permitiria ao sujeito se identificar como o sujeito do discurso que ele profere. Ao contr\u00e1rio, na medida em que esse discurso \u00e9 o discurso do inconsciente, o sujeito nele desaparece. Resulta da\u00ed que o sujeito tem de empregar, para se designar, algo tomado \u00e0s suas expensas. N\u00e3o \u00e0s suas expensas como sujeito constitu\u00eddo na fala, mas \u00e0s suas expensas como sujeito real, bem vivo, \u00e0s expensas de algo que, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 em absoluto um sujeito. O sujeito, ao pagar o pre\u00e7o necess\u00e1rio para essa localiza\u00e7\u00e3o de si mesmo enquanto fraquejante, \u00e9 introduzido, assim, na dimens\u00e3o sempre presente cada vez que se trata do desejo: ter de pagar a castra\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, algo real, que ele domina numa rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, \u00e9 elevado \u00e0 pura e simples fun\u00e7\u00e3o de significante. Esse \u00e9 o sentido \u00faltimo, o sentido mais profundo da castra\u00e7\u00e3o enquanto tal\u201d. (p. 394).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Semin\u00e1rio 7<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 7<\/em>: a \u00e9tica da psican\u00e1lise (1959-1960). Trad. de Ant\u00f4nio Quinet. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/p>\n<p>\u201cConstituir-se como garantia de que o sujeito possa de qualquer maneira encontrar seu bem, mesmo na an\u00e1lise, \u00e9 uma esp\u00e9cie de trapa\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para que nos constituamos como garantia do devaneio burgu\u00eas. Um pouco mais de rigor e de firmeza \u00e9 exig\u00edvel em nossa confronta\u00e7\u00e3o com a condi\u00e7\u00e3o humana, e \u00e9 por isso que relembrei, da \u00faltima vez, que o servi\u00e7o dos bens tem exig\u00eancias, que a passagem da exig\u00eancia de felicidade para o plano pol\u00edtico tem consequ\u00eancias [&#8230;] coloco a quest\u00e3o &#8211; o t\u00e9rmino da an\u00e1lise, o verdadeiro, quero dizer aquele que prepara a tornar analista, n\u00e3o deve ela em seu termo confrontar aquele que a ela se submeteu \u00e0 realidade da condi\u00e7\u00e3o humana?\u201d. (p. 355-356).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 8<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 8<\/em>: a transfer\u00eancia (1960-1961). Trad. de Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.<\/p>\n<p>\u201cNa transfer\u00eancia, o sujeito fabrica, constr\u00f3i alguma coisa. E a partir da\u00ed n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, parece-me, n\u00e3o integrar imediatamente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia o termo fic\u00e7\u00e3o. em primeiro lugar, qual \u00e9 a natureza dessa fic\u00e7\u00e3o? Por outro lado, qual o seu objeto? E, tratando-se de fic\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 que se finge? E, j\u00e1 que se trata de fingir, para quem?\u00a0 [&#8230;] Tudo o que sabemos sobre o inconsciente, desde o in\u00edcio a partir do sonho, nos indica que existem fen\u00f4menos ps\u00edquicos que se produzem, se desenvolvem, se constroem para serem ouvidos, portanto, justamente para este Outro que est\u00e1 ali, mesmo que n\u00e3o se o saiba. Mesmo que n\u00e3o se saiba que eles est\u00e3o ali para serem ouvidos, eles est\u00e3o ali para serem ouvidos, e para serem ouvidos por um Outro.\u201d (p. 220-221).<\/p>\n<p>&#8220;Em outras palavras, a transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 nada real no sujeito sen\u00e3o o aparecimento, num momento de estagna\u00e7\u00e3o, da dial\u00e9tica anal\u00edtica, dos modos permanentes pelos quais ele constitui seus objetos. O que \u00e9, ent\u00e3o, interpretar a transfer\u00eancia? Nada al\u00e9m de preencher com um engodo o vazio desse ponto morto. Mas esse engodo \u00e9 \u00fatil, pois, mesmo enganador, reativa o processo&#8221;. (p. 224-225).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 10<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10<\/em>: a ang\u00fastia (1962-1963). Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.<\/p>\n<p>\u201cSe a voz, no sentido em que a entendemos, tem alguma import\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9 por ressoar num vazio espacial qualquer. A mais simples imis\u00e7\u00e3o da voz no que \u00e9 linguisticamente chamado de sua fun\u00e7\u00e3o f\u00e1tica &#8211;\u00a0 que alguns acreditam estar no n\u00edvel da simples tomada de contato, embora se trate de algo bem diferente &#8211; ressoa num vazio que \u00e9 o vazio do Outro como tal, o <em>ex nihilo<\/em> propriamente dito. A voz responde ao que \u00e9 dito, mas n\u00e3o pode responder por isso. Em outras palavras, para que ela responda, devemos incorporar a voz como a alteridade do que \u00e9 dito.\u201d (p. 300).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Semin\u00e1rio 11<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 11<\/em>: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise (1964). Trad. de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 bastante \u00f3bvio que, no discurso anal\u00edtico, trata-se apenas daquilo, do que se l\u00ea, do que se l\u00ea al\u00e9m do que voc\u00ea incitou o sujeito a ser dito&#8221;. (p. 42).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 16<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 16<\/em>: de um Outro ao outro (1968-1969). Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] n\u00e3o \u00e9 o significado que est\u00e1 no interior, mas exatamente o significante. \u00c9 com ele que lidaremos quando se tratar daquilo que nos importa, isto \u00e9, da rela\u00e7\u00e3o do discurso com a fala na efici\u00eancia anal\u00edtica\u201d (p. 16).<\/p>\n<p>\u201cQue fazemos na an\u00e1lise sen\u00e3o instaurar, atrav\u00e9s da regra, um discurso? Esse discurso \u00e9 tal que o sujeito suspende o qu\u00ea nele? Exatamente sua fun\u00e7\u00e3o de sujeito. O sujeito fica dispensado de sustentar seu discurso com um <em>eu digo<\/em>. Falar \u00e9 diferente de afirmar <em>eu digo o que acabei de enunciar<\/em>. O sujeito do enunciado declara <em>eu digo<\/em>, declara <em>eu afirmo<\/em>, tal como fa\u00e7o aqui em meu ensino. Eu articulo esta fala. Ela n\u00e3o \u00e9 poesia. Digo o que est\u00e1 escrito aqui, e posso at\u00e9 repeti-lo, o que \u00e9 essencial, sob uma forma em que, ao repeti-lo, acrescento, para variar, que o escrevi.\u201d (p. 19).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 17<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 17<\/em>: o avesso da psican\u00e1lise (1969-1970). Trad. de Ari Roitman. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.<\/p>\n<p>\u201cFreud disse aos sujeitos &#8211; Falem, falem, fa\u00e7am como a hist\u00e9rica, vamos ver qual \u00e9 o saber que encontram e a maneira pela qual s\u00e3o aspirados por ele, ou ent\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, a maneira pela qual o repelem, vamos ver o que acontece [&#8230;] Eis o essencial do que determina aquilo com que lidamos na explora\u00e7\u00e3o do inconsciente &#8211; \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o. [&#8230;] A repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 uma denota\u00e7\u00e3o precisa de um tra\u00e7o que eu extra\u00ed para voc\u00eas do texto de Freud como id\u00eantico ao tra\u00e7o un\u00e1rio, ao pequeno bast\u00e3o, ao elemento da escrita, um tra\u00e7o na medida em que comemora uma irrup\u00e7\u00e3o do gozo\u201d (p. 81).<\/p>\n<p>\u201cA intrus\u00e3o na pol\u00edtica s\u00f3 pode ser feita reconhecendo-se que n\u00e3o h\u00e1 discurso &#8211; e n\u00e3o apenas o anal\u00edtico &#8211; que n\u00e3o seja do gozo, pelo menos quando dele se espera o trabalho da verdade.\u201d (p. 82).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 assim que o defini [o significante] desde sempre. S\u00f3 que o sujeito que ele representa n\u00e3o \u00e9 un\u00edvoco. Est\u00e1 representado, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 representado. Nesse n\u00edvel, alguma coisa fica oculta em rela\u00e7\u00e3o a esse mesmo significante. \u00c9 em torno disso que se d\u00e1 o jogo da descoberta psicanal\u00edtica\u201d (p. 93).<\/p>\n<p>\u201cA verdade &#8211; digo &#8211; s\u00f3 poderia ser enunciada por um semi-dizer, e seu modelo, mostrei-o a voc\u00eas no enigma. Pois \u00e9 justamente assim que ela sempre se apresenta a n\u00f3s, e n\u00e3o certamente em estado de pergunta. O enigma \u00e9 algo que nos for\u00e7a a responder, na qualidade de perigo mortal. A verdade s\u00f3 \u00e9 uma pergunta &#8211; como se sabe h\u00e1 muito tempo &#8211; para os admiradores.\u201d (p. 108-109).<\/p>\n<p>\u201cA divis\u00e3o do sujeito \u00e9 coisa bem outra. Se<em> onde n\u00e3o est\u00e1, ele pensa, <\/em>se<em> onde ele n\u00e3o pensa, est\u00e1<\/em>, \u00e9 precisamente porque est\u00e1 nos dois lugares. [&#8230;] O sujeito participa do real, justamente, por ser aparentemente imposs\u00edvel. (p. 109).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Semin\u00e1rio 20<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: mais, ainda (1972-1973). Trad. de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/p>\n<p>\u201cPelo discurso anal\u00edtico o sujeito se manifesta em sua hi\u00e2ncia, ou seja, naquilo que causa o seu desejo\u201d (p. 20).<\/p>\n<p>\u201c<em>Que se diga fica esquecido detr\u00e1s do que se diz no que se ouve<\/em>. No entanto, \u00e9 pelas consequ\u00eancias do dito que se julga o dizer. Mas o que se faz do dito resta aberto. Pois pode-se fazer dele uma por\u00e7\u00e3o de coisas, tal como se faz, com algum m\u00f3vel, quando se carrega uma cadeira ou um canh\u00e3o\u201d (p. 22).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] o discurso anal\u00edtico introduz um adjetivo substantivado, a besteira, no que ela \u00e9 uma dimens\u00e3o, em exerc\u00edcio, do significante [&#8230;] \u00c9 com essas besteiras que vamos fazer a an\u00e1lise, e que entramos no novo sujeito que \u00e9 o do inconsciente. \u00c9 justamente na medida em que ele n\u00e3o quer mesmo mais pensar, o homenzinho, que se saber\u00e1 talvez um pouco mais dele, que se tirar\u00e3o algumas consequ\u00eancias dos ditos &#8211; ditos de que n\u00e3o podemos nos desdizer, \u00e9 a regra do jogo\u201d (p. 27-28).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 evidente que, no discurso anal\u00edtico, s\u00f3 se trata disto, do que se l\u00ea e tomando como o que se l\u00ea para al\u00e9m do que voc\u00eas incitaram o sujeito a dizer, que n\u00e3o \u00e9 tanto, como sublinhei da \u00faltima vez, dizer tudo, mas dizer n\u00e3o importa o qu\u00ea, sem hesitar em dizer besteiras.\u201d (p. 33).<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 alguma coisa que possa nos introduzir \u00e0 dimens\u00e3o da escrita como tal, \u00e9 nos apercebermos de que o significado n\u00e3o tem nada a ver com os ouvidos, mas somente com a leitura, com a leitura do que se ouve de significante. O significado n\u00e3o \u00e9 aquilo que se ouve. O que se ouve \u00e9 significante. O significado \u00e9 efeito do significante.\u201d (p. 39).<\/p>\n<p>\u201cO de que se trata no discurso anal\u00edtico \u00e9 sempre isto &#8211; ao que se enuncia de significante, voc\u00eas d\u00e3o sempre uma leitura outra que n\u00e3o o que ele significa\u201d (p. 43).<\/p>\n<p>\u201cNo discurso anal\u00edtico de voc\u00eas, o sujeito do inconsciente, voc\u00eas sup\u00f5em que ele sabe ler. E n\u00e3o \u00e9 outra coisa, essa hist\u00f3ria do inconsciente, de voc\u00eas. N\u00e3o s\u00f3 voc\u00eas sup\u00f5em que ele sabe ler, como sup\u00f5em que ele pode aprender a ler. S\u00f3 que, o que voc\u00eas o ensinam a ler, n\u00e3o tem, ent\u00e3o, absolutamente, nada a ver, em caso algum, com o que voc\u00eas possam escrever a respeito\u201d (p. 43).<\/p>\n<p>\u201cNosso recurso \u00e9, na al\u00edngua, o que a fratura.\u201d (p. 50).<\/p>\n<p>\u201cA Hist\u00f3ria \u00e9 precisamente feita para nos dar a ideia de que ela tem um sentido qualquer. Ao contr\u00e1rio, a primeira coisa que temos que fazer \u00e9 partir do seguinte: que ali estamos diante de um dizer que \u00e9 o dizer de um outro que nos conta suas besteiras, seus embara\u00e7os, seus impedimentos, suas emo\u00e7\u00f5es, e que \u00e9 nisto que se trata de ler o qu\u00ea? &#8211; nada, sen\u00e3o os efeitos desses dizeres. [&#8230;] De qualquer modo, h\u00e1 um outro efeito da linguagem, que \u00e9 a escrita.\u201d (p. 51-52).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mesmo preciso partir disto, que esse <em>H\u00e1 Um<\/em> \u00e9 para ser tomado com o sotaque de que h\u00e1 Um sozinho. [&#8230;] Na an\u00e1lise, s\u00f3 lidamos com isso, e n\u00e3o \u00e9 por uma outra via que ela opera&#8221;&#8216; (p. 73).<\/p>\n<p>\u201cO que nos \u00e9 oferecido a ler pelo que, da linguagem, existe, isto \u00e9, o que vem a se tramar como efeito de sua eros\u00e3o &#8211; foi assim que defini a escrita &#8211; n\u00e3o pode ser ignorado\u201d (p. 74).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] <em>quem \u00e9 que sabe?<\/em> Ser\u00e1 que a gente se d\u00e1 conta de que \u00e9 o Outro? &#8211; tal como de come\u00e7o o coloquei, como o lugar onde o significante se coloca, e sem o qual nada nos indica que haja em parte alguma uma <em>dimens\u00e3o<\/em> de verdade, uma <em>diz-mans\u00e3o<\/em>, a resid\u00eancia do dito, desse dito cujo saber p\u00f5e o Outro como lugar. O estatuto do saber implica, como tal, que j\u00e1 h\u00e1 saber e no Outro, e que ele \u00e9 a prender, a ser tomado. \u00c9 por isso que ele \u00e9 feito de <em>aprender<\/em>. O sujeito resulta de que ele deve ser aprendido, esse saber [&#8230;] O saber vale justo quanto ele custa, ele \u00e9 custoso ou gustoso, pelo que \u00e9 preciso, para t\u00ea-lo, empenhar a pr\u00f3pria pele, pois que ele \u00e9 dif\u00edcil, dif\u00edcil de qu\u00ea? &#8211; menos de adquiri-lo do que de gozar dele\u201d (p. 103).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] a an\u00e1lise se distingue, entre tudo que foi produzido at\u00e9 agora de discurso, por enunciar isto, que constitui o osso do meu ensino: que eu falo sem saber. Falo com o meu corpo, e isto, sem saber. Digo, portanto, sempre mais do que sei. \u00c9 a\u00ed que chego ao sentido da palavra <em>sujeito<\/em> no discurso anal\u00edtico. O que fala sem saber me faz <em>eu<\/em>, sujeito do verbo.\u201d (p. 127).<\/p>\n<p>\u201cQuem fala s\u00f3 tem a ver com a solid\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que s\u00f3 posso definir dizendo, como fiz, que ela n\u00e3o se pode escrever. Essa solid\u00e3o, ela, de ruptura do saber, n\u00e3o somente ela se pode escrever, mas ela \u00e9 mesmo o que se escreve por excel\u00eancia, pois ela \u00e9 o que, de uma ruptura do ser, deixa tra\u00e7o.\u201d (p. 128).<\/p>\n<p>\u201cO inconsciente \u00e9 o testemunho de um saber, no que em grande parte ele escapa ao ser falante. Este ser d\u00e1 oportunidade de perceber at\u00e9 onde v\u00e3o os efeitos de al\u00edngua, pelo seguinte, que ele apresenta toda sorte de afetos que restam enigm\u00e1ticos. Esses afetos s\u00e3o o que resulta da presen\u00e7a de al\u00edngua no que, de saber, ela articula coisas que v\u00e3o muito mais longe do que aquilo que o ser falante suporta de saber enunciado\u201d (p. 149).<\/p>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 23<\/strong><\/p>\n<p>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23<\/em>: o sinthoma (1975-1976). Trad. de S\u00e9rgio Laia. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.<\/p>\n<p>\u201cCom efeito, \u00e9 unicamente pelo equ\u00edvoco que a interpreta\u00e7\u00e3o opera. \u00c9 preciso que haja alguma coisa no significante que ressoe. [&#8230;] as puls\u00f5es s\u00e3o, no corpo, o eco do fato de que h\u00e1 um dizer.<\/p>\n<p>Esse dizer, para que ressoe, para que consoe, outra palavra do<em> sinthoma masdaquino<\/em>, \u00e9 preciso que o corpo lhe seja sens\u00edvel. \u00c9 um fato que ele o \u00e9. Porque o corpo tem alguns orif\u00edcios, dos quais o mais importante \u00e9 o ouvido, porque ele n\u00e3o pode se tapar, se cerrar, se fechar. \u00c9 por esse vi\u00e9s que, no corpo, responde o que chamei de voz.\u201d (p. 18).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] s\u00f3 h\u00e1 verdade na medida em que ela apenas pode ser dita pela metade, tal qual o sujeito que ela comporta. Para exprimi-lo conforme o enunciei, a verdade s\u00f3 pode se meio-dizer\u201d (p. 31).<\/p>\n<p>\u201cDigamos que o que posso solicitar como resposta \u00e9 da ordem de um apelo ao real n\u00e3o como ligado ao corpo, mas como diferente. Longe do corpo, existe a possibilidade do que chamei, da \u00faltima vez, de resson\u00e2ncia, ou conson\u00e2ncia. \u00c9 no n\u00edvel do real que essa conson\u00e2ncia pode ser achada. Em rela\u00e7\u00e3o a esses polos que o corpo e a linguagem constituem, o real \u00e9 o que faz acordo\u201d (p. 40).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, em uma corda, a met\u00e1fora advenha do que faz n\u00f3. O que tento \u00e9 descobrir a que se refere essa met\u00e1fora. Se h\u00e1 uma corda vibrante de barrigas e de n\u00f3s, \u00e9 na medida em que nos referimos ao n\u00f3. Quero dizer que usamos a linguagem de um modo que vai mais longe do que o que \u00e9 efetivamente dito. Sempre reduzimos o alcance da met\u00e1fora como tal. Ou seja, ela acaba reduzida a uma meton\u00edmia.\u201d (p. 41).<\/p>\n<p>\u201cTudo isso implica uma no\u00e7\u00e3o do real. Claro que precisamos torn\u00e1-la distinta do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio. O \u00fanico aborrecimento \u00e9 que, nesse contexto, o real fa\u00e7a sentido, ainda que, se explorarem o que quero dizer com essa no\u00e7\u00e3o de real, pare\u00e7a que o real se funda por n\u00e3o ter sentido, por excluir o sentido ou, mais exatamente, por se decantar ao ser exclu\u00eddo dele.\u201d (p. 62).<\/p>\n<p>\u201cA escrita me interessa, posto que penso que \u00e9 por meio desses pedacinhos de escrita que, historicamente, entramos no real, a saber, que paramos de imaginar.\u201d (p. 66).<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise \u00e9 isso. \u00c9 uma resposta a um enigma, e uma resposta, conv\u00e9m inclusive diz\u00ea-lo a partir desse exemplo, completamente besta. \u00c9 justamente por isso que \u00e9 preciso conservar a corda. Quero dizer que corremos o risco de tartamudear, se n\u00e3o soubermos onde a corda termina, ou seja, no n\u00f3 da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual.\u201d (p. 70).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 por meio da escrita que a fala se decomp\u00f5e ao se impor como tal, a saber, em uma deforma\u00e7\u00e3o acerca da qual permanece amb\u00edguo saber se \u00e9 caso de se livrar do parasita falador de que lhes falei h\u00e1 pouco ou, ao contr\u00e1rio, de se deixar invadir por propriedades de ordem essencialmente fon\u00eamica da fala, pela polifonia da fala.\u201d (p. 93).<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de situar o que o sinthoma tem a ver com o real, o real do inconsciente,\u00a0 se o inconsciente for real. Como saber se o inconsciente \u00e9 real ou imagin\u00e1rio? \u00c9 efetivamente a quest\u00e3o. Ele participa de um equ\u00edvoco entre os dois\u201d. (p. 99).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 na medida em que o sinthoma faz um falso-furo com o simb\u00f3lico que h\u00e1 uma pr\u00e1xis qualquer, isto \u00e9, alguma coisa proveniente do dizer quanto ao que, no caso, chamarei igualmente de a <em>arte-dizer [art-dire],<\/em> para deslizar rumo ao ardor [<em>ardeur<\/em>]\u201d. (p. 114).<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma orienta\u00e7\u00e3o, mas essa orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sentido. O que quer dizer isso? Retomo o que disse da \u00faltima vez sugerindo que o sentido seja, talvez, a orienta\u00e7\u00e3o. Mas a orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um sentido, uma vez que ela exclui o \u00fanico fato da copula\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio em que consiste o sentido. A orienta\u00e7\u00e3o do real, no territ\u00f3rio que me concerne, foraclui o sentido.\u201d (p. 117).<\/p>\n<p>\u201cO que permanece \u00e9 o significante. Mas o que se modula na voz n\u00e3o tem nada a ver com a escrita. Em todo caso, \u00e9 o que demonstra perfeitamente meu n\u00f3 bo, e isso muda o sentido da escrita. Isso mostra alguma coisa em que podemos enganchar os significantes. E como esses significantes podem ser enganchados? Por interm\u00e9dio do que chamo <em>diz-mens\u00e3o <\/em>[<em>dit-mension<\/em>]. [&#8230;] <em>Diz-mens\u00e3o <\/em>\u00e9 <em>mens\u00e3o do dito<\/em>. Essa maneira de escrever tem uma vantagem: permite prolongar a <em>mens\u00e3o <\/em>[<em>mention<\/em>] em <em>mentira <\/em>[<em>mensonge<\/em>], indicando que o dito n\u00e3o \u00e9 de modo algum for\u00e7osamente verdadeiro.\u201d (p. 141).<\/p>\n<p>\u201cO enigma consiste na rela\u00e7\u00e3o do grande E com o pequeno <em>e<\/em>. Trata-se de saber por que diabos tal enunciado foi pronunciado. \u00c9 uma quest\u00e3o de enuncia\u00e7\u00e3o. E a enuncia\u00e7\u00e3o \u00e9 o enigma elevado \u00e0 pot\u00eancia da escrita\u201d (p. 150).<\/p>\n<p><strong>Escritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. Escritos. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A agressividade em psican\u00e1lise (1948) <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Podemos dizer que a a\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica se desenvolve na e pela comunica\u00e7\u00e3o verbal, isto \u00e9, numa apreens\u00e3o dial\u00e9tica do sentido. Ela sup\u00f5e, portanto, um sujeito que se manifeste como tal para um outro&#8221; (p. 105).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A dire\u00e7\u00e3o do tratamento (1958)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Se o analista s\u00f3 lidasse com resist\u00eancias, pensaria duas vezes antes de fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o, como efetivamente lhe acontece, mas ele ficaria quite com essa prud\u00eancia. S\u00f3 que essa interpreta\u00e7\u00e3o, quando ele a faz, \u00e9 recebida como proveniente da pessoa que a transfer\u00eancia lhe imputa ser. Aceitar\u00e1 beneficiar-se desse erro de pessoa? A moral da an\u00e1lise n\u00e3o contradiz isso, desde que ele interprete tal efeito, sem o que a an\u00e1lise se reduziria a uma sugest\u00e3o grosseira. Posi\u00e7\u00e3o incontest\u00e1vel, exceto pelo fato de que \u00e9 como proveniente do Outro da transfer\u00eancia que a fala do analista continua a ser ouvida, e de que com isso o momento de o sujeito sair da transfer\u00eancia \u00e9 adiado <em>ad infinitum<\/em>&#8220;. (p. 597).<\/p>\n<p><strong>A psican\u00e1lise e seu ensino (1957)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Assim \u00e9 que, se o sintoma pode ser lido, \u00e9 por j\u00e1 estar inscrito, ele mesmo, num processo de escrita. Como forma\u00e7\u00e3o particular do inconsciente, ele n\u00e3o \u00e9 uma significa\u00e7\u00e3o, mas a rela\u00e7\u00e3o desta com uma estrutura significante que o determina&#8221;. (p. 446).<\/p>\n<p><strong>Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise (1953)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuer se pretenda agente de cura, de forma\u00e7\u00e3o ou de sondagem, a psican\u00e1lise disp\u00f5e de apenas um meio: a fala do paciente. A evid\u00eancia desse fato n\u00e3o justifica que se o negligencie. Ora, toda fala pede resposta. Mostraremos que n\u00e3o h\u00e1 fala sem resposta, mesmo que depare apenas com o sil\u00eancio, desde que ela tenha um ouvinte, que \u00e9 esse o cerne de sua fun\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise.\u201d (p. 248-249).<\/p>\n<p>\u201cPois nesta [na resson\u00e2ncia], a fun\u00e7\u00e3o da linguagem n\u00e3o \u00e9 informar, mas evocar. O que busco na fala \u00e9 a resposta do outro. O que me constitui como sujeito \u00e9 minha pergunta. [&#8230;] A partir da\u00ed, surge a fun\u00e7\u00e3o decisiva de minha\u00a0 pr\u00f3pria resposta, e que n\u00e3o \u00e9 apenas, como se diz, a de ser aceita pelo sujeito como aprova\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o de seu discurso, mas realmente a de reconhec\u00ea-lo ou aboli-lo como sujeito. \u00c9 essa a <em>responsabilidade<\/em> do analista, toda vez que ele interv\u00e9m pela fala.\u201d (p. 301).<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um fato bem constatado na pr\u00e1tica dos textos das escrituras simb\u00f3licas, quer se trate da B\u00edblia ou dos textos can\u00f4nicos chineses: neles, a aus\u00eancia de pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fonte de ambiguidade, a pontua\u00e7\u00e3o colocada fixa o sentido, sua mudan\u00e7a o transforma ou o transtorna e, errada, equivale a alter\u00e1-lo.&#8221; (p. 315).<\/p>\n<p>\u201cO primeiro s\u00edmbolo em que reconhecemos a humanidade em seus vest\u00edgios \u00e9 a sepultura, e a intermedia\u00e7\u00e3o da morte se reconhece em qualquer rela\u00e7\u00e3o em que o homem entra na vida de sua hist\u00f3ria.\u201d (p. 320).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Subvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano (1960)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Um, conotado por A, \u00e9 o lugar do tesouro dos significante, o que n\u00e3o quer dizer do c\u00f3digo, pois n\u00e3o \u00e9 que se conserve nele a correspond\u00eancia un\u00edvoca entre um signo e alguma coisa, mas sim que o significante s\u00f3 se constitui por uma reuni\u00e3o sincr\u00f4nica e enumer\u00e1vel, na qual qualquer um s\u00f3 se sustenta pelo princ\u00edpio de sua oposi\u00e7\u00e3o a cada um dos demais. O outro, conotado por s(A), \u00e9 o que se pode chamar a pontua\u00e7\u00e3o, onde a significa\u00e7\u00e3o se constitui como produto acabado.&#8221; (p. 820).<\/p>\n<p><strong>Interven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia (1952)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Em outras palavras, a transfer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 nada de real no sujeito sen\u00e3o o aparecimento, num momento da estagna\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica anal\u00edtica, dos modos permanentes pelos quais ele constitui seus objetos. O que \u00e9, ent\u00e3o, interpretar a transfer\u00eancia? Nada al\u00e9m de preencher com um engodo o vazio desse ponto morto. Mas esse engodo \u00e9 \u00fatil, pois, mesmo enganador, reativa o processo.&#8221; (p. 224-225).<\/p>\n<p><strong>Para-al\u00e9m do &#8220;Princ\u00edpio de Realidade&#8221; (1936)<\/strong><\/p>\n<p>&#8221; Ele [o analista] opera em dois registros, o da elucida\u00e7\u00e3o intelectual, pela interpreta\u00e7\u00e3o, e o da manobra afetiva, pela transfer\u00eancia; mas, fixar os tempos delas \u00e9 uma quest\u00e3o de t\u00e9cnica, que as define em fun\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es do sujeito; ajustar sua velocidade \u00e9 uma quest\u00e3o de tato, pelo qual o analista \u00e9 alertado sobre o ritmo dessas rea\u00e7\u00f5es.&#8221; (p. 88).<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0s fun\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise em criminologia (1950)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m h\u00e1 de se extraviar menos que o psicanalista nesse caminho, antes de mais nada porque, contrariando a mitologia confusa em nome da qual os ignorantes esperam a \u2018suspens\u00e3o das censuras\u2019, o psicanalista sabe o sentido exato das representa\u00e7\u00f5es que definem os limites na s\u00edntese do <em>eu. <\/em>Por conseguinte, se ele j\u00e1 sabe que, no tocante ao inconsciente recalcado, quando a an\u00e1lise o restaura na consci\u00eancia, \u00e9 menos o conte\u00fado de sua revela\u00e7\u00e3o do que a mola de sua reconquista que constitui a efic\u00e1cia do tratamento, <em>a fortiori<\/em>, no tocante \u00e0s determina\u00e7\u00f5es inconscientes que sustentam a pr\u00f3pria afirma\u00e7\u00e3o do eu, ele sabe que a realidade, quer se trate da motiva\u00e7\u00e3o do sujeito, quer, as vezes, de sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode aparecer atrav\u00e9s do progresso de um di\u00e1logo que o crep\u00fasculo narc\u00f3tico s\u00f3 poderia tornar inconsciente. aqui, como em outros lugares, a verdade n\u00e3o \u00e9 um dado que se possa captar em sua in\u00e9rcia, mas uma dial\u00e9tica em marcha.\u201d (p. 145-146).\u00a0 <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Outros Escritos<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. Outros Escritos. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de um primeiro volume dos Escritos (1975)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O sentido do sentido, em <em>minha<\/em> pr\u00e1tica, se capta (<em>Begriff<\/em>) por escapar: a ser entendido como de um tonel, e n\u00e3o por uma debandada. \u00c9 por escapar (no sentido do tonel) que um discurso adquire seu sentido, ou seja, pelo fato de seus efeitos serem imposs\u00edveis de calcular. O c\u00famulo do sentido, isso \u00e9 percept\u00edvel, \u00e9 o enigma.&#8221; (p. 550).<\/p>\n<p><strong>Joyce, o Sintoma (1979)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Para dizer que o inconsciente, em Freud, quando ele o descobre (o que se descobre \u00e9 de uma vez s\u00f3, mas depois da inven\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso fazer o invent\u00e1rio), o inconsciente \u00e9 um saber enquanto falado, como constitutivo do UOM. A fala, \u00e9 claro, define-se a\u00ed por ser o \u00fanico lugar em que o ser tem um sentido. E o sentido do ser \u00e9 presidir o ter, o que justifica o balbucio epist\u00eamico. [&#8230;] Ter \u00e9 poder fazer alguma coisa com.&#8221; (p. 561-562).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><strong>Jacques-Alain Miller<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. <\/strong><strong>Ler um sintoma. Trad. de Cristina Maia. Dispon\u00edvel on-line. Sem pagina\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Ler um sintoma vai no oposto, quer dizer, consiste em privar o sintoma de sentido. Por isso Lacan substitui o aparato de interpretar de Freud \u2013 que Lacan mesmo havia formalizado, havia esclarecido, quer dizer, o tern\u00e1rio ed\u00edpico \u2013 por um tern\u00e1rio que n\u00e3o produz sentido, o do Real, do Simb\u00f3lico e do Imagin\u00e1rio. Mas, ao deslocar a interpreta\u00e7\u00e3o do quadro ed\u00edpico em dire\u00e7\u00e3o ao quadro borromeano, \u00e9 o funcionamento mesmo da interpreta\u00e7\u00e3o que muda e passa da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido.&#8221;<br \/>\nMILLER, Jacques-Alain. <strong>O escrito na fala<\/strong>. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie &#8211; Ano 3 &#8211; N\u00famero 8 &#8211; junho 2012 &#8211; ISSN 2177-2973. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_8\/o_escrito_na_fala.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_8\/o_escrito_na_fala.pdf<\/a><\/p>\n<p>\u201cA demonstra\u00e7\u00e3o que fazemos na escritura, Lacan a realizou a partir do sonho, mostrando que a imagem on\u00edrica \u00e9 retida por Freud pelo seu valor de significante despojado de significa\u00e7\u00e3o. Distinguiu isso no que Freud oferece como exemplo de sonho a ser lido como enigma. Afirmar que o sonho se l\u00ea como enigma quer dizer que a imagem n\u00e3o vale como figura, um signo figurado, nem como pantomima, mas sim como uma letra e que tudo aqui \u00e9 assunto de escritura\u201d (p. 10).<\/p>\n<p>\u201cV\u00ea-se bem a rela\u00e7\u00e3o exata entre signific\u00e2ncia e semantismo. Tudo reside no fato de que significante e significado n\u00e3o s\u00e3o verso\/reverso. Ao contr\u00e1rio, h\u00e1 tanto mais signific\u00e2ncia quanto h\u00e1 menos semantismo. H\u00e1 tanto mais signific\u00e2ncia quanto mais o significante funciona como uma letra, separado do seu valor de significa\u00e7\u00e3o. Esse mais-de-significante \u00e9 o que podemos chamar de efeito po\u00e9tico\u201d. (p. 11).<\/p>\n<p>\u201cQuando Lacan prop\u00f4s como finalidade da interpreta\u00e7\u00e3o realizar a identifica\u00e7\u00e3o de reconhecimento, falar da fala ainda tinha sentido, um valor. N\u00e3o h\u00e1 certeza de que a fala mantenha o mesmo sentido, quando se trata dela no n\u00edvel de lal\u00edngua\u201d (p. 20).<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] Ele [Lacan] prop\u00f5e uma defini\u00e7\u00e3o renovada da linguagem, n\u00e3o como meio de comunica\u00e7\u00e3o, mas como aparelho de gozo [&#8230;] Apalavra \u00e9 o nome pr\u00f3prio da palavra como aparelho de gozo, como parte dos aparelhos do gozo. A interpreta\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o, da qual \u00e9 dif\u00edcil especificar os contornos, \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o que se suporta visando \u00e0 palavra como aparelho de gozo\u201d (p. 22).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MILLER, Jacques-Alain. 1, 2, 3, 4 (Tomo I). <\/strong><strong>Trad. de Enric Berenguer. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2021.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEvidentemente, lo real, cuando es simbolizado, se vuelve s\u00edmbolo. Entonces, nos vemos llevados a plantear lo real propiamente dicho como lo que subsiste fuera de la simbolizaci\u00f3n, es decir, como lo no simbolizado e incluso \u2013\u00a1esta es la cuesti\u00f3n!\u2013 como no simbolizable. Por eso el tema esencial a tratar en este punto es ciertamente el deseo y lo real\u201d (p. 33).<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. Percurso de Lacan: uma introdu\u00e7\u00e3o. 2. ed. Trad. de Ari Roitman. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 pr\u00f3prio da psican\u00e1lise operar sobre o sintoma mediante a palavra, quer seja esta a palavra da pessoa em an\u00e1lise, quer seja a interpreta\u00e7\u00e3o do analista\u201d (p. 13).<\/p>\n<p>\u201cLacan sempre promoveu a import\u00e2ncia do sil\u00eancio do analista, que n\u00e3o deve considerar que a interpreta\u00e7\u00e3o tenha que duplicar constantemente o discurso do paciente; n\u00e3o se trata de justapor um segundo texto ao primeiro e decifrar tudo, precisamente porque o poder da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme. Deve medir exatamente o poder de cada uma de suas palavras\u201d (p. 123).<\/p>\n<p>\u201cO fato de que o inconsciente esteja estruturado como uma linguagem n\u00e3o implica que tudo se interprete, mas o que n\u00e3o se interpreta tem tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o\u201d (p. 159).<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. O osso de uma an\u00e1lise + O inconsciente e o corpo falante. Rio de Janeiro: Zahar, 2015.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O tratamento anal\u00edtico \u00e9 a experi\u00eancia daquilo que significa estar-na-fala. Carlos Drummond de Andrade situa sua obra po\u00e9tica sob o t\u00edtulo de &#8216;Tentativa de explora\u00e7\u00e3o e de interpreta\u00e7\u00e3o do estar-no-mundo&#8217;. Digamos que a psican\u00e1lise \u00e9 uma tentativa de explora\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o do estar-na-fala\u201d (p. 22).<\/p>\n<p>\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dizer que visa ao corpo falante para produzir nele um acontecimento, para <em>passar para as tripas<\/em>, dizia Lacan. [&#8230;] Quando se analisa o inconsciente, o sentido da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 a verdade. Quando se analisa o falasser, o corpo falante, o sentido da interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 o gozo\u201d (p. 136).<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Outros autores do campo freudiano<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>BERGER, Viviana. <\/strong><strong>El analista y la eficacia de su lectura. In: LAURENT, \u00c9ric (Org.). Lectura del Caso en la Pr\u00e1ctica de Orientaci\u00f3n Lacaniana. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2009.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEn conclusi\u00f3n, para ubicar donde leer la eficacia operativa del psicoan\u00e1lisis, se podr\u00eda decir: [\u2026] A partir del deseo el analista que sostiene una posici\u00f3n que no permite a la cadena significante volver a girar una vez m\u00e1s en torno a lo mismo. Que interpreta contra la significaci\u00f3n y el goce de la repetici\u00f3n que de ella se obtiene, en un agotamiento de la l\u00f3gica de la narraci\u00f3n y de todas las formas significativas de la divisi\u00f3n. Hacia el punto del sinsentido. Como saldo, la aproximaci\u00f3n del consultante a escuchar <em>lo que escapa a la palabra<\/em>. Que queda escrito con la letra. La producci\u00f3n de un sujeto articulado de otro modo con la satisfacci\u00f3n silenciosa de la pulsi\u00f3n. La escritura de un nuevo texto\u201d. (p. 131).<\/p>\n<p><strong>SCILICET. Semblantes y sinthome. VII Congreso de la Asociaci\u00f3n Mundial de Psicoan\u00e1lisis, Par\u00eds, 2010. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2009.<\/strong><\/p>\n<p><strong>CU\u00d1AT, Carmen, \u201cEscritura\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEn realidad, si el significante toma valor de semblante es porque se confunde con la palabra, con lo fon\u00e9tico, con lo que se puede decir. El significante es portador de un goce del decir que tiende a esconder lo que realmente dice. Mejor entonces atender a lo que se escribe. Un dibujo, un nudo, tambi\u00e9n pueden ser una escritura. [\u2026] Entonces, el analista har\u00e1 con la interpretaci\u00f3n lo que el s\u00edntoma hace salvajemente: hacer o\u00edr el sentido del que se goza\u201d.\u00a0 (p. 110).<\/p>\n<p><strong>IDDAN, Claudia, \u201cLetra\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEl peso del \u2018soporte material\u2019 de la marca-letra se refuerza a\u00fan m\u00e1s por tratarse de una marca en el cuerpo que determina, no s\u00f3lo un modo de lazo o no-lazo social, sino tambi\u00e9n un modo de goce, que provoca un acontecimiento de goce del cuerpo. Una de las interpretaciones del vers\u00edculo b\u00edblico \u2018[\u2026] y puso Dios en Ca\u00edn una letra-marca [\u2026] \u2013 plantea que la marca en cuesti\u00f3n consiste en la escritura de una de las letras del nombre mismo de Ca\u00edn, la letra &#8216;<em>yud<\/em>&#8216;, en este caso la &#8216;<em>i<\/em>&#8216;, que es tambi\u00e9n la primera letra de la palabra \u2018<em>vivir\u00e1\u2019<\/em> en hebreo. La marca otorga vida, se trata de la escritura en el cuerpo de un nombre de goce que otorga vida\u201d. (p. 182).<\/p>\n<p><strong>TORRES, M\u00f3nica, \u201cSentido y no-sentido\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLa fuga del sentido parte del sentido que significantiza el goce, al sinsentido que es semblante. A\u00fan cuando se trate del sentido-gozado. El <em>\u2018tout dernier Lacan<\/em>\u201d como ha demostrado J.-A. Miller, ubica el sinthome y la una-equivocaci\u00f3n del lado del inconsciente real, que se vincula con \u2018el azar de los gruesos errores\u2019. El <em>sinthome<\/em> es del orden del Uno y se ubica <em>fuera de sentido.<\/em> Este \u2018fuera de sentido\u2019 se relaciona con lo real del goce. El sentido fracasa, entonces, junto con el inconsciente transferencial que es destino. [\u2026] El analizante, en el recorrido de su an\u00e1lisis, va desde el sentido que articula el inconsciente transferencial con el s\u00edntoma hasta llegar al naufragio del sentido. El sujeto se ve confrontado con lo real de su <em>sinthome<\/em>. Es el fuera de sentido del goce. Ese fuera de sentido permite la escritura y se necesita un esfuerzo de poes\u00eda para saber hacer con el <em>sinthome<\/em>.\u201d (p. 329).<\/p>\n<p><strong>VIEIRA, Marcus Andr\u00e9, \u201cSigno y significante\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEn un an\u00e1lisis, las diversas versiones y lecturas de lo que somos van siendo desgranadas y reducidas a pocos elementos fragmentarios: un aroma de pan fresco, de tierra mojada, el oro y azul del sol en la arena, un mimo de la madre o el cintur\u00f3n paterno que, vaciados del <em>pathos<\/em> que cargaban, se tornan m\u00e1s balizas que recuerdos. No son nombres que se articulan produciendo significaci\u00f3n, sino signos, rasgos que se repiten y que no remiten a otros, se depositan apenas, pesan ocasionalmente, pero tambi\u00e9n concluyen, interrumpen la secuencia interminable del habla\u201d. (p. 339).<\/p>\n<p><strong>SCILICET: O sonho, sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso no tratamento lacaniano. S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2020.<\/strong><\/p>\n<p><strong>FARI, Pascale. \u201cSigno contra sentido\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA Interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica aposta no significante novo. A sess\u00e3o \u00e9 cortada antes de ser \u2018conclu\u00edda\u2019, proporcionando \u2018a perplexidade como fen\u00f4meno elementar do sujeito na \u2018<em>lalangue\u2019.<\/em> Jogando com o signo contra o sentido, os sortil\u00e9gios da letra e os poderes do equ\u00edvoco mobilizam o gozo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s novas escrituras\u201d. (p. 40.)<\/p>\n<p><strong>PFAUWADEL, Aur\u00e9lie. \u201cInterpreta\u00e7\u00e3o ressoada (r\u00e9sonn\u00e9e)\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAo fim de seu ensino, Lacan relaciona o inconsciente a uma \u2018escrita\u2019 reconhecida no fato de que os sonhos, como as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, \u2018definem-se pelo leg\u00edvel\u2019. Um sonho se deve ler naquilo que nele se diz. A interpreta\u00e7\u00e3o ponderada (<em>raisonn\u00e9e<\/em>) \u00e9 uma leitura que faz <em>ressoar <\/em>(<em>r\u00e9sonner<\/em>) o significante para atingir o limite ileg\u00edvel do gozo fora de sentido [&#8230;] O analista int\u00e9rprete \u00e9, portanto, suposto-saber-ler-de outra forma, fazendo jorrar o clar\u00e3o na esteira das homofonias de <em>lal\u00edngua<\/em>, onde o inconsciente se manifesta como desarm\u00f4nico ao mundo de sentido do sujeito\u201d. (p. 110).<\/p>\n<p><strong>LHULLIER, Louise. \u201cDormir, acordar, analisar\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDespertar-se e despertar o Outro \u00e9 o desejo que faz exce\u00e7\u00e3o \u00e0 lei geral. Em outras palavras, todo desejo \u00e9, no fundo, desejo de dormir, desejo de morte, exceto aquele que agita o analista e propicia seu ato. Ato anal\u00edtico, aquele que precipita instantes de despertar que constituem e que caracterizam o que \u00e9 pr\u00f3prio da experi\u00eancia anal\u00edtica. [&#8230;] \u00c9 o desejo do analista que emerge de uma an\u00e1lise levada ao seu termo: desejo de despertar, de construir um saber sobre o real, sobre o indiz\u00edvel do gozo, sobre o imposs\u00edvel de negativar. Essa \u2018infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei geral do desejo\u2019, condi\u00e7\u00e3o para que o ato anal\u00edtico aconte\u00e7a, marca a posi\u00e7\u00e3o do analista, nesses instantes em que o sentido se esvai na fugacidade do ato, a\u00ed onde \u00e9 poss\u00edvel dizer: h\u00e1 analista\u201d. (p. 160).<\/p>\n<p><strong>SU\u00c1REZ, Hilema. Ecos e resson\u00e2ncias. <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] Lacan prop\u00f5e um giro na interpreta\u00e7\u00e3o destacando a &#8216;resson\u00e2ncia do significante&#8217;. J\u00e1 n\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma resson\u00e2ncia sem\u00e2ntica, sen\u00e3o de uma resson\u00e2ncia a-sem\u00e2ntica. Afinal, como se interpretam no sonho as puls\u00f5es, eco no corpo do fato de que h\u00e1 um dizer? Uma hist\u00f3ria de Alix Strachey com seu analista Freud, d\u00e1 uma pista: &#8216;Ap\u00f3s uma semana cr\u00edtica em sua an\u00e1lise, teve um sonho significativo. Contou o sonho ao Professor, trabalhando sobre ele. Depois o Professor deu uma interpreta\u00e7\u00e3o e, ao terminar, levantou-se para buscar um cigarro, declarando: &#8216;<em>Insights<\/em> como este mereciam ser celebrados&#8217;. Alix Strachey protestou docemente assinalando que n\u00e3o havia acabado de contar todo o sonho, e o Professor replicou: &#8220;N\u00e3o seja gulosa! \u00c9 bastante <em>insight<\/em> para uma semana!&#8217;.&#8221; (p. 88).<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>\u00c9ric Laurent<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Laurent, \u00c9ric. <em>A Interpreta\u00e7\u00e3o: da escuta ao escrito.<\/em> In: Revista Correio n\u00ba 87, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, <em>Estava escrito. <\/em>S\u00e3o Paulo: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, abril de 2022.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO comportamentalismo escuta, no que lhe \u00e9 dito, o agenciamento de uma soma de comportamentos elementares que ele pretende, em seguida, reeducar. Ele responde ao que ouviu por meio de uma objetiva\u00e7\u00e3o dos comportamentos e uma s\u00e9rie de prescri\u00e7\u00f5es. [&#8230;] O analista, em primeiro lugar presente como escuta, introduz, com o sil\u00eancio, uma demanda da fala por parte do analisando. A resposta do analista jogar\u00e1 nesse registro da demanda para responder ao lado da demanda, a fim de poder fazer ouvir naquilo que \u00e9 dito o que ultrapassa a inten\u00e7\u00e3o daquele que sustenta seu dizer.\u00a0 O analista assume a responsabilidade da escuta para fazer surgir a presen\u00e7a de um sentido diferente do senso comum, de uma parte que sempre escapa.\u201d (p. 61-62).<\/p>\n<p>\u201cNo primeiro ensino de Lacan, a interpreta\u00e7\u00e3o tinha como efeito dar acesso aos cap\u00edtulos apagados da minha hist\u00f3ria, ao que ali estava escrito. No segundo, Lacan se livra dessa refer\u00eancia \u00e0 hist\u00f3ria para manter apenas a refer\u00eancia ao &#8216;estava escrito&#8217;.&#8221; (p. 68).<\/p>\n<p>&#8220;Ler um dizer, ou uma fala, &#8216;para al\u00e9m do que voc\u00eas incitaram o sujeito a dizer&#8217; pela regra fundamental reformulada, simplificada, como &#8216;diga qualquer coisa&#8217;, mas diga! E essa leitura do dizer define o inconsciente, como escreve Miller em seu intert\u00edtulo: o inconsciente \u00e9 o que se l\u00ea.\u201d (p. 68).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>LAURENT, \u00c9ric. Vers\u00f5es da cl\u00ednica Psicanal\u00edtica. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe a interpreta\u00e7\u00e3o tem que ocupar seu lugar, \u00e9 porque o analista est\u00e1 necessariamente alhures, nunca est\u00e1 em seu lugar. A isso \u00e9 que o tratamento anal\u00edtico deve sua efic\u00e1cia; o analista pode ser eficaz porque h\u00e1 um mal-entendido essencial, que liberta o poder da interpreta\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 17-18).<\/p>\n<p>\u201cDefinir a interpreta\u00e7\u00e3o como um dito esclarecedor \u00e9 diferente de defini-la como uma palavra. [&#8230;] A palavra \u00e9 obscurantista, \u00e9 equivoca\u00e7\u00e3o; os partid\u00e1rios da palavra libertadora continuam a manter no horizonte a presen\u00e7a de um Deus que seria o penhor da palavra\u201d (p. 20).<\/p>\n<p>\u201cOutra distin\u00e7\u00e3o de Lacan que voc\u00eas tem que ter em mente \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o entre o efeito de linguagem e o efeito de palavra. Pois sua causa \u00e9 o significante, sem o qual n\u00e3o haveria nenhum sujeito no real. [&#8230;] Um sujeito no real n\u00e3o est\u00e1 correlacionado com o efeito de palavra, mas com o efeito de linguagem, que o determina de modo estrito\u201d (p. 44).<\/p>\n<p>\u201cA psican\u00e1lise tem em comum com o budismo o fato de que n\u00e3o estamos na psican\u00e1lise para falar; sabemos, por experi\u00eancia, que cada um de n\u00f3s fala para, no final, encontrar a paz de se calar.\u201d (p. 119).<\/p>\n<p><strong>LAURENT, \u00c9ric. A psican\u00e1lise e a escolha das mulheres. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, a maneira pela qual Lacan precisou isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 que a puls\u00e3o de morte n\u00e3o se reduz, \u00e9 que ela toma esta forma: a de fazer valer o sentido f\u00e1lico que \u00e9 ainda assim a alavanca da nossa opera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 atrav\u00e9s do que encontramos uma incid\u00eancia, primeiro, no sintoma, para chegar certamente ao ponto de fora de sentido, mas, primeiro, faz\u00ea-lo valer, e, em um mundo onde efetivamente a ci\u00eancia tenta exclu\u00ed-lo, a faz\u00ea-lo valer, n\u00f3s deixamos um resto, n\u00f3s deixamos a dita super-m<em>eu<\/em>tade [<em>surmoiti\u00e9<\/em>] com a qual \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m se afrontar. \u00c9 por esse motivo que Lacan podia dizer que, al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o, o que mais lhe agradava era um discurso sem palavras; conseguir prestar contas, de maneira transmiss\u00edvel, sem palavras, chicanas dessa desnatura\u00e7\u00e3o do sexo que \u00e9 pr\u00f3pria \u00e0 esp\u00e9cie humana, e sem, para tanto, pensar em terminar pela preven\u00e7\u00e3o e pela caridade.\u201d (p. 141).<\/p>\n<p><strong>VIEIRA, Marcus Andr\u00e9. A escrita do sil\u00eancio (voz e letra em uma an\u00e1lise). Rio de Janeiro: Subversos, 2018.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLacan ent\u00e3o aposta no que, em uma an\u00e1lise, funciona como a escrita. N\u00e3o seu aspecto de registro ou transcri\u00e7\u00e3o de acontecimentos, mas suas propriedades de enlace, de manter unidas coisas que nada t\u00eam entre si, a n\u00e3o ser o fato de terem sido tran\u00e7adas na conting\u00eancia. Ele passa a localizar, ent\u00e3o, conceitualmente, esse fundamento sem fundo do sintoma, por meio de um artif\u00edcio de escrita, ao escrev\u00ea-lo <em>sinthoma<\/em>. Introduz apenas uma letra, que remete \u00e0 etimologia do termo, em franc\u00eas, mas que conta especialmente por n\u00e3o ter nenhuma presen\u00e7a na pron\u00fancia do termo, por s\u00f3 existir na escrita e n\u00e3o na fala. Dessa forma, assim como na an\u00e1lise, traz \u00e0 cena da escrita esse gozo que n\u00e3o tem lugar na cena do corpo ou das ideias, mas que pode se apresentar no tecido das letras de uma an\u00e1lise\u201d (p. 96-97).<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Autores de outros campos<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>DURAS, Marguerite. Escrever. Trad. de Luciene Guimar\u00e3es de Oliveira. Belo Horizonte: Relic\u00e1rio, 2021.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEssa solid\u00e3o real do corpo se torna a outra, inviol\u00e1vel, da escrita\u201d (p. 25).<\/p>\n<p>\u201cFiquei surpresa com Lacan. E estas frases suas: \u2018Ela n\u00e3o deve saber que escreve aquilo que escreve. Porque ia se perder. E isso seria uma cat\u00e1strofe\u2019. Essas frases se tornaram para mim uma esp\u00e9cie de identidade de princ\u00edpio, de um \u2018direito de falar\u2019 totalmente ignorado pelas mulheres. Encontrar-se em um buraco, no fundo de um buraco, numa solid\u00e3o quase total, e descobrir que s\u00f3 a escrita vai te salvar\u201d. (p. 30).<\/p>\n<p>\u201cEscrever.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer: n\u00e3o podemos.<\/p>\n<p>E escrevemos.<\/p>\n<p>\u00c9 o desconhecido que carregamos dentro de n\u00f3s:<\/p>\n<p>escrever, \u00e9 isso que se alcan\u00e7a. \u00c9 isso ou nada.\u201d (p. 63).<\/p>\n<p><strong>FOUCAULT, Michel. O Belo Perigo: Editora aut\u00eantica, 2016.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEntre prazer de escrever e possibilidade de falar, existe certa rela\u00e7\u00e3o de incompatibilidade. Ali onde n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel falar, descobre-se o encanto secreto, dif\u00edcil, um pouco perigoso de escrever.\u201d (p. 39).<\/p>\n<p><strong>BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2015<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cSe leio com prazer essa frase, essa hist\u00f3ria ou essa palavra, \u00e9 porque foram escritas no prazer (esse prazer n\u00e3o est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com as queixas do escritor). Mas e o contr\u00e1rio? Escrever no prazer me assegura \u2013 a mim, escritor \u2013 o prazer de meu leitor? De modo algum. Esse leitor, \u00e9 m\u00edster que eu o procure (que eu o \u2018drague\u2019),\u00a0\u00a0 sem saber onde ele est\u00e1. Um espa\u00e7o de frui\u00e7\u00e3o fica ent\u00e3o criado. N\u00e3o \u00e9 a \u2018pessoa\u2019 do outro que me \u00e9 necess\u00e1ria, \u00e9 o espa\u00e7o: a possibilidade de uma dial\u00e9tica do desejo, de uma imprevis\u00e3o do desfrute: que os dados n\u00e3o estejam lan\u00e7ados, que haja um jogo.\u201d (p. 9).<\/p>\n<p>\u201cCom respeito aos sons da l\u00edngua, a escritura em voz alta n\u00e3o \u00e9 fonol\u00f3gica, mas fon\u00e9tica; seu objetivo n\u00e3o \u00e9 a clareza das mensagens, o teatro das emo\u00e7\u00f5es; o que ela procura (numa perspectiva de frui\u00e7\u00e3o) s\u00e3o os incidentes pulsionais, a linguagem atapetada de pele, um texto em que se possa ouvir o gr\u00e3o da garganta, a p\u00e1tina das consoantes, a voluptuosidade das vogais, toda uma estereofonia da carne profunda: a articula\u00e7\u00e3o do corpo, da l\u00edngua, n\u00e3o a do sentido, da linguagem. [&#8230;] para que consiga deportar o significado para muito longe e jogar, por assim dizer, o corpo an\u00f4nimo do ator em minha orelha: isso granula, isso acaricia, isso raspa, isso corta: isso frui.\u201d (p.\u00a0 78).<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3495&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text] Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas &#8211; 3a Jornada EBPSUL Sigmund Freud FREUD, Sigmund. Recomenda\u00e7\u00f5es ao m\u00e9dico para o tratamento psicanal\u00edtico. In: Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica. Trad. de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Editora Aut\u00eantica,\u00a0 2017. &#8220;As regras t\u00e9cnicas que aqui coloco como proposta resultaram da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia ao longo de muitos anos, ap\u00f3s ter retornado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":3465,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-3696","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3696\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3465"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}