{"id":3546,"date":"2022-06-18T09:05:41","date_gmt":"2022-06-18T12:05:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3546"},"modified":"2022-06-18T09:05:41","modified_gmt":"2022-06-18T12:05:41","slug":"eixo2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/3a-jornada-ebp-secao-sul-a-escuta-analitica\/eixo2\/","title":{"rendered":"3\u00aa Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul &#8211; A Escuta Anal\u00edtica &#8211; Eixo 2"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3495&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text]\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #993300;\"><strong>EIXO 2 \u2013 Uma pontua\u00e7\u00e3o sem texto<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Cinthia Busato (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Freud alerta para o perigo de selecionar o material da fala do analisante<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>. O analista n\u00e3o seleciona, ele recolhe o que se repete via significante, desvela a fantasia que vai sendo constru\u00edda e testemunha o processo anal\u00edtico. Sua presen\u00e7a est\u00e1 marcada por um desejo ativo de nada, o desejo do analista, que possibilita a abertura \u00e0 conting\u00eancia para fisgar, da opacidade do real, a libido que a obturava e \u201cliber\u00e1-la para ser utilizada em coisas mais divertidas\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan afirma que as palavras d\u00e3o corpo ao inconsciente, mas dessas palavras, \u201cn\u00e3o se compreende nada. Entre o uso significante e o peso de significa\u00e7\u00e3o, a maneira pelo qual opera um significante, h\u00e1 um mundo. \u00c9 isso que \u00e9 nossa pr\u00e1tica: se aproximar de como as palavras operam\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>. Como escutar desde esse lugar? O que isso nos orienta na escuta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos seguir um fio que acompanha o percurso do significante \u00e0 letra, o intraduz\u00edvel de onde, eventualmente, o gozo poder\u00e1 ser nomeado numa ultrapassagem do discurso. Em 1954, Lacan j\u00e1 fala de uma marca-acontecimento que n\u00e3o se historiciza, sendo a hist\u00f3ria o lugar onde o reprimido sempre reaparece: \u201co que n\u00e3o veio \u00e0 luz do simb\u00f3lico aparece no real\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>. E para dizer desse modo de comparecimento no real daquilo que foi expulso primordialmente, Lacan usou a express\u00e3o \u201cuma pontua\u00e7\u00e3o sem texto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado a repress\u00e3o e o retorno do recalcado, hom\u00f3logo ao significante e, de outro, aquilo que est\u00e1 ligado a uma expuls\u00e3o primordial e Lacan chamou, mais tarde, de letra. Essa \u00e9 a marca que fixou no s\u00edmbolo a raiz da expuls\u00e3o que nele mesmo se produziu em seu encontro com a coisa; uma letra muda, mas que pode ser escutada. Est\u00e1 inscrita na superf\u00edcie do corpo sem imagem e \u00e9 o suporte de constru\u00e7\u00f5es que s\u00e3o decisivas na topologia lacaniana, as opera\u00e7\u00f5es de corte e furo. Qual a especificidade da escuta e da interpreta\u00e7\u00e3o nessa cl\u00ednica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto convidamos a darem testemunho dessa pr\u00e1tica e trazerem suas quest\u00f5es, para que possamos \u201cnos encantar com as palavras sem nos esquecermos que h\u00e1 sempre uma m\u00fasica al\u00e9m delas\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> FREUD, Sigmund. Recomenda\u00e7\u00f5es aos m\u00e9dicos que exercem a psican\u00e1lise (1912). In: <em>Obras completas de Sigmund Freud<\/em>: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 12, p. 126.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> AROMI, Ana. A queda do caso. In: <em>Correio<\/em>: Revista Brasileira de Psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo, n. 79, setembro 2016, p. 69.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> LACAN, Jacques. Proposi\u00e7\u00e3o sobre a histeria (1981). In: <em>Borda Tradu\u00e7\u00f5es<\/em>. Abril, 2021, p. 04. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/bordalacaniana.com\/traducoes\/\">https:\/\/bordalacaniana.com\/traducoes\/<\/a>&gt;. Acesso em 3 maio 2022.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> LACAN, Jacques. Resposta ao coment\u00e1rio de Jean Hyppolite sobre a \u201cVerneinung\u201d de Freud (1954). In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1998, p. 390.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> CARNEIRO, Geraldo. Fala de apresenta\u00e7\u00e3o de Gilberto Gil em sua confer\u00eancia \u201cAntropofagia e tropic\u00e1lia\u201d, no ciclo de confer\u00eancias \u201cBrasil Moderno\u201d. Academia Brasileira de Letras. Rio de Janeiro, 14 de abril de 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/fdWFmIQs7V4\">https:\/\/youtu.be\/fdWFmIQs7V4<\/a>&gt;. Acesso em 3 maio 2022.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3495&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_column_text] EIXO 2 \u2013 Uma pontua\u00e7\u00e3o sem texto Cinthia Busato (EBP\/AMP) Freud alerta para o perigo de selecionar o material da fala do analisante[i]. 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