{"id":3294,"date":"2021-09-28T14:52:39","date_gmt":"2021-09-28T17:52:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3294"},"modified":"2021-09-28T14:52:39","modified_gmt":"2021-09-28T17:52:39","slug":"ex-peri-encias-1a-jornada-da-secao-sul","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/ex-peri-encias-1a-jornada-da-secao-sul\/","title":{"rendered":"Ex.peri.\u00eancia(s) &#8211; 2\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2975\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Banner-Site_Prancheta-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1109\" height=\"317\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/argumento-2a-jornada-da-secao-sul\/\">ARGUMENTO<\/a> <\/span><span style=\"color: #993300;\">| <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/eixos-de-trabalho-2a-jornada-da-secao-sul\/\">EIXOS DE TRABALHO<\/a> |<\/span><\/strong><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">REFER\u00caNCIAS<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/textos_referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/programa-2a-jornada-da-secao-sul\/\">PROGRAMA<\/a> | <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/inscricoes-2a-jornada-da-secao-sul-cadastro\/\">INSCRI\u00c7\u00d5ES<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/boletim-bricolagens-2a-jornada-da-secao-sul\/\">BOLETIM BRICOLAGENS<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/ex-peri-encias-1a-jornada-da-secao-sul\/\">EX.PERI.\u00caNCIA(S)<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;EX.PERI.\u00caNCIA(S)&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_btn title=&#8221;Acesse o espa\u00e7o Ex.peri.\u00eancia(s)&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; size=&#8221;xs&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fpadlet.com%2Fjornadaebpsul%2Fexperiencias&#8221;][vc_column_text]\n<h6>Curadoria: C\u00ednthia Busato (EBP\/AMP) &#8211; coordena\u00e7\u00e3o, Artur Cipriani, B\u00e1rbara Biscaro, Lucila Vilela, Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo<\/h6>\n<p>O que se constr\u00f3i? Diante do que se constr\u00f3i? Convocados pelo tema de nossa jornada podemos pensar, com Freud, que numa an\u00e1lise se constr\u00f3i uma cena, a fantasia fundamental que vela o indiz\u00edvel, o inimagin\u00e1vel do real. Essa fantasia \u00e9 constru\u00edda em torno de um abismo que produz eco no corpo: \u201cas puls\u00f5es s\u00e3o no corpo o eco do fato que h\u00e1 um dizer\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>. Epistemicamente temos muitos espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o em nossa Escola, aqui apostamos em fazer existir um espa\u00e7o de ex.peri.\u00eancia(s), pois a arte tamb\u00e9m constr\u00f3i algo em torno do real, tamb\u00e9m conhece o abismo e faz algo com ele, toca o real, criando bordaduras.<\/p>\n<p>Tomamos essa palavra, experi\u00eancia, em sua etimologia: \u201ceks\u201d o que vem de fora, \u201cperi\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> tentativa, prova, ensaio. Uma palavra que pode tocar um intraduz\u00edvel, no sentido que lhe d\u00e1 Barbara Cassin \u2013\u201co intraduz\u00edvel \u00e9 antes o que n\u00e3o cessa de (n\u00e3o) traduzir\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>. Um espa\u00e7o com valor de experi\u00eancia, da experimenta\u00e7\u00e3o, daquilo que toca os sentidos e tamb\u00e9m o fora do sentido. O que entra pelos sete buracos da cabe\u00e7a, no bem dizer de Caetano.<\/p>\n<p>Sabemos que os artistas, como sujeitos atentos e atravessados pela \u00e9poca, implicados num movimento, provocam resson\u00e2ncias no campo social e pol\u00edtico, irredut\u00edveis \u00e0 domina\u00e7\u00e3o e \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o, expandindo gal\u00e1xias. E a arte como um nomadismo constitu\u00eddo por uma linha de fuga, um movimento que, no espa\u00e7o-tempo, desloca saberes, cria passagens entre mundos.<\/p>\n<p>Nesta curadoria contamos com a participa\u00e7\u00e3o de duas artistas, B\u00e1rbara Biscaro e Lucila Vilela.\u00a0 B\u00e1rbara trabalha com constru\u00e7\u00f5es sonoras, esculpe o objeto voz, e Lucila, trabalha com dan\u00e7a e artes visuais e \u00e9 pesquisadora da obra de Lo\u00efe Fuller (1862-1928), a artista que escolhemos para iniciar aqui as postagens com o foco no objeto olhar.<\/p>\n<p>A escolha de Lo\u00efe Fuller se inscreve pelo efeito que causa visualmente, uma beleza que est\u00e1 entre pisar e voar, movimentos que v\u00e3o compondo imagens como um caleidosc\u00f3pio. Tamb\u00e9m porque seu trabalho in\u00e9dito foi concebido, literalmente, a partir de um trope\u00e7o. Decidida a ser artista em Nova Iorque ainda no s\u00e9culo XIX, ela consegue um pequeno papel em uma pe\u00e7a de teatro. Em uma entrada em cena, por estar com uma saia muito grande, trope\u00e7a segurando-a pelas laterais, e, desse gesto,constr\u00f3i seu trabalho.<\/p>\n<p>Conhecida como uma das pioneiras da dan\u00e7a moderna, inventou movimentos com um figurino de metros de seda estruturados por uma arma\u00e7\u00e3o que pareciam asas e quando expostos a feixes de luz criavam uma cenografia incr\u00edvel.A artista provocou uma\u00a0 ruptura nos movimentos j\u00e1 existentes na \u00e9poca e tr\u00eas coisas foram fundamentais para essa inova\u00e7\u00e3o: o figurino, a cenografia e a ilumina\u00e7\u00e3o. O figurino usado por Lo\u00efe funcionava como uma tela de proje\u00e7\u00e3o para suas performances vanguardistas e, assim que chegou a Paris,chamou a aten\u00e7\u00e3o de artistas, pintores, poetas, escritores.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o coletiva, contamos com o envio de ex.peri.\u00eancia(s) de todos para fazermos aqui, em ato, bricolagens que convoquem o objeto olhar, o objeto voz e que toque no vivo do corpo. O tema da nossa Jornada, <em>Falar do que n\u00e3o existe: do gozo do sentido as bricolagens poss\u00edveis<\/em>, j\u00e1 indica um saber fazer com os restos, cacos, pe\u00e7as soltas. Todos os trabalhos inseridos aqui, formar\u00e3o um espa\u00e7o n\u00e3o ordenado, uma caixa cheia de coisas que cada um \u201cbricolar\u00e1\u201d como quiser.<\/p>\n<h6>As contribui\u00e7\u00f5es para este espa\u00e7o podem ser enviadas ao e-mail: <a href=\"mailto:jornadaebpsul@gmail.com\">jornadaebpsul@gmail.com<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Lacan, J. O Seminario, livro 23: <em>O sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Olafur Eliasson: <em>O corte nos tempos<\/em>. Nohem\u00ed Brown \u2013 com Christiano Lima, Cristina Duba, F\u00e1tima Pinheiro, Lucila Darrigo e Marcia Stival.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Cassin, Barbara (coord.). <em>Dicion\u00e1rio dos intraduz\u00edveis: Um vocabul\u00e1rio das filosofias<\/em>. Volume um: l\u00ednguas. Organiza\u00e7\u00e3o Fernando Santoro, Luisa Buarque. Belo Horizonte: Autentica, 2018.<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Sobre a voz.<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Barbara Biscaro<\/h6>\n<p>A voz-corpo viveu e vive, atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas humanas, processos de silenciamento, coloniza\u00e7\u00e3o, medicaliza\u00e7\u00e3o, esquecimento, tecniciza\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o, coletiviza\u00e7\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o de identidades individuais e coletivas. A voz humana \u00e9 aquilo que carrega a palavra, mas tamb\u00e9m \u00e9 aquilo que sobra, que transborda, que d\u00e1 voltas pelos ossos, que sibila nas ru\u00ednas da sem\u00e2ntica atrav\u00e9s do grito, do gemido, do sussurro, da risada. \u00c9 aquilo que canta. Paul Zumthor, medievalista su\u00ed\u00e7o, em uma imagem preciosa, descreve que o gesto expressivo tende \u00e0 dan\u00e7a, assim como a voz expressiva tende ao canto. Se pudermos entender aqui o canto de forma expandida, como uma mir\u00edade de pr\u00e1ticas humanas t\u00e3o antigas quanto a nossa pr\u00f3pria origem como esp\u00e9cie, podemos ent\u00e3o perceber que quem canta, o que canta, onde canta e para quem canta conectam a subst\u00e2ncia misteriosa da voz ao corpo que a produz e ao corpo que a escuta. A voz \u00e9 carne que dan\u00e7a dentro dos ossos alheios.<\/p>\n<p>Comecei a fazer aulas de canto cl\u00e1ssico aos quinze anos de idade. Com o tempo, descobri que o que me movia em dire\u00e7\u00e3o ao canto n\u00e3o era um interesse em m\u00fasica, mas sim um arrebatamento diante da sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica de cantar. Intui, naquela \u00e9poca, a exist\u00eancia do er\u00f3tico da voz. A linguagem veio depois e sinto que, desde ent\u00e3o, tenho tentado dar conta de criar pr\u00e1ticas e po\u00e9ticas que possam dar contorno e regras para que a voz esteja sempre em jogo, preservando, em sua subst\u00e2ncia ef\u00eamera, o corpo que a produziu em primeiro lugar. Um corpo mut\u00e1vel e desejante. Um corpo feito de rela\u00e7\u00f5es. Um corpo impregnado de hist\u00f3ria e ao mesmo tempo de fantasia, de imagina\u00e7\u00e3o, de milhares de fic\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p>A voz, em meu trabalho art\u00edstico e pedag\u00f3gico, \u00e9 uma forma de contato profundo consigo mesmo e, ao mesmo tempo, de multiplica\u00e7\u00e3o de si. \u00c9 a busca por texturas, formas, movimento e a\u00e7\u00f5es que me movem a vocalizar como algu\u00e9m que dan\u00e7a; ou cantar como se fosse uma escultora precisa, empilhando sons no espa\u00e7o. Ou, ent\u00e3o, agarrar uma can\u00e7\u00e3o pelas crinas quando me dedico ao repert\u00f3rio Brechtiano, por exemplo e, compreender que uma can\u00e7\u00e3o pode ser um grito, uma cusparada, um chiste, uma senten\u00e7a de morte.<\/p>\n<p>Que a sele\u00e7\u00e3o de trabalhos escolhida para estas <strong>ex.peri.\u00eancia(s)<\/strong> possa agu\u00e7ar os sentidos para a voz, alargando horizontes e despertando os sentidos do corpo para a experi\u00eancia f\u00edsica da vocaliza\u00e7\u00e3o e suas possibilidades est\u00e9ticas e po\u00e9ticas na arte.<\/p>\n<h6>Desterro, outubro de 2021.<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Sobre a dan\u00e7a.<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Lucila Vilela<\/h6>\n<p>Como falar sobre o que n\u00e3o existe? Transcrever em palavras as sensa\u00e7\u00f5es e a experi\u00eancia do sens\u00edvel? Talvez tenha sido essa a grande dificuldade do p\u00fablico que, no s\u00e9culo XIX, viu Lo\u00efe Fuller subir ao palco do <em>Folies Berg\u00e8re<\/em>. Uma orqu\u00eddea, uma nuvem, uma borboleta! Um fantasma, uma onda de oceano, uma cobra deslizante! Foram tantas as imagens e os coment\u00e1rios que muitos poetas e artistas produziram desenhos, esculturas, poemas e devaneios. Ela tamb\u00e9m apareceu em fotografias e experimenta\u00e7\u00f5es que marcavam o in\u00edcio do cinema.<\/p>\n<p>Marie Louise Fuller, conhecida como Lo\u00efe Fuller, em 1892, partiu dos Estados Unidos rumo \u00e0 Paris, determinada em mostrar sua dan\u00e7a ao mundo. Com um enorme traje de seda chinesa, sustentado por varetas que funcionavam como extens\u00f5es de seus bra\u00e7os, a dan\u00e7a de Fuller, \u201cparece ter oferecido ao p\u00fablico uma tela metaf\u00f3rica onde se projetam fantasias do inconsciente, hipnotizando com seu poder semelhante \u00e0s ondas do oceano ou as chamas de uma lareira.\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Ela aparecia e desaparecia. Era presente e ausente. Seu movimento era como um lampejo, que deixava um rastro no ar.<\/p>\n<p>Evocar Lo\u00efe Fuller para falar do indiz\u00edvel parece ter sido certeiro. Essa figura que acabou se tornando emblema da <em>Art Nouveau<\/em>, causou sensa\u00e7\u00f5es indescrit\u00edveis;\u00a0 e talvez por isso seu trabalho tenha se desdobrado em tantas outras linguagens art\u00edsticas. Como ondas que ressoam desde o <em>fin de si\u00e8cle<\/em> at\u00e9 este em que habitamos, saturado de imagens, Lo\u00efe Fuller n\u00e3o passa despercebida. Sua dan\u00e7a ecoa, e produz ex.peri.e\u0302ncia(s).<\/p>\n<h6>Texto para a sec\u0327a\u0303o <strong>ex.peri.e\u0302ncia(s)<\/strong> da 2a Jornada EBP Sec\u0327a\u0303o Sul.<br \/>\nDesterro, outubro de 2021.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> GARELICK, Rhonda K. Electric Salome: Loie Fuller&#8217;s Performance of Modernism. Princeton: Princeton University Press, 2007, p.15<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O t\u00e1til e a experi\u00eancia<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Artur Cipriani<\/strong><\/h6>\n<p>Interessa-me aqui comentar, no campo das bricolagens poss\u00edveis, a \u201cexperi\u00eancia\u201d pelo \u00e2ngulo do sens\u00edvel: do que se pode experimentar na audi\u00e7\u00e3o de uma vocaliza\u00e7\u00e3o, na vis\u00e3o de obras de artes pl\u00e1sticas e performativas, na sensibiliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua por uma madalena, na ativa\u00e7\u00e3o olfativa por conta de um perfume nunca antes lembrado, etc. S\u00e3o experi\u00eancias que podem disparar um choque na cadeia dos significantes, da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria de um sujeito, mas (e isto \u00e9 aqui o principal) cuja subsequ\u00eancia n\u00e3o se resume a um processo de repassamento e empilhamento de sentidos, mas que pode operar em seu efeito um furo na redoma da fantasia<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Buck-Morrs (1996) situa a etimologia de \u201cest\u00e9tica\u201d no grego <em>aistitikos<\/em>, palavra para aquilo que \u00e9 \u201cperceptivo atrav\u00e9s do tato\u201d. \u201c(&#8230;) Aistisis \u00e9 a experi\u00eancia sensorial de percep\u00e7\u00e3o. O campo original da est\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 a arte, mas a realidade \u2013 a natureza corp\u00f3rea material. Como escreve Terry Eagleton, \u2018A est\u00e9tica nasceu como um discurso do corpo\u2019\u201d. Aqui, Eagleton op\u00f5e o nascimento da est\u00e9tica \u00e0 \u201ctirania do teor\u00e9tico\u201d \u2013 a esta n\u00e3o poder\u00edamos opor tamb\u00e9m, claro, o \u201cnascimento da hist\u00e9rica\u201d, e o sentido corp\u00f3reo-sensorial de sua sintom\u00e1tica?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o tal volteio para tentar precisar o \u00e2ngulo \u201ct\u00e1til\u201d da curadoria que pretendemos fazer. Num momento em que convivemos com uma digitalidade n\u00e3o t\u00e1til e com uma esp\u00e9cie de Outro algor\u00edtmico, \u00e9 por demais \u00e1rido nos conformarmos com a tateabilidade do \u00e1lcool em gel e dos ossos sem carne; por outro lado, acostumarmo-nos \u00e0 escalada di\u00e1ria, cont\u00ednua e absurda dos n\u00fameros pareceria um adormecimento perigoso. Nesse sentido, a proposi\u00e7\u00e3o deste espa\u00e7o que busca privilegiar o <em>t\u00e1til<\/em> e a experi\u00eancia est\u00e9tica em seu sentido original \u00e9 uma tentativa de fornecer elementos para bricolagens de todos e de cada um. Sejam, pois, todos convidados a futucar nessa caixa, e tamb\u00e9m a nela depositar mais coisas!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Aqui tomada enquanto redoma ou campo imagin\u00e1rio que pode compreender, por exemplo, a egossintonia entre o eu e o sintoma, o gozo do espectador da <em>Gesammtkunstwerk<\/em> de Wagner, ou como disse recentemente Cinthia Busato: um imagin\u00e1rio inequ\u00edvoco.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] ARGUMENTO | EIXOS DE TRABALHO |\u00a0REFER\u00caNCIAS |\u00a0TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O | PROGRAMA | INSCRI\u00c7\u00d5ES |\u00a0BOLETIM BRICOLAGENS | EX.PERI.\u00caNCIA(S) [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;EX.PERI.\u00caNCIA(S)&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_btn title=&#8221;Acesse o espa\u00e7o Ex.peri.\u00eancia(s)&#8221; color=&#8221;juicy-pink&#8221; size=&#8221;xs&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Fpadlet.com%2Fjornadaebpsul%2Fexperiencias&#8221;][vc_column_text] Curadoria: C\u00ednthia Busato (EBP\/AMP) &#8211; coordena\u00e7\u00e3o, Artur Cipriani, B\u00e1rbara Biscaro, Lucila Vilela, Val\u00e9ria Beatriz Ara\u00fajo O que se constr\u00f3i? 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