{"id":3151,"date":"2021-08-03T20:58:38","date_gmt":"2021-08-03T23:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=3151"},"modified":"2021-08-03T20:58:38","modified_gmt":"2021-08-03T23:58:38","slug":"eixo-2-a-verdade-nao-existe-qual-lugar-para-a-democracia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/eixos-de-trabalho-2a-jornada-da-secao-sul\/eixo-2-a-verdade-nao-existe-qual-lugar-para-a-democracia\/","title":{"rendered":"Eixo 2 &#8211; A verdade n\u00e3o existe. Qual lugar para a democracia?"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2975\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Banner-Site_Prancheta-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1109\" height=\"317\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/argumento-2a-jornada-da-secao-sul\/\">ARGUMENTO<\/a> <\/span><span style=\"color: #993300;\">| <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/eixos-de-trabalho-2a-jornada-da-secao-sul\/\">EIXOS DE TRABALHO<\/a> |<\/span><\/strong><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">REFER\u00caNCIAS<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/textos_referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/programa-2a-jornada-da-secao-sul\/\">PROGRAMA<\/a> | <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/inscricoes-2a-jornada-da-secao-sul-cadastro\/\">INSCRI\u00c7\u00d5ES<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/boletim-bricolagens-2a-jornada-da-secao-sul\/\">BOLETIM BRICOLAGENS<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/ex-peri-encias-1a-jornada-da-secao-sul\/\">EX.PERI.\u00caNCIA(S)<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;EIXOS DE TRABALHO&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]<span style=\"color: #993300;\"><strong>Eixo 2 &#8211; <\/strong><strong>A verdade n\u00e3o existe. Qual lugar para a democracia?<\/strong><\/span><\/p>\n<h6><strong>Leonardo Scofield <\/strong><strong>(EBP<\/strong><strong>\/AMP)<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/h6>\n<p>As afinidades entre a psican\u00e1lise e a democracia, assim como as amea\u00e7as \u00e0s liberdades, em particular \u00e0 da palavra, que se multiplicam no Brasil e no mundo, nos levaram a propor esse eixo de trabalho que articula verdade, mentira, democracia e psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>A verdade n\u00e3o existe, ela \u00e9. Nos termos da psican\u00e1lise, as verdades, como fatos de linguagem, se sustentam na articula\u00e7\u00e3o dos discursos, no encadeamento significante. Nessa perspectiva, toda verdade \u00e9 mentirosa, na medida em que \u00e9 <em>n\u00e3o-toda<\/em>, em que h\u00e1 um imposs\u00edvel de dizer.<\/p>\n<p>A mentira, como bem esclareceu Fabi\u00e1n Fajnwaks recentemente<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, \u00e9 outra coisa. A mentira, o fake, implica na inten\u00e7\u00e3o de enganar, de veicular uma falsidade, e pode se sustentar enquanto verdade, pois ambas t\u00eam uma estrutura de fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seu of\u00edcio, o analista leva em considera\u00e7\u00e3o o modo como os discursos se tecem por se ancorarem na maneira pela qual a linguagem se imprime, enquanto fic\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ao se debru\u00e7ar sobre o discurso anal\u00edtico, Lacan tentou cernir esse tipo especial de discurso que funda um tipo paradoxal de la\u00e7o, mais al\u00e9m do sentido, situado sobre aquilo que fervilha, o ser falante. A \u00e9tica que orienta a opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica guarda, portanto, rela\u00e7\u00e3o com o Real. Este que n\u00e3o se define em termos de falso-verdadeiro, n\u00e3o est\u00e1 submetido \u00e0 l\u00f3gica significante. \u00c9 por meio dos fracassos de sentido da linguagem que se pode ter acesso a peda\u00e7os de Real.<\/p>\n<p>Deste modo, podemos verificar afinidades entre a democracia e a psican\u00e1lise pelo fato de terem em comum uma \u00a0\u201cestrutura de fic\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0 e se fundarem a partir da dimens\u00e3o do que \u00e9 vazio de sentido, mas que n\u00e3o \u00e9 vazio de gozo. A democracia, inven\u00e7\u00e3o dos gregos como resultante do fim das presen\u00e7as divinas, se edificou a partir da afirma\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia d\u2019A Verdade teocr\u00e1tica, ontol\u00f3gica. A psican\u00e1lise, por sua vez, emergiu daquilo que Freud pode escrever sobre o que testemunhavam as hist\u00e9ricas de sua \u00e9poca, Um imposs\u00edvel de dizer, mas que n\u00e3o era inef\u00e1vel, manifesto em seus sintomas.<\/p>\n<p>O risco que correm esses discursos \u00e9 de, como toda estrutura ficcional, fechar-se em si mesmo, ancorando-se em sua vertente ideal. Esta \u00e9 outra raz\u00e3o de abordarmos este tema. A subvers\u00e3o lacaniana de que \u201cO inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e n\u00e3o o inverso n\u00e3o nos referencia mais, diretamente, a uma lei paterna que operaria para todos. Esta subvers\u00e3o aponta para uma \u201cfratura\u201d no universal S(<em><span style=\"text-decoration: line-through;\">A<\/span><\/em>). A partir disto, como a psican\u00e1lise poderia contribuir para a democracia, advertida do valor operat\u00f3rio para al\u00e9m do bin\u00e1rio normativo e ficcional S<sub>1<\/sub>-S<sub>2<\/sub>, direita-esquerda, n\u00f3s-eles<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>?<\/p>\n<p>Em uma conversa\u00e7\u00e3o recente da AMP, por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento do livro <em>Pol\u00e9mica Pol\u00edtica, <\/em>Vicente Palomera<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> lembrava a Miller: \u201cAlgo que voc\u00ea nos ensinou, Jacques-Alain Miller, \u00e9 a maneira como a psican\u00e1lise est\u00e1 vinculada \u00e0 liberdade da palavra e, por meio dela, aos direitos humanos.\u201d E acrescentou que \u201cLacan antecipou o v\u00ednculo da psican\u00e1lise n\u00e3o com a liberdade, mas com as liberdades\u201d.<\/p>\n<p>Isto nos permite partir de uma verdade <em>n\u00e3o-toda<\/em> para sustentar uma condi\u00e7\u00e3o para a democracia e para a psican\u00e1lise: o uso \u201clivre\u201d da palavra, na medida em que cada sujeito possa se responsabilizar pelos \u201cefeitos de verdade\u201d que produz. Que possa assumir o risco de encontrar-se com o mais heterog\u00eaneo que se pode experimentar sobre o gozo pr\u00f3prio do corpo. Que possa lidar com o hiato que marca a diferen\u00e7a radical da experi\u00eancia entre as pessoas e com o valor comum de tratamento, pela palavra, de sua pr\u00f3pria inconsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos, a partir disto, dizer que a democracia, assim como a psican\u00e1lise, porta um tra\u00e7o de instabilidade<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> sobre o qual se funda e que amea\u00e7a sua exist\u00eancia? Poder\u00edamos considerar os discursos das minorias como aquilo que, em potencial, explicitaria o furo do <em>para todos<\/em>, possibilitando a inven\u00e7\u00e3o de outro modo de la\u00e7o social? Enfim, qual lugar para a democracia?<\/p>\n<p>Estas e outras quest\u00f5es nos convidam ao esfor\u00e7o de falar sobre o que n\u00e3o existe, mantendo \u201cvazio\/livre o lugar da verdade\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> para que possamos continuar falando e fazendo <em>ex-sistir<\/em> a psican\u00e1lise.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Leitores : Raul Antelo, Fernanda Otoni, Val\u00e9ria Beatriz, Louise Lhullier e Carolina Maia Scofield.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Fajnwaks, F. Conversa\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 Confer\u00eancia: \u201cFic\u00e7\u00f5es e real na psican\u00e1lise e na cultora: do ser \u00e0 ex-sist\u00eancia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/ficcoes-e-real-na-psicanalise-e-na-cultura-do-ser-a-ex-sistencia\/\">https:\/\/ebp.org.br\/sul\/ficcoes-e-real-na-psicanalise-e-na-cultura-do-ser-a-ex-sistencia\/<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J. (1956-1957). <em>O Semin\u00e1rio de Jacques Lacan, livro 4<\/em>: As Rela\u00e7\u0151es de Objeto Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p. 258-259<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Lacan, J. Semin\u00e1rio 14, A l\u00f3gica do fantasma. Semin\u00e1rio in\u00e9dito. Trabalhada por MILLER, J. (2011) Intui\u00e7\u00f5es milanesas 1. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rieano 2, no 5. Dispon\u00edvel em: Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero5\/texto1.html\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero5\/texto1.html<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> MILLER, J.-A. Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola.\u00a0<em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n. 21, 2016. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Apresenta\u00e7\u00e3o do Livro \u201cPol\u00eamica Pol\u00edtica\u201d. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=O-wi1rmWmGo\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=O-wi1rmWmGo<\/a> 1:29<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Tocqueville, La democracia en Am\u00e9rica, Robert Laffort, col. Bouquins, 2015.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Laurent, E., &#8220;Falar e dizer o falso sobre o verdadeiro&#8221;, In: Revista Correio, n\u00ba85, Revista da Escola Brasileira de psican\u00e1lise, O novo \u00e9 sutil, Abril 2021, p. 26.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] ARGUMENTO | EIXOS DE TRABALHO |\u00a0REFER\u00caNCIAS |\u00a0TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O | PROGRAMA | INSCRI\u00c7\u00d5ES |\u00a0BOLETIM BRICOLAGENS | EX.PERI.\u00caNCIA(S) [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;EIXOS DE TRABALHO&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]Eixo 2 &#8211; A verdade n\u00e3o existe. Qual lugar para a democracia? 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