{"id":2983,"date":"2021-06-27T10:27:08","date_gmt":"2021-06-27T13:27:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/?page_id=2983"},"modified":"2021-06-27T10:27:08","modified_gmt":"2021-06-27T13:27:08","slug":"referencias-2a-jornada-da-secao-sul","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/","title":{"rendered":"Refer\u00eancias &#8211; 2\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Sul"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2975\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Banner-Site_Prancheta-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1109\" height=\"317\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/argumento-2a-jornada-da-secao-sul\/\">ARGUMENTO<\/a> <\/span><span style=\"color: #993300;\">| <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/eixos-de-trabalho-2a-jornada-da-secao-sul\/\">EIXOS DE TRABALHO<\/a> |<\/span><\/strong><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><strong><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">REFER\u00caNCIAS<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/textos_referencias-2a-jornada-da-secao-sul\/\">TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/programa-2a-jornada-da-secao-sul\/\">PROGRAMA<\/a> | <\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/inscricoes-2a-jornada-da-secao-sul-cadastro\/\">INSCRI\u00c7\u00d5ES<\/a> |<\/span><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<\/span><span style=\"color: #993300;\"><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/boletim-bricolagens-2a-jornada-da-secao-sul\/\">BOLETIM BRICOLAGENS<\/a> | <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/2a-jornada-da-secao-sul-falar-sobre-o-que-nao-existe-do-gozo-do-sentido-as-bricolagens-possiveis\/ex-peri-encias-1a-jornada-da-secao-sul\/\">EX.PERI.\u00caNCIA(S)<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;REFER\u00caNCIAS&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>JACQUES LACAN<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 4<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques.<em> O Semin\u00e1rio, livro 4<\/em>: a rela\u00e7\u00e3o de objeto. Trad. de Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A exist\u00eancia do significante n\u00e3o est\u00e1 ligada a outra coisa sen\u00e3o ao fato, pois isso \u00e9 um fato, o discurso existe, e \u00e9 introduzido no mundo sobre um fundo, mais ou menos conhecido ou desconhecido, o qual \u00e9 curioso, mesmo assim, que Freud tenha sido levado pela experi\u00eancia anal\u00edtica a poder apenas caracteriz\u00e1-lo dizendo que o significante funciona sobre o fundo de uma certa experi\u00eancia da morte.&#8221; (p. 50)<\/p>\n<p>&#8220;Inversamente, assim como a morte est\u00e1 ali refletida no fundo do significado, tamb\u00e9m o significante toma emprestado toda uma s\u00e9rie de elementos que est\u00e3o ligados a um termo profundamente envolvido no significado, a saber, o corpo. Assim como j\u00e1 h\u00e1 na natureza alguns reservat\u00f3rios, tamb\u00e9m h\u00e1, no significado, um certo n\u00famero de elementos que s\u00e3o dados na experi\u00eancia como acidentes do corpo, mas que s\u00e3o retomados no significante e lhe d\u00e3o, se assim podemos dizer, suas armas primeiras. Trata-se dessas coisas inapreens\u00edveis, e no entanto irredut\u00edveis, dentre as quais o termo f\u00e1lico, a pura e simples ere\u00e7\u00e3o. A pedra erigida \u00e9 um de seus exemplos, a no\u00e7\u00e3o do corpo humano como ereto \u00e9 outro. \u00c9 assim que um certo n\u00famero de elementos todos ligados \u00e0 estrutura corporal, e n\u00e3o simplesmente \u00e0 experi\u00eancia vivida do corpo, constituem elementos primeiros, tomados de empr\u00e9stimo \u00e0 experi\u00eancia, mas completamente transformados pelo fato de serem simbolizados.&#8221; (p. 50-51)<\/p>\n<p>&#8220;O mito se apresenta, tamb\u00e9m em sua visada, com um car\u00e1ter de inesgot\u00e1vel. Para empregar um termo antigo, digamos que ele participa do car\u00e1ter de um esquema no sentido kantiano. Ele est\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo da estrutura que de todo conte\u00fado, e se reencontra e se reaplica, no sentido mais material da palavra, sobre todas as esp\u00e9cies de dados, com essa efic\u00e1cia amb\u00edgua que o caracteriza. O mais adequado \u00e9 dizer que a esp\u00e9cie de molde oferecido pela categoria m\u00edtica \u00e9 um certo tipo de verdade na qual, por nos limitarmos ao que \u00e9 nosso campo e nossa experi\u00eancia, n\u00e3o podemos deixar de ver que se trata de uma rela\u00e7\u00e3o do homem &#8211; mas com qu\u00ea? [&#8230;] Cabe a n\u00f3s, apenas, perceber que se trata de temas da vida e da morte, da exist\u00eancia e da n\u00e3o exist\u00eancia, do nascimento, em especial, isto \u00e9, da apari\u00e7\u00e3o daquilo que ainda n\u00e3o existe. Trata-se, pois, de temas ligados, por um lado, \u00e0 exist\u00eancia do pr\u00f3prio sujeito e aos horizontes que sua experi\u00eancia lhe traz, por outro lado, ao fato de que ele \u00e9 o sujeito de um sexo, do seu sexo natural. &#8221; (p. 259)<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que fizemos at\u00e9 agora se baseia num certo n\u00famero de postulados &#8211; que n\u00e3o s\u00e3o postulados, em absoluto, pois se baseiam em nosso trabalho anterior de coment\u00e1rio, que comporta toda uma reflex\u00e3o sobre a experi\u00eancia anal\u00edtica e sobre o que ela nos d\u00e1. Um desses postulados \u00e9 o seguinte: que a neurose \u00e9 uma quest\u00e3o formulada pelo sujeito no n\u00edvel de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Essa quest\u00e3o assume, na histeria, as seguintes formas: <em>O que \u00e9 ter o sexo que eu tenho? O que quer dizer ter um sexo? O que quer dizer que eu possa, mesmo, me formular essa quest\u00e3o?<\/em> Com efeito, devido \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o simb\u00f3lica, o homem n\u00e3o \u00e9 simplesmente um macho e uma f\u00eamea, mas \u00e9-lhe necess\u00e1rio se situar com refer\u00eancia a algo de simbolizado que se chama macho e f\u00eamea. Se a neurose se relaciona com o n\u00edvel da exist\u00eancia, ela se relaciona a isso de maneira ainda mais dram\u00e1tica na neurose obsessiva, onde est\u00e1 em jogo n\u00e3o apenas a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o seu sexo, mas sua rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio fato de existir.&#8221; (p. 402-403).<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 9<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 9<\/em>: a identifica\u00e7\u00e3o. Trad. de Ivan Corr\u00eaa e Marcos Bagno. Recife: Centro de Estudos Freudianos do Recife, 2003.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Gra\u00e7as aos cuidados que me imp\u00f5e nosso semin\u00e1rio, n\u00e3o pude avan\u00e7ar muito, mas eu li as p\u00e1ginas inaugurais magistrais, por onde C. L\u00e9vi-Strauss entra na interpreta\u00e7\u00e3o do que ele chama de pensamento selvagem, que \u00e9 preciso entender como, penso, sua entrevista no <em>Le Figaro<\/em> j\u00e1 lhes ensinou, n\u00e3o como o pensamento dos selvagens, mas como, podemos dizer, o estado selvagem do pensamento, o pensamento, digamos, o pensamento enquanto ele funciona bem, eficazmente, com todas as caracter\u00edsticas do pensamento, antes de tomar a forma do pensamento cient\u00edfico, do pensamento cient\u00edfico moderno, com seu estatuto. E Claude L\u00e9vi-Strauss nos mostra que \u00e9 mesmo imposs\u00edvel colocar ali um corte t\u00e3o radical, pois o pensamento que ainda n\u00e3o conquistou seu estatuto cient\u00edfico j\u00e1 est\u00e1, de fato, apropriado a carregar certos efeitos cient\u00edficos. Tal \u00e9, pelo menos, seu intuito aparente em seu in\u00edcio, e toma, singularmente, como exemplo, para ilustrar o que ele quer dizer do pensamento selvagem, algo onde, sem d\u00favida, ele entende reunir isso de comum que haveria com o pensamento, digamos tal como ele o sublinha, tal como ele trouxe frutos fundamentais, a partir do pr\u00f3prio momento em que n\u00e3o se pode absolutamente qualificar de a-hist\u00f3rico, diante do que ele afirmava, o pensamento a partir da era neol\u00edtica que ainda d\u00e1, diz ele, todos os seus fundamentos \u00e0 nossa posi\u00e7\u00e3o no mundo. Para ilustr\u00e1-lo, digamos assim, ainda funcionando ao nosso alcance, ele n\u00e3o encontra outra coisa e nada de melhor sen\u00e3o exemplific\u00e1-lo sob uma forma, sem d\u00favida, n\u00e3o \u00fanica, mas privilegiada por sua demonstra\u00e7\u00e3o, sob a forma do que ele chama de bricolagem.&#8221; (p. 368)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 16<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 16<\/em>: de um Outro ao outro. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 somente na medida do fora-de-sentido dos ditos &#8211; e n\u00e3o do sentido, como se costuma imaginar e como sup\u00f5e toda a fenomenologia &#8211; que existo como pensamento. Meu pensamento n\u00e3o \u00e9 regul\u00e1vel a meu bel-prazer, acrescentamos ou n\u00e3o o <em>infelizmente<\/em>. Ele \u00e9 regulado. Em meu ato, n\u00e3o almejo exprimi-lo, mas caus\u00e1-lo. Por\u00e9m n\u00e3o se trata do ato, e sim do discurso. No discurso, n\u00e3o tenho que seguir sua regra, e sim que encontrar sua causa. No entre-senso &#8211; entendam isso, por mais obsceno que possam imagin\u00e1-lo &#8211; est\u00e1 o ser do pensamento. O que \u00e9 causa, ao passar pelo meu pensamento, deixa passar aquilo que existiu, pura e simplesmente, como ser. Isso porqu\u00ea, ali por onde ela passou, ela j\u00e1 \u00e9 desde sempre passada, produzindo efeitos de pensamento.\u201d (p. 13)<\/p>\n<p>\u201cUm sujeito \u00e9 aquilo que pode ser representado por um significante para outro significante. N\u00e3o ser\u00e1 isso calcado no fato de que, no que Marx decifrou, isto \u00e9, a realidade econ\u00f4mica, o sujeito do valor de troca \u00e9 representado perante o valor de uso? \u00c9 nessa brecha que se produz e cai a mais-valia. Em nosso n\u00edvel, s\u00f3 importa essa perda. J\u00e1 n\u00e3o id\u00eantico a si mesmo, da\u00ed por diante, o sujeito n\u00e3o goza mais. Perde-se alguma coisa que se chama o mais-de-gozar. Ele \u00e9 estritamente correlato \u00e0 entrada em jogo do que determina, a partir de ent\u00e3o, tudo o que acontece com o pensamento.\u201d (p. 21)<\/p>\n<p>\u201cQue \u00e9 o Outro? \u00c9 o campo da verdade que defini como sendo o lugar em que o discurso do sujeito ganharia consist\u00eancia, e onde ele se coloca para se oferecer a ser ou n\u00e3o refutado. Surgiu para Descartes o problema de saber se existia ou n\u00e3o um Deus que garantisse esse campo. Ora, esse problema est\u00e1 hoje totalmente deslocado por n\u00e3o haver no campo do Outro a possibilidade de uma consist\u00eancia completa do discurso.\u201d (p. 24)<\/p>\n<p>\u201cNesse n\u00edvel, o que pode, no Outro, responder ao sujeito? Nada sen\u00e3o aquilo que produz sua consist\u00eancia e sua ing\u00eanua confian\u00e7a em que ele \u00e9 como eu. Trata-se, em outras palavras, do que \u00e9 seu verdadeiro esteio &#8211; sua fabrica\u00e7\u00e3o como objeto <em>a<\/em>. N\u00e3o h\u00e1 nada diante do sujeito sen\u00e3o ele, o um-a-mais entre tantos outros, e que de modo algum pode responder ao grito da verdade, mas que \u00e9, muito precisamente, seu equivalente &#8211; o n\u00e3o-gozo, a mis\u00e9ria, o desamparo e a solid\u00e3o. Tal \u00e9 a contrapartida do <em>a<\/em>, desse mais-de-gozar que constituiu a coer\u00eancia do sujeito enquanto eu.\u201d (p. 24-25)<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas me permitir\u00e3o voltar aqui, por um instante, ao <em>Eu \u00e9<\/em> da \u00faltima vez, visto que, de uma cabe\u00e7a nada ruim, ali\u00e1s, vi chegar a obje\u00e7\u00e3o de que, ao traduzi-lo dessa maneira, eu estaria reabrindo a porta, digamos, ao menos para uma refer\u00eancia ao ser. O <em>\u00e9<\/em> como ente [<em>\u00e9tant<\/em>], segundo a terminologia da tradi\u00e7\u00e3o, que suspende o ser [<em>\u00eatre<\/em>], foi, ao menos por um ouvido, entendido como um apelo ao ser. Estaria eu enunciando, com isso, o ser supremo que a tradi\u00e7\u00e3o edifica para responder por todos os entes [<em>\u00e9tants<\/em>] que subsistem na natureza, no sentido mais original, numa ordem qualquer da natureza? Ser\u00e1 que meu <em>Eu \u00e9 <\/em>designaria esse ser em torno do qual tudo se modifica, tudo gira, e que assim ocupa o lugar de eixo do universo, o do <em>x<\/em> gra\u00e7as ao qual existe um universo? Pois bem, absolutamente n\u00e3o. Nada est\u00e1 mais longe da inten\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o que formulei. Enunciamos no<em> Eu<\/em> do <em>Eu \u00e9<\/em> o que constitui propriamente o fundo da verdade, na medida em que ela somente fala. Para torn\u00e1-la intelig\u00edvel, posso retomar essa tradu\u00e7\u00e3o em <em>Eu sou aquilo que \u00e9 o Eu<\/em>. Digamos que, nessa formula\u00e7\u00e3o, o <em>\u00e9<\/em> se l\u00ea melhor.\u201d (p. 78-79)<em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma coisa, ao contr\u00e1rio, que est\u00e1 inteiramente clara, e \u00e9 por a\u00ed que come\u00e7arei da pr\u00f3xima vez: \u00e9 que n\u00e3o se trata rigorosamente de nada al\u00e9m, justamente, do <em>Eu<\/em>. H\u00e1 quem passe o tempo a se perguntar se Deus existe, como se isso fosse sequer uma pergunta. Deus \u00e9, quanto a isso n\u00e3o h\u00e1 nenhuma esp\u00e9cie de d\u00favida, e isso n\u00e3o prova em absoluto que ele exista. A pergunta n\u00e3o se coloca. Mas \u00e9 preciso saber se <em>Eu<\/em> existe. Ser\u00e1 que <em>Eu<\/em> existe? Creio poder faz\u00ea-los perceber que \u00e9 em torno dessa incerteza que gira a aposta de Pascal.\u201d (p. 101)<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira dicotomia n\u00e3o \u00e9 entre <em>Deus existe <\/em>ou<em> Deus n\u00e3o existe. <\/em>Queira Pascal ou n\u00e3o, o problema passa a ser de natureza totalmente diferente a partir do momento em que ele afirma que n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o saibamos se Deus existe, mas nem sabemos se Deus \u00e9 nem o que ele \u00e9. Como perceberam e articularam perfeitamente os seus contempor\u00e2neos, a quest\u00e3o concernente a Deus ser\u00e1, portanto, uma quest\u00e3o de fato, o que significa uma quest\u00e3o de discurso, se voc\u00eas se reportarem \u00e0 defini\u00e7\u00e3o que dei do fato, ao lhes dizer que s\u00f3 existe fato quando enunciado. \u00c9 por isso que, no que diz respeito a Deus, ficamos inteiramente entregues \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do Livro. Mas o que est\u00e1 verdadeiramente em jogo na aposta de Pascal \u00e9 uma outra quest\u00e3o, aquela que j\u00e1 lhes enunciei no fim de meu discurso anterior &#8211; ser\u00e1 que <em>Eu<\/em> existe ou <em>Eu<\/em> n\u00e3o existe?\u201d (p. 117)<\/p>\n<p>\u201cTeremos de avaliar, em nossos passos seguintes, al\u00e9m dessa <em>a-causa<\/em>, o que resulta de uma escolha entre o<em> Eu<\/em> e o <em>a<\/em>. Dizer <em>Eu existe<\/em> tem toda uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias, perfeita e imediatamente formaliz\u00e1veis, cujo c\u00e1lculo eu lhes farei da pr\u00f3xima vez. Inversamente, o pr\u00f3prio fato de poder calcul\u00e1-lo assim mostra que a outra posi\u00e7\u00e3o, aquela que aposta na investiga\u00e7\u00e3o do que acontece com um <em>Eu<\/em> que talvez n\u00e3o exista, vai no sentido da <em>a-causa<\/em>, ou seja, no sentido daquilo a que procede Pascal quando exorta seu interlocutor a renunciar a isso. Para n\u00f3s, \u00e9 a\u00ed que adquire sentido a dire\u00e7\u00e3o de uma busca que, no tocante \u00e0 psican\u00e1lise, \u00e9 expressamente a nossa.&#8221; (p. 117-118)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 19<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify;\"><b><span style=\"color: black;\">LACAN, Jacques. <i>O Semin\u00e1rio, livro 19<\/i>: &#8230;ou pior. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; background: white;\"><span style=\"color: #222222;\">&#8220;E o que pode nos interessar com respeito a esse <i>existe<\/i>, em mat\u00e9ria de significante? Seria que existe <i>pelo menos um<\/i> para quem isso n\u00e3o funciona, essa hist\u00f3ria de castra\u00e7\u00e3o. Foi justamente por isso que ela foi inventada. \u00c9 o chamado Pai, e \u00e9 por isso que o Pai existe pelo menos tanto quanto Deus, ou seja, n\u00e3o muito.&#8221; (p. 35)<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; background: white;\"><span style=\"color: #222222;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify; background: white;\"><span style=\"color: #222222;\">&#8220;A inexist\u00eancia s\u00f3 constitui problema por j\u00e1 ter, certamente, uma resposta dupla, do gozo e da verdade, por\u00e9m ela j\u00e1 <i>inexiste<\/i>. N\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do gozo nem da verdade que a inexist\u00eancia adquire um estatuto, que ela pode inexistir, isto \u00e9, chegar ao s\u00edmbolo que a designa como inexist\u00eancia, n\u00e3o no sentido de n\u00e3o ter exist\u00eancia, mas de s\u00f3 ser exist\u00eancia a partir do s\u00edmbolo que a faz inexistente, e que, ele sim, existe. Como voc\u00eas sabem, ele \u00e9 um n\u00famero, geralmente designado por zero. O que bem mostra que a inexist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o que se poderia crer, o nada [<i>n\u00e9ant<\/i>], pois o que poderia sair dele? [&#8230;] A inexist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o nada.&#8221; (p. 50)<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Eu gostaria, antes de deix\u00e1-los, de introduzir uma coisa. Trata-se, aqui, de explorar o que chamei de uma nova l\u00f3gica. Esta deve ser constru\u00edda a partir daquilo que n\u00e3o \u00e9 &#8211; ou seja, a partir disto que deve ser formulado em primeiro lugar: nada do que acontece em decorr\u00eancia da inst\u00e2ncia da linguagem pode desembocar, de modo algum, na formula\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o.&#8221; (p. 20)<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] N\u00e3o basta negar o\u00a0<em>n\u00e3o-todo<\/em>\u00a0para que, de cada um dos dois peda\u00e7os, se me posso exprimir desta maneira, seja afirmada a exist\u00eancia. \u00c9 claro que, se a exist\u00eancia \u00e9 afirmada, produz-se o\u00a0<em>n\u00e3o-todo<\/em>. \u00c9 em torno desse\u00a0<em>existe<\/em>\u00a0que deve girar nosso avan\u00e7o.&#8221; (p. 21)<\/p>\n<p>&#8220;E o que pode nos interessar com respeito a esse <em>existe<\/em>, em mat\u00e9ria de significante? Seria que existe <em>pelo menos um<\/em> para quem isso n\u00e3o funciona, essa hist\u00f3ria de castra\u00e7\u00e3o. Foi justamente por isso que ela foi inventada. \u00c9 o chamado Pai, e \u00e9 por isso que o Pai existe pelo menos tanto quanto Deus, ou seja, n\u00e3o muito.&#8221; (p. 35)<\/p>\n<p>&#8220;Por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 extraordin\u00e1rio que o enunciado desse mito n\u00e3o pare\u00e7a rid\u00edculo, ou seja, a hist\u00f3ria do homem original que usufruiria precisamente daquilo que n\u00e3o existe, isto \u00e9, de todas as mulheres, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o simplesmente por estar claro que temos nossos limites, mas porque n\u00e3o existe um <em>todo<\/em> das mulheres.&#8221; (p. 44)<\/p>\n<p>&#8220;Como lhes disse, o <em>n\u00e3o existe<\/em> afirma-se por um dito, por um dito do homem, pelo dito do imposs\u00edvel, ou seja, que \u00e9 do real que a mulher tira sua rela\u00e7\u00e3o com a castra\u00e7\u00e3o.&#8221; (p. 45)<\/p>\n<p>&#8220;Na medida em que o inconsciente existe, voc\u00eas realizam a todo instante a demonstra\u00e7\u00e3o na qual se baseia a inexist\u00eancia como preliminar do necess\u00e1rio. \u00c9 a inexist\u00eancia que est\u00e1 no princ\u00edpio do sintoma.&#8221; (p. 49)<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] \u00e9 a inexist\u00eancia do gozo que o chamado automatismo de repeti\u00e7\u00e3o faz vir \u00e0 luz, pela insist\u00eancia desse marcar passo na porta que se designa como sa\u00edda para a exist\u00eancia. S\u00f3 que, para al\u00e9m dela, o que os espera n\u00e3o \u00e9, em absoluto, o que se chama uma exist\u00eancia: \u00e9 o gozo, tal como funciona como necessidade de discurso, e ele s\u00f3 funciona, como voc\u00eas est\u00e3o vendo, como inexist\u00eancia.&#8221; (p. 50)<\/p>\n<p>&#8220;A inexist\u00eancia s\u00f3 constitui problema por j\u00e1 ter, certamente, uma resposta dupla, do gozo e da verdade, por\u00e9m ela j\u00e1 <em>inexiste<\/em>. N\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do gozo nem da verdade que a inexist\u00eancia adquire um estatuto, que ela pode inexistir, isto \u00e9, chegar ao s\u00edmbolo que a designa como inexist\u00eancia, n\u00e3o no sentido de n\u00e3o ter exist\u00eancia, mas de s\u00f3 ser exist\u00eancia a partir do s\u00edmbolo que a faz inexistente, e que, ele sim, existe. Como voc\u00eas sabem, ele \u00e9 um n\u00famero, geralmente designado por zero. O que bem mostra que a inexist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o que se poderia crer, o nada [<em>n\u00e9ant<\/em>], pois o que poderia sair dele? [&#8230;] A inexist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o nada.&#8221; (p. 50)<\/p>\n<p>&#8220;De qualquer modo, essa conquista nos \u00e9 preciosa, na medida em que nos d\u00e1 o 1 como sendo, essencialmente &#8211; ou\u00e7am bem o que digo &#8211; o significante da inexist\u00eancia.&#8221; (p. 56)<\/p>\n<p>&#8220;Aquilo que \u00e9 importante distinguir na g\u00eanese do 1, ou seja, precisamente a distin\u00e7\u00e3o do <em>n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a<\/em> entre todos esses 0, a partir da g\u00eanese daquilo que se repete, mas se repete como inexistente. Portanto, Frege n\u00e3o explica a sequ\u00eancia dos n\u00fameros inteiros, mas a possibilidade da repeti\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o se coloca inicialmente como repeti\u00e7\u00e3o do 1, como 1 da inexist\u00eancia.&#8221; (p. 58-59)<\/p>\n<p>&#8220;De um lado, do lado masculino, h\u00e1 um <em>x<\/em> que pode se sustentar num al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, e do outro lado, ele n\u00e3o existe, pela simples raz\u00e3o de que uma mulher n\u00e3o poderia ser castrada, pelas melhores raz\u00f5es. Esse \u00e9 o n\u00edvel do que justamente nos \u00e9 barrado na rela\u00e7\u00e3o sexual.&#8221; (p. 100)<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, no n\u00edvel em que a disjun\u00e7\u00e3o teria chance de se produzir, encontramos, de um lado, somente <em>um<\/em>, ou, pelo menos, <em>ao menos um<\/em>, e do outro, a inexist\u00eancia, isto \u00e9, a rela\u00e7\u00e3o de um com zero.&#8221; (p. 101)<\/p>\n<p>&#8220;Sem d\u00favida, o ser falante \u00e9 alguma coisa, talvez sim. O que \u00e9 o que ele n\u00e3o \u00e9? Acontece que esse ser \u00e9 absolutamente inapreens\u00edvel. E \u00e9 ainda mais inapreens\u00edvel por ser for\u00e7ado a passar pelo s\u00edmbolo para se sustentar. Um ser, quando vem a ser apenas pelo s\u00edmbolo, \u00e9 justamente um ser sem ser. Pelo simples fato de falarem, voc\u00eas todos participam desse ser sem ser. Em contrapartida, o que se sustenta \u00e9 a exist\u00eancia, na medida em que existir n\u00e3o \u00e9 ser, \u00e9 depender do Outro.&#8221; (p. 103)<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 que ele comporta um protesto que se constata que consolida o discurso do mestre\/senhor, complementando-o, e n\u00e3o apenas pela mais-valia, por\u00e9m incitando &#8211; sinto que isto vai provocar umas rea\u00e7\u00f5es fortes &#8211; a mulher a existir como igual. Igual a qu\u00ea? Ningu\u00e9m sabe. Tamb\u00e9m podemos muito bem dizer que <em>homem = zero<\/em>, j\u00e1 que ele precisa da exist\u00eancia de algo que o negue para existir como <em>todos<\/em>.&#8221; (p. 115)<\/p>\n<p>&#8220;<em>O que s\u00f3 existe ao n\u00e3o ser<\/em>: \u00e9 exatamente disso que se trata, e foi o que eu quis inaugurar hoje no cap\u00edtulo geral do Uniano.&#8221; (p. 131)<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que a exist\u00eancia, desde sua emerg\u00eancia primeira, enuncia-se prontamente por sua inexist\u00eancia correlativa. N\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia sen\u00e3o contra um fundo de inexist\u00eancia e, inversamente,\u00a0<em>ex-sistere<\/em>\u00a0\u00e9 extrair a pr\u00f3pria sustenta\u00e7\u00e3o somente de um exterior que n\u00e3o existe.&#8221; (p. 131)<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 aqui, nada faz ainda a articula\u00e7\u00e3o do <em>H\u00e1-um<\/em> como tal com o <em>ao menos um<\/em> que \u00e9 formulado pela nota\u00e7\u00e3o E invertido <em>x<\/em> &#8211; <em>existe um x<\/em>, <em>ao menos um<\/em>, que d\u00e1 ao que se postula como fun\u00e7\u00e3o um valor qualific\u00e1vel como verdadeiro. Coloca-se uma dist\u00e2ncia entre a exist\u00eancia no sentido l\u00f3gico e a exist\u00eancia natural, se assim podemos dizer [&#8230;]&#8221; (p. 135)<\/p>\n<p>&#8220;A an\u00e1lise nos conduz a formular esta fun\u00e7\u00e3o, \u03a6<em>x<\/em>, sobre a qual a quest\u00e3o \u00e9 saber se existe um <em>x<\/em> que satisfa\u00e7a. Isso presume articular o que pode ser a exist\u00eancia. \u00c9 quase certo que, historicamente, a ideia de exist\u00eancia s\u00f3 tenha surgido com a intromiss\u00e3o do real matem\u00e1tico como tal.&#8221; (p. 173)<\/p>\n<p>&#8220;Isto j\u00e1 deve ser sabido por muitos: <em>H\u00e1-um<\/em> n\u00e3o quer dizer que existe o indiv\u00edduo. \u00c9 por isso mesmo que lhes pe\u00e7o para enraizarem esse <em>H\u00e1-um<\/em> no lugar de onde ele vem. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 outra exist\u00eancia do Um a n\u00e3o ser a exist\u00eancia matem\u00e1tica. H\u00e1 um argumento que satisfaz uma f\u00f3rmula, e um argumento completamente esvaziado de sentido: \u00e9 simplesmente o Um como Um.&#8221; (p. 180-181)<\/p>\n<p>&#8220;Em torno desse Um gira a quest\u00e3o da exist\u00eancia. J\u00e1 fiz algumas observa\u00e7\u00f5es a esse respeito, quais sejam, que a exist\u00eancia nunca foi abordada como tal, antes de uma certa era, e que se investiu muito tempo na extra\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia. Falei do fato de n\u00e3o haver em grego nada corrente que queira dizer <em>existir<\/em>, n\u00e3o que eu ignorasse o <em>ex-istemi<\/em>, <em>ex-istano<\/em>, mas por constatar que nenhum fil\u00f3sofo jamais se servira dele. No entanto, \u00e9 a\u00ed que come\u00e7a algo que pode nos interessar &#8211; trata-se de saber o que existe. Existe apenas o Um.&#8221; (p. 192)<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 claro que foi somente a partir de uma certa reflex\u00e3o sobre a matem\u00e1tica que a exist\u00eancia adquiriu sentido.&#8221; (p. 194)<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00eas j\u00e1 podem ver que a quest\u00e3o da exist\u00eancia est\u00e1 ligada a um dizer, um\u00a0<em>dizer n\u00e3o<\/em>. Eu at\u00e9 diria mais, um\u00a0<em>dizer que n\u00e3o<\/em>. Isto \u00e9 capital, e nos indica a que ponto se deve tomar, na nossa forma\u00e7\u00e3o de analistas, o que \u00e9 enunciado pela teoria dos conjuntos &#8211;\u00a0<em>h\u00e1 pelo menos um que diz n\u00e3o<\/em>.&#8221; (p. 194)<\/p>\n<p>&#8220;A mulher n\u00e3o \u00e9 o lugar do Outro. Mais ainda, inscreve-se como n\u00e3o sendo o Outro na fun\u00e7\u00e3o que dou ao grande A, a fun\u00e7\u00e3o de lugar da verdade. Eu havia traduzido a exist\u00eancia do <em>dizer que n\u00e3o<\/em> pela fun\u00e7\u00e3o do conjunto vazio. Do mesmo modo, traduzirei a inexist\u00eancia do que poderia negar a fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica pelo fato, eu diria, de se ausentar. A mulher \u00e9 um <em>centro gozoso<\/em> [<em>jouis-centre<\/em>] conjugado com o que n\u00e3o chamarei de uma aus\u00eancia, mas de uma <em>dess\u00eancia<\/em> [<em>d\u00e9-sence<\/em>].&#8221; (p. 198)<\/p>\n<p>&#8220;Entre o <em>existe<\/em>, \u2203x.\u03a6x\/, e o <em>n\u00e3o existe<\/em>, \u2203x\/.\u03a6x\/, n\u00e3o h\u00e1 como se enrolar: a hi\u00e2ncia \u00e9 a exist\u00eancia. Entre o <em>existe um que \u00e9<\/em>, \u2203x.\u03a6x\/, e o <em>n\u00e3o h\u00e1 um que n\u00e3o seja<\/em>, \u2200x.\u03a6x, existe a contradi\u00e7\u00e3o.&#8221; (p. 199)<\/p>\n<p>&#8220;Existe um que diz que n\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 de modo algum o mesmo que negar, mas, a partir dessa cunhagem do termo <em>uniar<\/em> como um verbo conjug\u00e1vel, poder\u00edamos dizer que, no que tange \u00e0 fun\u00e7\u00e3o representada na an\u00e1lise pelo mito do Pai, ele <em>unia<\/em>.&#8221; (p. 205)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Semin\u00e1rio 20<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques.<em> O Semin\u00e1rio, livro 20<\/em>: mais, ainda. Trad. de M.D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] o discurso anal\u00edtico s\u00f3 se sustenta pelo enunciado de que n\u00e3o h\u00e1, de que \u00e9 imposs\u00edvel colocar-se a rela\u00e7\u00e3o sexual. \u00c9 nisto que se escoram os avan\u00e7os do discurso anal\u00edtico, e \u00e9 por isso a\u00ed que ele determina o que \u00e9 realmente do estatuto de todos os outros discursos.\u201d (p. 16)<\/p>\n<p>\u201cCom efeito, a l\u00f3gica, a coer\u00eancia inscrita no fato de existir a linguagem e de que ela est\u00e1 fora dos corpos que por ele s\u00e3o agitados, em suma, o Outro que se encarna, se assim se pode dizer, como ser sexuado, exige esse <em>uma a uma. <\/em>E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 o estranho, o fascinante, \u00e9 o caso de se dizer &#8211; essa exig\u00eancia do Um, como j\u00e1 o <em>Parm\u00eanides<\/em> nos podia fazer prever, \u00e9 do Outro que ela sai. Onde est\u00e1 o ser, h\u00e1 exig\u00eancia de infinitude.\u201d (p. 17)<\/p>\n<p>\u201cO que diz respeito ao ser est\u00e1 estreitamente amarrado a essa se\u00e7\u00e3o do predicado. Da\u00ed nada poder ser dito sen\u00e3o por contornos em impasse, demonstra\u00e7\u00f5es de impossibilidade l\u00f3gica, onde nenhum predicado basta. O que diz respeito ao ser, ao ser que se colocaria como absoluto, n\u00e3o \u00e9 jamais sen\u00e3o a fratura, a rachadura, a interrup\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula <em>ser sexuado<\/em>, no que o ser sexuado est\u00e1 interessado no gozo.\u201d (p. 18)<\/p>\n<p>\u201cO significante \u00e9 a causa do gozo. Sem o significante, como mesmo abordar aquela parte do corpo? Como, sem o significante, centrar esse algo que, do gozo, \u00e9 a causa material? Por mais desmanchado, por mais confuso que isto seja, \u00e9 uma parte que, do corpo, \u00e9 significada nesse dep\u00f3sito.\u201d (p. 30)<\/p>\n<p>\u201cO Outro deve, por um lado, ser novamente martelado, espeda\u00e7ado, para que tome seu pleno sentido, sua resson\u00e2ncia completa. Por outro lado, conv\u00e9m coloc\u00e1-lo como termo que se baseia no fato de que sou eu que falo, que s\u00f3 posso falar de onde estou, identificado a um puro significante. O homem, uma mulher, eu disse da \u00faltima vez, n\u00e3o s\u00e3o nada mais que significantes. \u00c9 da\u00ed, do que dizer enquanto encarna\u00e7\u00e3o distinta do sexo, que eles recebem sua fun\u00e7\u00e3o. O Outro, na minha linguagem, s\u00f3 pode ser portanto o Outro sexo.\u201d (p. 45)<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 do ser que partimos, do ser enquanto concebido [&#8230;] como o <em>\u00e9-terno<\/em> [&#8230;] Quando a id\u00e9ia do ser &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 aproximada, ro\u00e7ada &#8211; vem a culminar nesse seu violento arrancamento da fun\u00e7\u00e3o do tempo pelo enunciado do eterno, disso resultam estranhas consequ\u00eancias. [&#8230;] o ser que, eterno o \u00e9 por si mesmo, o ser que, eterno, n\u00e3o o \u00e9 por si mesmo, o ser que, n\u00e3o eterno, n\u00e3o tem esse ser fr\u00e1gil, se n\u00e3o inexistente, n\u00e3o o tem por si mesmo. Mas o ser n\u00e3o eterno que \u00e9 por si mesmo, n\u00e3o existe. [&#8230;] N\u00e3o estar\u00e1 a\u00ed o de que se trata no que concerne ao significante? Isto \u00e9, que nenhum significante se produz como eterno. [&#8230;] O significante repudia a categoria de eterno e, no entanto, singularmente, ele \u00e9 por si mesmo.\u201d (p. 46)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] n\u00e3o ser\u00e1 verdadeiro que a linguagem nos imp\u00f5e o ser e nos obriga como tal a admitir que, do ser, jamais temos nada? Ao que temos que nos romper, \u00e9 a substituir esse ser que fugiria pelo <em>para-esser<\/em>, digamos, o <em>para<\/em>-ser, o ser na lateral.\u201d (p. 50)<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao para-esser que devemos articular o que vem em supl\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual enquanto inexistente. \u00c9 claro que, em tudo que disto se aproxima, a linguagem s\u00f3 faz manifestar sua insufici\u00eancia.\u201d (p. 51)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] se trata de tomar a linguagem como aquilo que funciona em supl\u00eancia, por aus\u00eancia da \u00fanica parte do real que n\u00e3o pode vir a se formar em ser, isto \u00e9, a rela\u00e7\u00e3o sexual &#8211; qual \u00e9 o suporte que podemos encontrar ao n\u00e3o lermos sen\u00e3o letras?\u201d (p. 54)<\/p>\n<p>\u201cSeguir o fio do discurso anal\u00edtico n\u00e3o tende para nada menos do que refraturar, encurvar, marcar com uma curvatura pr\u00f3pria, e por uma curvatura que n\u00e3o poderia nem mesmo ser mantida como sendo como as linhas de for\u00e7a, aquilo que produz como tal a falha, a descontinuidade. Nosso recurso \u00e9, na al\u00edngua, o que se fratura.\u201d (p. 61)<\/p>\n<p>\u201c<em>A realidade \u00e9 abordada com os aparelhos do gozo<\/em>. A\u00ed est\u00e1 mais uma f\u00f3rmula que lhes proponho, se \u00e9 que podemos convir que, aparelho, n\u00e3o h\u00e1 outro sen\u00e3o a linguagem. \u00c9 assim que, no ser falante, o gozo \u00e9 aparelhado.\u201d (p. 61)<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] n\u00e3o h\u00e1 linguagem do ser. Mas haver\u00e1 o ser? Como fiz notar da \u00faltima vez, o que digo \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1. O ser \u00e9, como se diz, e o n\u00e3o-ser n\u00e3o \u00e9. H\u00e1 ou n\u00e3o h\u00e1. Esse ser, n\u00e3o se faz sen\u00e3o sup\u00f4-lo a algumas palavras &#8211; indiv\u00edduo, por exemplo, ou subst\u00e2ncia. Para mim, \u00e9 apenas um fato de dito.\u201d (p. 126)<\/p>\n<p>\u201cA formaliza\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, \u00e9 a escrita, mas que s\u00f3 subsiste se eu emprego, para apresent\u00e1-la, a l\u00edngua que uso. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 a obje\u00e7\u00e3o &#8211; nenhuma formaliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua \u00e9 transmiss\u00edvel sem uso da pr\u00f3pria l\u00edngua. \u00c9 por meu dizer que essa formaliza\u00e7\u00e3o, ideal metalinguagem, eu a fa\u00e7o ex-sistir. \u00c9 assim que o simb\u00f3lico n\u00e3o se confunde, longe disso, com o ser, mas ele subsiste como ex-sist\u00eancia do dizer. \u00c9 o que sublinhei, no texto dito <em>l\u2019\u00c9tourdit, <\/em>o <em>Aturdito,<\/em> ao dizer que o simb\u00f3lico s\u00f3 suporta a ex-sist\u00eancia.\u201d (p. 127)<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] eu falo sem saber. Falo com o meu corpo, e isto, sem saber. Digo, portanto, sempre mais do que sei. \u00c9 a\u00ed que chego ao sentido da palavra <em>sujeito<\/em> no discurso anal\u00edtico. O que fala sem saber me faz <em>eu<\/em>, sujeito do verbo. Isto n\u00e3o basta para me fazer ser. Isto n\u00e3o tem nada a ver com o que sou for\u00e7ado a p\u00f4r dentro do ser &#8211; suficiente saber para se aguentar, mas nem uma gota a mais.\u201d (p. 127)<\/p>\n<p>\u201c<em>Eu<\/em>, n\u00e3o \u00e9 um ser, \u00e9 um suposto a quem fala. Quem fala s\u00f3 tem a ver com a solid\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que s\u00f3 posso definir dizendo, como fiz, que ela n\u00e3o se pode escrever. Essa solid\u00e3o, ela, de ruptura do saber, n\u00e3o somente ela se pode escrever, mas ela \u00e9 mesmo o que se escreve por excel\u00eancia, pois ela \u00e9 o que, de uma ruptura do ser, deixa tra\u00e7o.\u201d (p. 128)<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 nisto que o n\u00f3 borromeano \u00e9 a melhor met\u00e1fora do seguinte: que n\u00f3s s\u00f3 procedemos do Um.\u201d (p. 137)<\/p>\n<p>\u201cO inconsciente \u00e9 o testemunho de um saber, no que em grande parte ele escapa ao ser falante. Este ser d\u00e1 oportunidade de perceber at\u00e9 onde v\u00e3o os efeitos da al\u00edngua, pelo seguinte, que ele apresenta toda sorte de afetos que restam enigm\u00e1ticos. Esses afetos s\u00e3o o que resulta da presen\u00e7a de al\u00edngua no que, de saber, ela articula coisas que v\u00e3o muito mais longe do que aquilo que o ser falante suporta de saber enunciado. A linguagem, sem d\u00favida, \u00e9 feita de al\u00edngua. \u00c9 uma elocubra\u00e7\u00e3o de saber sobre al\u00edngua. Mas o inconsciente \u00e9 um saber, um saber-fazer com al\u00edngua.\u201d (p. 149)<\/p>\n<p>\u201cO corpo, o que \u00e9 ele ent\u00e3o? \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 o saber do um? O saber do um se revela n\u00e3o vir do corpo. O saber do um, por pouco que possamos dizer disto, vem do significante Um. O significante Um, ser\u00e1 que ele vem de o significante como tal n\u00e3o ser jamais sen\u00e3o <em>um-entre-outros, <\/em>referido a esses outros, n\u00e3o sendo sen\u00e3o a diferen\u00e7a para com os outros?\u201d (p. 153)<\/p>\n<p>\u201cO \u00e9 que quer dizer <em>H\u00e1 Um<\/em>? <em>Um-entre-outros<\/em>, e se trata de saber se \u00e9 qualquer um, se levanta um S1, S1 que soa em franc\u00eas <em>essaim<\/em>, um <em>enxame<\/em> significante, um enxame que zumbe. Esse um, S1, de cada significante, se eu coloco a quest\u00e3o <em>\u00e9 deles, dois, dos, que eu falo?<\/em>, eu a escreverei primeiro por sua rela\u00e7\u00e3o com S2. E voc\u00eas podem p\u00f4r quantos quiserem. \u00c9 o enxame de que falo. [&#8230;] S1, esse um, o enxame, significante-mestre, \u00e9 o que garante a unidade, a unidade de copula\u00e7\u00e3o do sujeito com o saber. \u00c9 na al\u00edngua, e n\u00e3o alhures, no que ela \u00e9 interrogada como linguagem, que se destaca a exist\u00eancia daquilo que uma lingu\u00edstica primitiva designou com o termo \u03c5\u03c4\u03bf\u03b9\u03c7\u03f5\u03ca\u03bf\u03bd, elemento, e isto n\u00e3o \u00e9 por nada. O significante Um n\u00e3o \u00e9 um significante qualquer. Ele \u00e9 a ordem significante, no que ela se instaura pelo envolvimento pelo qual toda cadeia subsiste.\u201d (p. 154)<\/p>\n<p>\u201cO Um encarnado na al\u00edngua \u00e9 algo que resta indeciso entre o fonema, a palavra, a frase, mesmo todo o pensamento. \u00c9 o de que se trata no que chamo significante-mestre.\u201d (p. 154)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>OUTROS ESCRITOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. Joyce, o Sintoma<em>. <\/em>In: <em>Outros Escritos<\/em>. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O S.K.belo \u00e9 aquilo que \u00e9 condicionado no homem pelo fato de que ele vive do ser (= esvazia o ser) enquanto tem\u2026 seu corpo: s\u00f3 o tem, ali\u00e1s, a partir disso. Da\u00ed minha express\u00e3o falasser [<em>parl\u00eatre<\/em>] que vir\u00e1 substituir o ICS de Freud (inconsciente, \u00e9 assim que se l\u00ea): saia da\u00ed ent\u00e3o, que eu quero ficar a\u00ed. Para dizer que o inconsciente, em Freud, quando ele o descobre (o que se descobre \u00e9 de uma vez s\u00f3, mas depois da inven\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso fazer o invent\u00e1rio), o inconsciente \u00e9 um saber enquanto falado, como constitutivo do UOM. A fala, \u00e9 claro, define-se a\u00ed por ser o \u00fanico lugar em que o ser tem um sentido. E o sentido do ser \u00e9 presidir o ter, o que justifica o balbucio epist\u00eamico.&#8221; (p. 561)<\/p>\n<p><strong>LACAN, Jacques. O Aturdito. In: <em>Outros Escritos<\/em>. Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAssim \u00e9 que o dito n\u00e3o vai sem o dizer. Mas, se o dito sempre se coloca como verdade, nem que seja nunca ultrapassando um meio-dito (como me expresso eu), o dizer s\u00f3 se emparelha com ele por lhe ex-sitir, isto \u00e9, por n\u00e3o ser da diz-mens\u00e3o [<em>dit-mension<\/em>]\u00a0 da verdade.\u201d (p. 451)<\/p>\n<p>\u201cSe recorri este ano ao primeiro, ou seja, \u00e0 teoria dos conjuntos, foi para nela situar a maravilhosa efloresc\u00eancia que\u00ad \u2013 por isolar na l\u00f3gica o incompleto do inconsistente, o indemonstr\u00e1vel do refut\u00e1vel, ou at\u00e9 acrescentar-Ihe o indecid\u00edvel, por n\u00e3o conseguir excluir-se da demonstrabilidade &#8211; imprensa-nos tanto na parede do imposs\u00edvel, que se emite o &#8216;n\u00e3o \u00e9 isso&#8217;, que \u00e9 o vagido do apelo ao real.\u201d (p. 451-452)<\/p>\n<p>&#8220;Metaforizarei, por ora, pelo incesto, a rela\u00e7\u00e3o que a verdade mant\u00e9m com o real. O dizer vem de onde ele a comanda.\u201d (p. 453)<\/p>\n<p>\u201cDizer o que h\u00e1, durante muito tempo, al\u00e7ou seu homem a essa profiss\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o obceca voc\u00eas sen\u00e3o por seu vazio: a do m\u00e9dico, que, em todas as eras e por toda a superf\u00edcie do globo, pronuncia-se sobre o que h\u00e1. Mas isto a partir do que o que h\u00e1 s\u00f3 tem interesse por ter que ser conjurado.\u201d (p. 453)<\/p>\n<p>\u201cO dizer de Freud infere-se da l\u00f3gica que toma como fonte o dito do inconsciente. \u00c9 na medida em que Freud descobriu esse dito que ele ex-siste. Restituir esse dizer \u00e9 necess\u00e1rio, para o discurso se constituir da an\u00e1lise (\u00e9 nisso que ajudo), a partir da experi\u00eancia em que confirma-se a exist\u00eancia dele.\u201d (p. 453-454)<\/p>\n<p>\u201cNaoha [<em>nia<\/em>] s\u00f3\u00a0 contribui com o justo necess\u00e1rio de homofonia para marcar em franc\u00eas, pelo passado que significa em qualquer presente cuja exist\u00eancia a\u00ed se conote, que naoha [<em>nya<\/em>] o tra\u00e7o. Mas de que se trata? Da rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, justamente no que eles seriam adequados, por habitarem a linguagem, para fazer dessa rela\u00e7\u00e3o um enunciado. Ser\u00e1 a aus\u00eancia dessa rela\u00e7\u00e3o que os exila em estabitat [<em>stabitat<\/em>]? Ser\u00e1\u00a0 forabitalo [<em>d&#8217;labiter<\/em>] que essa rela\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser interdita? Essa n\u00e3o \u00e9 a pergunta mas antes, a resposta; e a resposta que a sustenta &#8211; por ser o que a estimula a se repetir \u2013 \u00e9 o real.\u201c (p. 454)<\/p>\n<p>\u201cA vida reproduz, sem d\u00favida, sabe Deus o que e porqu\u00ea. Mas a resposta s\u00f3 questiona ali onde n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o para sustentar a reprodu\u00e7\u00e3o da vida. Exceto no que o inconsciente formula: &#8216;Como se reproduz o homem?&#8217;, \u00e9 o caso aqui. &#8216;- Reproduzindo a pergunta&#8217;, eis a resposta. Ou &#8216;para te fazer falar&#8217;, dito de outra forma que o inconsciente tem, por ex-sistir.\u201d\u00a0 (p. 455)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>JACQUES-ALAIN MILLER<\/strong><\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. <em>El <\/em>Ultim\u00edssimo<em> Lacan<\/em>. Trad. de St\u00e9phane Verley. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] lo simb\u00f3lico es una condici\u00f3n de existencia. A partir de entonces, aquello que no est\u00e1 inscripto en lo simb\u00f3lico no existe, o mejor dicho<em> inexiste<\/em>. Lacan dice m\u00e1s abajo, a\u00fan en la p\u00e1gina 132 del Seminario, que &#8216;lo real est\u00e1 en suspenso&#8217; en suspenso de existencia. La simbolizaci\u00f3n es una condici\u00f3n de existencia. Una condici\u00f3n para que algo llegue a ser para el sujeto.&#8221; (p. 33)<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. A inven\u00e7\u00e3o psic\u00f3tica. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, n\u00fam. 36, maio 2003.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O termo inven\u00e7\u00e3o se op\u00f5e naturalmente ao termo cria\u00e7\u00e3o. A caracter\u00edstica pr\u00f3pria da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8211; sejamos tautol\u00f3gicos &#8211; seu car\u00e1ter criacionista. A cria\u00e7\u00e3o enfatiza a cria\u00e7\u00e3o <em>ex-nihilo<\/em>, a partir do nada. \u00c9 o vi\u00e9s teol\u00f3gico da palavra cria\u00e7\u00e3o. H\u00e1 certamente uma zona sem\u00e2ntica comum entre inven\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o. A inven\u00e7\u00e3o se op\u00f5e habitualmente \u00e0 descoberta. Descobre-se o que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1, inventa-se o que n\u00e3o est\u00e1. Por isso a inven\u00e7\u00e3o tem parentesco com a cria\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o sentido do termo &#8216;inven\u00e7\u00e3o&#8217; \u00e9, nesse caso, o de uma inven\u00e7\u00e3o a partir de materiais existentes. Eu atribuiria de boa vontade \u00e0 inven\u00e7\u00e3o o valor de bricolagem.&#8221; (p. 6)<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain. <em>O Ser e o Um<\/em>. Trad. de Vera Avellar Ribeiro. Aula VII, 16 mar. 2011. In\u00e9dito<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No fundo, haver\u00e1 final de an\u00e1lise quando o desejo &#8216;vira&#8217; para o saber [<em>le d\u00e9sir passe au savoir<\/em>]. Aqui Lacan situou o momento de concluir de uma an\u00e1lise. E, assim como em seu Semin\u00e1rio ele continuou a se expressar depois do momento de concluir, ele constatou, tal como na experi\u00eancia que realizamos h\u00e1 quarenta anos desde que ele inventou o passe, haver um mais-al\u00e9m, um mais-al\u00e9m da convers\u00e3o do desejo em saber, um mais-al\u00e9m do qual eu diria que ele n\u00e3o \u00e9 modificado por essa metamorfose. Trata-se do ser de gozo que Lacan destacou com o nome de sinthoma. O ser do desejo se deixa converter em ser do saber. A fantasia \u00e9 suscet\u00edvel de revelar, atravessar a causa de desejo. O ser do gozo, por\u00e9m, permanece rebelde para com o saber. E a quest\u00e3o que Lacan nos deixou \u00e9 a da rela\u00e7\u00e3o entre o gozo e o sentido. O que ele chamou de passe era a resolu\u00e7\u00e3o da convers\u00e3o do desejo em saber. O mais dif\u00edcil, se assim posso dizer, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o gozo e o sentido, que n\u00e3o se presta a uma travessia.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOcorreu a nosso mestre, Lacan, para a perplexidade de seus alunos, denunciar que o Outro n\u00e3o existe. Insurrei\u00e7\u00e3o! Foi de fato lhes puxar o tapete sob os p\u00e9s, quando o lugar do Outro pertence &#8211; sempre, mas j\u00e1 pertencia \u2013 ao b\u00ea a b\u00e1 do que se cristalizou como o lacanismo. Ali\u00e1s, essa cristaliza\u00e7\u00e3o se imp\u00f4s de tal forma que o dito o Outro n\u00e3o existe passou amplamente por perdas e ganhos, apesar dos esfor\u00e7os que meu amigo \u00c9ric Laurent e eu pr\u00f3prio fizemos, tomando esse dito como t\u00edtulo de um curso que demos juntos: o Outro que n\u00e3o existe e seus comit\u00eas de \u00e9tica, no qual enfatiz\u00e1vamos uma das consequ\u00eancias da inexist\u00eancia do Outro. Mas o que n\u00e3o foi percebido, o que n\u00e3o foi dito \u00e9 o que direi, a saber: o Outro que n\u00e3o existe quer dizer exatamente o Um existe. O Outro que n\u00e3o existe \u00e9 uma outra maneira de dizer o que Lacan lan\u00e7ou como uma jacula\u00e7\u00e3o: Yad\u2019l\u2019Un (h\u00e1 o Um), que assim transcrevi no Semin\u00e1rio a ser em breve publicado. Isso foi notado? N\u00e3o exatamente. Tenho, pelo menos, a admiss\u00e3o, reticente, \u00e9 claro, de Agn\u00e8s Aflalo. Qual \u00e9 esse Um que existe quando o Outro n\u00e3o existe? \u00c9 o Um do significante. O Outro que n\u00e3o existe n\u00e3o quer dizer que o Outro n\u00e3o \u00e9 &#8211; e.s.t (\u00e9) e n\u00e3o hait[i] (odeia), este \u00e9 o Outro malvado, ele pode ser -, mas, como tal, ele n\u00e3o \u00e9 de modo algum subtra\u00eddo ao ser. Ao contr\u00e1rio, n\u00e3o se compreende nada desse conceito maravilhoso de grande Outro, forjado por Lacan, se n\u00e3o apreendermos que esse Outro se inscreve no n\u00edvel do ser, que se deve distinguir do n\u00edvel da exist\u00eancia. Imposs\u00edvel se achar nisso sem distinguir ser exist\u00eancia.\u201d (p. 64)<\/p>\n<h6>\u00a0<strong>[i<\/strong>]4 N.T.: Miller joga com a homofonia entre est (\u00e9) e hait do verbo hair (odiar).<\/h6>\n<p>&#8220;A exist\u00eancia, de Lacan, \u00e9 o que resulta daquilo que a l\u00f3gica seleciona entre os semblantes dos seres de linguagem para nele reconhecer o real. A exist\u00eancia lacaniana depende, se depreende de uma opera\u00e7\u00e3o significante. Se procurarmos aonde incide o divisor de \u00e1guas \u00e9, de fato, sobre este termo utilizado por mim : ser pr\u00e9-discursivo. A exist\u00eancia surge da linguagem trabalhando a linguagem. Ela sup\u00f5e o aparelho l\u00f3gico se apoderando do dito a fim de agarr\u00e1-lo, cingi-lo, comprimi-lo, orden\u00e1-lo, para fazer surgir o real da linguagem. Esse real \u2013 que est\u00e1 no n\u00edvel, dizia eu, da exist\u00eancia \u2013 <em>\u00e9 <\/em>o significante.&#8221; (p. 66-67)<\/p>\n<p>&#8220;A exist\u00eancia n\u00e3o nos faz sair da linguagem. S\u00f3 que, para ter acesso a ela, \u00e9 preciso tomar a linguagem em um outro n\u00edvel que n\u00e3o o do ser. \u00c9 preciso tom\u00e1-la \u2013 esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o de Lacan \u2013 no n\u00edvel da escrita. Trata-se do seguinte: na linguagem, o escrito pode se autonomizar. E, em particular, o escrito funciona como aut\u00f4nomo na matem\u00e1tica, o que n\u00e3o impede que se precise falar em torno, dar sentido a fim de introduzir essa escrita. Contudo, essa escrita aparece na linguagem como um grupo \u00e9tnico isolado.&#8221; (p. 76)<\/p>\n<p>&#8220;O que evoco \u00e9 outra coisa, \u00e9 a escrita que chamarei de exist\u00eancia, uma escrita que n\u00e3o \u00e9 a da fala. Nesse sentido, podemos cham\u00e1-la de escrita pura, manejo da letra, do rastro. Pois n\u00e3o se trata de pensar que s\u00f3 h\u00e1 letras do alfabeto. Os n\u00fameros, nesse sentido, s\u00e3o letras tamb\u00e9m. Aqui, o significante opera cortado da significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse n\u00edvel que podemos apreender uma exist\u00eancia sem mundo. \u00c9 a escrita com a qual se sustenta o discurso cient\u00edfico, pelo menos em sua parte matem\u00e1tica. E a ci\u00eancia arru\u00edna o mundo. Quero dizer que no n\u00edvel do discurso cient\u00edfico, o mundo no qual se agita o <em>Dasein<\/em>, o mundo que acreditamos conhecer, o mundo com o qual <em>co-nascemos <\/em>(<em>on co-na\u00eet<\/em>)<sup>[1]<\/sup>&#8211; quer dizer, nascemos ao mesmo tempo que ele \u2013 se decomp\u00f5e.&#8221; (p. 77)<\/p>\n<h6><sup>[1]<\/sup> N.T.: J.-A. Miller se vale, aqui, da homofonia entre <em>conna\u00eetre<\/em> (conhecer) e <em>co-na\u00eetre<\/em> (nascer com)<\/h6>\n<p>&#8220;A isso se deve acrescentar a diferen\u00e7a segundo a qual, para n\u00f3s, n\u00e3o h\u00e1 muro da linguagem, mas apenas se chegarmos a conceber que a escrita atinge e constitui a exist\u00eancia. Dito de outro modo, h\u00e1 uma conjun\u00e7\u00e3o entre o <em>par-\u00eatre<\/em> e a fala que chega ao seu auge quando nos expressamos nos termos de<em> ser falante <\/em>(l\u2019\u00eatre parlant), assim como h\u00e1 uma conjun\u00e7\u00e3o essencial entre a exist\u00eancia e a escrita, escrita que eu disse primeira&#8221; (p. 78)<\/p>\n<p>&#8220;Nesse sentido, a transfer\u00eancia anal\u00edtica \u00e9 feita do mesmo tecido que esse amor, o amor verdadeiro, no que a verdade pode valer. Ele \u00e9 feito do mesmo tecido, quer dizer, de um tecido para-ser (<em>par-\u00eatre<\/em>) O amor n\u00e3o lhes d\u00e1 acesso \u00e0 exist\u00eancia, s\u00f3 lhes d\u00e1 acesso ao ser. Por essa raz\u00e3o,\u00a0 imaginamos que o ser eterno exige nosso amor, isso faz desconfiar que, talvez, se o amarmos um pouco menos, ele seria um pouco menos eterno.&#8221; (p. 79)<\/p>\n<p>&#8220;O Um do amor \u00e9 completamente diferente do Um da exist\u00eancia. O Um das exist\u00eancia est\u00e1 ligado a um efeito de escrita e n\u00e3o a um efeito de significa\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o valor da indica\u00e7\u00e3o dada por Lacan quando formula ser no pr\u00f3prio jogo da escrita que devemos encontrar o ponto de orienta\u00e7\u00e3o de nossa pr\u00e1tica. Isso quer dizer primeiro que, na escuta, o que conta \u00e9 a leitura e ele visa a escrita prim\u00e1ria, n\u00e3o a escrita anotando a fala. Essa escrita prim\u00e1ria que da vez passada tentei inscrever como o Um em algarismo romano, ao qual acrescentei esse aro suposto indicar uma falta, a falta dessa primeira marca, sobre o qual lhes disse que ele valia como o conjunto vazio da teoria.&#8221; (p. 79)<\/p>\n<p>&#8220;A universalidade como tal se sustenta no n\u00edvel do ser. \u00c9 a universalidade de uma defini\u00e7\u00e3o que n\u00e3o garante de modo algum que uma exist\u00eancia responda a ela. A exist\u00eancia \u00e9 de um outro registro que n\u00e3o o do universal.&#8221; (p. 98)<\/p>\n<p>&#8220;No n\u00edvel universal, o do <em>para todo x \u2013 <\/em>para diz\u00ea-lo nos termos da l\u00f3gica da quantifica\u00e7\u00e3o -, obtemos por certo uma verdade universal, mas ela n\u00e3o \u00e9 operante\u00a0 por n\u00e3o garantir nenhuma exist\u00eancia. No n\u00edvel do universal, sem d\u00favida se pode estabelecer o ser do pai, mas a exist\u00eancia de um pai funcionando como tal \u00e9 outra coisa, ela est\u00e1 no n\u00edvel da singularidade. \u00c9 essa singularidade que merece ser qualificada de perversa uma vez que ela desmente, recusa toda norma, todo standard, todo <em>para todo x. <\/em>Aqui, conv\u00e9m regular-se pela diferen\u00e7a entre o ser e a exist\u00eancia. O ser est\u00e1 no n\u00edvel do universal que, como tal, \u00e9 indiferente \u00e0 exist\u00eancia: uma defini\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida mesmo se nenhum ser vier se inscrever nessa defini\u00e7\u00e3o. Foi o que a l\u00f3gica chamada de moderna destacou em rela\u00e7\u00e3o a Arist\u00f3teles. Lacan conectou-se a ela pelo fato de ela responder ao que a experi\u00eancia lhe indicava. A exist\u00eancia est\u00e1 no n\u00edvel da singularidade.&#8221; (p. 99)<\/p>\n<p>&#8220;Isso tem consequ\u00eancias para a escuta, como se diz, do analista. H\u00e1 uma escuta no n\u00edvel da dial\u00e9tica, ela se junta e acompanha as varia\u00e7\u00f5es da ontologia do discurso do paciente, daquilo que toma sentido para ele. Depois, esse sentido desbota, enfraquece, desvanece. De um modo geral, essa ontologia se dirige para o des-ser com os efeitos que se seguem e que s\u00e3o, a um s\u00f3 tempo, efeitos de depress\u00e3o por s\u00f3 se haver desejado vento, mas tamb\u00e9m de entusiasmo por se ter liberado do que pesava sobre sua vida libidinal. Claro, o analista pode, ent\u00e3o, precipitar essa interpreta\u00e7\u00e3o por meio de interven\u00e7\u00f5es que a favore\u00e7am e que s\u00e3o sempre interpreta\u00e7\u00f5es de des-ser. Mas h\u00e1 uma segunda escuta,\u00a0 a da itera\u00e7\u00e3o, que se dirige para a exist\u00eancia. Entre essas duas escutas o analista circula por haver ali duas dimens\u00f5es s\u00f3 rejuntadas por um hiato.&#8221; (p. 101)<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma dimens\u00e3o, como diz Lacan em seu pen\u00faltimo escrito, <em>Joyce o sinthoma<\/em>, onde o sujeito <em>vive do ser<\/em> (<em>vit de<\/em> <em>l\u2019\u00eatre<\/em>), e Lacan o equivoca com <em>esvazia o ser <\/em>(<em>vide<\/em> <em>l\u2019\u00eatre<\/em>). Ele vive do ser e, ao mesmo tempo, o esvazia, ele \u00e9 prometido ao esvaziamento e n\u00f3s o acompanhamos nisso. Mas h\u00e1 uma outra dimens\u00e3o, aquela na qual \u2013 como diz\u00ea-lo ? \u2013 ele tem um corpo. \u00c9 preciso passar pela diferen\u00e7a entre o ser e a exist\u00eancia para dar o valor \u00e0 diferen\u00e7a entre o ser e o ter.\u00a0 Ter um corpo est\u00e1 do lado da exist\u00eancia. \u00c9 um ter que s\u00f3 se marca a partir do vazio do sujeito. Por isso, quando Lacan abandonou o termo sujeito, essencialmente o de sujeito da fala, ele forjou o de falasser. Ele fez emanar a raiz do que ele chamava de sujeito como falta-a-ser, valeu-se do termo falasser para enfatizar que esse sujeito s\u00f3 tem seu ser pelo fato da fala.\u00a0 Mas isso s\u00f3 pode ser formulado como tal \u2013 pelo menos foi o que ele deixou implicado \u2013 a partir do corpo, de seu <em>tem um corpo.&#8221; <\/em>(p. 101-102)<\/p>\n<p><strong>MILLER, Jacques-Alain; LAURENT, \u00c9ric. <em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica<\/em>. Trad. de Nora A. Gonz\u00e1lez. Ciudad Aut\u00f3noma de Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Las mujeres son m\u00e1s sensibles al significante del Otro que no existe y sus intereses sociales son m\u00e1s d\u00e9biles cuando se trata del ideal, con el cual tienen menos relaci\u00f3n que el hombre. Las mujeres tienen una relaci\u00f3n muy particular con el significante del Otro que no existe, que es un modo de inscripci\u00f3n en el Otro de lo que queda cuando no hay ideal, que las hace quiz\u00e1 m\u00e1s sensibles al estado actual del Otro.&#8221; (p. 108)<\/p>\n<p>&#8220;La estructura ficcional del Otro est\u00e1 patente tambi\u00e9n en la invenci\u00f3n de Lacan del sujeto supuesto saber &#8211; que es exactamente el Otro en tanto estructura de ficci\u00f3n &#8211; y en la reducci\u00f3n de La\/ mujer a dicha estructura, que ilustr\u00f3 \u00c9ric Laurent. En otras palabras, lo que est\u00e1 en juego en la inexistencia del Otro es su reducci\u00f3n al semblante. El Otro, del que decimos que no existe (se habla tanto m\u00e1s de \u00e9l cuanto que no existe), no es del orden de lo real.&#8221; (p. 115)<\/p>\n<p>&#8220;De all\u00ed adem\u00e1s, en un segundo tiempo, el valor de plantear el A\/, que se refiere especialmente a este segundo Otro y que Lacan vuelve equivalente a un significante, S(A\/), que ya escribi\u00f3 en el pizarr\u00f3n \u00c9ric Laurent y que significa que el Otro no existe. Solo existe su significante, al que Lacan casi exclusivamente atribuye la ex-sistencia.&#8221; (p. 119)<\/p>\n<p>&#8220;El s\u00edntoma es una mentira sobre lo real, especialmente sobre ese que sostiene que la relaci\u00f3n sexual no existe. De modo que la relaci\u00f3n con el Otro no existe, y por eso en el lugar de este Otro ponemos el s\u00edntoma. Sobre todo, ponemos el s\u00edntoma en el lugar del otro sexo: el hombre para la mujer es un s\u00edntoma y a veces tambi\u00e9n esta lo es para el hombre.&#8221; (p. 124)<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>OUTROS AUTORES DO CAMPO FREUDIANO<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>\u00c9RIC LAURENT<\/strong><\/p>\n<p><strong>LAURENT, \u00c9ric. O Outro que n\u00e3o existe e seus comit\u00eas cient\u00edficos. In: <em>Correio Express Extra<\/em>, n\u00fam. 6, mar. 2020.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a partir da inexist\u00eancia do Outro que garantiria o real da ci\u00eancia que surge um outro real para o sujeito que vive na linguagem. \u00c9 esse real da ang\u00fastia, da esperan\u00e7a, do amor, do \u00f3dio, da loucura e da debilidade mental. Todos esses afetos e paix\u00f5es estar\u00e3o no encontro marcado da nossa confronta\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus; eles acompanham, como suas sombras, as \u201cprovas\u201d cient\u00edficas. Como muito bem sublinhara Jacques-Alain Miller: \u201cA\u00a0 inexist\u00eancia do Outro n\u00e3o \u00e9 antin\u00f4mica ao real, ela lhe \u00e9, ao contr\u00e1rio, correlativa. [\u2026] \u00c9 [\u2026] o real pr\u00f3prio do inconsciente, ao menos esse do qual, segundo a express\u00e3o de Lacan, o inconsciente testemunha, [\u2026] o real quando ele se revela na cl\u00ednica como o imposs\u00edvel de suportar.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>NIEVES SORIA<\/strong><\/p>\n<p><strong>SORIA, Nieves. <em>La inexistencia del Nombre del Padre<\/em>. Ciudad Aut\u00f3noma de Buenos Aires: Del Bucle, 2020.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe partir\u00e1 de la distinci\u00f3n, presente en la ense\u00f1anza de Lacan, entre la existencia y la inexistencia de un significante. Toda la conceptualizaci\u00f3n lacaniana acerca del Nombre del Padre supone su existencia, ya que es en tanto este significante existe que es posible su admisi\u00f3n simb\u00f3lica o su forclusi\u00f3n. Prueba de ello es que, de ser forcluido de la cadena significante, puede retornar en lo real, de perder el sujeto alguna forma de compesaci\u00f3n o suplencia del mismo. Por el contrario, al referirse a los significantes de la muerte o la mujer, Lacan hace referencia a su inexistencia. En este caso la consecuencia no es el retorno sino el encuentro com una ausencia, que en Freud se leer\u00e1 retroactivamente como castraci\u00f3n, mientras que en Lacan se plasmar\u00e1 bajo la \u00e9gide del significante de la falta en el Outro.\u201d (p. 13)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FERNANDA OTONI-BRISSET<\/strong><\/p>\n<p><strong>BRISSET-OTONI, Fernanda. O la\u00e7o entre o amor e a coragem. In: <em>Boletim da Jornada 2018 da EBP-Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-laco-entre-o-amor-e-a-coragem-fernanda-otoni-brisset\/\">https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-laco-entre-o-amor-e-a-coragem-fernanda-otoni-brisset\/<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u201cLacan nos leva a considerar que do ser jamais temos nada. &#8216;O ser se apresenta sempre por sempre por <em>para-esser&#8217;<\/em>. Do lado do ser est\u00e3o as formas de <em>para-esser<\/em>, que n\u00e3o \u00e9. E, do outro lado, o imposs\u00edvel de dizer, mas que existe, insiste e itera: o UM que \u00e9. <em>Il y a de l&#8217;Un!<\/em> Esse Um que s\u00f3 se apresenta por esse <em>para-esser<\/em>, ou seja, &#8216;o ser na lateral&#8217;. O equ\u00edvoco participa desse ajuntamento entre o Ser e o Um, entre a forma de ser que n\u00e3o \u00e9 e o Um que \u00e9.&#8221; (sem pagina\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MAURICIO TARRAB<\/strong><\/p>\n<p><strong>TARRAB, Mauricio. Cren\u00e7a e verdade na era do falasser. Trad. de Teresinha N. Meirelles do Prado. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, n\u00fam. 71, nov. 2015.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No tempo do desaparecimento dos or\u00e1culos, como destaca Miller em sua confer\u00eancia, o que fica para a psican\u00e1lise como mist\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o da verdade do sentido do sintoma, mas que h\u00e1 um real irredut\u00edvel e traum\u00e1tico a partir do qual se tecem as redes do sentido, redes que s\u00e3o finalmente os semblantes que se desprendem desse real e o envolvem. Todos os desenvolvimentos do \u00faltimo Lacan invertem a f\u00f3rmula de que h\u00e1 saber no real para dizer h\u00e1 real no saber. [&#8230;] \u00c9 em rela\u00e7\u00e3o a esse real no saber que uma psican\u00e1lise pode funcionar para al\u00e9m do sentido&#8221;. (p. 27)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>H\u00c9L\u00c8NE BONNAUD<\/strong><\/p>\n<p><strong>BONNAUD, H\u00e9l\u00e8ne. Dizer\/Escrever. In: <em>Um real para o s\u00e9culo XXI<\/em>. MACHADO, Ondina; RIBEIRO, Vera L\u00facia Avellar (Org.). Belo Horizonte: Scriptum, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cJacques Allain- Miller prop\u00f5e separar o ser da exist\u00eancia. O ser se situa ao n\u00edvel do sentido, a exist\u00eancia, ao n\u00edvel da escrita. Essa conjun\u00e7\u00e3o entre exist\u00eancia e escrita, diz ele, \u00e9 essencial, e a escrita \u00e9 primeira. O Um da exist\u00eancia est\u00e1 ligado a um efeito de escrito e n\u00e3o a um efeito de significa\u00e7\u00e3o. O que visa a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u00e0 escrita da palavra, mas ao escrito prim\u00e1rio, aquele que \u00e9 marcado pelo Um primeiro e que Lacan chamou de <em>Um-dizer<\/em>. \u00c9 um significante sozinho e que n\u00e3o tem Outro.\u201d (p. 124)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>ANG\u00c9LICA MARCHESINI<\/strong><\/p>\n<p><strong>MARCHESINI, Ang\u00e9lica. Exist\u00eancia. In: <em>Um real para o s\u00e9culo XXI<\/em>. MACHADO, Ondina; RIBEIRO, Vera L\u00facia Avellar (Org.). Belo Horizonte: Scriptum, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] para poder dizer que h\u00e1 real, \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma demonstra\u00e7\u00e3o fundada na inexist\u00eancia, a\u00ed a an\u00e1lise termina: sempre \u00e9 imposs\u00edvel demonstrar a exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, de tal forma que o que existe \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o da impossibilidade.\u201d (p. 147)<\/p>\n<p>\u201cA <em>ex<\/em>-sist\u00eancia nos d\u00e1 a ideia de que se pode escrever algo do que n\u00e3o se escreve, que n\u00e3o estava escrito, uma opera\u00e7\u00e3o vinculada a uma conting\u00eancia. E \u00e9 nesse ponto de ex-sist\u00eancia que est\u00e1 em jogo no final da an\u00e1lise, um limite \u00e9 atravessado: uma vez franqueado, clareia-se a exist\u00eancia de um significante, fora do Outro.\u201d (p. 147)<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica da psican\u00e1lise, no s\u00e9culo XXI, n\u00e3o consiste somente em uma quest\u00e3o de ser, sen\u00e3o que se relaciona com o real, com reduzir o Outro a seu real e liber\u00e1-lo da ess\u00eancia, do sentido. A exist\u00eancia depende da passagem pela inexist\u00eancia, implica que o Um, como desaparecimento de tudo que havia no Outro, se articule com o que n\u00e3o existe, fundando-se a exist\u00eancia na inexist\u00eancia, ex-sist\u00eancia do sinthoma.\u201d (p. 147)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>PASCALE FARI<\/strong><\/p>\n<p><strong>FARI, Pascale. Lal\u00edngua. In: <em>Um real para o s\u00e9culo XXI<\/em>. MACHADO, Ondina; RIBEIRO, Vera L\u00facia Avellar (Org.). Belo Horizonte: Scriptum, 2014.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cBricabraque, heter\u00f3clito, <em>lal\u00edngua<\/em> mistura <em>lala\u00e7\u00f5es<\/em>, fragmentos significantes, significantes-mestres, frases, entona\u00e7\u00f5es, sotaques e outros mais\u2026 Assim, ela bordeja a fronteira do inarticul\u00e1vel. <em>Lal\u00edngua<\/em> <em>\u00e9<\/em> <em>materna<\/em>, na medida em que ela \u00e9 nosso banho primordial de linguagem. Mas nada de harmonia naturalista, nada de progresso psicogen\u00e9tico, nada de aprendizagem normatizada: absolutamente fora da norma, ela \u00e9, antes de tudo, uma sopa de mal-entendidos, um concentrado de sem sentido.<\/p>\n<p>Dizer que ela nos afeta \u00e9 pouco: ela \u00e9 nossa carne e nosso sangue. Desafiando a insustent\u00e1vel leveza da ordem simb\u00f3lica, viciando sua bela ordena\u00e7\u00e3o, <em>lal\u00edngua <\/em>a sobrecarrega com pesos mortos e feridas &#8211; fixa\u00e7\u00f5es de gozo das quais o sintoma se sustenta. Tramando essas marcas contingentes, o inconsciente \u00e9, a um s\u00f3 tempo, a comemora\u00e7\u00e3o desse encontro imemorial e \u2018defesa contra [esse] real sem lei e fora de sentido&#8217;.&#8221; (p. 222)<\/p>\n<p>\u201cFazer uma an\u00e1lise \u00e9, de fato, dar-se uma chance de &#8216;desfazer pela fala o que foi feito pela fala.&#8217; At\u00e9 certo ponto. Uma vez reduzida &#8216;qualquer esp\u00e9cie de sentido&#8217;, restar\u00e1 o selo fora de sentido da letra.\u201d (p. 223)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MIQUEL BASSOLS<\/strong><\/p>\n<p><strong>BASSOLS, Miquel. A caminho do corpo falante<em>. <\/em>In: <em>Correio<\/em>: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Trad. de Paola Salinas. S\u00e3o Paulo: EBP, n\u00fam. 78, mar. 2016.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] o que faz o Um do gozo \u00e9 o corpo que chamamos de pr\u00f3prio e do qual, de fato, n\u00e3o temos nunca uma imagem precisa e muito menos completa. A partir desta perspectiva, todos os projetos que as tecnoci\u00eancias levam a cabo sob o lema do &#8216;melhoramento humano&#8217; n\u00e3o deixam de ser tentativas de adequa\u00e7\u00e3o da imagem narc\u00edsica do corpo ao ideal da nova \u00e9poca. Assim como para cada sujeito, sempre haver\u00e1 aquilo que n\u00e3o encaixa entre um e outro, o sintoma como signo de um gozo irredut\u00edvel. Isso que n\u00e3o encaixa \u00e9 o que segue sendo invis\u00edvel, e que motiva que falemos dele, do corpo e de seus gozos, \u00e9 o que motiva que tenhamos um corpo falante sem chegar a s\u00ea-lo.&#8221; (p. 53-54)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>M\u00d3NICA TORRES<\/strong><\/p>\n<p><strong>TORRES, M\u00f3nica. Sentido e fora de sentido. In: <em>Scilicet<\/em>: semblantes e sinthoma. S\u00e3o Paulo: EBP, 2009.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAo longo de uma an\u00e1lise, o trajeto seguido pelo analisante o leva do sentido &#8211; que articula o inconsciente transferencial ao sintoma &#8211; ao naufr\u00e1gio do sentido. Ele pode,\u00a0 assim, confrontar-se com real de seu sinthoma, ou seja, com o fora de sentido de seu gozo, do qual ele pode fazer uma escrita, mas n\u00e3o sem esfor\u00e7o de poesia para <em>saber-fazer com<\/em> seu <em>sinthoma<\/em>. Cabe a cada um encontrar sua solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sem inven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sem conseguir fazer alguma coisa com esse real fora de sentido, em cuja falta a psican\u00e1lise correria o risco de ser muito simplesmente um embuste. <em>Saber-fazer ali<\/em> com o sinthoma, essa \u00e9 a resposta que Lacan nos deixou. Se o inconsciente transferencial decorre do Outro e do destino, o um-engano e o <em>sinthoma <\/em>preexistem a ele. Depois de ter tido acesso a esse irredut\u00edvel do fora de sentido, o analista deve sustent\u00e1-lo. N\u00e3o sem uma solu\u00e7\u00e3o que permita ultrapassar o sofrimento gerado por esse fora de sentido, como o emprego, por exemplo, da solu\u00e7\u00e3o constitu\u00edda pela escrita joyceana.\u201d (p. 329)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MONIQUE AMIRAULT<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMIRAULT, Monique. Gaston Chaissac, un bricoleur de real<em>. <\/em>In. <em>Ornicar?<\/em>: 1. De Jacques Lacan a Lewis Carroll. MILLER, Jacques-Alain (Org.).Trad. de Andr\u00e9 Telles et.al. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Para Chaissac, a \u00fanica maneira de acomodar o real \u00e9 fazer arte com todas as coisas. \u00c9 a\u00ed que reside a unidade de seu estilo. Promover os<em> incultos<\/em>, os<em> simpl\u00f3rios<\/em> com sua cartas, elevar <em>a aldeia \u00e0 altura de uma institui\u00e7\u00e3o<\/em>, com suas cr\u00f4nicas, conferir <em>emin\u00eancia a uma panela cheia<\/em> em sua arte adv\u00eam da mesma necessidade, a de fazer o real passar no simb\u00f3lico, sem opera\u00e7\u00e3o de met\u00e1fora, frequentemente por simples contiguidade, superposi\u00e7\u00e3o, colagem, cingindo de um s\u00f3 tra\u00e7o, sem &#8216;ideia&#8217; pr\u00e9via do resultado. Por v\u00e1rias vezes ele afirma que essa arte s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida referida \u00e0 sua qualidade de <em>bricoleur, <\/em>aquela que lhe propicia uma habilidade para usar lal\u00edngua com dejetos e escombros diversos, formas proporcionadas por um lagarto num muro, uma pedra no meio do caminho, um toco de \u00e1rvore na floresta, um desenho de crian\u00e7a, um <em>graffitti de inculto<\/em>, a marca de um objeto.&#8221; (p. 116)<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>AUTORES DE OUTROS CAMPOS<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><strong>CLAUDE L\u00c9VI-STRAUSS<\/strong><\/p>\n<p><strong>L\u00c9VI-STRAUSS, Claude. <em>O pensamento selvagem<\/em>. 12. ed. Trad. de T\u00e2nia Pellegrini. S\u00e3o Paulo: Papirus Editora, 1990.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO pensamento m\u00edtico, esse bricoleuse, elabora estruturas organizando os fatos ou os res\u00edduos dos fatos, ao passo que a ci\u00eancia, &#8216;em marcha&#8217; a partir da sua pr\u00f3pria instaura\u00e7\u00e3o, cria seus meios e seus resultados sob a forma de fatos, gra\u00e7as \u00e0s estruturas que fabrica sem cessar e que s\u00e3o suas hip\u00f3teses e teorias.\u201d (p. 38)<\/p>\n<p>\u201cMesmo o tamanho natural sup\u00f5e o modelo reduzido, pois que a transposi\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica ou pl\u00e1stica implica sempre uma ren\u00fancia a certas dimens\u00f5es do objeto: em pintura, os volumes, as cores, os cheiros, as impress\u00f5es t\u00e1teis, at\u00e9 na escultura; e nos dois casos, a dimens\u00e3o temporal, pois a totalidade da obra figurada \u00e9 apreendida num instante.\u201d (p.\u00a0 39)<\/p>\n<p>\u201cSempre a meio-caminho entre o esquema e a anedota, o g\u00eanio do pintor consiste em unir conhecimento interno e externo, ser e devir; em produzir com seu pincel um objeto que n\u00e3o existe como objeto e que, todavia, sabe criar sobre a tela: s\u00edntese exatamente equilibrada de uma ou de v\u00e1rias estruturas artificiais e naturais e de um ou v\u00e1rios fatos naturais e sociais.\u201d (p. 41)<\/p>\n<p>&#8220;O equil\u00edbrio entre estrutura e evento, necessidade e conting\u00eancia, interioridade e exterioridade \u00e9 um equil\u00edbrio prec\u00e1rio, constantemente amea\u00e7ado pelas tra\u00e7\u00f5es exercidas num e noutro sentido, segundo as flutua\u00e7\u00f5es da moda, do estilo e das condi\u00e7\u00f5es sociais gerais.&#8221; (p. 46)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>DAVID LAPOUJADE<\/strong><\/p>\n<p><strong>LAPOUJADE, David. <em>As exist\u00eancias m\u00ednimas<\/em>. Trad. de Hort\u00eancia Santos Lencastre. S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2017.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O pensamento n\u00e3o garante ao pensador a sua exist\u00eancia, como para Descartes, em vez disso confirma que ele n\u00e3o existe, que ele n\u00e3o pode existir.&#8221; (p. 11)<\/p>\n<p>&#8220;Como duvidar da realidade da exist\u00eancia quando estamos aqui, presentes neste mundo, como duvidar disso? \u00c9 que confundimos duas no\u00e7\u00f5es: a exist\u00eancia e a realidade.&#8221; (p. 11)<\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico modo de exist\u00eancia para todos os seres que povoam o mundo, como tamb\u00e9m n\u00e3o existe um \u00fanico mundo para todos esses seres.&#8221; (p. 14)<\/p>\n<p>&#8220;Mas ainda existem outros modos, o dos seres imagin\u00e1rios, o dos seres de fic\u00e7\u00e3o, com tipos que ser\u00e1 preciso estudar quando chegar a hora. De forma geral, os modos de exist\u00eancia s\u00e3o ocupa\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os-tempos, contanto que fique claro que cada modo de exist\u00eancia cria o espa\u00e7o-tempo que ocupa. O espa\u00e7o-tempo dos fen\u00f4menos n\u00e3o \u00e9 o mesmo das coisas, e o das coisas n\u00e3o \u00e9 o mesmo dos seres imagin\u00e1rios etc.&#8221; (p. 19-20)<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 o problema. Como uma exist\u00eancia pode conquistar por ela mesma sua legitimidade? [&#8230;] De onde pode vir essa confirma\u00e7\u00e3o, se estamos privados de qualquer direito de existir? O que resta a um ser quando seu modo de exist\u00eancia \u00e9 contestado? [&#8230;] N\u00e3o h\u00e1 mais nenhuma terra, nenhum solo, onde colocar os p\u00e9s.&#8221; (p. 24)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00c9TIENNE SOURIAU<\/strong><\/p>\n<p><strong>SOURIAU, \u00c9tienne. <em>Os diferentes modos de exist\u00eancia<\/em>. Trad. de Walter Romero Menon J\u00fanior. S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2020.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Quest\u00e3o pr\u00e1tica tamb\u00e9m. Afinal \u00e9 de grande consequ\u00eancia para cada um de n\u00f3s saber se os seres que afirmamos, supomos, sonhamos ou desejamos t\u00eam uma exist\u00eancia de sonho ou de realidade e saber, nesse caso, de que realidade se trata; saber que g\u00eanero de exist\u00eancia est\u00e1 preparado para receb\u00ea-los; presente para sustent\u00e1-los ou ausente para aniquil\u00e1-los; ou se, ao considerar erradamente um s\u00f3 g\u00eanero, nosso pensamento relega ao abandono e nossa vida deserda ricas e vastas possibilidades existenciais. Quest\u00e3o, de outra parte, notavelmente limitada. Ela se resume, como podemos ver, na quest\u00e3o de saber se a palavra &#8216;existir&#8217; tem ou n\u00e3o o mesmo sentido em todos os seus empregos; se os diferentes modos de exist\u00eancia que os fil\u00f3sofos puderam assinalar e distinguir merecem plenamente e igualmente esse nome de &#8216;exist\u00eancia&#8217;.&#8221; (p. 14-15)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>MARCELO RIBEIRO<\/strong><\/p>\n<p><strong>RIBEIRO, Marcelo Rodrigues Souza. Do inimagin\u00e1vel. Goi\u00e2nia: Editora UFG, 2019.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Nas imagens de abertura dos campos, concentra-se de modo contundente a iconografia dos &#8216;atos b\u00e1rbaros&#8217; e o fundo de inimagin\u00e1vel, contra os quais se (re)afirma o projeto cosmopol\u00edtico dos direitos humanos. O trabalho de mem\u00f3ria que se desenrola a partir delas desdobra e amplia sua iconografia, ao mesmo tempo em que revela suas insuper\u00e1veis lacunas, seus incontorn\u00e1veis vazios. Se o inimagin\u00e1vel \u00e9 aquilo do qual n\u00e3o existe imagem poss\u00edvel, a apari\u00e7\u00e3o paradoxal das imagens fotogr\u00e1ficas e cinematogr\u00e1ficas dos campos como evid\u00eancias do inimagin\u00e1vel permanece assombrada pelas imagens que faltam. [&#8230;] Dessa forma, o inimagin\u00e1vel n\u00e3o corresponde a uma aus\u00eancia absoluta de imagens, mas a uma paradoxal produtividade imag\u00e9tica sobre um fundo de falta irredut\u00edvel.&#8221; (p. 20)<\/p>\n<p>&#8220;Uma das figuras do inimagin\u00e1vel \u00e9, justamente, a do excesso de real, que nenhuma tentativa de simboliza\u00e7\u00e3o consegue apreender e compreender. Esse excesso de real pode tanto perturbar e desestabilizar as formas convencionais de interpreta\u00e7\u00e3o do mundo &#8211; e isso exige a inven\u00e7\u00e3o de novos modelos de visibilidades e de legibilidade diante das imagens dos campos [&#8230;]&#8221; (p. 53)<\/p>\n<p>&#8220;O inimagin\u00e1vel &#8211; isto \u00e9, a condi\u00e7\u00e3o das imagens que faltam, dos fatos que &#8216;voc\u00ea n\u00e3o tem&#8217; &#8211; corresponde a uma possibilidade de inven\u00e7\u00e3o e a um dever \u00e9tico de imagina\u00e7\u00e3o, apesar de tudo.&#8221; (p. 94)[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] ARGUMENTO | EIXOS DE TRABALHO |\u00a0REFER\u00caNCIAS |\u00a0TEXTOS DE ORIENTA\u00c7\u00c3O | PROGRAMA | INSCRI\u00c7\u00d5ES |\u00a0BOLETIM BRICOLAGENS | EX.PERI.\u00caNCIA(S) [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;REFER\u00caNCIAS&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text] JACQUES LACAN Semin\u00e1rio 4 LACAN, Jacques. O Semin\u00e1rio, livro 4: a rela\u00e7\u00e3o de objeto. Trad. de Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Zahar, 1995. &#8220;A exist\u00eancia do significante n\u00e3o est\u00e1 ligada a outra coisa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":2974,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2983","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2983\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}