{"id":2697,"date":"2020-07-22T11:13:13","date_gmt":"2020-07-22T14:13:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sc\/?page_id=2697"},"modified":"2020-07-22T11:13:13","modified_gmt":"2020-07-22T14:13:13","slug":"referencias-i-jornada-da-ebp-secao-sul","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/1a-jornada-da-secao-sul-o-feminino-e-os-litorais-do-indizivel\/referencias-i-jornada-da-ebp-secao-sul\/","title":{"rendered":"Refer\u00eancias &#8211; I Jornada da EBP &#8211; Se\u00e7\u00e3o Sul"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #993300;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>SIGMUND FREUD<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/h3>\n<ul>\n<li>FREUD, S<strong>.\u00a0<em>O infamiliar [Das Unheimliche]<\/em><\/strong><em> <strong>\u2013 Edi\u00e7\u00e3o comemorativa bil\u00edngue (1919-2019): Seguido de O homem da areia de E. T. A. Hoffmann<\/strong><\/em><strong>. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Ed. Aut\u00eantica, 2019.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201c[&#8230;] o infamiliar \u00e9 uma esp\u00e9cie do que \u00e9 aterrorizante, que remete ao velho conhecido, h\u00e1 muito \u00edntimo. Como \u00e9 poss\u00edvel, sob quais condi\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 \u00edntimo se tornar infamiliar, aterrorizante[?]\u201d (p.33)<\/p>\n<p>\u201cDe todo modo, lembremos que essa palavra <em>heimlich <\/em>n\u00e3o \u00e9 clara, pois diz respeito a dois c\u00edrculos de representa\u00e7\u00f5es, os quais, sem serem opostos, s\u00e3o, de fato, alheios um ao outro, ao do que \u00e9 confi\u00e1vel, confort\u00e1vel e ao do que \u00e9 encoberto, o que permanece oculto. <em>Unheimlich<\/em> seria usualmente oposto apenas do primeiro significado, mas n\u00e3o do segundo\u201d (pg. 45)<\/p>\n<p>\u201cTalvez, o fator da repeti\u00e7\u00e3o do mesmo como fonte do sentimento <em>infamiliar<\/em> n\u00e3o seja reconhecido por todos. Segundo minhas observa\u00e7\u00f5es, sob certas condi\u00e7\u00f5es e combina\u00e7\u00f5es em determinadas circunst\u00e2ncias, um sentimento dessa ordem \u00e9, sem d\u00favida, evocado, o que al\u00e9m disso, lembra as situa\u00e7\u00f5es de desamparo em muitos sonhos\u201d (pg. 75)<\/p>\n<p>\u201cEm outra s\u00e9rie de experi\u00eancias tamb\u00e9m reconhecemos, sem esfor\u00e7o, que o fator da repeti\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria \u00e9 aquele segundo o qual at\u00e9 mesmo o inofensivo se torna <em>infamiliar,<\/em> impondo-nos a ideia do fat\u00eddico, do inescap\u00e1vel, onde n\u00f3s at\u00e9 ent\u00e3o fal\u00e1vamos de \u2018acaso\u2019.\u201d (pg. 77)<\/p>\n<ul>\n<li>FREUD, S. <strong><em>A feminilidade<\/em><\/strong> (1933). In: ______. <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise e outros textos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010, pp. 263-293.<\/li>\n<\/ul>\n[&#8230;] voc\u00eas devem ter d\u00favidas quanto ao significado decisivo desses elementos e concluir que o que constitui a masculinidade ou feminilidade \u00e9 uma caracter\u00edstica desconhecida, que a anatomia n\u00e3o pode apreender. (p. 266)<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>JACQUES LACAN<\/strong><\/span><\/h3>\n<ul>\n<li><strong>\u00a0<\/strong>LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio; livro 17 &#8211; <strong>o avesso da psican\u00e1lise<\/strong><\/em> <em>(1969-1970)<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cEvidentemente, Freud quanto a isso \u00e0s vezes se esquiva, nos abandona. Ele abandona a pregunta sobre o gozo femenino.\u201d (p. 67)<\/p>\n<ul>\n<li>LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio; livro 19 &#8211; <strong>&#8230; ou pior<\/strong> (1971-1972). <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cQue se diga, como fato, fica esquecido por tr\u00e1s do que \u00e9 dito. O que \u00e9 dito n\u00e3o est\u00e1 noutro lugar sen\u00e3o no que se ouve. \u00c9 isso a fala. O dizer \u00e9 outra coisa, \u00e9 outro plano, \u00e9 o discurso.\u201d (p.221)<\/p>\n<ul>\n<li>LACAN, Jacques. <strong><em>A Terceira<\/em><\/strong><em>.<\/em> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana; Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. <\/em>S\u00e3o Paulo: Eolia, v. 62, pp. 11-36, dez. 2011.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cTanto o gozo f\u00e1lico est\u00e1 fora do corpo, quanto o gozo do Outro est\u00e1 fora da linguagem, fora do simb\u00f3lico.\u201d (p.32)<\/p>\n<ul>\n<li>LACAN, Jacques. <strong>O Semin\u00e1rio, livro 20: <em>mais, ainda<\/em> (1972-1973).<\/strong> Trad. de M. D. Magno. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Cap. II. A Jakobson:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O que n\u00e3o \u00e9 signo do amor \u00e9 o gozo do Outro, o do Outro sexo e, eu comentava, do corpo que o simboliza [&#8230;] O significante [&#8230;] deve ser estruturado em termos topol\u00f3gicos. Com efeito, o significante \u00e9 primeiro aquilo que tem efeito de significado, e importa n\u00e3o elidir que, entre os dois, h\u00e1 algo de barrado a atravessar.&#8221; (p. 24-25)<\/p>\n<p><strong>Cap. III A fun\u00e7\u00e3o do escrito:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Um homem, isto n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um significante. Um homem procura uma mulher &#8211; isto vai lhes parecer curioso &#8211; a t\u00edtulo do que se situa pelo discurso, pois, se o que aqui coloco \u00e9 verdadeiro, isto \u00e9, que a mulher n\u00e3o \u00e9 toda, h\u00e1 sempre alguma coisa nela que escapa ao discurso.&#8221; (p. 38)<\/p>\n<p><strong>Cap. VI. Deus e o gozo d&#8217;A\/ mulher:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um gozo dela, desse ela que n\u00e3o existe e n\u00e3o significa nada. H\u00e1 um gozo dela sobre o qual talvez ela mesma n\u00e3o saiba nada a n\u00e3o ser que o experimenta \u2013 isto ela sabe. Ela sabe disso, certamente, quando isso acontece. Isso n\u00e3o acontece a todas elas.\u201d (p.80)<\/p>\n<ul>\n<li>LACAN, Jacques<strong>. <em>Escritos.<\/em><\/strong> Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>(1955-1956) O semin\u00e1rio sobre &#8216;A carta roubada&#8217;:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Os escritos carregam ao vento as promiss\u00f3rias em branco de uma cavalgada louca. E, se eles n\u00e3o fossem folham volantes, n\u00e3o haveria letras roubadas, cartas que voaram.&#8221; (p. 30)<\/p>\n<p><strong>(1955-1956) O semin\u00e1rio sobre &#8216;A carta roubada&#8217;:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;[&#8230;] \u00e9 significativo que a carta que em suma o ministro endere\u00e7a a si mesmo seja a carta de uma mulher: como se, por uma conven\u00e7\u00e3o natural do significante, essa fosse uma fase pela qual ele tivesse que passar. Do mesmo modo, a aura de displic\u00eancia que chega a afetar uma apar\u00eancia de languidez, a ostenta\u00e7\u00e3o de um t\u00e9dio pr\u00f3ximo do fastio em suas palavras, a ambi\u00eancia que o autor da filosofia do mobili\u00e1rio sabe fazer surgir de observa\u00e7\u00f5es quase impalp\u00e1veis, como a do instrumento musical sobre a mesma, tudo parece arranjado para que o personagem marcado por todos os seus ditos com os tra\u00e7os da virilidade exale, ao aparecer, o mais singular <em>odor di femina<\/em>.&#8221; (p. 39)<\/p>\n<p><strong>(1960) Para um Congresso sobre a sexualidade feminina:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Princ\u00edpio simples de formular, de que a castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser deduzida apenas do desenvolvimento, uma vez que pressup\u00f5e a subjetividade do Outro como lugar de sua lei. A alteridade do sexo descaracteriza-se por essa aliena\u00e7\u00e3o. O homem serve aqui de conector para que a mulher se torne esse Outro para ela mesma, como o \u00e9 para ele.&#8221; (p. 741)<\/p>\n<ul>\n<li>LACAN, Jacques. <strong><em>Outros escritos<\/em>.<\/strong> Trad. de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>(1971) Lituraterra:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 digno de nota que eu abra essa colet\u00e2nea com um artigo que isolo de sua cronologia, e que se trate de um conto, por sua vez muito particular, por n\u00e3o poder entrar na lista ordenada das situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas: o conto sobre o que acontece com a postagem de uma missiva, com o conhecimento daqueles que se encarregam de sua remessa, e em que termos se apoia eu poder dizer que ela chegou a seu destino, depois de, com os desvios por ela sofridos, o conto e sua conta se sustentarem sem nenhum recurso a seu conte\u00fado. Ainda mais not\u00e1vel \u00e9 que o efeito que ela exerce sobre os que a cada vez a det\u00eam, por mais que estes arguam o poder que ela confere, para aspirar a t\u00ea-la, possa ser interpretado, como fa\u00e7o eu, como uma feminiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse o relato bem-feito do que distingue a carta do pr\u00f3prio significante que ela carrega.&#8221; (p. 16-17)<\/p>\n<p>&#8220;A fronteira, com certeza, ao separar dois territ\u00f3rios, simboliza que eles s\u00e3o iguais para quem a transp\u00f5e, que h\u00e1 entre eles um denominador comum. Esse \u00e9 o princ\u00edpio do <em>Umwelt<\/em>, que produz um reflexo do <em>Innenwelt<\/em>. \u00c9 inc\u00f4moda a biologia que tudo j\u00e1 d\u00e1 a si mesma por princ\u00edpio, notadamente a realidade da adapta\u00e7\u00e3o; nem falemos da sele\u00e7\u00e3o, esta uma franca ideologia, a se bendizer por ser natural. N\u00e3o \u00e9 a letra&#8230; litoral, mais propriamente, ou seja, figurando que um campo inteiro serve de fronteira para o outro, por serem eles estrangeiros, a ponto de n\u00e3o serem rec\u00edprocos? A borda do furo no saber, n\u00e3o \u00e9 isso que ela desenha? E como \u00e9 que a psican\u00e1lise, se justamente o que a letra diz por sua boca &#8216;ao p\u00e9 da letra&#8217; n\u00e3o lhe conveio desconhecer, como poderia a psican\u00e1lise negar que ele existe, esse furo, posto que, para preench\u00ea-lo, ela recorre a invocar nele o gozo?&#8221; (p. 18)<\/p>\n<p>&#8220;O escoamento \u00e9 o remate do tra\u00e7o prim\u00e1rio e daquilo que o apaga. Eu o disse: \u00e9 pela conjun\u00e7\u00e3o deles que ele se faz sujeito, mas por a\u00ed se marcarem dois tempos. \u00c9 preciso, pois, que se distinga nisso a rasura. Rasura de tra\u00e7o algum que seja anterior, \u00e9 isso que do litoral faz terra. <em>Litura<\/em> pura \u00e9 o literal. Produzi-la \u00e9 reproduzir essa metade \u00edmpar com que o sujeito subsiste.&#8221; (p. 21)<\/p>\n<p>&#8220;Entre centro e aus\u00eancia, entre saber e gozo, h\u00e1 litoral que s\u00f3 vira literal quando, essa virada, voc\u00eas podem tom\u00e1-la, a mesma, a todo instante. \u00c9 somente a partir da\u00ed que podem tomar-se pelo agente que a sustenta.&#8221; (p. 21-22)<\/p>\n<p><strong>(1972) O Aturdito:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Indiquemos apenas que as mulheres aqui nomeadas fizeram um apelo &#8211; tal \u00e9 sua inclina\u00e7\u00e3o nesse discurso &#8211; do inconsciente \u00e0 voz do corpo, como se n\u00e3o fosse justamente pelo inconsciente que o corpo adquire voz. \u00c9 curioso constatar, intacta no discurso anal\u00edtico, a desmedida existente entre a autoridade de que as mulheres d\u00e3o a impress\u00e3o e a ligeireza das solu\u00e7\u00f5es pelas quais essa impress\u00e3o se produz.&#8221; (p. 463-464)<\/p>\n<p>&#8220;O <em>n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em> n\u00e3o implica que n\u00e3o haja rela\u00e7\u00e3o com o sexo. \u00c9 justamente isso que a castra\u00e7\u00e3o demonstra, por\u00e9m n\u00e3o mais: ou seja: que essa rela\u00e7\u00e3o com o sexo n\u00e3o seja distinta em cada metade, pelo fato mesmo de separ\u00e1-las. Sublinho: eu n\u00e3o disse &#8216;de separ\u00e1-las&#8217; por repartir o \u00f3rg\u00e3o entre elas; v\u00e9u onde extraviaram Karen e Helene, Deus conserve suas almas, se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o o fez. Pois o importante n\u00e3o \u00e9 que isso parta das titila\u00e7\u00f5es que os queridos pequerruchos sentem na metade de seu corpo a ser atribu\u00edda a seu alto-eu [<em>moi-haut<\/em>], mas sim que essa metade fa\u00e7a sua entrada como impereza, para que s\u00f3 entre nisso como significante m&#8217;estre dessa hist\u00f3ria de rela\u00e7\u00e3o com o sexo. Isso, unicamente (e nesse ponto, com efeito, Freud tem raz\u00e3o) pela fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, visto que \u00e9 justamente ao proceder como suplemento de um \u00fanico f\u00e2nero que ela, essa fun\u00e7\u00e3o, se organiza, encontra o <em>organon<\/em> que reexamino aqui.&#8221; (p. 464-465)<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 ele: para se introduzir como metade a se dizer das mulheres, o sujeito se determina a partir de que, n\u00e3o existindo suspens\u00e3o na fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, tudo possa dizer-se dela, mesmo que provenha do sem-raz\u00e3o. Mas trata-se de um todo fora de universo, que se l\u00ea de chofre a partir do quantificador, como <em>n\u00e3otodo<\/em>. O sujeito, na metade em que se determina pelos quantificadores negados, vem de que nada existente constitui um limite da fun\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode certificar-se de coisa alguma que seja de um universo. Assim, por se fundarem nessa metade, &#8216;elas&#8217; s\u00e3o <em>n\u00e3o-todas<\/em>, o que tem tamb\u00e9m como consequ\u00eancia, e pela mesma raz\u00e3o, que tampouco nenhuma delas \u00e9 toda.&#8221; (p. 466)<\/p>\n<p>\u201cDizer que uma mulher n\u00e3o \u00e9 toda \u00e9 o que nos indica o mito por ela ser a \u00fanica a ser ultrapassada por seu gozo, o gozo que se produz no coito. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que \u00e9 como \u00fanica que ela quer ser reconhecida pela outra parte: isso \u00e9 mais do que sabido. Mas \u00e9 tamb\u00e9m nisso que se apreende o que h\u00e1 por apreender, isto \u00e9, que, mesmo se satisfa\u00e7a a exig\u00eancia do amor, o gozo que se tem da mulher a divide, fazendo-a parceira de sua solid\u00e3o, enquanto a uni\u00e3o permanece na soleira.\u201d (p.467)<\/p>\n<p>&#8220;E para que o fa\u00e7a em torno de um furo desse real pelo qual se anuncia aquilo que, a posteriori, n\u00e3o h\u00e1 pluma que n\u00e3o se descubra atestando: que n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual. Assim se explica o meio-dito que superamos, aquele segundo o qual <em>a<\/em> mulher seria, desde sempre, um engodo da verdade. Oxal\u00e1 o c\u00e9u, rasgado enfim pela via que abrimos l\u00e1ctea, fa\u00e7a com que algumas delas, por serem n\u00e3otodas, venham a criar para o homodito [<em>l&#8217;hommodit<\/em>] a hora do real. O que n\u00e3o seria for\u00e7osamente mais desagrad\u00e1vel do que antes.&#8221; (p. 495)<\/p>\n<p><strong>(1974) Pref\u00e1cio a O despertar da primavera:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Mas o Pai tem tantos e tantos que n\u00e3o h\u00e1 Um que lhe convenha, a n\u00e3o ser o Nome do Nome do Nome. N\u00e3o h\u00e1 Nome que seja seu Nome-Pr\u00f3prio, a n\u00e3o ser o Nome por ex-sist\u00eancia. Ou seja, a apar\u00eancia [<em>semblant<\/em>] por excel\u00eancia. E &#8216;Homem mascarado&#8217; o diz nada mal. Pois, como saber o que ele \u00e9, se est\u00e1 mascarado, e se n\u00e3o usa uma m\u00e1scara de mulher &#8211; no caso, o ator? Somente a m\u00e1scara ex-sistiria no lugar de vazio em que coloco A mulher. No que n\u00e3o digo que n\u00e3o existam mulheres. A mulher, como vers\u00e3o do Pai, s\u00f3 se afiguraria como Pai-vers\u00e3o [<em>P\u00e8re-version<\/em>].&#8221; (p. 559)<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>JACQUES-ALAIN MILLER<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<ul>\n<li><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><em>MILLER, J. A.<strong> Mulheres e semblantes I e II. <\/strong>\u00a0In. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie Ano 1 \u2022 N\u00famero 1 \u2022 Mar\u00e7o 2010 \u2022 Dispon\u00edvel em: <\/em><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_1\/Mulheres_e_semblantes_I.pdf\"><strong><em>http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_1\/Mulheres_e_semblantes_I.pdf<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>\u201cMesmo que seja de forma brusca, por que n\u00e3o dizer que as mulheres parecem, \u00e0s vezes e na medida do poss\u00edvel, mais amigas do real? De qualquer forma, isso se explica pelo fato de elas n\u00e3o terem necessariamente a mesma rela\u00e7\u00e3o com a castra\u00e7\u00e3o que os homens.\u201d (p.2)<\/p>\n<p>\u201cA posi\u00e7\u00e3o feminina incluiria certa \u201cintui\u00e7\u00e3o\u201d ( entre aspas) \u2013 entendida como algo que n\u00e3o \u00e9 da ordem do conceitual no sentido que recordei na \u00faltima vez a partir de Kant \u2013 de que o real escapa \u00e0 ordem simb\u00f3lica, o que aproximaria essa posi\u00e7\u00e3o \u00e0 do analista.\u201d (p.2)<\/p>\n<p>\u201cAo afirmar A mulher n\u00e3o existe, Lacan n\u00e3o pretendeu ser original, mas oferecer a f\u00f3rmula mais econ\u00f4mica, mais l\u00f3gica, que organiza as maluquices do amor e as bobagens que se tem dito das mulheres, entre as quais que \u00e9 poss\u00edvel dizer tudo delas.\u201d (p. 23-24)<\/p>\n<ul>\n<li>MILLER, J.-A. <strong><em>Uma partilha sexual.<\/em><\/strong> In <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n. 20, jul. 2016. <strong>\u00a0<\/strong>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_20\/Uma_partilha_sexual.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_20\/Uma_partilha_sexual.pdf<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Um objeto que n\u00e3o fala e um<\/strong> <strong>Outro que fala<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSobre qual rela\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria repousa a elabora\u00e7\u00e3o do gozo feminino para fornec\u00ea-la rapidamente? Inicialmente, sobre a diferen\u00e7a entre o gozo f\u00e1lico e o gozo suplementar. E depois, quando Lacan diz: &#8211; \u201cMas esse gozo suplementar \u00e9 este que \u00e9 o pr\u00f3prio da mulher, \u00e9 este do qual ela n\u00e3o diz nada&#8230;\u201d. (p.37)<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong><em>OUTROS AUTORES DO CAMPO FREUDIANO<\/em><\/strong><\/span><\/h3>\n<ul>\n<li>BASSOL, M. <strong><em>O feminino, entre centro e aus\u00eancia<\/em><\/strong> OP\u00c7\u00c3O LACANIANA ONLINE\u00a0 8 \u2022 N\u00famero 23 \u2022 julho 2017. Dispon\u00edvel em:<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_23\/O_feminino_entre_centro_e_ausencia.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_23\/O_feminino_entre_centro_e_ausencia.pdf<\/a><\/p>\n<p>\u201cOxal\u00e1 houvera um &#8220;entre&#8221; entre o homem e a mulher! Ao menos isso nos daria a ilus\u00e3o de que h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual, de que esse &#8220;entre&#8221; existe. \u00c9 exatamente isso que Lacan vai por em quest\u00e3o. Quando diz: &#8220;por interpor-se como Outro&#8221;, esse &#8220;entre&#8221; n\u00e3o funciona. &#8220;\u00c9 curioso que, ao posicionar esse Outro, o que tive para enunciar hoje diz respeito apenas \u00e0 mulher.\u201d (p.1)<\/p>\n<p><strong>Borda, limite e fronteira<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPara o feminino se h\u00e1 bordas estas s\u00e3o, de qualquer forma, bordas sem um limite, sem uma fronteira definida. Para levar em conta a no\u00e7\u00e3o de limite que Lacan retoma da matem\u00e1tica, n\u00e3o se trata aqui do limite como um ponto de chegada.\u201d (p.2,3)<\/p>\n<p>\u201cDe fato, o que chamamos de corpo falante e seus orif\u00edcios se apresentam muitas vezes na experi\u00eancia subjetiva, seja no sonho ou na experi\u00eancia de um gozo estranho, com esta dimens\u00e3o de borda sem limites. Esta dificuldade de localiza\u00e7\u00e3o do feminino que necessita recorrer a uma l\u00f3gica e a uma topologia distintas da l\u00f3gica bin\u00e1ria do significante e do espa\u00e7o m\u00e9trico do cont\u00e1vel, tem muito em comum com o espa\u00e7o e a posi\u00e7\u00e3o do analista tal como Lacan a situou na experi\u00eancia anal\u00edtico.\u201d (p.3)<\/p>\n<p><strong>O feminino \u00e9 neutro e singular <\/strong><\/p>\n<p>\u201cO feminino, como distinto da feminilidade represent\u00e1vel em diversas figuras f\u00e1licas, n\u00e3o \u00e9 o g\u00eanero feminino, mas que tem a virtude do neutro, mais al\u00e9m do g\u00eanero, da significa\u00e7\u00e3o, dos sexos como represent\u00e1veis.\u201d (p.4)<\/p>\n<p>\u201cNeutro quer dizer que escapam a essa l\u00f3gica do significante que diferencia masculino e feminino. O neutro tem a termina\u00e7\u00e3o no masculino singular, por\u00e9m \u00e9 s\u00f3 um semblante. Decididamente o feminino escapa \u00e0 linguagem. Outro detalhe gramatical importante do feminino \u00e9 que n\u00e3o admite plural.\u201d (p.5)<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira diferen\u00e7a sexual n\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a significante, \u00e9 \u2013 como destaca Lacan \u2013 a diferen\u00e7a do sexo e do gozo como Outro, como alteridade radical para cada sujeito.\u201d (p.5)<\/p>\n<p><strong>A b\u00fassola do objeto a<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO primeiro ensino de Lacan levar\u00e1 ao limite os paradoxos da l\u00f3gica freudiana e explorar\u00e1 esta &#8220;terra inc\u00f3gnita&#8221; do feminino com a b\u00fassola do objeto a. Com esse objeto a vai situar os sexos n\u00e3o s\u00f3 em uma assimetria radical, mas tamb\u00e9m \u2013 o que \u00e9 mais importante \u2013 em uma n\u00e3o reciprocidade.\u201d (p.5)<\/p>\n<p>\u201cA mulher, atrav\u00e9s do homem e sem que haja uma rela\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, \u00e9 Outra para si mesma como o \u00e9 para ele. Nesta alteridade, sem simetria nem reciprocidade, a feminilidade est\u00e1 confrontada ao feminino, ao a-sexuado do ser, sem representa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.\u201d (p.6)<\/p>\n<p>\u201cDevemos passar da l\u00f3gica da borda como fronteira \u00e0 l\u00f3gica da borda como litoral, opera\u00e7\u00e3o que Lacan indicar\u00e1 sobretudo, em seu texto &#8220;Lituraterra&#8221;, mas tamb\u00e9m no Semin\u00e1rio 19. Quando h\u00e1 uma fronteira entre dois pa\u00edses, isso sup\u00f5e uma reciprocidade, se podem estabelecer v\u00ednculos, representa\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, como por exemplo, consulados. H\u00e1 um &#8220;entre&#8221; os dois campos. Aqui a borda funciona como uma fronteira, por\u00e9m, permite tamb\u00e9m uma reciprocidade. A ideia que Lacan introduz com o litoral muda totalmente esta concep\u00e7\u00e3o espacial, porque o litoral sup\u00f5e que n\u00e3o h\u00e1 um espa\u00e7o &#8220;entre&#8221; poss\u00edvel.\u201d (p.6)<\/p>\n<p><strong>A esfera e a elipse<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEntre centro e aus\u00eancia se abre assim um espa\u00e7o que j\u00e1 n\u00e3o pode funcionar segundo a l\u00f3gica da presen\u00e7a e da aus\u00eancia, do um e do zero. \u00c9 o problema do n\u00famero real que Lacan evoca em muitas ocasi\u00f5es e tamb\u00e9m a prop\u00f3sito do paradoxo de &#8220;Aquiles e a tartaruga&#8221; que se movem em espa\u00e7os de gozo distintos.\u201d (p.7)<\/p>\n<p><strong>Solid\u00e3o \u00e0 segunda pot\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO espa\u00e7o do feminino se produz, existe, entre centro e aus\u00eancia, entre o centro simbolizado pelo falo e a aus\u00eancia mais radical, a que se produz na solid\u00e3o do gozo feminino quando o sujeito se confronta com sua pr\u00f3pria aus\u00eancia. \u00c9 a solid\u00e3o, se me permitem dizer assim, elevada \u00e0 segunda pot\u00eancia, dif\u00edcil de alcan\u00e7ar.\u201d (p.8)<\/p>\n<p><strong>Ecolalias<\/strong><\/p>\n<p>\u201c H\u00e1 em lal\u00edngua uma continuidade de um gozo que estar\u00e1 vinculado \u00e0 letra, at\u00e9 que a m\u00e3e, o Outro, fonetiza \u2013 disse Jakobson \u2013 o corpo da crian\u00e7a introduzindo essas diferen\u00e7as significantes. Algo do materno recorta, significa, introduz diferen\u00e7as significantes em uma materialidade do gozo que, em si mesma, n\u00e3o inclui estas diferen\u00e7as. \u00c9 a mesma l\u00f3gica com a qual Lacan distingue lal\u00edngua e a linguagem como elucubra\u00e7\u00e3o sobre lal\u00edngua. N\u00e3o devemos esquecer que n\u00f3s analistas trabalhamos diariamente com esta materialidade de lal\u00edngua em cada sujeito. A m\u00e3e fonetiza o corpo da crian\u00e7a, quer dizer, recorta no corpo da crian\u00e7a uma s\u00e9rie de resson\u00e2ncias ao introduzir diferen\u00e7as de sons.\u201d (p. 10)<\/p>\n<p>\u201cEm uma an\u00e1lise podemos vislumbrar como ressoa lal\u00edngua no corpo do sujeito mais al\u00e9m da fonetiza\u00e7\u00e3o a que foi submetido ao longo de sua vida.\u201d (p.11)<\/p>\n<p><strong>Alteridade radical do Um s\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO feminino \u00e9 mais da ordem do contingente, n\u00e3o \u00e9 nada necess\u00e1rio, \u00e9 da ordem do encontro fortuito, do acaso sem rela\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria de causa e efeito como pretende a ci\u00eancia. O feminino, como posi\u00e7\u00e3o mesma do analista, no que chamamos sua aten\u00e7\u00e3o flutuante \u2013 que \u00e9 uma maneira freudiana de dizer &#8220;aguardo, mas n\u00e3o espero nada&#8221; \u2013 em sua pr\u00f3pria autoriza\u00e7\u00e3o no desejo que o sustenta, \u00e9 desta ordem. N\u00e3o esperem nada, s\u00f3 aguardem-no. Saibam s\u00f3 que tem que chegar &#8230; entre centro e aus\u00eancia.\u201d (p.12)<\/p>\n<p><strong>Respostas \u00e0s perguntas e interven\u00e7\u00f5es Fronteira no corpo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAs paralisias hist\u00e9ricas s\u00e3o um primeiro mapa com fronteiras que o sujeito tenta fazer sobre o feminino do gozo. O que chamamos somatiza\u00e7\u00f5es na histeria seguem com frequ\u00eancia os modismos, as fronteiras que a moda vai estabelecendo no corpo feminino. (p.12)<\/p>\n<p>\u201c&#8230;tamb\u00e9m a hist\u00f3ria do sintoma hist\u00e9rico em geral como somatiza\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 uma tentativa de desenhar fronteiras no corpo do feminino. Como temos dito, o problema \u00e9 que o feminino n\u00e3o tem fronteiras, por\u00e9m o sintoma \u00e9 justamente uma forma de escrever fronteiras no corpo sobre o gozo do feminino. (p.12,13)<\/p>\n<ul>\n<li>Laurent, \u00c9. <strong><em>A psican\u00e1lise e a<\/em> <em>escolha das mulheres<\/em><\/strong>, Belo Horizonte: Scriptum Livros,2012.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Posi\u00e7\u00e3o feminina: uma solu\u00e7\u00e3o pela via do suplemento.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] foi necess\u00e1rio tempo para que se pudesse compreender que o suplemento que definia toda posi\u00e7\u00e3o feminina do ser era necessariamente correlato a: ter falta de alguma coisa.\u201d (p. 98)<\/p>\n<p><strong>O Supereu femenino<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA voz do supereu feminino, os ditos que a representam se originam do gozo dela, de seu Outro gozo que lhe \u00e9 proprio. A \u201csuper-m<em>eu<\/em>tade[<em>surmoiti\u00e9<\/em>] que n\u00e3o se supereu-iza[<em>surmoite<\/em>] t\u00e3o f\u00e1cilmente quanto a consci\u00eancia universal\u201d quer dizer o seguinte: todo homem tem que enfrentar a voz desse tipo de sereia. A voz das sereias, das quais t\u00e3o justamente Ulisses desconfiava era: \u201cTorne-se amigo das mulheres, fa\u00e7a como Tiresias. Para comprende-las banque voc\u00ea mesmo a mulher, tente se aproximar do Outro gozo.\u201d (p.121)<\/p>\n<p>\u201cO que se deve restaurar \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com S(A\/), com a inconsist\u00eancia, com o indesmostr\u00e1vel, com o indecid\u00edvel, a rela\u00e7\u00e3o com a incompletude do Outro. \u00c9 a\u00ed que o homem pode realmente se fazer de \u2018conector para\u00a0 que a mulher se torne Outro para si mesma como ela o \u00e9 para ele\u2019.\u201d\u00a0 (p.123)<\/p>\n<p>\u201cGostaria de enfatizar que n\u00e3o se deve dizer de forma alguma que Lacan tenha convocado o analista para o lugar da mulher, n\u00e3o se trata da feminiza\u00e7\u00e3o dos psicanalistas. N\u00e3o se trata do encorajamento a \u201ctornarem-se todos Tir\u00e9sias\u201d, n\u00e3o se trata do lugar feminino do psicanalista, mas, sim, do psicanalista como aquele que sabe responder ao supereu feminino, como aquele que pode reenviar o supereu femenino \u00e0 verdadeira l\u00f3gica da posi\u00e7\u00e3o feminina a saber: denunciar os semblantes que visam a toda consistencia do Outro.\u201d\u00a0 (p. 124,125)<\/p>\n<p><strong>A resposta do analista ao chamado do gozo <\/strong><\/p>\n[\u2026]\u201cA posi\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica \u00e9 dizer que a voz da super-m<em>eu<\/em>tade [<em>surmoiti\u00e9<\/em>], o imperativo mort\u00edfero, s\u00f3 o \u00e9 para aquele que se recusa a afrontar a originalidade da posi\u00e7\u00e3o feminina., para aquele que negue a origem de um dizer feminino espec\u00edfico, em que h\u00e1 a incid\u00eancia direta do Outro. A Santa Teresa de Bernini, em um sentido, testemunha sua proximidade com o pai morto, mas, em outro sentido, testemunha a alegria do Outro que n\u00e3o tem nome, mas, \u00e9 presen\u00e7a certa.\u201d\u00a0 (pg.131)<\/p>\n<ul>\n<li>VEL\u00c1SQUEZ, J.F. <strong><em>\u00c0 borda do diz\u00edvel<\/em>.<\/strong>\u00a0 Revista <em>Arteira, online, <\/em>n. 12, 2020. <u>http:\/\/www.revista arteira.com.br\/index.php\/arteira-12<\/u><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cO que caracteriza este Outro Gozo \u00e9 um \u201csem limite\u201d, \u201csem sentido\u201d, \u201csem medida\u201d, \u201csem produto sexual verific\u00e1vel\u201d; \u00e9 um \u201csem\u201d que remete a uma ordem diferente da satisfa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica; \u00e9 um gozo que, quando se desata, n\u00e3o h\u00e1 para ele condi\u00e7\u00f5es de verdade, n\u00e3o se cifra em formas l\u00f3gicas de pensamento, nem se concretiza em uma figura.\u00a0 \u00c9 aquele outro espa\u00e7o de gozo que se abre para a Alice do conto, quando atravessa o espelho, sem l\u00f3gica, sem temporalidade, sem controle, sem normativa.\u201d<\/p>\n<ul>\n<li>BROUSSE<strong>, <\/strong>M.-H.\u00a0 <strong><em>O que \u00e9 uma mulher<\/em><\/strong>.\u00a0Latusa Digital, Rio de Janeiro, ano 9, n. 49, jun. 2012. Publica\u00e7\u00e3o da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise &#8211; Se\u00e7\u00e3o Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em:<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.latusa.com.br\/pdf_latusa_digital_49_a1.pdf\">http:\/\/www.latusa.com.br\/pdf_latusa_digital_49_a1.pdf<\/a><\/p>\n<p>Para resumir, diria, ent\u00e3o, que esse gozo feminino no qual o ensino de Lacan desemboca, perto de seu final, \u00e9 um gozo outro, \u00e9 um gozo, portanto, que n\u00e3o \u00e9 ligado a um \u00f3rg\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 ligado \u00e0s representa\u00e7\u00f5es e \u00e0 ordem significante, que est\u00e1, portanto, para al\u00e9m do sentido sexual ou do sexo como sentido. \u00c9, por conseguinte, a problematiza\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o feminina para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o paterna. Ou seja, o feminino enquanto n\u00e3o inteiramente contido na fun\u00e7\u00e3o do Nome-do-Pai, fun\u00e7\u00e3o esta que Lacan considera, com Freud, que enuncia em termos ed\u00edpico, como o centro e o piv\u00f4 do funcionamento simb\u00f3lico. Portanto, um gozo n\u00e3o totalmente simboliz\u00e1vel que escapa ao processo de simboliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>BROUSSE, M.-H. <strong>Mulheres e discursos<\/strong>. Trad. de Ana Paula Sartori Lorenzi [et al]. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2019.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para os seres falantes em geral, portanto, lidar com o corpo feminino. Escond\u00ea-lo \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m ainda mais incontorn\u00e1vel, pois esconder um objeto lhe d\u00e1 a consist\u00eancia simb\u00f3lica que nenhuma evid\u00eancia material pode conferir: a consist\u00eancia do enigma, do lado do sentido, e a da proibi\u00e7\u00e3o, do lado da lei, de tal sorte que, nos dois casos, o sujeito falante, at\u00e9 mesmo gritante, \u00e9 transformado em objeto causa do desejo: desejo de saber ou desejo de possuir. A mulher existe, ent\u00e3o, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de ser escondida.&#8221; (p. 37)<\/p>\n<ul>\n<li>FUENTES, M.J.S <strong><em>As mulheres e seus<\/em> <em>nomes: Lacan e o<\/em> <em>feminino<\/em><\/strong><em>.<\/em> Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2009.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA psican\u00e1lise como cl\u00ednica do singular pode ser a via fecunda de demonstra\u00e7\u00e3o de que desejo e gozo n\u00e3o se reduzem a uma quest\u00e3o pol\u00edtica de direitos, e que o sexo n\u00e3o \u00e9 um livre arb\u00edtrio, mas o nome de uma divis\u00e3o subjetiva que designa um imposs\u00edvel. O feminismo reduz o feminino a uma constru\u00e7\u00e3o discursiva hist\u00f3rica e refuta a diferen\u00e7a sexual. Se o feminino \u00e9 como tal inomin\u00e1vel, resta como tarefa para cada mulher que se inscreva do lado feminino das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o encontrar um meio de tratar esse gozo real quando a refer\u00eancia ao falo n\u00e3o satura o gozo nas mulheres.\u201d (p. 104).<\/p>\n<ul>\n<li>CALDAS, H. <strong><em>A fala e a escrita da mulher que<\/em> <em>n\u00e3o existe<\/em>.<\/strong> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n.10, mar. 2013. Dispon\u00edvel em:<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_10\/A_fala_escrita_mulher_que_nao_existe.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_10\/A_fala_escrita_mulher_que_nao_existe.pdf<\/a><\/p>\n[&#8230;] a letra \u00e9 situada no ponto limite do trabalho significante quando a produ\u00e7\u00e3o do sentido se esgota e resta como pura marca material articulada ao gozo. Lacan a chama de letra litoral para situ\u00e1-la como o que tra\u00e7a a separa\u00e7\u00e3o entre sentido e o gozo- duas coisas t\u00e3o diferentes como o mar e a terra. (p.8)<\/p>\n<ul>\n<li>DRUMMOND, C. <strong><em>Devasta\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><em>.<\/em> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n.6, nov. 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_6\/Devastacao.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_6\/Devastacao.pdf<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cA devasta\u00e7\u00e3o [&#8230;]revelou-se no final de seu percurso anal\u00edtico, como um dos nomes do gozo feminino imposs\u00edvel de ser dito.\u201d (p.14)<\/p>\n<ul>\n<li>GIRALDO, M.C. <strong><em>O feminino macondiano.<\/em><\/strong> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n.20, jul. 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_20\/O_feminino_macondiano.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_20\/O_feminino_macondiano.pdf<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cParto de uma pergunta sobre o que torna indiz\u00edvel o gozo feminino para indagar se o dizer liter\u00e1rio pode nos ensinar algo a esse respeito. O <em>feminino macondiano busca <\/em>situar em alguns homens e mulheres de Macondo<em>, <\/em>personagens <em>de Cem anos de solid\u00e3o, <\/em>algo do dizer liter\u00e1rio sobre esse gozo.\u201d\u00a0 (p.1)<\/p>\n<p>\u201cO extravio bizarro de Remedios, a bela arrastava-a ao sem limite, ao infinito do universo macondiano. J\u00e1 a guerra, o Outro absoluto do Coronel Aureliano Buendia, \u00e9 um gozo f\u00e1lico, finito que busca dar consist\u00eancia e completude a esse universo.\u201d (p.5)<\/p>\n<ul>\n<li>R\u00caGO BARROS, R. <strong><em>A diferen\u00e7a sexual e<\/em><\/strong><em> <strong>a diferen\u00e7a<\/strong><\/em><strong> <em>feminina<\/em><\/strong><em>.<\/em> <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, n.9, nov. 2012. Dispon\u00edvel em:<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_9\/Da_diferenca_sexual_a_diferenca_feminina.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_9\/Da_diferenca_sexual_a_diferenca_feminina.pdf<\/a><\/p>\n<p>\u201cLembrei de uma distin\u00e7\u00e3o feita por Hegel entre fronteira e limite. A fronteira \u00e9 a linha que divide o Brasil da Argentina; s\u00f3 existe fronteira quando voc\u00ea pode nomear o outro lado. O limite \u00e9 a orla, aquilo al\u00e9m do qual n\u00e3o se precisa dizer o que h\u00e1. Por exemplo: este \u00e9 o limite das minhas terras; daqui para frente n\u00e3o preciso definir, talvez eu nem saiba. Existe alguma coisa nessa no\u00e7\u00e3o de limite que n\u00e3o \u00e9 muito distante desta que estou tentando mostrar como alteridade.\u201d (p.4)<\/p>\n<ul>\n<li>KRUGER, F.\u00a0 <strong><em>Mulher (A). <\/em><\/strong>Silicet: \u00a0Um real\u00a0 para o s\u00e9culo XXI, Belo Horizonte, Scriptum, 2014.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cSe Lacan, em seu \u00faltimo ensino, generalizou o gozo feminino, at\u00e9 transform\u00e1-lo\u00a0 no \u2018gozo como tal\u2019, podemos concluir que o percuso do conceito, ao longo de seu ensino, vai at\u00e9 a feminiza\u00e7\u00e3o do gozo.\u201d (p.249)<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Comiss\u00e3o de refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/h6>\n<h6><em>Gustavo Ramos, Louise Lhullier, Juan C. Galigniana e Teresa Pavone (coordenadora). <\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas: \u00a0SIGMUND FREUD\u00a0 FREUD, S.\u00a0O infamiliar [Das Unheimliche] \u2013 Edi\u00e7\u00e3o comemorativa bil\u00edngue (1919-2019): Seguido de O homem da areia de E. T. A. Hoffmann. S\u00e3o Paulo: Ed. Aut\u00eantica, 2019. \u201c[&#8230;] o infamiliar \u00e9 uma esp\u00e9cie do que \u00e9 aterrorizante, que remete ao velho conhecido, h\u00e1 muito \u00edntimo. 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