{"id":2692,"date":"2020-07-22T11:11:17","date_gmt":"2020-07-22T14:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sc\/?page_id=2692"},"modified":"2020-07-22T11:11:17","modified_gmt":"2020-07-22T14:11:17","slug":"argumento-i-jornada-da-ebp-secao-sul","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sul\/eventos\/jornadas\/1a-jornada-da-secao-sul-o-feminino-e-os-litorais-do-indizivel\/argumento-i-jornada-da-ebp-secao-sul\/","title":{"rendered":"Argumento &#8211; I Jornada da EBP &#8211; Se\u00e7\u00e3o Sul"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>I Jornada da EBP &#8211; Se\u00e7\u00e3o Sul<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O feminino e os litorais do indiz\u00edvel<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Argumento<a style=\"color: #993300;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/span><\/h3>\n<p>O feminino como o <em>n\u00e3o sab\u00edvel<\/em> \u00e9 o que se pode colocar como causa do indiz\u00edvel e tamb\u00e9m como causa do plural de litorais? Sem esse lugar opaco ao significante s\u00f3 haveria um litoral, ou melhor, n\u00e3o precisar\u00edamos desse conceito de litoral forjado por Lacan para tentar esclarecer os limites entre o saber poss\u00edvel de apreender pelos significantes e o incalcul\u00e1vel de gozo que se imiscui no dito. Todo sentido adv\u00e9m da l\u00f3gica bin\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 sentido sem dial\u00e9tica, mas Lacan muito cedo j\u00e1 nos diz que n\u00f3s psicanalistas sabemos que esses pares de opostos jamais se recobrem na s\u00edntese, sempre h\u00e1 um resto nessa opera\u00e7\u00e3o. O feminino est\u00e1 nesse resto que barra o ideal de exatid\u00e3o e o imp\u00e9rio da cifra como verdade da ci\u00eancia, pois n\u00e3o se deixa medir, n\u00e3o possui um referente m\u00e9trico como o falo. O gozo feminino \u00e9 sempre traum\u00e1tico para o gozo f\u00e1lico, \u00e9 sempre segregado e vivido com estranhamento.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do significante responde a um binarismo de presen\u00e7a e aus\u00eancia, mas quando temos como referente o gozo, esse elemento heterog\u00eaneo, como localiza-lo? Miquel Bassols, em seu texto <em>O feminino entre centro e aus\u00eancia <\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> <em>\u00a0<\/em>nos diz que devemos passar da l\u00f3gica da borda como fronteira \u00e0 l\u00f3gica da borda como litoral, opera\u00e7\u00e3o que Lacan indicar\u00e1 sobretudo em seu texto <em>Lituraterra<\/em>.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Quando h\u00e1 fronteira entre dois pa\u00edses, isso sup\u00f5e uma reciprocidade, se podem estabelecer v\u00ednculos, representa\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas, como por exemplo consulados.<\/p>\n<p>O gozo feminino n\u00e3o sabe de fronteiras, ele segue a l\u00f3gica do objeto que \u00e9 heterog\u00eaneo ao significante, isso faz com que cada encontro entre esses elementos heterog\u00eaneos desenhe um litoral singular e ef\u00eamero, que deixa uma marca indel\u00e9vel no corpo. Podemos pensar que h\u00e1 v\u00e1rios litorais para o<em> falasser<\/em>? \u00c9 um tema que gostar\u00edamos de trabalhar.<em> Letter<\/em>, <em>litter<\/em>, <em>Litoralis<\/em>,<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> um caminho anal\u00edtico feito um por um?<\/p>\n<p>H\u00e1 um gozo sobre o qual n\u00e3o h\u00e1 um dizer, ele habita o Sujeito pelo fato de o feminino apontar para um furo no saber. Lacan prop\u00f5e a letra como uma tentativa de escrever a borda desse feminino. Seria essa, a possibilidade de se produzir, na presen\u00e7a do vazio que o feminino revela, a inscri\u00e7\u00e3o de uma marca, um tra\u00e7o, um litoral-letra entre saber e gozo?<\/p>\n<p>Como isso ressoa na forma\u00e7\u00e3o do analista? E como pensar essas quest\u00f5es em nossa cl\u00ednica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Comiss\u00e3o Cientifica da I Jornada EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Sul \u201cO feminino e os litorais do indiz\u00edvel\u201d: Cinthia Busato, Fl\u00e1via C\u00eara, Nancy Greca Carneiro, Nohem\u00ed Brown e Teresa Pavone.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> BASSOLS, M. <em>O feminino entre centro e aus\u00eancia<\/em> in Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie. Ano 8. N\u00famero 23, julho 2017.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. Lituraterra. <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p. 15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Jogo de palavras feito por Lacan em Lituraterra, ao introduzir o deslizamento de<em> Letter<\/em> (letra\/carta) para <em>Litter <\/em>(lixo) e fun\u00e7\u00e3o da <em>Letter<\/em> ao <em>Litoralis.<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Jornada da EBP &#8211; Se\u00e7\u00e3o Sul O feminino e os litorais do indiz\u00edvel Argumento[1] O feminino como o n\u00e3o sab\u00edvel \u00e9 o que se pode colocar como causa do indiz\u00edvel e tamb\u00e9m como causa do plural de litorais? 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