{"id":9432,"date":"2023-10-18T07:59:50","date_gmt":"2023-10-18T10:59:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=9432"},"modified":"2023-10-18T07:59:50","modified_gmt":"2023-10-18T10:59:50","slug":"macunaima-e-um-gaio-de-sarapantar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/macunaima-e-um-gaio-de-sarapantar\/","title":{"rendered":"Macuna\u00edma \u00e9 um gaio de sarapantar!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9433\" aria-describedby=\"caption-attachment-9433\" style=\"width: 497px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9433\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/gaio006-003_001.png\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/gaio006-003_001.png 497w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/gaio006-003_001-300x212.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9433\" class=\"wp-caption-text\">Obra de M\u00e1rio de Andrade foi adaptada para o cinema, em filme considerado por cr\u00edticos um dos cem melhores da filmografia nacional \u2014 Fonte: https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2018\/09\/15\/por-que-macunaima-lancado-ha-90-anos-e-muito-mais-do-que-um-livro-de-vestibular.ghtml<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Emelice Prado Bagnola<br \/>\nSilvana de Oliveira<br \/>\n<em>Participantes da Comiss\u00e3o de Livraria das XII Jornadas da EBP-SP<br \/>\n<\/em><em>Associadas ao <\/em><em>CLIN-a<\/em><\/h6>\n<p>\u201cAi! Que pregui\u00e7a!&#8230;\u201d. Macuna\u00edma nasce como um Tapanhumas, ind\u00edgena de pele escura, preto retinto e \u00e9 reticente para entrar na linguagem. Ler \u201cMacuna\u00edma\u201d nos faz rir de algo, de uma poesia incompreens\u00edvel algumas vezes. Do inesperado das solu\u00e7\u00f5es e sa\u00eddas desse her\u00f3i da l\u00edngua \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de algo novo para existir frente aos mist\u00e9rios, ao encontro com o homem m\u00e1quina e a m\u00e1quina homem. Ele nos atualiza algo que est\u00e1 e surpreende como diria o poeta:\u201d E aquilo que nesse momento se revelar\u00e1 aos povos. Surpreender\u00e1 a todos n\u00e3o por ser ex\u00f3tico. Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto. Quando ter\u00e1 sido o \u00f3bvio\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Seguindo o seu movimento, cena ap\u00f3s cena, como em um labirinto, sua metamorfose, sua polifonia, \u00e9 interessante o acento dado por Ver\u00f4nica Stigger: \u201cMacuna\u00edma n\u00e3o vale nada, mas acabamos nos apaixonando por ele. Ele nos diverte, porque nos faz rir. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 a\u00ed que entramos no segundo significado de divers\u00e3o. Macuna\u00edma nos diverte porque nos desencaminha. Divers\u00e3o segundo o grande dicion\u00e1rio \u201cHouaiss\u201d, mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 a\u00ed que o amor de transfer\u00eancia, com sua particularidade, pode entrar?<\/p>\n<p>M\u00e1rio de Andrade estava pesquisando a m\u00fasica popular, a cultura popular e as narrativas populares, quando encontrou um livro do etn\u00f3logo Koch Grunberg sobre a Amaz\u00f4nia. Escreve \u201cMacuna\u00edma\u201d em seis dias. Poder\u00edamos tomar a escrita deste livro como efeito de leitura? M\u00e1rio estava interessado em diminuir as diferen\u00e7as entre o erudito e o popular, \u201cvagamundando\u201d, experimentando a linguagem, inventando e despregando o texto das vias do sentido rom\u00e2ntico para privilegiar a cena.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, para as Jornadas do R.I.S.o, circunscrever algo entre a cena prim\u00e1ria e o chiste, colocando em perspectiva o tratamento do gozo, gerou movimento. Escutamos com Lacan: h\u00e1 sempre um resto, muiraquit\u00e3, a falta da falta, bem como as marcas no corpo das primeiras c\u00f3cegas. \u201cO inaudito \u00e9 que isso ganhou sentido e se deu arrumado de qualquer jeito\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Miller no curso \u201cLa fuga del sentido\u201d, afirma que o inconsciente est\u00e1 estruturado como uma linguagem, pois, em primeiro lugar, \u00e9 para dar prazer que falamos e sublinha que a investiga\u00e7\u00e3o de Freud sobre o chiste, uma das forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, consiste na diferen\u00e7a marcada por ele entre o chiste inocente, ou seja, puro jogo de significantes e o chiste chamado tendencioso. Ele destaca, do livro de Freud, o cap\u00edtulo sobre as inten\u00e7\u00f5es do chiste e deixa a quest\u00e3o: \u201cO que s\u00e3o essas inten\u00e7\u00f5es de que fala Freud?\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>O chiste tendencioso agrega uma puls\u00e3o. \u00c9 um chiste que est\u00e1 a servi\u00e7o das puls\u00f5es. Portanto, h\u00e1 um buraco entre puls\u00e3o cifrada e n\u00e3o decifrada, por onde um vento pode passar tamb\u00e9m atrav\u00e9s do riso. Consentimento com o mal-entendido e com o corte no sentido fixado. Est\u00e1 aqui um ponto chave \u2013 poder\u00edamos formular desta maneira \u2013 dos usos do riso, que aponta n\u00e3o mais para o sentido e sim para o sentimento de vida do sujeito.<\/p>\n<p>Introduzimos zonas do riso para destacar uma opera\u00e7\u00e3o de borda, que ressoa para n\u00f3s, atrav\u00e9s da pergunta de R\u00f4mulo Ferreira da Silva que est\u00e1 no argumento: \u201cUm tratamento anal\u00edtico conduz \u00e0 passagem da trag\u00e9dia \u00e0 com\u00e9dia? Como n\u00e3o dar risada ao retomar a hist\u00f3ria t\u00e3o sofrida depois que tudo se desfaz em um <em>bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1<\/em> sem sentido, de voltas e voltas ao redor de um tal de objeto?\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. Uma pergunta de pesquisa que aponta para o furo. Furo central no corpo, l\u00e1 onde os giros da demanda n\u00e3o foram capazes de envelopar a demanda no sintoma, como Miller apresenta na aula de 19\/ janeiro\/2011, em seu curso <em>O Ser e o Um<\/em>.<\/p>\n<p>Como um significante de chegada passa a um significante de entrada e, mais ainda, como aguardar que o sujeito sintomatize sua ang\u00fastia e, assim, possa levar um pouquinho mais longe o desejo de curar-se de uma l\u00edngua dizendo palavras?<\/p>\n<p>\u201cMacuna\u00edma\u201d revela que deixemos cair algo para fazermos do \u00f3bvio uma inven\u00e7\u00e3o subversiva em tempos de radicalidades e desumaniza\u00e7\u00f5es. Faremos com risos, risos estes que se valer\u00e3o do um a um, do inconsciente de cada um e do objeto que cada um puder extrair para que advenha algo inesperado! Que possamos consentir! Veremos, <em>a posteriori<\/em>, e por agora seremos uma tribo que se move para que n\u00e3o se deixe capturar pelas ordens do capital, mas deixemos uma nova inven\u00e7\u00e3o a partir do discurso que nos cabe.<\/p>\n<p>Macuna\u00edma \u00e9 Gaio!<\/p>\n<p>Pois bem, j\u00e1 \u00e9 outubro, nas Jornadas do R.I.S.o seremos e conversaremos a l\u00edngua Tupi Guarani de Macuna\u00edma, uma l\u00edngua chistosa e cairemos no riso do que emerge da fala e do trabalho de cada um? Nos surpreenderemos com algo que era um riso at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido em n\u00f3s?<\/p>\n<p>\u00c9 a nossa aposta!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> <em>Um \u00edndio<\/em>, m\u00fasica de Caetano Veloso, 1976.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> ANDRADE, M. <em>Macuna\u00edma: o her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter<\/em>. Jos\u00e9 Ol\u00edmpio: Rio de Janeiro, 2022. p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> LACAN, J. \u201cA Terceira\u201d. <em>In<\/em>: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise. <\/em>S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Eolia, n\u00ba 62, 2011, p. 14.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> MILLER, J.-A. <em>La fuga del sentido<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2012, p. 318.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> SILVA, R. F. \u201cArgumento\u201d. <em>In: Boletim GAIO<\/em>, n\u00ba 1, 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xii-jornadas-r-i-s-o\/xii-jornadas-r-i-s-o-argumento\/<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emelice Prado Bagnola Silvana de Oliveira Participantes da Comiss\u00e3o de Livraria das XII Jornadas da EBP-SP Associadas ao CLIN-a \u201cAi! Que pregui\u00e7a!&#8230;\u201d. 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