{"id":9109,"date":"2023-09-25T09:42:49","date_gmt":"2023-09-25T12:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=7399"},"modified":"2023-09-26T05:16:47","modified_gmt":"2023-09-26T08:16:47","slug":"viva-o-humor-porque-sem-humor-nao-haveria-humoristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/viva-o-humor-porque-sem-humor-nao-haveria-humoristas\/","title":{"rendered":"Viva o humor, porque, sem humor, n\u00e3o haveria humoristas!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9119\" aria-describedby=\"caption-attachment-9119\" style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9119 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bagio005_005-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"209\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bagio005_005-209x300.jpg 209w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bagio005_005-712x1024.jpg 712w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bagio005_005-768x1104.jpg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/bagio005_005.jpg 893w\" sizes=\"auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9119\" class=\"wp-caption-text\">Ubu roi (1935), Ren\u00e9 Auberjonois.<br \/>Fonte: https:\/\/www.mcba.ch\/collection\/ubu-roi\/<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>Perp\u00e9tua Medrado Gon\u00e7alves<br \/>\n<\/em><em>Priscila Tavares Viviani<br \/>\n<\/em><em>Participantes da Comiss\u00e3o de Livraria das XII Jornadas da EBP-SP<\/em><\/h6>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel pensar o lugar e a fun\u00e7\u00e3o dos dispositivos art\u00edsticos, como a charge e o teatro, sendo espa\u00e7os e acontecimentos de transmiss\u00e3o cr\u00edtica sobre a pol\u00edtica, onde h\u00e1 um ganho de prazer, pelo riso, pela zombaria, pelo belo, pelo fant\u00e1stico, objetos de amarra\u00e7\u00e3o entre um Simb\u00f3lico e Imagin\u00e1rio para se tocar um Real. Ser\u00e1 a\u00ed uma forma de fazer la\u00e7o frente a um mal-estar vivido um a um e compartilhado no coletivo, buscando um triunfo do Eu, quanto ao desprazer presente em determinados n\u00edveis da realidade?<\/p>\n<p>Em <em>Os chistes e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, Freud analisa os motivos dos chistes, a necessidade de o passarmos adiante de forma entusiasmada e, dessa forma, transformando-os em um processo social, \u201cum chiste, deve ser contado a algu\u00e9m mais\u201d. Para Lacan, no <em>Semin\u00e1rio 4<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>: \u201cFreud p\u00f5e em evid\u00eancia que o dito espirituoso comporta sempre a no\u00e7\u00e3o de uma terceira pessoa. Conta-se o chiste de algu\u00e9m diante de outro algu\u00e9m. Que haja ou n\u00e3o, realmente, tr\u00eas pessoas, essa ternariedade \u00e9 sempre necess\u00e1ria ao desencadeamento do riso pelo chiste, enquanto o c\u00f4mico se contenta com uma rela\u00e7\u00e3o dual. O c\u00f4mico pode ser deslanchado simplesmente entre duas pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Localizamos, em Freud, uma novidade quase 20 anos ap\u00f3s seu trabalho com os chistes. Ele quer descobrir a fonte do prazer que se obt\u00e9m do humor, e nos indica que h\u00e1 duas vertentes nos processos humor\u00edsticos. No texto: <em>O humor<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>, que \u00e9 realmente interessante em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que Freud tinha escrito em seu texto sobre os chistes, ele diz que as duas vertentes incluem o outro, tanto com participantes, quanto como ouvinte, podendo ent\u00e3o afirmar que h\u00e1 uma tentativa e uma expectativa de um la\u00e7o, de algo que retorne nisso que vai de quem assume a postura humor\u00edstica. O artista e humorista Greg\u00f3rio Duvivier<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, afirma que &#8220;a conex\u00e3o acontece quando duas pessoas riem ao mesmo tempo e da mesma coisa sem ter combinado&#8221;, quase como ressoando parte da constru\u00e7\u00e3o de Freud sobre o humor.<\/p>\n<p>A partir destas poss\u00edveis conex\u00f5es chistosas, observamos um modo de tratamento do gozo pol\u00edtico e do efeito ao n\u00edvel social das pol\u00edticas do amo. H\u00e1 um uso do riso em suas diferentes vertentes como mecanismos de nega\u00e7\u00e3o da realidade, de um triunfo do Eu frente \u00e0s circunst\u00e2ncias reais, como tamb\u00e9m sugeriu Freud<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Onde quem ri, mobiliza afetos e nega o car\u00e1ter dram\u00e1tico da situa\u00e7\u00e3o. Vemos, nas redes sociais, infinidades de chistes que levam a denunciar, ridicularizar as distintas conting\u00eancias que marcam a arena pol\u00edtica<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Um texto cl\u00e1ssico, atemporal da dramaturgia que faz uma cr\u00edtica \u00e1cida, grotesca sobre o poder que a pol\u00edtica oferece, \u00e9 o livro de Alfred Jarry: Ubu Rei.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Ubu sempre acompanhado de sua mulher, M\u00e3e Ubu, ambos grotescos. Numa Pol\u00f4nia imagin\u00e1ria, Ubu mata o rei, usurpa o poder e inflige aos inimigos todo tipo de tortura, com o aux\u00edlio de instrumentos malignos, como uma m\u00e1quina de desmiolar. Uma s\u00e1tira que, sobretudo, por meio da catarse do riso, pode nos ajudar a atravessar as estradas escuras nas quais nos embrenhamos no Brasil \u2013 que poderia ser a Pol\u00f4nia ou, melhor dizendo, lugar nenhum, como afirmou Jarry.<\/p>\n<p>No <em>Semin\u00e1rio 5<\/em> Lacan faz refer\u00eancia ao Pai Ubu dizendo &#8220;N\u00e3o haveria met\u00e1fora se n\u00e3o houvesse meton\u00edmia ocorreu-me como um eco \u2014 e n\u00e3o por acaso, de modo algum \u2014 da c\u00f4mica invoca\u00e7\u00e3o que Jarry p\u00f5e na boca do pai Ubu \u2014 Viva a Pol\u00f4nia, porque, sem a Pol\u00f4nia, n\u00e3o haveria poloneses. Isso est\u00e1 precisamente no cerne do nosso tema. \u00c9 uma tirada espirituosa, e, o que \u00e9 mais engra\u00e7ado, refere-se justamente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o meton\u00edmica. Pegar\u00edamos o bonde errado se acredit\u00e1ssemos haver a\u00ed um gracejo referente, por exemplo, ao papel que os poloneses podem haver desempenhado nos infort\u00fanios da Pol\u00f4nia, que s\u00e3o por demais conhecidos. A coisa \u00e9 igualmente engra\u00e7ada quando digo: Viva a Fran\u00e7a, meu senhor, pois sem a Fran\u00e7a n\u00e3o haveria franceses! E tamb\u00e9m se eu disser: Viva o cristianismo, porque, sem o cristianismo, n\u00e3o haveria crist\u00e3os! E ainda Viva Cristo! etc.\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Viva a psican\u00e1lise, porque, sem a psican\u00e1lise, n\u00e3o haveria psicanalistas!<\/p>\n<p>E Viva Lacan, porque sem Lacan, n\u00e3o haveria lacanianos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> FREUD, S. \u201cO chiste e sua rela\u00e7\u00e3o com o inconsciente\u201d. <em>In: Obras Completas volume 7<\/em>: Companhia das Letras, 2017.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 4<\/em>: <em>a rela\u00e7\u00e3o de objeto<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995, p.302,303.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FREUD, S. \u201cO humor\u201d. <em>In: Obras Completas<\/em>, volume 17. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras., 2014.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> DUVIVIER, G. Ag\u00eancia de not\u00edcias UNICEUB. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.uniceub.br\/cultura\/gregorio-duvivier-diz-que-humor-tem-revelado-verdades-no-brasil\/\">https:\/\/agenciadenoticias.uniceub.br\/cultura\/gregorio-duvivier-diz-que-humor-tem-revelado-verdades-no-brasil\/<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> FREUD, 2014.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> GOM\u00c9Z, M. La risa en los procesos de segregaci\u00f3n y los fanatismos. El humor vs. la burla. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/lacan21_maio_2018_esp.pdf\">https:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/lacan21_maio_2018_esp.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/osgeraldos.com.br\/ubu-rei\/#:~:text=%E2%80%9CUbu%20Rei%E2%80%9D%20%C3%A9%20um%20cl%C3%A1ssico,tortuosos%20podem%20tomar%20rumos%20incontorn%C3%A1veis\">https:\/\/osgeraldos.com.br\/ubu-rei\/#:~:text=%E2%80%9CUbu%20Rei%E2%80%9D%20%C3%A9%20um%20cl%C3%A1ssico,tortuosos%20podem%20tomar%20rumos%20incontorn%C3%A1veis<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> LACAN, J. O <em>Semin\u00e1rio, livro 5: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999, p.80.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perp\u00e9tua Medrado Gon\u00e7alves Priscila Tavares Viviani Participantes da Comiss\u00e3o de Livraria das XII Jornadas da EBP-SP \u00c9 poss\u00edvel pensar o lugar e a fun\u00e7\u00e3o dos dispositivos art\u00edsticos, como a charge e o teatro, sendo espa\u00e7os e acontecimentos de transmiss\u00e3o cr\u00edtica sobre a pol\u00edtica, onde h\u00e1 um ganho de prazer, pelo riso, pela zombaria, pelo belo,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-9109","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-gaio","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9109","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9109"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9176,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9109\/revisions\/9176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9109"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=9109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}