{"id":9108,"date":"2023-09-25T09:42:49","date_gmt":"2023-09-25T12:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=7396"},"modified":"2023-09-25T16:14:50","modified_gmt":"2023-09-25T19:14:50","slug":"o-que-faz-rir-na-comedia-dos-sexos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-que-faz-rir-na-comedia-dos-sexos\/","title":{"rendered":"O que faz rir na Com\u00e9dia dos Sexos ?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9118\" aria-describedby=\"caption-attachment-9118\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9118\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/gaio005_006.png\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"758\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/gaio005_006.png 567w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/gaio005_006-224x300.png 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9118\" class=\"wp-caption-text\">Double Portrait au verre de vin (1917), Marc Chagall.<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>Jos\u00e9 Wilson R. Braga J\u00fanior<br \/>\n<\/em><em>Associado \u00e0 CLIPP<br \/>\n<\/em><em>Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas das XII Jornadas da EBP-SP<\/em><\/h6>\n<blockquote>\n<h6>Mas, atendo-nos \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do falo, podemos apontar as estruturas a que ser\u00e3o submetidas as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos. Digamos que essas rela\u00e7\u00f5es girar\u00e3o em tomo de um ser e de um ter que, por se reportarem a um significante, o falo, t\u00eam o efeito contr\u00e1rio de, por um lado, dar realidade ao sujeito nesse significante e, por outro, irrealizar as rela\u00e7\u00f5es a serem significadas. E isso pela interven\u00e7\u00e3o de um parecer que substitui o ter, para, de um lado, proteg\u00ea-lo e, de outro, mascarar sua falta no outro, e que tem como efeito projetar inteiramente as manifesta\u00e7\u00f5es ideais ou t\u00edpicas do comportamento de cada um dos sexos, at\u00e9 o limite do ato da copula\u00e7\u00e3o, na com\u00e9dia.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/h6>\n<\/blockquote>\n<p>No teatro grego da antiguidade, a com\u00e9dia nasce de um princ\u00edpio de contradi\u00e7\u00e3o entre o real e o semblante e suas personagens s\u00e3o extra\u00eddas da vida comum \u2013 \u201co riso prov\u00e9m de um acontecimento triste ou desagrad\u00e1vel. Seu papel \u00e9 desdramatizar [&#8230;], girar sempre em torno de um aspecto rid\u00edculo dos seres e das coisas\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Na psican\u00e1lise, a com\u00e9dia est\u00e1 sempre articulada \u00e0 l\u00f3gica f\u00e1lica. Pela via da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica encontramos a dimens\u00e3o c\u00f4mica nas diversas situa\u00e7\u00f5es da vida cotidiana dos parceiros em que se manifesta algo que n\u00e3o anda ou que escapa. \u201cA dimens\u00e3o c\u00f4mica \u00e9 criada pela presen\u00e7a, em seu centro, de um significante escondido, mas que, na antiga com\u00e9dia, l\u00e1 est\u00e1 em pessoa \u2013 o falo.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A com\u00e9dia dos sexos est\u00e1 na experi\u00eancia amorosa entre os homens e as mulheres que, na maioria dos casos \u00e9 desastrosa, cheia de desencontros e fonte de sofrimento para o sujeito<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Miller destaca que a com\u00e9dia dos sexos obedece \u00e0 diferen\u00e7a que h\u00e1 entre o <em>ser<\/em> e o <em>ter<\/em> \u2013 a mulher do lado do ser e o homem do lado do ter, no momento em que o sujeito estabelece a diferen\u00e7a sexual. A quest\u00e3o \u00e9 que s\u00f3 existe um significante, no inconsciente, para apontar tal diferen\u00e7a: o falo. Ter ou n\u00e3o-ter o falo depender\u00e1 de como o sujeito subjetiva seu sexo, ou seja, que significa\u00e7\u00e3o \u00e9 dada ao p\u00eanis para que se torne o falo \u2013 a partir desse momento o falo \u00e9 um significante. Esse fato traz aspectos subjetivos e consequ\u00eancias importantes na com\u00e9dia dos sexos: essa diferen\u00e7a radical entre o <em>ser<\/em> e o <em>ter<\/em> faz com que homens e mulheres n\u00e3o coincidam em sua posi\u00e7\u00e3o subjetiva e sejam diferentes \u2013 faz-se necess\u00e1rio fazer intervir o <em>parecer<\/em>, isto \u00e9, o semblante. Os semblantes s\u00e3o o que torna poss\u00edveis os la\u00e7os e parcerias, mas eles n\u00e3o fazem a rela\u00e7\u00e3o sexual se escrever. <em>N\u00e3o h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o sexual<\/em>, ela existe apenas como semblante. O real continua <em>ex-sistindo<\/em> e insistindo, o que faz dos semblantes solu\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u201c<em>O que faz rir na com\u00e9dia dos sexos \u00e9 o bal\u00e9 dos amantes que, fora da cena amorosa, parece falso. Mas, dentro da cena, e enquanto o amor dura, \u00e9 o que pode haver de mais verdadeiro<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. O prazer que h\u00e1 no c\u00f4mico pelo riso \u00e9 provocado pelo desvelamento do falo. Por\u00e9m, o que h\u00e1 por tr\u00e1s do v\u00e9u? <em>o nada<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. \u201cA significa\u00e7\u00e3o do falo\u201d. <em>In: Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p. 701.<\/strong><\/h6>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> BRODSKY, G. \u201cUm homem, uma mulher e a psican\u00e1lise\u201d. <em>In: Revista Latusa<\/em>, n\u00b0 13, 2008, p. 153-171.<\/strong><\/h6>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. <em>Semin\u00e1rio, livro 7<\/em>: <em>a \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p.367.<\/strong><\/h6>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> MILLER, J-A<em>. De la naturaleza de los semblantes<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2002, p. 151- 160.<\/strong><\/h6>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> CALDAS, H. \u201cO amor nosso de cada dia\u201d. <em>In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana online, <\/em>n 16, 2008. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/HECOamor.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/HECOamor.pdf<\/a><\/strong><\/h6>\n<h6><strong><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> LACAN, J. <em>Semin\u00e1rio, livro 4<\/em>: <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.<\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Wilson R. Braga J\u00fanior Associado \u00e0 CLIPP Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas das XII Jornadas da EBP-SP Mas, atendo-nos \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do falo, podemos apontar as estruturas a que ser\u00e3o submetidas as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos. 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