{"id":790,"date":"2016-07-28T22:08:43","date_gmt":"2016-07-28T22:08:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=790"},"modified":"2016-07-28T22:08:43","modified_gmt":"2016-07-28T22:08:43","slug":"a-joia-do-mundo-e-um-pedaco-opaco-de-coisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-joia-do-mundo-e-um-pedaco-opaco-de-coisa\/","title":{"rendered":"\u201cA joia do mundo \u00e9 um peda\u00e7o opaco de coisa&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<h5 class=\"p1\"><span style=\"color: #993300;\">Resenha dos artigos:<\/span><\/h5>\n<h5 class=\"p3\"><span style=\"color: #993300;\">Forbes, J. (jan., 2012). Entrevista no\u00a0<i>CIEN-digital<\/i>, (11). Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a style=\"color: #993300;\" href=\"http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/pdf\/CIEN-Digital11.pdf\">www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/pdf\/CIEN-Digital11.pdf<\/a><\/span><\/h5>\n<h5 class=\"p5\"><span style=\"color: #993300;\">Forbes, J. (25\/09\/11). \u201c\u00d3rf\u00e3os do explic\u00e1vel\u201d. In:\u00a0O ESTADO DE S\u00c3O PAULO &#8211; Caderno\u00a0<i>Ali\u00e1s<\/i>. Tamb\u00e9m dispon\u00edvel em CIEN digital:<a style=\"color: #993300;\" href=\"http:\/\/alias.estadao.com.br\/noticias\/geral,orfaos-do-explicavel-aprendemos-que-tudo-tem-razao-de-ser-e-ai-vem-a-tragedia-do-menino-de-10-anos-que-se-matou-luto-e-perplexidade-imp-,777227\">http:\/\/alias.estadao.com.br\/noticias\/geral,orfaos-do-explicavel-aprendemos-que-tudo-tem-razao-de-ser-e-ai-vem-a-tragedia-do-menino-de-10-anos-que-se-matou-luto-e-perplexidade-imp-,777227<\/a><\/span><\/h5>\n<h5 class=\"p3\"><span style=\"color: #993300;\">Forbes, J. [agosto, 2016]. \u201cGirass\u00f3is \u2013 clinicando as psicoses. <i>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/i>, (73), no prelo.<\/span><\/h5>\n<p class=\"p3\">\n<blockquote>\n<p class=\"p6\"><b>Um novo tratamento do real<\/b><\/p>\n<p class=\"p8\">\u201cO \u201ct\u00e1 ligado\u201d, dessa mo\u00e7ada,<\/p>\n<p class=\"p8\">a meu ver, n\u00e3o deve<\/p>\n<p class=\"p8\">ser visto como uma tolice, como falta de vocabul\u00e1rio ou sinal de<\/p>\n<p class=\"p8\">superficialidade. Entendo que revela um aspecto fundamental do<\/p>\n<p class=\"p8\">tratamento do imposs\u00edvel no la\u00e7o social, n\u00e3o mais pela rolha da<\/p>\n<p class=\"p8\">compreens\u00e3o m\u00fatua, que tapava o buraco do imposs\u00edvel de tudo<\/p>\n<p class=\"p8\">saber, mas que, assumindo esse imposs\u00edvel, reconhece que o que<\/p>\n<p class=\"p8\">nos resta \u00e9 perguntar: -\u201cE a\u00ed, isso que me tocou, te toca de alguma<\/p>\n<p class=\"p9\">maneira?\u201d T\u00e1 ligado?\u201d<\/p>\n<h5 class=\"p9\"><i>Jorge Forbes<\/i> (<i>CIEN<\/i> digital n\u00b0 11)<\/h5>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p9\">\n<p class=\"p6\">A ideia de comentar aqui tr\u00eas textos do mesmo autor orienta-se por um ponto que me interessava rastrear, evidentemente, por sua profunda liga\u00e7\u00e3o com o tema de nossas Jornadas, bem como um dos elementos que utilizamos na composi\u00e7\u00e3o de nossos boletins: a terminologia espec\u00edfica adotada pelos jovens na atualidade. Nos tr\u00eas textos acima mencionados, Forbes toca esse ponto, que tem sido discutido por ele h\u00e1 alguns anos, acerca do momento atual, em que a cultura n\u00e3o \u00e9 mais regida por um referente un\u00edvoco; n\u00e3o estamos mais sob a \u00e9gide do Nome do Pai como interpretante universal, e sim uma multiplicidade de particulares que se entrecruzam de modo errante. \u00c9 o que ele identifica como fen\u00f4meno dominante na \u00e9poca em que vivemos: \u201ca modernidade nos fez \u00f3rf\u00e3os do Iluminismo\u201d. A que se refere esta afirma\u00e7\u00e3o? \u00c0 aus\u00eancia de garantias fornecidas por padr\u00f5es de normalidade outrora vigentes, deixando-nos \u201cignorantes de nossa condi\u00e7\u00e3o humana\u201d, \u201cdesbussolados\u201d, ineptos&#8230; A rea\u00e7\u00e3o defensiva mais \u00f3bvia \u00e9 a tentativa de restabelecer a ordem, lan\u00e7ando m\u00e3o de argumentos morais de que at\u00e9 mesmo alguns psicanalistas podem se servir sem perceber a fal\u00e1cia de sua empreitada (certa visada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 queda dos valores, dos ideais, dos limites, &#8230; como se coubesse \u00e0 psican\u00e1lise a nostalgia de um passado perdido&#8230;).<\/p>\n<p class=\"p6\">\u00c9 tamb\u00e9m assim que Forbes l\u00ea o \u201ctodos deliram\u201d: \u201cvivemos o tempo, n\u00e3o do di\u00e1logo, mas dos mon\u00f3logos articulados\u201d. Ou seja, se n\u00e3o h\u00e1 padr\u00f5es referenciais, se n\u00e3o h\u00e1 significados comuns, se n\u00e3o h\u00e1 caminhos pr\u00e9-estabelecidos, h\u00e1 que se inventar&#8230; para cada um! (\u201cCada um com seu cada um\u201d, como diz o sambista&#8230;)<\/p>\n<p class=\"p6\">Mas, se o engodo da comunica\u00e7\u00e3o universal j\u00e1 n\u00e3o cola, o que nos resta? Estar\u00edamos condenados ao isolamento, cada um no autismo de seu gozo? Decerto que n\u00e3o! \u00c9 a\u00ed que entra a possibilidade de inventar. A isto Forbes d\u00e1 o nome de responsabilidade: que cada um possa se haver com seu modo particular de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p6\">Miller, ao lan\u00e7ar o debate sobre a desordem do real no s\u00e9culo XXI, afirma que o que era o Nome-do-pai como pedra angular do ensino de Lacan, em determinado momento foi \u201crebaixado a apenas um sinthoma\u201d, ou seja, uma solu\u00e7\u00e3o entre outras, diferentes formas de produzir uma supl\u00eancia ao furo no saber decorrente da constata\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual (da imposs\u00edvel equival\u00eancia entre os sexos que uma predetermina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica conferiria). Se, conforme ele diz ainda, essa mudan\u00e7a identificada por Lacan nos anos 70 \u201cpassou \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o, e o que antes se restringia \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es lacanianas tornou-se uma das formas de lidar com o mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o\u201d, por que a psican\u00e1lise deveria se colocar na contram\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"p3\">E \u00e9 justamente isto que, de certo modo, Forbes prop\u00f5e ao evocar o \u201cT\u00e1 ligado?\u201d dessa \u201cgera\u00e7\u00e3o mutante\u201d, como ele diz. N\u00e3o se trata a\u00ed de mera fun\u00e7\u00e3o f\u00e1tica, pondera. N\u00e3o visa a testar o canal de comunica\u00e7\u00e3o. A grande \u2018saca\u00e7\u00e3o\u2019 que ele identifica nessa nova terminologia \u00e9 condizente com o que Lacan passou a propor nos anos 70. Se notarmos, por exemplo, o que Lacan denomina <i>savoir-y-faire<\/i> no <i>Semin\u00e1rio 24<\/i>, veremos que h\u00e1 algo de semelhante ali. Nesse <i>Semin\u00e1rio<\/i> Lacan prop\u00f5e um saber que est\u00e1 fora da rela\u00e7\u00e3o S<sub>1<\/sub>-S<sub>2<\/sub>, e que se caracteriza por um <i>savoir-y-faire<\/i>, como no exemplo que d\u00e1 de sua irm\u00e3 pequena, que dizia: \u201c<i>Man\u00e8ne sait<\/i>\u201d e que, afirma Lacan, com isso, &#8220;vai \u00e0 morra&#8221;, ou \u201cse toma como portadora de saber\u201d (15\/2\/77). Ele nos mostra que este \u00e9 o estatuto do inconsciente real, como furo, lapso, equ\u00edvoco, parasita linguageiro que est\u00e1 fora do sentido, a tal ponto que se apresenta em terceira pessoa (\u2018ela sabe\u2019). A refer\u00eancia ao jogo \u201cMorra\u201d (semelhante \u00e0 nossa \u201cpurrinha\u201d, mas sem os palitos), um jogo de adivinha\u00e7\u00e3o, vem bem a calhar, pois se trata de acertar o que n\u00e3o se sabe, al\u00e9m do fato de ser um jogo que precisa (como o amor) de pelo menos duas pessoas para acontecer&#8230;<\/p>\n<p class=\"p3\">E o que isto tem a ver com o \u201cT\u00e1 ligado?\u201d ? A meu ver a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente. Vejamos.<\/p>\n<p class=\"p3\">Ao propor uma passagem, na psican\u00e1lise, de um \u201cFreud explica\u201d (evocando a revela\u00e7\u00e3o de um saber oculto) para um \u201cFreud implica\u201d (que ele denomina \u201cum novo ressoar\u201d movido pela \u00e9tica da psican\u00e1lise como instrumento de leitura e cl\u00ednica desse novo tempo), Forbes coloca o acento na constata\u00e7\u00e3o do \u201cH\u00e1 Um\u201d decorrente da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, da inexist\u00eancia de um interpretante universal&#8230; e nos diz que isto n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo.<\/p>\n<p class=\"p6\">Qual o estatuto desse \u2018novo ressoar\u2019 que ele identifica nessa express\u00e3o de nossos jovens? A constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 preciso que as pessoas compartilhem os mesmos significados para que possam estar juntas. Detectar esse novo ressoar exige do analista, \u00e9 claro, a posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica de \u201cn\u00e3o se deixar levar por solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis (e velhas)\u201d e n\u00e3o ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se entregar a \u201ccausalidades for\u00e7adas\u201d, resistir \u00e0 \u201ctentativa desesperada, defensiva, de restabelecer um nexo causal\u201d. Assim como no exemplo de Madeleine, o \u00eaxito vem de acertar o que n\u00e3o se sabe, mas se toma por sabido. A ideia de vibrar no mesmo tom, ressoar, mesmo que n\u00e3o se saiba o significado do que se diz, \u00e9 a possibilidade de um encontro, uma conex\u00e3o, que n\u00e3o passa pela via do entendimento, da concord\u00e2ncia mental. E este foi um dos motivos pelos quais adotamos algumas g\u00edrias dos jovens atuais como t\u00edtulo de nosso Boletim e de suas se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"p6\">O mundo independia de mim \u2013 esta era a confian\u00e7a a que eu tinha chegado: o mundo independia de mim, e n\u00e3o estou entendendo o que estou dizendo, nunca! Nunca mais compreenderei o que eu disser. Pois como poderia eu dizer sem que a palavra mentisse por mim? Como poderei dizer sen\u00e3o timidamente assim: a vida se me \u00e9.\u00a0 Vida se me \u00e9, e eu n\u00e3o entendo o que digo. E ent\u00e3o adoro.<\/p>\n<p class=\"p6\">\n<h5 class=\"p6\"><strong><i>Teresinha N. Meirelles do Prado<\/i> (coordenadora da comiss\u00e3o de boletins)\u00a0<\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resenha dos artigos: Forbes, J. (jan., 2012). Entrevista no\u00a0CIEN-digital, (11). Dispon\u00edvel em:\u00a0 www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/pdf\/CIEN-Digital11.pdf Forbes, J. (25\/09\/11). \u201c\u00d3rf\u00e3os do explic\u00e1vel\u201d. In:\u00a0O ESTADO DE S\u00c3O PAULO &#8211; Caderno\u00a0Ali\u00e1s. Tamb\u00e9m dispon\u00edvel em CIEN digital:http:\/\/alias.estadao.com.br\/noticias\/geral,orfaos-do-explicavel-aprendemos-que-tudo-tem-razao-de-ser-e-ai-vem-a-tragedia-do-menino-de-10-anos-que-se-matou-luto-e-perplexidade-imp-,777227 Forbes, J. [agosto, 2016]. \u201cGirass\u00f3is \u2013 clinicando as psicoses. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, (73), no prelo. 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