{"id":788,"date":"2016-07-28T22:07:28","date_gmt":"2016-07-28T22:07:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=788"},"modified":"2016-07-28T22:07:28","modified_gmt":"2016-07-28T22:07:28","slug":"vamos-la-criancas-n-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/vamos-la-criancas-n-3\/","title":{"rendered":"Vamos l\u00e1, crian\u00e7as! N\u00b0 3"},"content":{"rendered":"<h5><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"color: #993300;\"><em>Daniel Roy<\/em><\/span><\/h5>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 consert\u00e1vel\u201d<\/span><\/h3>\n<p>Desde o primeiro encontro, Max, 4 anos, se apodera de um boneco e dos instrumentos de uma maleta m\u00e9dica, encontrados no arm\u00e1rio. Ele coloca em cena e em ato a sua situa\u00e7\u00e3o na minha presen\u00e7a, onde ele \u00e9 ao mesmo tempo o boneco e o m\u00e9dico-carrasco da crian\u00e7a. Ele o submete a todos os desmembramentos e sev\u00edcias poss\u00edveis. Nenhuma interven\u00e7\u00e3o interrompe esse processo. No dia em que tive a ideia de fazer a observa\u00e7\u00e3o de que isso poderia, talvez, ser consertado, ele retrucou: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 consert\u00e1vel\u201d. A perspectiva de uma repara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel n\u00e3o \u00e9 a de Max. Eu lhe disse: \u201cDesculpa, eu n\u00e3o tinha entendido que isto n\u00e3o era consert\u00e1vel\u201d. Max tem raz\u00e3o, h\u00e1 coisas que n\u00e3o se consertam, e isto se inscreve em sua hist\u00f3ria. Mas o fato de ter se certificado de que algo n\u00e3o se conserta, apazigua Max.<\/p>\n<p>Max adquiriu o h\u00e1bito de abrir o arm\u00e1rio no in\u00edcio da sess\u00e3o, esvazi\u00e1-lo de todos os objetos que cont\u00e9m e atir\u00e1-los ao ch\u00e3o. Eu n\u00e3o me ocupo disso e n\u00e3o lhe pergunto nada. Max procura assim um lugar para se alojar: ele vai de fato experimentar todas as prateleiras que esvaziou para encontrar a que melhor lhe conv\u00e9m. E ent\u00e3o ele fecha a porta e, \u201cno pa\u00eds do arm\u00e1rio\u201d, pode me chamar, pedir socorro, ou me contar o que encontrou.<\/p>\n<p>O que Max nos ensina? Para ele, toda demanda \u00e9 amea\u00e7a e ele responde por uma a\u00e7\u00e3o que faz uso das armas do outro. O dispositivo do tratamento isola a estrutura dos acontecimentos que agem sobre seu corpo, do modo como seus professores testemunham: se voc\u00ea fala alto, ele grita; se voc\u00ea fala muito, ele morde; se voc\u00ea quer juntar as crian\u00e7as, ele as empurra para ganhar um lugar. Max nos lembra que para o pequeno homem, o significante n\u00e3o \u00e9 sempre unificante: ele n\u00e3o identifica, ele despeda\u00e7a; que o significante n\u00e3o \u00e9 sempre acolhedor: ele n\u00e3o aloja, mas rejeita.<\/p>\n<p>Alguns seres falantes, no tempo da inf\u00e2ncia, s\u00e3o confrontados, sem muita media\u00e7\u00e3o, com esse \u00a0choque do \u201cque n\u00e3o \u00e9 consert\u00e1vel\u201d. Para todos, sinais dos mais discretos indicam a presen\u00e7a daquilo que n\u00e3o se conserta, recoberta pelas identifica\u00e7\u00f5es ideais e as negocia\u00e7\u00f5es com seus parceiros. N\u00f3s ganhar\u00edamos ao localizar, ao distinguir e nomear, sem ang\u00fastia, com as crian\u00e7as que encontramos, aquilo que para cada um deles \u201cn\u00e3o \u00e9 consert\u00e1vel\u201d. Isso faria obra de civiliza\u00e7\u00e3o. Obrigado, Max.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: <em>Fernanda Turbat<\/em> (comiss\u00e3o de boletins)<\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Daniel Roy \u201cN\u00e3o \u00e9 consert\u00e1vel\u201d Desde o primeiro encontro, Max, 4 anos, se apodera de um boneco e dos instrumentos de uma maleta m\u00e9dica, encontrados no arm\u00e1rio. Ele coloca em cena e em ato a sua situa\u00e7\u00e3o na minha presen\u00e7a, onde ele \u00e9 ao mesmo tempo o boneco e o m\u00e9dico-carrasco da crian\u00e7a. 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