{"id":781,"date":"2016-07-28T22:04:49","date_gmt":"2016-07-28T22:04:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=781"},"modified":"2016-07-28T22:04:49","modified_gmt":"2016-07-28T22:04:49","slug":"resenha-miller-j-a-2015-a-crianca-entre-a-mulher-e-a-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/resenha-miller-j-a-2015-a-crianca-entre-a-mulher-e-a-mae\/","title":{"rendered":"Resenha: Miller, J.-A. (2015). \u201cA crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e\u201d"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #993300;\"><em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em> nova s\u00e9rie Ano 5 n\u00ba 15 novembro 2014. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #993300;\" href=\"http:\/\/opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero15\/index.html\">http:\/\/opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero15\/index.html<\/a><\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e<\/em> \u00e9 o t\u00edtulo de um Col\u00f3quio, em 1996, em Lausanne, organizado pelo Grupo de Estudos de Genebra, em que Jacques-Alain Miller fez esta interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Miller desenvolver\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos pais, tomando como refer\u00eancia o <em>Semin\u00e1rio 4<\/em>, <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto<\/em>, onde Jacques Lacan demonstra que o objeto s\u00f3 encontra seu justo lugar na psican\u00e1lise ao dispor-se \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de castra\u00e7\u00e3o. Esta demonstra\u00e7\u00e3o compreende tr\u00eas tempos e desdobra-se em tr\u00eas escans\u00f5es que s\u00e3o desenvolvidas atrav\u00e9s de casos e artigos de Freud.<\/p>\n<p>Primeiramente, Lacan se vale dos artigos <em>A organiza\u00e7\u00e3o genital infantil <\/em>e <em>Psicog\u00eanese de um caso de homossexualidade feminina<\/em>, o caso da jovem homossexual, para apresentar como \u201cas consequ\u00eancias do inc\u00f4modo da decep\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 falta do dom paterno no objeto crian\u00e7a, como substituto da falta f\u00e1lica, podem at\u00e9 levar o sujeito a fazer da mulher o objeto eletivo de um amor com o qual censura o pai\u201d.<\/p>\n<p>Em segundo, toma <em>Tr\u00eas ensaios sobre a sexualidade <\/em>e <em>O fetichismo <\/em>para tratar da rela\u00e7\u00e3o de objeto na \u201cpervers\u00e3o masculina, na qual o objeto fetiche \u00e9 apresentado debatendo-se sobre a tela que vela o falo que falta \u00e0 mulher\u201d.<\/p>\n<p>No terceiro tempo, com <em>An\u00e1lise de uma fobia em um menino de cinco anos<\/em>, o pequeno Hans, Lacan ilustra como \u201cconvergem os dois primeiros: a substitui\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ao falo, evidenciada na psicog\u00eanese freudiana da homossexualidade feminina, e a identifica\u00e7\u00e3o do menino ao objeto imagin\u00e1rio do desejo feminino\u201d.<\/p>\n<p>Miller precisa que a li\u00e7\u00e3o do <em>Semin\u00e1rio<\/em> \u00e9 que, na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/crian\u00e7a, a fun\u00e7\u00e3o do pai sobre o desejo da m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 suficiente para permitir ao sujeito um acesso normativo \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o sexual. \u201c\u00c9 preciso, ainda, que a crian\u00e7a n\u00e3o sature, para a m\u00e3e, a falta em que se apoia o seu desejo (&#8230;), que o objeto crian\u00e7a n\u00e3o deve ser tudo para o sujeito materno, mas que o desejo da m\u00e3e deve se dirigir para um homem e ser atra\u00eddo por ele\u201d.<\/p>\n<p>Por um lado, a crian\u00e7a possui o valor de substituto f\u00e1lico e, por outro, divide, no sujeito feminino, a m\u00e3e e a mulher. \u201cSe o objeto crian\u00e7a n\u00e3o divide, ou ele sucumbe como dejeto do par genitor, ou, ent\u00e3o, entra com a m\u00e3e numa rela\u00e7\u00e3o dual&#8230; H\u00e1, assim, uma divis\u00e3o bastante simples: a crian\u00e7a preenche ou a crian\u00e7a divide\u201d.<\/p>\n<p>A partir desta divis\u00e3o, Miller organiza quais s\u00e3o os consequentes desdobramentos e as interven\u00e7\u00f5es do analista. No par pai\/m\u00e3e, o sintoma j\u00e1 est\u00e1 articulado \u00e0 met\u00e1fora paterna, \u201cportanto plenamente envolvido nas substitui\u00e7\u00f5es e as interven\u00e7\u00f5es do analista podem prolongar o circuito e fazer com que essas substitui\u00e7\u00f5es prossigam\u201d. J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/crian\u00e7a, \u201co sintoma \u00e9 bem mais simples se ele diz respeito, essencialmente, \u00e0 fantasia da m\u00e3e; mas, nesse caso, ele tamb\u00e9m \u00e9 maci\u00e7o e, no limite, apresenta-se como um real indiferente ao esfor\u00e7o para mobiliz\u00e1-lo pelo simb\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p>Miller apresenta uma s\u00e9rie de exemplos de sintomas da crian\u00e7a e seus efeitos de maior ang\u00fastia na m\u00e3e quanto mais ela preenche o seu desejo e destaca que, se Lacan situou a posi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao falo, transcrevendo a equival\u00eancia freudiana da crian\u00e7a e do falo em termos de met\u00e1fora: \u201c\u00e9 preciso dizer que a met\u00e1fora infantil do falo s\u00f3 \u00e9 bem sucedida ao falhar\u201d. Somente assim o sujeito n\u00e3o fica fixado \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, possibilitando o acesso \u00e0 significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica, \u00e0 castra\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e preservando o n\u00e3o-todo do desejo feminino. \u201cO Nome-do-Pai e o respeito pelo Nome-do-Pai n\u00e3o bastam; \u00e9 preciso, ainda, que seja resguardado o n\u00e3o-todo do desejo feminino e que, portanto, a met\u00e1fora infantil n\u00e3o recalque, na m\u00e3e, seu ser mulher\u201d.<\/p>\n<p>Acrescenta que, se na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/crian\u00e7a deve ser preservado o ser mulher para o sujeito feminino, esta rela\u00e7\u00e3o para o sujeito masculino tamb\u00e9m \u201c\u00e9 motivo de ang\u00fastia para o pai, desta vez, segundo a outra f\u00f3rmula da ang\u00fastia, que relaciona o inc\u00f4modo da ang\u00fastia \u00e0 emerg\u00eancia do desejo do Outro como enigma do ser&#8230; \u00e9 o nascimento da crian\u00e7a que provoca o retorno de ang\u00fastia sobre o pai: \u2018Que quer ela ent\u00e3o? Quem sou eu, pois, para ela?\u2019. Um homem, eu diria, s\u00f3 se torna pai se aceitar o n\u00e3o-todo que constitui a estrutura do desejo feminino\u201d.<\/p>\n<p>Se o homem n\u00e3o puder admitir o particular do desejo no outro sexo, exercer\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o paterna de forma pat\u00f3gena, identificando-se \u201cao Nome-do-Pai como universal do pai, para tentar constituir-se o vetor de um desejo an\u00f4nimo, para encarnar o absoluto e o abstrato da ordem\u201d. Desta forma, em vez de mediar o Nome-do-Pai e o particular do desejo da m\u00e3e, \u201cpressiona essa crian\u00e7a, cada vez mais, a encontrar ref\u00fagio na fantasia materna, a fantasia de uma m\u00e3e negada como mulher\u201d.<\/p>\n<p>Miller conclui com Lacan, que \u201cdizia que \u00e9 preciso que o pai humanize o desejo&#8230;, que o desejo n\u00e3o seja an\u00f4nimo, nem universal, nem puro&#8230;que \u00e9 bom que o desejo seja dividido, que o objeto n\u00e3o seja \u00fanico\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><em>Maria Helena Barbosa <\/em>(para a comiss\u00e3o de biblioteca)<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie Ano 5 n\u00ba 15 novembro 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero15\/index.html &nbsp; A crian\u00e7a entre a mulher e a m\u00e3e \u00e9 o t\u00edtulo de um Col\u00f3quio, em 1996, em Lausanne, organizado pelo Grupo de Estudos de Genebra, em que Jacques-Alain Miller fez esta interven\u00e7\u00e3o. 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