{"id":777,"date":"2016-07-28T22:03:33","date_gmt":"2016-07-28T22:03:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=777"},"modified":"2016-07-28T22:03:33","modified_gmt":"2016-07-28T22:03:33","slug":"modificacoes-no-vivo-do-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/modificacoes-no-vivo-do-corpo\/","title":{"rendered":"Modifica\u00e7\u00f5es no vivo do corpo*"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #993300;\">Luiz Fernando Carrijo da Cunha<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fui convidado a falar sobre as \u201cmodifica\u00e7\u00f5es no vivo do corpo que se goza\u201d. Escolhi seguir um caminho um pouco arrojado, mas \u00e9 dif\u00edcil, pois a gente pega a coisa de um lado e ela escapa de outro.<\/p>\n<p>\u00c9 um tema bastante complexo, a meu ver, e vou tomar como orientador o texto de Jacques-Alain Miller que foi publicado na <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> n\u00b0 72. O t\u00edtulo do texto \u00e9 \u201cEm Dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Adolesc\u00eancia\u201d; o encerramento das Jornadas Cl\u00ednicas no Instituto da Crian\u00e7a, em Paris, onde ele prop\u00f5e como pr\u00f3ximo tema a adolesc\u00eancia. Esse texto est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no site do XXI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, juntamente com outros: encontrobrasileiro2016.org. Convido-os a ir ver, j\u00e1 fazendo uma propaganda. O tema do XXI EBCF \u00e9 &#8220;adolesc\u00eancia, a idade do desejo&#8221;.<\/p>\n<p>Miller inicia essa fala colocando em quest\u00e3o o pr\u00f3prio conceito de adolesc\u00eancia e diz que a adolesc\u00eancia \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o. Uma constru\u00e7\u00e3o que obedece, evidentemente, a determinados conceitos psicol\u00f3gicos, sociol\u00f3gicos etc. Ent\u00e3o ele se pergunta o que, para a psican\u00e1lise, \u00e9 a adolesc\u00eancia. E sublinha tr\u00eas aspectos que a gente deve levar em conta.<\/p>\n<p>O primeiro dos aspectos \u00e9 a sa\u00edda da inf\u00e2ncia, marcada pela emerg\u00eancia da puberdade. Puberdade conhecida biologicamente como as modifica\u00e7\u00f5es do corpo da crian\u00e7a, em dire\u00e7\u00e3o ao corpo adulto. Ou seja, o aparecimento dos caracteres sexuais secund\u00e1rios, pela emerg\u00eancia dos horm\u00f4nios na menina e no menino. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma transforma\u00e7\u00e3o corporal que ocorre na puberdade, do ponto de vista da biologia, com efeitos psicol\u00f3gicos, diz ele; com algumas consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas. Ele n\u00e3o fala consequ\u00eancias &#8220;psicanal\u00edticas&#8221;. Curioso&#8230; Ele usa, aqui, o termo da psicologia.<\/p>\n<p>E faz refer\u00eancia ao texto de Freud, o terceiro dos <em>Tr\u00eas Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade<\/em> [1908], intitulado \u201cAs Metamorfoses da puberdade\u201d, justamente para considerar o que ele vai chamar, nesse texto, de \u201cproblema do corpo do Outro\u201d. J\u00e1 aparece a\u00ed uma perspectiva de que a adolesc\u00eancia enfrenta um problema e esse problema se localiza como \u2018o problema do corpo do Outro\u2019. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o adolescente que enfrenta esse problema. O problema do corpo do Outro \u00e9 um problema do humano. Ent\u00e3o, ele vai considerar a adolesc\u00eancia, partindo da puberdade, ou das metamorfoses da puberdade, a partir das contribui\u00e7\u00f5es de Freud e de Lacan em rela\u00e7\u00e3o ao tema.<\/p>\n<p>Outro aspecto que ele considera para cernir o conceito da adolesc\u00eancia na psican\u00e1lise \u00e9 a diferen\u00e7a dos sexos: como se d\u00e1 a diferencia\u00e7\u00e3o sexual em homens e mulheres, a partir da puberdade. E a\u00ed ele se refere a essa &#8220;diferencia\u00e7\u00e3o sexual, tal como ela se enceta no per\u00edodo p\u00fabere e p\u00f3s-p\u00fabere&#8221;. Em seguida faz uma distin\u00e7\u00e3o entre Freud e Lacan. Freud considera que a puberdade \u00e9 o momento do encontro, ou o momento da passagem do autoerotismo para o heteroerotismo; ou seja, a busca do objeto fora do corpo, ou a busca do objeto no corpo do Outro. Ele vai sublinhar essa diferen\u00e7a, evidentemente fazendo alus\u00e3o ao texto de Freud, n\u00e3o apenas os <em>Tr\u00eas Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade<\/em>, mas o texto subsequente, \u201cA Organiza\u00e7\u00e3o Genital Infantil\u201d, no qual Freud trabalha a sexua\u00e7\u00e3o a partir da primazia universal do falo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, tanto para meninas quanto para meninos, o encontro com a puberdade levaria a uma regulamenta\u00e7\u00e3o do sexo a partir do falo. Miller faz essa refer\u00eancia e diz que Lacan n\u00e3o pensa o corpo do Outro tal como Freud prop\u00f5e. Ou seja: n\u00e3o se chega, jamais, a gozar do corpo do Outro. S\u00f3 se goza do corpo pr\u00f3prio. E isto vai ter consequ\u00eancias, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao que podemos considerar como puberdade, quanto \u00e0 adolesc\u00eancia como uma constru\u00e7\u00e3o, como um significante.<\/p>\n<p>A pergunta que me fiz a partir dessas duas primeiras abordagens, para cernir o conceito de adolesc\u00eancia, foi: \u201co que h\u00e1 de real na adolesc\u00eancia?\u201d. \u00c9 uma pergunta que me ocorreu ao acompanhar o texto de J.-A. Miller, visto que ele tenta respond\u00ea-la, ao final, de um modo bastante indireto, bastante lateral. Ele procura deixar a quest\u00e3o em aberto, mas esbo\u00e7a algum tipo de resposta, que vou tentar abordar daqui a pouco.<\/p>\n<p>Para retomar esse ponto dois, depois que Miller faz essa refer\u00eancia ao corpo do Outro e \u00e0 sexua\u00e7\u00e3o, tanto em Freud quanto em Lacan, ele diz que &#8220;a puberdade, de toda forma, tanto para Freud quanto para Lacan, representa uma escans\u00e3o sexual&#8221;. Isto me parece importante sublinhar: &#8220;Uma escans\u00e3o no desenvolvimento, na hist\u00f3ria da sexualidade&#8221;. Ora, n\u00f3s n\u00e3o podemos dizer que escans\u00e3o seja, propriamente, uma modifica\u00e7\u00e3o, um novo regime. Em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o, lembrei-me de duas passagens que Lacan retoma, uma de Freud, e outra de um escritor franc\u00eas, Andr\u00e9 Gide.<\/p>\n<p>Na extensa retomada que Lacan faz do Pequeno Hans no <em>Semin\u00e1rio 4<\/em>, ele aborda uma quest\u00e3o, a meu ver, muito importante para que possamos entender do que se trata nessa transforma\u00e7\u00e3o corporal. O Pequeno Hans s\u00f3 tem 3 anos, est\u00e1 longe de ser um adolescente, muito longe. \u00c9 uma crian\u00e7a, e Lacan sublinha a passagem em que mostra seu pipi ereto para a m\u00e3e. Um pipi que se excita, digamos assim, sem a vontade pr\u00f3pria do sujeito. H\u00e1 ali uma excita\u00e7\u00e3o que vem propriamente do corpo. Ele mostra isso para a m\u00e3e e ela lhe diz: &#8220;N\u00e3o \u00e9 grande coisa&#8221;. Isto Lacan vai destacar como um ponto nodal no desenvolvimento da fobia de Hans, no desenvolvimento do sintoma f\u00f3bico desse menino. Ele vai ser tratado por Freud atrav\u00e9s do pai. Sabemos, tamb\u00e9m, por Freud e por Lacan, que o pai do Pequeno Hans n\u00e3o era l\u00e1 grande coisa como pai e, certamente, tamb\u00e9m n\u00e3o como homem, j\u00e1 que a m\u00e3e parecia ser uma hist\u00e9rica bastante determinada em rela\u00e7\u00e3o a isso. Portanto, isso teve consequ\u00eancias no desenvolvimento de Hans.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que ele sublinha essa autonomia do corpo do Pequeno Hans e \u00e9 diante dessa autonomia do corpo que o menino, ent\u00e3o, vai se dirigir \u00e0 m\u00e3e, para mostrar a ela, mas, evidentemente, para tentar significar aquilo: \u2018O que quer dizer esse movimento do meu corpo a despeito de mim mesmo?\u2019. Nessa retomada que Lacan faz no <em>Semin\u00e1rio 4<\/em>, ele n\u00e3o chega \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es que p\u00f4de fazer a partir do <em>Semin\u00e1rio 20<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o ao corpo que se goza. Mas vou deixar essa passagem para que tentemos articul\u00e1-la ao que pode, de fato, estar em jogo nessas modifica\u00e7\u00f5es corporais.<\/p>\n<p>Uma segunda refer\u00eancia \u00e9 a Andr\u00e9 Gide. Lacan tem um texto sobre ele, que est\u00e1 publicado nos <em>Escritos<\/em>[1] . J.-A. Miller deu uma confer\u00eancia que est\u00e1 publicada na Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, na impressa e posteriormente na online, intitulado: \u201cSobre o Gide de Lacan\u201d[2]. O que mais me chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira como Lacan trabalha o personagem Gide no <em>Semin\u00e1rio 5<\/em>, o Semin\u00e1rio das <em>Forma\u00e7\u00f5es do Inconsciente<\/em>, onde ele sublinha um momento da hist\u00f3ria de Gide em que ele \u00e9 adolescente e est\u00e1 entrando em casa. Lacan atenta para o fato de que a m\u00e3e de Gide era uma mulher extremamente dessexualizada. Em determinado momento, Gide entra na casa da tia e a v\u00ea aos beijos e abra\u00e7os com um amante. Ele passa por onde est\u00e1 acontecendo a cena, sobe as escadas e encontra a prima, que tamb\u00e9m \u00e9 adolescente, aos prantos. O motivo do choro \u00e9 justamente o fato de sua m\u00e3e estar traindo o pai com o amante. Ele fica condo\u00eddo com a situa\u00e7\u00e3o da prima e passa a ter uma dedica\u00e7\u00e3o enorme a ela. Madeleine, futuramente se torna sua esposa. Lacan faz um desenvolvimento no <em>Semin\u00e1rio 5<\/em> dizendo o quanto essa cena determinou, por assim dizer, a maneira como Gide foi viver no futuro, ou a maneira como foi conceber a rela\u00e7\u00e3o entre amor e sexo. Ele se casa com Madeleine, mas transa com meninos, com jovens; ele gosta de rapazes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Lacan nos diz que a pervers\u00e3o de Gide n\u00e3o \u00e9 porque ele \u00e9 homossexual; n\u00e3o se trata da homossexualidade como pervers\u00e3o. Ele seria um perverso porque fazia uma divis\u00e3o entre o objeto de amor e o objeto de desejo. N\u00e3o h\u00e1 uma divis\u00e3o no pr\u00f3prio sujeito, mas a divis\u00e3o, de algum modo, recai no corpo do Outro. Ele deseja meninos, jovens \u2013 sublinha isso com bastante \u00eanfase \u2013 e seu amor \u00e9 por Madeleine, a quem envia muitas cartas de amor. A palavra de amor que uma mulher espera, Madeleine recebeu de Gide; mas quando soube de um certo envolvimento de Gide com outro homem, queimou todas as cartas. Ao saber disso, Gide \u00e9 atingido no seu ser. Ele fica extremamente decepcionado e tem ali, digamos, uma afec\u00e7\u00e3o corporal, que o deixa atordoado, justamente porque Madeleine queimou aquilo que ele tinha de mais precioso, a letra da carta de amor endere\u00e7ada a ela.<\/p>\n<p>Tomo essas duas passagens do primeiro Lacan para tentar fazer uma b\u00e1scula para o segundo tempo de seu ensino, para que a gente possa ir ao cerne do que a puberdade pode representar.<\/p>\n<p>Se Miller diz que a puberdade, em si mesma, \u00e9 uma escans\u00e3o sexual, esta palavra \u00e9 muito precisa, n\u00e3o pretende aprisionar o que h\u00e1 de real. Estou em um <em>work in progress<\/em> e gostaria que voc\u00eas me acompanhassem. Pergunto-me se o que h\u00e1 de real na adolesc\u00eancia e pode se conectar \u00e0 puberdade; se o corpo p\u00fabere responde ao que h\u00e1 de real na adolesc\u00eancia. Se, na desconstru\u00e7\u00e3o da adolesc\u00eancia que a gente pode fazer, na medida em que ela \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o, um significante, se essa desconstru\u00e7\u00e3o pode nos levar a alguma coisa no \u00e2mbito da puberdade, na sua dimens\u00e3o real, n\u00e3o simplesmente como uma modifica\u00e7\u00e3o corporal pela emerg\u00eancia dos horm\u00f4nios, pela biologia. Minha pergunta \u00e9 se esse tempo da puberdade porta em si um real traumatizante. Uso esse termo porque a hip\u00f3tese de que a gente pode lan\u00e7ar m\u00e3o \u00e9 a de que a puberdade, como ponto inaugural do fen\u00f4meno, do conceito de adolesc\u00eancia, pode representar um acontecimento de corpo. Esta \u00e9 a minha pergunta.<\/p>\n<p>Retomando o Pequeno Hans, quando ele tem a experi\u00eancia da ere\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea que vai mostrar \u00e0 m\u00e3e, aquilo, para ele, tem o valor de um acontecimento de corpo. E depois, vem a fobia como resposta. Assim como o Gide, que encontra a menina aos prantos, justamente porque a m\u00e3e estava traindo o pai; ali tamb\u00e9m h\u00e1 um acontecimento de corpo. Desse encontro com a sexualidade feminina situada na tia, Gide vai se identificar com o objeto largado que \u00e9 a prima, Madeleine, com quem ele se casa. Ent\u00e3o, essa identifica\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o feminina j\u00e1 seria uma resposta ao impacto que ele tem ao se encontrar com a sexualidade feminina representada pela tia.<\/p>\n<p>Minha ousadia \u00e9 afirmar que tanto em um caso, o Pequeno Hans, que desenvolve a fobia como resposta, quanto no outro, Gide, que desenvolve a homossexualidade por meio da identifica\u00e7\u00e3o com a fragilidade da Madeleine, houve um acontecimento de corpo: Hans com a ere\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea (n\u00e3o h\u00e1 corpo do Outro envolvido ali) e Gide com o encontro com a sexualidade feminina (onde h\u00e1 corpo do Outro envolvido). Ambos remetem, digamos, a um acontecimento de corpo: em um a fobia vai fazer o papel da resposta; no outro a identifica\u00e7\u00e3o no lugar da mulher traz a resposta. Coloco isto \u00e0 prova com voc\u00eas, para conversarmos daqui a pouco.<\/p>\n<p>Muito bem, em outra perspectiva, mas tamb\u00e9m considerando o que h\u00e1 de acontecimento de corpo e como cada um pode resolver esse encontro, h\u00e1 o famoso texto do Lacan, o \u201cPref\u00e1cio a <em>O Despertar da Primavera<\/em>\u201d, que est\u00e1 nos<em>Outros Escritos<\/em>, p\u00e1gina 557. \u00c9 um texto curtinho, mas n\u00e3o menos dif\u00edcil, com 3 p\u00e1ginas, escrito em 1974, para um pref\u00e1cio de uma edi\u00e7\u00e3o francesa da pe\u00e7a de Wedekind, <em>O Despertar da Primavera<\/em>. A prop\u00f3sito, acho que ela est\u00e1 em cartaz em S\u00e3o Paulo, como um musical. Seria interessante a gente revisitar.<\/p>\n<p>Nesse texto, Lacan coloca em quest\u00e3o, justamente, dois garotos, dois meninos, que est\u00e3o frente \u00e0 frente com a sexualidade e t\u00eam que tomar uma decis\u00e3o. Ou seja, h\u00e1 um ato implicado: ou se opera o ato, ou n\u00e3o se opera o ato. Ent\u00e3o, ele toma os dois personagens que a pe\u00e7a traz, que s\u00e3o o Moritz e o Melchior. Um deles opta pelo ato. H\u00e1 uma menina na jogada, evidentemente, representando o corpo do Outro. Um deles se lan\u00e7a ao ato, correndo o risco de que nesse ato haja um fracasso. Toda abordagem do corpo do Outro redunda em um fracasso, pois a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe. O fracasso \u00e9 representado sempre pelo gozo do corpo pr\u00f3prio. Como diz Lacan, a tese que Miller retoma nesse texto sobra a adolesc\u00eancia, \u00e9 que n\u00e3o se chega a gozar do corpo do Outro, mas o fato de eu n\u00e3o gozar do corpo do Outro n\u00e3o quer dizer que eu tenha que evitar o corpo do Outro. Ent\u00e3o, nessa pe\u00e7a, um dos personagens se arrisca ao corpo do Outro e o outro personagem n\u00e3o se arrisca. As consequ\u00eancias s\u00e3o diferentes, diametralmente opostas: o que opta por n\u00e3o se arriscar ao corpo do Outro, que fica apenas na fantasia, na elucubra\u00e7\u00e3o &#8220;como \u00e9 que \u00e9 gozar do corpo de uma mulher?&#8221;, morre, encontra a morte precoce. A metade em diante da pe\u00e7a \u00e9 um di\u00e1logo entre o morto, o menino que morreu, que volta na forma de um fantasma, e aquele que se arriscou. Quanto ao que se arriscou, a menina ficou gr\u00e1vida, a m\u00e3e resolveu que ela ia fazer um aborto e a menina acabou morrendo no procedimento do aborto. Mas o mais importante da pe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 o que acontece com a menina e sim o que acontece com os dois meninos, aquele que se arrisca a se lan\u00e7ar no corpo do Outro e aquele que n\u00e3o se arrisca. O que n\u00e3o se arrisca morre e depois, ent\u00e3o, a pe\u00e7a passa a ser um di\u00e1logo entre o morto e o vivo, com o morto tentando convencer o vivo de que o melhor \u00e9 morrer, pois \u00e9 o que lhe resta fazer, j\u00e1 que perdeu a mulher amada. Ele tenta convencer o outro de que esta \u00e9 a melhor sa\u00edda. At\u00e9 que aparece o homem mascarado, que \u00e9 o grande enigma da pe\u00e7a: o que \u00e9 esse homem mascarado? Ele vai dizer para um dos personagens, Melchior: \u201colha, esse a\u00ed \u00e9 um fantasma e ele s\u00f3 pode tomar a palavra no lugar do morto. A isto Lacan d\u00e1 uma import\u00e2ncia enorme: tomar a palavra no lugar do morto. O vivo, por sua vez, al\u00e9m de poder tomar a palavra entre os vivos, pode tomar a palavra, pois est\u00e1, digamos, sob a \u00e9gide de um ato, o ato sexual propriamente dito. Ou seja, ele se arriscou ao corpo do Outro e se mant\u00e9m vivo. Aquele que n\u00e3o se arrisca ao corpo do Outro s\u00f3 pode tomar a palavra dentre os mortos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a esse ponto, nem todo mundo tem familiaridade com essa pe\u00e7a, mas tenho certeza de que muitos aqui assistiram ao filme, j\u00e1 bastante antigo, que se chama <em>Sociedade dos Poetas Mortos<\/em>, onde acontece exatamente a mesma coisa. Pela tirania do pai, O menino \u00e9 impedido do ato teatral propriamente dito e ent\u00e3o, s\u00f3 pode tomar a palavra dentre os mortos. E ele se mata. O filme n\u00e3o tem a mesma riqueza da pe\u00e7a, trata-se de autores diferentes em contextos diferentes, mas aborda esse tema da mesma forma: a partir de que ponto sou autorizado a tomar a palavra? Esse autorizar-se \u00e0 palavra s\u00f3 pode se dar diante de um risco ao ato. Sen\u00e3o, s\u00f3 posso tomar a palavra dentre os mortos, ou seja, n\u00e3o tomar a palavra.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, este homem mascarado tem uma fun\u00e7\u00e3o primordial: nesse pref\u00e1cio que Lacan escreve, ele diz assim: &#8220;Moritz, ao se excetuar disso, exclui-se no para-al\u00e9m. \u00c9 s\u00f3 ali que ele se conta: n\u00e3o por acaso, dentre os mortos, como exclu\u00eddos do real. Que o drama o fa\u00e7a ali sobreviver, por que n\u00e3o, se o her\u00f3i est\u00e1 antecipadamente morto?&#8221;. O drama o faz viver, evidentemente, a partir do retorno do fantasma, ele na forma do fantasma. Continua: &#8220;\u00c9 no reino dos mortos que \u2018os n\u00e3o tolos erram\u2019, diria eu, com um t\u00edtulo que ilustrei&#8221;. Ele est\u00e1 fazendo alus\u00e3o ao<em>Semin\u00e1rio 21<\/em> que se chama \u201cLes non-dupes errent\u201d; os n\u00e3o tolos erram. Ent\u00e3o, quando n\u00e3o me arrisco ao ato, eu n\u00e3o estou sendo tolo, e com esse n\u00e3o arriscar ao ato, erro e, portanto, s\u00f3 posso tomar o meu lugar no para-al\u00e9m, s\u00f3 posso tomar o meu lugar dentre os mortos.<\/p>\n<p>Ou seja, a meu ver, eu n\u00e3o vou discorrer mais acerca do mascarado, pois Lacan vai justamente articular o mascarado n\u00e3o ao Nome-do-Pai, mas a uma presen\u00e7a real, \u00e0 qual vai chamar de nome do nome do nome. O mascarado se oferece como orienta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como orienta\u00e7\u00e3o paterna, para tirar o Melchior, o vivo, da ilus\u00e3o de tomar a palavra dentre os mortos, tal como fez seu amigo. O que est\u00e1 ali, como homem mascarado, \u00e9 justamente uma outra orienta\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o paterna. E a\u00ed Lacan vai fazer uma refer\u00eancia \u00e0 Deusa branca, de Robert Graves, sobre a qual eu poderia falar aqui durante uma semana&#8230; Li esse livro recentemente, para tentar entender um pouco essa quest\u00e3o do nome do nome do nome, mas n\u00e3o vou entrar neste ponto. Resumindo, esse homem mascarado pode ser, propriamente, o lugar da Mulher que n\u00e3o existe. Ele pode ser propriamente um dos nomes do real. O nome do nome do nome como um dos nomes do real, que orienta o sujeito para al\u00e9m do Nome-do-Pai. E, sublinhando que aquele que n\u00e3o se arrisca ao ato \u00e9 propriamente o tolo, \u00e9 propriamente o que erra, justamente por n\u00e3o ser tolo do ato, n\u00e3o ser tolo de alguma coisa que, eu diria, seria pr\u00f3pria \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Muito bem. Ent\u00e3o, com essas tr\u00eas refer\u00eancias &#8211; Hans, Gide e <em>O Despertar da Primavera<\/em> -, vou come\u00e7ar a concluir. J\u00e1 se esbo\u00e7a alguma coisa que eu poderia colocar como resposta \u00e0 pergunta &#8220;o que h\u00e1 de real na adolesc\u00eancia?&#8221;, para al\u00e9m do fato de ela ser uma constru\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m do fato de ela ser marcada, em seu in\u00edcio, pelas transforma\u00e7\u00f5es do corpo ocorridas na puberdade. O que h\u00e1 de real e de que maneira nossos adolescentes podem responder a esse real, na medida em que o orientador fundamental, que era o Nome-do-Pai, n\u00e3o funciona mais como um orientador? Ent\u00e3o, o homem mascarado pode surgir para os nossos adolescentes, para evitar que eles tomem a palavra dentre os mortos. Esse texto de Lacan, sobre <em>O Despertar da Primavera<\/em>, a meu ver, \u00e9 um texto fundamental para que possamos estudar todas essas quest\u00f5es da adolesc\u00eancia e da cl\u00ednica da adolesc\u00eancia, se a gente pode dizer assim.<\/p>\n<p>Esse esbo\u00e7o de resposta eu encontrei no pr\u00f3prio Miller, pelo menos na leitura que fa\u00e7o dele quando\u00a0 o isola em um t\u00f3pico desse texto como o problema do corpo do Outro. Ele retoma Freud, quando Freud fala das metamorfoses da puberdade, e retoma Lacan quando afirma que n\u00e3o se chega a gozar do corpo do Outro, tal como Freud propunha. Ele diz que \u00e9 justamente pela fal\u00eancia do Nome-do-Pai \u2013 n\u00e3o da inexist\u00eancia do Nome-do-Pai, mas de uma certa inefic\u00e1cia do Nome-do-Pai nos nossos dias \u2013 em fazer a alian\u00e7a entre a puls\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o (porque era justamente isto que dava o estatuto de homem e de mulher \u00e0quele que sa\u00eda da adolesc\u00eancia: &#8220;agora eu sou um homem&#8221;, conceito de passagem, por exemplo nos ritos de passagem que diziam o que era ser um homem e o que era ser uma mulher a partir da\u00ed). Ele fala, inclusive, da precocidade sexual. Mas, se o Nome-do-Pai funcionava como um orientador \u2013 e podemos pegar v\u00e1rios aspectos desse orientador, um deles \u00e9 o rito de passagem \u2013 e isto n\u00e3o funciona mais, o que pode orientar? O que pode produzir essa nova alian\u00e7a entre a puls\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o? E uma nova alian\u00e7a que n\u00e3o seja reduzida \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o, pois a sublima\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve o problema da puls\u00e3o. A sublima\u00e7\u00e3o n\u00e3o satisfaz a puls\u00e3o. Ent\u00e3o, o que ele nos aponta?<\/p>\n<p>Surpreendentemente, ele diz que o isl\u00e3 \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o do Pai. O isl\u00e3 \u00e9 a religi\u00e3o do Um (acerca do qual ele d\u00e1 um curso, \u201cO Ser e o Um\u201d, retomando o <em>Semin\u00e1rio 19<\/em> de Lacan, no qual ele diz: \u201cyad&#8217;lun\u201d, &#8220;h\u00e1 um&#8221;. Miller diz que o Isl\u00e3 \u00e9 a religi\u00e3o do Um e a religi\u00e3o do Um coloca as coisas em seus devidos lugares. \u00c9 uma religi\u00e3o que opera a partir da n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual porque diz o que \u00e9 um homem, o que \u00e9 uma mulher, praticamente sem ambiguidades. E, portanto, o problema do corpo do Outro, para a religi\u00e3o do Um, \u00e9 uma quest\u00e3o que n\u00e3o se coloca. O problema do corpo do Outro, o que fazer com o corpo do Outro, ali se sabe o que fazer com o corpo do Outro: as rela\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o proibidas antes do casamento, pronto. N\u00e3o tem &#8220;sen\u00e3o&#8221;. E sendo o Isl\u00e3 uma religi\u00e3o do Um, n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o do Pai. Uma religi\u00e3o do Pai traz o filho como seu representante e a\u00ed ele brinca, tem historinhas de que o pai abandonou o filho e de que mam\u00e3e etc. etc. Tem toda a fam\u00edlia, inclusive a Sagrada Fam\u00edlia, na qual se baseou a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3.<\/p>\n<p>O Isl\u00e3 \u00e9 diferente. Miller considera que, com essa maneira, digamos, de conceber o humano, o Isl\u00e3 prop\u00f5e uma alian\u00e7a de identifica\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o de modo n\u00e3o-ambivalente. O que \u00e9 homem, \u00e9 homem; o que \u00e9 mulher, \u00e9 mulher. Ponto.<\/p>\n<p>Miller faz uma diferencia\u00e7\u00e3o importante, e de um modo muito preciso. Ele diz que o Isl\u00e3 veio se alojar no lugar onde o Nome-do-Pai falhou no Ocidente. Se o Ocidente viveu, foi porque estruturou seu modo de exist\u00eancia a partir da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, que \u00e9 uma religi\u00e3o do Pai. Miller faz uma dial\u00e9tica entre o fracasso da religi\u00e3o no Ocidente e o triunfo do Islamismo. Se isso se tornou um lugar vazio, o Isl\u00e3 veio ocupar esse lugar no Ocidente, como sendo a religi\u00e3o do Um. E isto \u00e9 um convite para quem est\u00e1 sem orienta\u00e7\u00e3o, evidentemente, para quem \u00e9 errante. O Estado Isl\u00e2mico, em sendo um desvio, ao aniquilar diferen\u00e7a, oferece justamente uma solu\u00e7\u00e3o pela via da viol\u00eancia. Isto seria, talvez, contr\u00e1rio ao pr\u00f3prio Isl\u00e3 que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a religi\u00e3o da diferen\u00e7a, do Um absoluto. Ent\u00e3o, sem d\u00favida nenhuma, e o Estado Isl\u00e2mico aparece como a solu\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Isl\u00e3.<\/p>\n<p>No site do XXI Encontro Brasileiro h\u00e1 um texto de Luc\u00edola Macedo[3] , cuja leitura tamb\u00e9m recomendo, pois faz uma discuss\u00e3o excelente sobre a quest\u00e3o do desenraizamento, que est\u00e1 relacionada a isto. Em algum momento a gente tamb\u00e9m pode falar em err\u00e2ncia. O que poderia servir a esses adolescentes desenraizados, ou desorientados, ou errantes, para que se d\u00ea essa nova alian\u00e7a entre a puls\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o? Esta \u00e9 a quest\u00e3o da adolesc\u00eancia. E Miller diz que o Isl\u00e3 \u00e9 um prato cheio para isto. E, por outro lado, o Estado Isl\u00e2mico. O Estado Isl\u00e2mico produz, com toda a sua viol\u00eancia, uma (ele usa o termo) \u201calian\u00e7a\u201d, mesmo. Esse desvio do Isl\u00e3 oferece uma alian\u00e7a entre a puls\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da viol\u00eancia. Ele escreve isso de maneira muito simples, a partir da estrutura dos discursos, situando onde est\u00e1 a v\u00edtima e onde est\u00e1 o carrasco, servindo \u00e0 vontade de gozo do Outro.<\/p>\n<p>Deste modo o Isl\u00e3, nesse aspecto, faz a apologia do narcisismo da causa do infante. Triunfa, justamente porque produz a alian\u00e7a entre a identifica\u00e7\u00e3o e a puls\u00e3o, enquanto o Ocidente fracassa, justamente porque aquilo que produzia essa alian\u00e7a, que era um semblante, o Nome-do-Pai, n\u00e3o serve mais para isto. Ent\u00e3o, a cl\u00ednica com os adolescentes, escutar os adolescentes, nos imp\u00f5e essa quest\u00e3o. O que a psican\u00e1lise pode produzir, em termos de resultado propriamente dito, que pode fazer com que haja essa alian\u00e7a entre a puls\u00e3o e a identifica\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o seja uma sa\u00edda pela viol\u00eancia? Pois a sa\u00edda pela viol\u00eancia \u00e9 uma das solu\u00e7\u00f5es. Que outras solu\u00e7\u00f5es cada um desses nossos adolescentes pode encontrar a partir da psican\u00e1lise?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5>* Atividade preparat\u00f3ria para as Jornadas da EBP-SP 2016 e para o XXI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, realizada na Se\u00e7\u00e3o SP, em 07\/06\/16. Transcri\u00e7\u00e3o de Fernanda Turbat e Gabriela Malvezzi. Estabelecimento do texto: Teresinha N. M. Prado.<\/h5>\n<h5>[1] Lacan, J. (1998). \u201cJuventude de Gide\u201d. In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar.<\/h5>\n<h5>[2] Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero17\/texto1.html\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero17\/texto1.html<\/a><\/h5>\n<h5>[3] \u00a0Macedo, Luc\u00edola F. (2016). \u201cJuventude e trauma: a experi\u00eancia de desenraizamento\u201d. Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/www.encontrobrasileiro2016.org\/#!juventude-e-trauma\/y92dz\">http:\/\/www.encontrobrasileiro2016.org\/#!juventude-e-trauma\/y92dz<\/a><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Fernando Carrijo da Cunha &nbsp; Fui convidado a falar sobre as \u201cmodifica\u00e7\u00f5es no vivo do corpo que se goza\u201d. 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