{"id":775,"date":"2016-07-28T22:02:29","date_gmt":"2016-07-28T22:02:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=775"},"modified":"2016-07-28T22:02:29","modified_gmt":"2016-07-28T22:02:29","slug":"sexualidade-intervencao-de-freud-sobre-o-despertar-da-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/sexualidade-intervencao-de-freud-sobre-o-despertar-da-primavera\/","title":{"rendered":"Sexualidade: Interven\u00e7\u00e3o de Freud sobre O Despertar da primavera"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">\u201c[\u2026] Podemos pensar que Wedekind tem uma profunda compreens\u00e3o do que \u00e9 a sexualidade. Para nos convencer \u00e9 suficiente verificarmos como no texto expl\u00edcito dos di\u00e1logos passam constantemente subentendidos de car\u00e1ter sexual. [\u2026]\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cPara retornar a\u00a0<i>O Despertar da Primavera*\u00a0<\/i>direi, e sublinho isso, que as teorias sexuais das crian\u00e7as constituem um tema que merece ser estudado como tal, ou seja: como as crian\u00e7as descobrem a sexualidade normal? No fundo de todas as concep\u00e7\u00f5es equivocadas que elas podem fazer, h\u00e1 sempre um n\u00facleo de verdade. [\u2026]\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cConsidero como uma nota\u00e7\u00e3o muito fina por parte de Wedekind a de mostrar entre Melchior e Wendla um empuxo ao amor objetal sem escolha de objeto, dado que n\u00e3o est\u00e3o de modo algum apaixonados um pelo outro. O fato de Wendla, a masoquista, n\u00e3o ter sido espancada por seus pais, prova igualmente que Wedekind n\u00e3o se deixa enganar pelos clich\u00eas habituais \u2013 caso contr\u00e1rio ele a teria apresentado como tendo sido espancada na sua inf\u00e2ncia. Em vez disso, ela se queixa de n\u00e3o o ter sido de forma suficiente. Isto \u00e9 verdade: geralmente os que foram espancados severamente na sua inf\u00e2ncia n\u00e3o se tornam masoquistas. [\u2026]\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cA \u00eanfase que Wedekind d\u00e1 \u00e0 \u00faltima cena, aquele humor mordaz, \u00e9 perfeitamente justificado do ponto de vista po\u00e9tico. O que ele quer dizer \u00e9: tudo isso \u00e9 s\u00f3 infantilidade, um absurdo. Podemos certamente, com Reitler, ver nos dois personagens, Moritz e o homem mascarado, as duas correntes que dividem a alma de Melchior, que \u00e9 ao mesmo tempo atra\u00eddo pela morte como pela vida. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o suic\u00eddio \u00e9 o \u00e1pice do auto-erotismo negativo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cE, a esse respeito, a interpreta\u00e7\u00e3o de Reitler \u00e9 exata: negar o amor a si mesmo \u00e9 suicidar-se. Durante essa \u00faltima cena, n\u00e3o h\u00e1 nada mais que o humor no interrogat\u00f3rio a que \u00e9 submetido o homem mascarado. Encontra-se atr\u00e1s dos pensamentos mais profundos. O dem\u00f4nio da vida \u00e9 ao mesmo tempo o diabo, ou seja, o inconsciente. Tudo se passa, efetivamente, como se a vida estivesse submetida \u00e0 quest\u00e3o. Esse tipo de exame \u00e9 um tra\u00e7o caracter\u00edstico que reencontramos regularmente nos estados ansiosos. Num acesso de ang\u00fastia, por exemplo, um sujeito come\u00e7a por se interrogar supostamente para verificar se ele ainda mant\u00e9m sua raz\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"p1\">\u201cPorque, por tr\u00e1s, a Esfinge ronda a ang\u00fastia (\u201cEsfinge\u201d significa o \u201cEstrangulador\u201d \u2013 (\u201c\u00e9trangleur\u201d). A quest\u00e3o que est\u00e1 na base de todas essas interroga\u00e7\u00f5es \u00e9, indubitavelmente, a que surge da curiosidade infantil sobre a sexualidade: de onde v\u00eam as crian\u00e7as? A Esfinge apenas coloca a quest\u00e3o inversamente: o que \u00e9, portanto, que vem depois? Resposta: o ser humano. [\u2026]\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 class=\"p3\">\u00a0<strong>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<i>Maria Rita Guimar\u00e3es<\/i><\/strong><\/h5>\n<p class=\"p1\">\n<p class=\"p1\">\n<hr \/>\n<h5>Notas:<\/h5>\n<h5><sup>*<\/sup> Publicado originalmente em <i>Cien digital<\/i>, n\u00b0 19: <a href=\"http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/n19\/apresentacao.html\">http:\/\/www.institutopsicanalise-mg.com.br\/ciendigital\/n19\/apresentacao.html<\/a><\/h5>\n<h5><sup>1<\/sup>\u201cInterven\u00e7\u00e3o sobre O Despertar da primavera\u201d<i>,<\/i>\u00a0texto de\u00a0 <i>Minutes da Sociedade<\/i>\u00a0<i>Psicanal\u00edtica<\/i>\u00a0 de Viena (XIII<sup>e<\/sup>\u00a0Minute), redigido por Otto Rank. International University Press, New York, vol. 3, 1962-1974, traduzido para o franc\u00eas por Jacques-Alain Miller. Acess\u00edvel no site:<a href=\"http:\/\/www.colline.fr\/sites\/default\/files\/archive\/0.651604001267619461.pdf\">http:\/\/www.colline.fr\/sites\/default\/files\/archive\/0.651604001267619461.pdf<\/a><\/h5>\n<h5>Sele\u00e7\u00e3o realizada por <i>Carla Audi<\/i> (da comiss\u00e3o de biblioteca)<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c[\u2026] Podemos pensar que Wedekind tem uma profunda compreens\u00e3o do que \u00e9 a sexualidade. Para nos convencer \u00e9 suficiente verificarmos como no texto expl\u00edcito dos di\u00e1logos passam constantemente subentendidos de car\u00e1ter sexual. [\u2026]\u201d \u201cPara retornar a\u00a0O Despertar da Primavera*\u00a0direi, e sublinho isso, que as teorias sexuais das crian\u00e7as constituem um tema que merece ser estudado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-775","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/775","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=775"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/775\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=775"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=775"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}