{"id":773,"date":"2016-07-28T22:01:14","date_gmt":"2016-07-28T22:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=773"},"modified":"2016-07-28T22:01:14","modified_gmt":"2016-07-28T22:01:14","slug":"fragmentos-de-uma-conversa-informal-com-daniel-roy-sobre-a-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/fragmentos-de-uma-conversa-informal-com-daniel-roy-sobre-a-adolescencia\/","title":{"rendered":"Fragmentos de uma conversa informal com Daniel Roy sobre a Adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>1) O supereu e o adolescente<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O supereu materno \u00e9 a medida comum entre duas posi\u00e7\u00f5es opostas encontradas em jovens adolescentes: a adolescente que engravida aos 12\/13 anos e aquela infantilizada, de classe m\u00e9dia, estudiosa, cuja divers\u00e3o principal \u00e9 a leitura de mang\u00e1s e em geral est\u00e1 isolada e mant\u00e9m dist\u00e2ncia da sexualidade.<\/p>\n<p>Essas jovens que engravidam endere\u00e7am seus filhos \u00e0s pr\u00f3prias m\u00e3es, realmente, em substitui\u00e7\u00e3o do lugar paterno simbolicamente ausente, criando assim toda uma linhagem maternal, matriarcal, marcada pela aus\u00eancia de pai.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a adolescente infantilizada se dedica \u00e0 m\u00e3e como o eterno beb\u00ea.<\/p>\n<p>Daniel Roy tamb\u00e9m cita um artigo de H\u00e9l\u00e8ne Deutsch sobre a epidemia de gesta\u00e7\u00f5es de <em>teen-agers <\/em>nos Estados Unidos nos anos 1960 (\u201cMaternit\u00e9 ill\u00e9gitime\u201d, in <em>Probl\u00e8mes de<\/em> <em>l\u2019adolescence<\/em>. Paris: Payot, 1991). Neste artigo, H. Deutsch se pergunta sobre o que denomina \u201cum fen\u00f4meno de massa\u201d. Ela v\u00ea como seu \u201cagente provocador\u201d uma outra forma de supereu, uma exig\u00eancia social de liberdade sexual onde antes havia uma interdi\u00e7\u00e3o, vindo ao encontro da liga\u00e7\u00e3o primitiva com a m\u00e3e, que exige uma crian\u00e7a como presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<strong>2) As defesas dos adolescentes<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Trata-se exatamente do que acabamos de dizer sobre a gravidez e sobre a inibi\u00e7\u00e3o da sexualidade: s\u00e3o defesas daqueles e daquelas que o discurso vigente nomeia como \u00abos adolescentes\u00bb, elaboradas no momento em que o corpo anat\u00f4mico e o corpo social imp\u00f5em ao corpo vivo novas leis que derrubam as adotadas no tempo da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>H\u00e1 novas nomea\u00e7\u00f5es a serem encontradas, surpresas a serem produzidas pelo analista, para que o sujeito encontre a l\u00edngua conveniente para dizer daquilo que fica em suspenso por detr\u00e1s das defesas que os adolescentes frequentemente op\u00f5em \u00e0 an\u00e1lise e aos analistas, e que assumem formas preocupantes no social. A oferta de um dizer em face das exig\u00eancias para gozar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #993300;\">\u00a0<strong>3) A psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 uma sociologia<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Diante dessas manifesta\u00e7\u00f5es no social, realmente graves e suficientemente fundamentais para que os psicanalistas as enfrentem, \u00e9 muito importante retornar \u00e0 cl\u00ednica sob transfer\u00eancia e n\u00e3o transformar a discuss\u00e3o psicanal\u00edtica da adolesc\u00eancia em uma sociologia. Na obra de Lacan, lida na orienta\u00e7\u00e3o dada por Jacques-Alain Miller, temos recursos de doutrina que nos permitem abordar as \u201cmetamorfoses da puberdade\u201d sob novos \u00e2ngulos: novas aliena\u00e7\u00f5es\/novas separa\u00e7\u00f5es; formas in\u00e9ditas da inibi\u00e7\u00e3o, do sintoma e da ang\u00fastia devidas \u00e0 \u201csubida do objeto <em>a<\/em> ao z\u00eanite social\u201d; e, de agora em diante, prioridade dada \u00e0 dimens\u00e3o do corpo falante. Eis uma via para a abordagem atual do problema: o que quer dizer esse corpo que fala quando fala <em>a partir<\/em> desse gozo novo que vem \u201cdepois da inf\u00e2ncia\u201d?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Por <em>Maria do Carmo Dias Batista <\/em>(coordenadora da comiss\u00e3o de biblioteca)<\/strong><\/h5>\n<h5><em><strong>Paris, 01\/06\/2016<\/strong><\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1) O supereu e o adolescente O supereu materno \u00e9 a medida comum entre duas posi\u00e7\u00f5es opostas encontradas em jovens adolescentes: a adolescente que engravida aos 12\/13 anos e aquela infantilizada, de classe m\u00e9dia, estudiosa, cuja divers\u00e3o principal \u00e9 a leitura de mang\u00e1s e em geral est\u00e1 isolada e mant\u00e9m dist\u00e2ncia da sexualidade. 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