{"id":769,"date":"2016-07-28T21:59:06","date_gmt":"2016-07-28T21:59:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=769"},"modified":"2016-07-28T21:59:06","modified_gmt":"2016-07-28T21:59:06","slug":"os-arranjos-sintomaticos-na-infancia-e-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/os-arranjos-sintomaticos-na-infancia-e-adolescencia\/","title":{"rendered":"Os arranjos sintom\u00e1ticos na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">A queda do referencial paterno juntamente com a incid\u00eancia do discurso da ci\u00eancia e do discurso capitalista, trouxe consequ\u00eancias no modo dos sujeitos estabelecerem la\u00e7os.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em seu texto \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d, Jacques-Alain Miller pontua que \u201cH\u00e9l\u00e8ne Deltombe estudou os novos sintomas articulados ao la\u00e7o social e observou que eles podem se converter em fen\u00f4menos de massa e at\u00e9 em epidemias: alcoolismo \u2013 conhecemos as alcooliza\u00e7\u00f5es em grupo -, toxicomanias, ela coloca na mesma s\u00e9rie a anorexia-bulimia, a delinqu\u00eancia, os suic\u00eddios em s\u00e9rie de adolescentes\u201d. Miller salienta essa socializa\u00e7\u00e3o dos sintomas dos adolescentes, onde este tempo seria o momento em que a socializa\u00e7\u00e3o do sujeito pode se dar de modo sintom\u00e1tico, \u00e9 algo em que a psican\u00e1lise precisa se deter.<\/p>\n<p class=\"p2\">E, nestas novas formas dos sujeitos se relacionarem nos deparamos com os \u201cnovos sintomas\u201d, onde o que impera \u00e9 um n\u00e3o querer saber\u00a0e uma exclus\u00e3o do Outro. Miller pontua que anteriormente o \u201csaber estava no campo do Outro, que era preciso extra\u00ed-lo do Outro pelas vias da sedu\u00e7\u00e3o, da obedi\u00eancia ou da exig\u00eancia, o que necessitava que se passasse por uma estrat\u00e9gia com o desejo do Outro\u201d. E a atualidade nos apresenta uma nova configura\u00e7\u00e3o, onde Miller prop\u00f5e que hoje o \u201csaber est\u00e1 no bolso\u201d, fazendo alus\u00e3o ao \u201csaber no bolso\u201d do psic\u00f3tico, pois diante do insuport\u00e1vel do desejo do Outro, o sujeito encontra formas de n\u00e3o se haver com isso atrav\u00e9s de uma \u201cautoer\u00f3tica\u201d, onde o saber n\u00e3o se encontra mais no campo do Outro, e podemos dizer, prescindindo deste, por\u00e9m, sem servir-se dele.<\/p>\n<p class=\"p2\">No que toca \u00e0 adolesc\u00eancia, Freud afirma que o trabalho desta \u00e9 o desligamento da autoridade dos pais. Com Lacan podemos acrescentar outro trabalho, que seria o de estabelecer um saber fazer com a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, com o imposs\u00edvel colocado em jogo no encontro com o outro sexual.<\/p>\n<p class=\"p2\">Alexandre Stevens, em \u201cAdolesc\u00eancia, sintoma da puberdade\u201d, prop\u00f5e que \u201co real da puberdade \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o marcado pelo discurso na aus\u00eancia de um saber sobre o que se pode fazer em face do outro sexo, restando a cada um inventar sua pr\u00f3pria resposta\u201d. E dentre as respostas sintom\u00e1ticas poss\u00edveis diante desse real encontramos as \u201cdo lado do oral, da demanda de amor\u201d, no caso a anorexia e a bulimia, como forma de \u201crecusa da sexua\u00e7\u00e3o\u201d, eliminando todos os atributos de um corpo feminino. Acrescenta outra resposta, a toxicoman\u00edaca, que seria \u201cuma escolha de gozo fora do sexo\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\">A partir disso, podemos pensar a adolesc\u00eancia como o tempo de elabora\u00e7\u00e3o do parceiro sexual, onde h\u00e1 o abandono dos investimentos libidinais dirigidos aos pais, momento em que h\u00e1 o encontro com um parceiro sexual, em que o real como imposs\u00edvel adquire rosto, contorno e forma.<\/p>\n<p class=\"p2\">Na adolesc\u00eancia h\u00e1 o encontro com o real do sexo, que na maioria das vezes \u00e9 um encontro malsucedido. E isto se pode dizer sobre o fato de ser comumente na adolesc\u00eancia o in\u00edcio do uso de drogas, como recurso diante da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, e tamb\u00e9m para realizar a separa\u00e7\u00e3o do Outro parental.<\/p>\n<p class=\"p2\">Assim, o ato de se intoxicar possibilita n\u00e3o ter que se haver com o real de seu pr\u00f3prio corpo, nem com o corpo do outro, no intuito de apaziguar a ang\u00fastia vivenciada no encontro com o outro sexo, possibilitando a anula\u00e7\u00e3o desse inc\u00f4modo, inclusive o interesse pelo parceiro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Stevens acrescenta que a efic\u00e1cia dessa resposta toxicoman\u00edaca, como uma das sa\u00eddas, \u00e9 que, diante da fragilidade das identifica\u00e7\u00f5es na adolesc\u00eancia, fornece algo da ordem da nomea\u00e7\u00e3o \u201ceu sou toxic\u00f4mano\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\">A adolesc\u00eancia \u00e9 o tempo de constru\u00e7\u00e3o, da tentativa de atravessamento do ponto obscuro \u201cquem eu sou?\u201d e esta resposta toxicoman\u00edaca pode servir como nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Essas formas sintom\u00e1ticas dos adolescentes estabelecerem la\u00e7os s\u00e3o pontos sobre os quais nossas Jornadas ir\u00e3o se debru\u00e7ar.<\/p>\n<p class=\"p3\">\n<h5 class=\"p1\"><strong>Por Maria C\u00e9lia Reinaldo Kato (comiss\u00e3o cient\u00edfica)<\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A queda do referencial paterno juntamente com a incid\u00eancia do discurso da ci\u00eancia e do discurso capitalista, trouxe consequ\u00eancias no modo dos sujeitos estabelecerem la\u00e7os. 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