{"id":761,"date":"2016-07-28T21:55:42","date_gmt":"2016-07-28T21:55:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=761"},"modified":"2016-07-28T21:55:42","modified_gmt":"2016-07-28T21:55:42","slug":"de-cabeca-erguida-ou-da-posicao-de-objeto-para-a-possibilidade-de-assuncao-de-um-sujeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/de-cabeca-erguida-ou-da-posicao-de-objeto-para-a-possibilidade-de-assuncao-de-um-sujeito\/","title":{"rendered":"\u201cDe cabe\u00e7a erguida\u201d, ou&#8230; da posi\u00e7\u00e3o de objeto para a possibilidade  de assun\u00e7\u00e3o de um sujeito"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O filme que abriu o festival de Cannes 2015, \u201cDe Cabe\u00e7a Erguida\u201d[1] (Fran\u00e7a, 2014), foi exibido e discutido em Atividade Preparat\u00f3ria das Jornadas da Se\u00e7\u00e3o-SP Paulo no CINECULT-USP Ribeir\u00e3o Preto, no dia 18 de maio[2]. Os coment\u00e1rios ficaram a cargo de Fernando Prota (EBP-AMP).<\/p>\n<p>Da cena inicial do filme \u2013 em que Malony, aos 6 anos, escuta a voz de sua m\u00e3e e se v\u00ea, calado e cabisbaixo, ser deixado por ela na sala da ju\u00edza, lugar da lei \u2013 at\u00e9 a cena final \u2013 aos 17 anos, em que a diretora sugere que, imbu\u00eddo da paternidade em suas m\u00e3os (Malony se torna pai), o sujeito opte por se descolar do lugar de objeto em resposta \u00e0 fal\u00eancia do pai \u2013 a sala da justi\u00e7a representa um lugar de suspens\u00e3o no caminho do sujeito, de fal\u00eancia da inscri\u00e7\u00e3o paterna, que fixar\u00e1 Malony como objeto largado. Girando em torno desse lugar fracassado e endere\u00e7ando ao pai, encarnado na equipe da vara da fam\u00edlia, o sujeito, cheio de contradi\u00e7\u00f5es e atua\u00e7\u00f5es, faz um intenso trabalho de transformar sua fixa resposta \u201csou um objeto abandonado\u201d em uma quest\u00e3o sobre o ser.<\/p>\n<p>O trabalho e a implica\u00e7\u00e3o corpo a corpo da equipe da vara da fam\u00edlia (ju\u00edza, educador, assistente social, dispositivos de socializa\u00e7\u00e3o etc.), amparada pela fic\u00e7\u00e3o do discurso do direito, sustenta uma possibilidade de supl\u00eancia, de instaura\u00e7\u00e3o de algo do simb\u00f3lico para que o sujeito possa se desenrolar desse lugar de suspens\u00e3o do la\u00e7o.<\/p>\n<p>Fernando Prota retoma Philippe Lacade\u00e9[3] para destacar a contribui\u00e7\u00e3o desse filme para o tema da adolesc\u00eancia. Malony n\u00e3o \u00e9 um adolescente t\u00edpico, mas traz pontos radicais pertinentes a esse momento de reencontro com o real pulsional do corpo.<\/p>\n<p>O sujeito adolescente testemunha que o lugar do <em>infans<\/em> ocupado at\u00e9 ent\u00e3o na fam\u00edlia n\u00e3o funciona mais t\u00e3o bem. Ent\u00e3o, a sa\u00edda \u00e9 para o mundo, em \u201cbusca da verdadeira vida\u201d[4], que exige necessariamente uma separa\u00e7\u00e3o do Outro familiar, uma subvers\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse ponto \u00e9 que a err\u00e2ncia e as passagens ao ato geralmente tomam lugar na vida do adolescente.<\/p>\n<p>Para Malony, no entanto, a subvers\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de atua\u00e7\u00e3o (no sentido de repeti\u00e7\u00e3o), tornando-se seu modo de ser. De qual subvers\u00e3o se trata se o outro familiar de Malony o toma do lugar de objeto, ou seja, ele n\u00e3o encontra ali um lugar simb\u00f3lico, n\u00e3o podendo se perguntar sobre seu lugar para o Outro? A subvers\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o ao Outro, podendo abrir caminho para a assun\u00e7\u00e3o do sujeito, mas sim para revelar a n\u00e3o incid\u00eancia desse Outro e, ao mesmo tempo, fazer um apelo a este. Ao mesmo tempo em que recha\u00e7a, Malony apela ao Outro.<\/p>\n<p>Esse apelo passa a ter endere\u00e7o a partir do encontro com profissionais da vara da inf\u00e2ncia que decidem n\u00e3o recuar diante dos \u201cpedidos de abandono\u201d de Malony. A partir da sustenta\u00e7\u00e3o de um \u00e1rduo e nada ideal trabalho de supl\u00eancia, Malony p\u00f4de experimentar, pelo menos um pouco, um novo la\u00e7o, que por sua vez, tornou poss\u00edvel a ele aceder a uma novidade que n\u00e3o poderia se dar sem um esbo\u00e7o de assun\u00e7\u00e3o da falta: o amor. Somente ent\u00e3o \u00e9 que, \u201cde cabe\u00e7a erguida\u201d, e n\u00e3o mais como um objeto acuado que, cabisbaixo, se v\u00ea deixado, \u00e9 que Malony olha para fora da sala de justi\u00e7a e pode tentar caminhar com suas pr\u00f3prias pernas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>Por <em>Fabiola Ramon<\/em> (para a Comiss\u00e3o de Boletim)<\/strong><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n[1] Filme dirigido por Emmanuelle Bercot, estrelado por Catherine Deneuve, Rod Paradot e Beno\u00eet Maginel.<\/p>\n[2] Cinecult-USP RP \u00e9 uma atividade coordenada por Eduardo Benedicto (EBP-AMP) e Mauro Moura Mohan. Acontece no audit\u00f3rio da Faculdade de Direito de Ribeir\u00e3o Preto- USP.<\/p>\n[3] Lacad\u00e9e, P. (2011). <em>O despertar e o ex\u00edlio<\/em>. Rio de Janeiro: contracapa, 2011.<\/p>\n[4] Termo usado por Philippe Lacad\u00e9e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O filme que abriu o festival de Cannes 2015, \u201cDe Cabe\u00e7a Erguida\u201d[1] (Fran\u00e7a, 2014), foi exibido e discutido em Atividade Preparat\u00f3ria das Jornadas da Se\u00e7\u00e3o-SP Paulo no CINECULT-USP Ribeir\u00e3o Preto, no dia 18 de maio[2]. Os coment\u00e1rios ficaram a cargo de Fernando Prota (EBP-AMP). Da cena inicial do filme \u2013 em que Malony, aos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=761"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}