{"id":753,"date":"2016-07-28T21:51:48","date_gmt":"2016-07-28T21:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=753"},"modified":"2016-07-28T21:51:48","modified_gmt":"2016-07-28T21:51:48","slug":"nota-sobre-a-crianca-de-jacques-lacan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/nota-sobre-a-crianca-de-jacques-lacan\/","title":{"rendered":"\u201cNota sobre a crian\u00e7a\u201d, de Jacques Lacan*"},"content":{"rendered":"<p>Esse importante texto* de 1969 chama a aten\u00e7\u00e3o por aspectos bastante interessantes. Originalmente, foi endere\u00e7ado a Jenny Aubry, uma pediatra com quem Lacan trabalhava na Escola Freudiana de Paris, e entregue a ela na forma como ele o produziu: duas p\u00e1ginas de uma mesma folha escritas a m\u00e3o. Seu tamanho reduzido \u00e9 repleto de frases incisivas. Nelas, Lacan \u2013 o pr\u00f3prio se refere a si mesmo em terceira pessoa \u2013 foi generoso o suficiente para que esse trabalho se tornasse lapidar no que tange \u00e0 cl\u00ednica psicanal\u00edtica com crian\u00e7as; mesmo tendo somente duas p\u00e1ginas, \u00e9 poss\u00edvel localizar nele conceitos fundamentais da teoria lacaniana \u2013 tais como sintoma, fantasia, fun\u00e7\u00f5es materna e paterna, desejo, objeto e real \u2013 precisamente articulados.<\/p>\n<p>Uma das primeiras coisas que Lacan nos diz \u00e9 que a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva n\u00e3o \u00e9 da ordem da satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades, pois implica um res\u00edduo e diz do desejo. E \u00e9 justamente por isso \u2013 pela estrutura \u2013 que a fam\u00edlia conjugal resiste ao tempo. Lacan fala de um desejo que n\u00e3o seja an\u00f4nimo e com isso parece referir-se a aspectos tanto da fun\u00e7\u00e3o materna quanto da paterna: inscri\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas, investimento libinal, identifica\u00e7\u00f5es&#8230; Para n\u00e3o ser an\u00f4nimo, o desejo da m\u00e3e precisa ser particularizado e o pai deve encarnar a lei a partir de seu nome, servindo de vetor para o desejo.<\/p>\n<p>\u00c0 dupla parental, o sintoma da crian\u00e7a responde. Sintoma no sentido de representante da verdade. A experi\u00eancia cl\u00ednica permitiu a Lacan constatar que o sintoma da crian\u00e7a pode revelar a verdade do casal parental: \u00e9 complexo, mas \u00e9 algo acess\u00edvel ao analista.<\/p>\n<p>Quando a fun\u00e7\u00e3o paterna n\u00e3o opera como media\u00e7\u00e3o entre o ideal do eu e o desejo da m\u00e3e, o sintoma que prevalece na crian\u00e7a \u00e9 efeito da fantasia materna, ou seja, da subjetividade da m\u00e3e. Dito de outra forma, o sintoma n\u00e3o \u00e9 efeito da articula\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es do pai e da m\u00e3e, mas sim correlato \u00e0 fantasia desta \u00faltima. Neste caso, a crian\u00e7a \u00e9 tomada como objeto dessa fantasia, saturando a falta da m\u00e3e e revelando uma verdade para a qual o seu corpo \u00e9 via de acesso; a exist\u00eancia do corpo da crian\u00e7a encarna \u2013 e, por isso, lhe d\u00e1 acesso a \u2013 a verdade da m\u00e3e. Isto pode vir a gerar uma exig\u00eancia de cuidado que n\u00e3o diz de um desejo particularizado.<\/p>\n<p>O desconhecimento disto, nos diz Lacan, pode provocar sintomas som\u00e1ticos que atestam culpa, servem de fetiche ou significam uma recusa primordial. Quanto mais real a crian\u00e7a provocar com sua verdade encarnada, mais ela estar\u00e1 subordinada \u00e0 fantasia materna.<\/p>\n<h5>por <em>Mariana Galletti Ferretti<\/em> (Comiss\u00e3o de biblioteca)<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>*\u00a0\u201cNotas sobre a crian\u00e7a\u201d. (2003). In:\u00a0<em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p.369-370.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse importante texto* de 1969 chama a aten\u00e7\u00e3o por aspectos bastante interessantes. Originalmente, foi endere\u00e7ado a Jenny Aubry, uma pediatra com quem Lacan trabalhava na Escola Freudiana de Paris, e entregue a ela na forma como ele o produziu: duas p\u00e1ginas de uma mesma folha escritas a m\u00e3o. Seu tamanho reduzido \u00e9 repleto de frases&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-753","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/753\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=753"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}