{"id":732,"date":"2016-07-28T21:41:53","date_gmt":"2016-07-28T21:41:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ebpsp.org.br\/institucional\/?p=732"},"modified":"2016-07-28T21:41:53","modified_gmt":"2016-07-28T21:41:53","slug":"como-capturar-o-nao-reconhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/como-capturar-o-nao-reconhecido\/","title":{"rendered":"Resenha: Como capturar o n\u00e3o reconhecido"},"content":{"rendered":"<p>A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo tradicional da psican\u00e1lise. No entanto, Lacan n\u00e3o a elenca como um de seus conceitos fundamentais.<\/p>\n<p>Muito embora seja um termo corrente na experi\u00eancia da an\u00e1lise, interpretar pode ainda assumir apenas um car\u00e1ter de tradu\u00e7\u00e3o e deciframento.<\/p>\n<p>O que ser\u00e1 que se interpreta verdadeiramente? Trata-se de uma quest\u00e3o crucial colocada recentemente por Jacques-Alain Miller quando ele trabalha o conceito de interpreta\u00e7\u00e3o em um texto como \u201cInterpretar a crian\u00e7a\u201d (2015), por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento, na Fran\u00e7a, do <em>Semin\u00e1rio VI<\/em>de Lacan.<\/p>\n<p>Mas o mesmo Miller, alguns anos antes, nos alerta que \u201co tempo da interpreta\u00e7\u00e3o ficou para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Em um texto seminal para a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana como foi \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o pelo avesso\u201d[1] , ele estabelece uma estreita equival\u00eancia entre o inconsciente e a interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Justamente, \u00e9 algo que surge no fim do Semin\u00e1rio VI de Lacan, o desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. A interpreta\u00e7\u00e3o seria algo pr\u00f3prio do inconsciente. \u00c9 o inconsciente que interpreta, afinal, diz ele, \u201co desejo inconsciente \u00e9 sua interpreta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O inconsciente, ent\u00e3o, interpreta. Entretanto, quer ser interpretado, isto \u00e9: no desejo de fazer sentido, o inconsciente interpreta e quer ser interpretado. Afinal, uma interpreta\u00e7\u00e3o sempre chama outra interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse texto mais recente, Miller nos diz, acerca da cl\u00ednica psicanal\u00edtica com crian\u00e7as, que um primeiro sentido a dar ao &#8220;interpretar a crian\u00e7a&#8221; seria &#8220;interpretar os pais&#8221;. Afinal, qual o lugar que lhes damos?<\/p>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o pelo avesso antes, portanto, seria interpretar na contram\u00e3o do inconsciente. Eis a manobra que nos ensina Miller. Ao interpretar a crian\u00e7a, o psicanalista transmite um m\u00e9todo que s\u00f3 funciona ent\u00e3o pelo avesso do inconsciente, este fato que o Outro n\u00e3o quer reconhecer.<\/p>\n<p>Assim, o inconsciente se abre para recolher um n\u00e3o reconhecido, tomando como pressuposto o que Lacan afirma ao dizer em sua c\u00e9lebre <em>Nota sobre a crian\u00e7a<\/em> (1969): \u201co sintoma da crian\u00e7a acha-se em condi\u00e7\u00e3o de responder ao que existe de sintom\u00e1tico na estrutura familiar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Por <em>Rodrigo Camargo<\/em> \u2013 comiss\u00e3o de boletins<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>*Resenha do texto de Jacques-Alain Miller \u201cInterpr\u00e9ter l\u2019enfant\u201d publicado no site da <em>\u00c9cole de la Cause freudienne<\/em>(<a href=\"http:\/\/www.causefreudienne.net\/interpreter-lenfant\/\">http:\/\/www.causefreudienne.net\/interpreter-lenfant\/<\/a>) e rec\u00e9m-lan\u00e7ado em <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em> n\u00b0 72. <em>Trata-se de uma interven\u00e7\u00e3o de Miller feita na segunda <\/em><em>Journ\u00e9e de l\u2019Institut de l\u2019Enfant<\/em><em>, Issy-les-Moulineaux, em 23 de mar\u00e7o de 2013.<\/em><\/p>\n[1] Miller, J.-A. (abr., 1996). \u201cA interpreta\u00e7\u00e3o pelo avesso\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, (15).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 um termo tradicional da psican\u00e1lise. No entanto, Lacan n\u00e3o a elenca como um de seus conceitos fundamentais. Muito embora seja um termo corrente na experi\u00eancia da an\u00e1lise, interpretar pode ainda assumir apenas um car\u00e1ter de tradu\u00e7\u00e3o e deciframento. O que ser\u00e1 que se interpreta verdadeiramente? 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