{"id":7296,"date":"2023-08-15T06:15:29","date_gmt":"2023-08-15T09:15:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=7296"},"modified":"2023-08-15T06:15:29","modified_gmt":"2023-08-15T09:15:29","slug":"witz-o-prazer-da-surpresa-e-a-surpresa-do-prazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/witz-o-prazer-da-surpresa-e-a-surpresa-do-prazer\/","title":{"rendered":"Witz \u2013 o prazer da surpresa e a surpresa do prazer"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7297\" aria-describedby=\"caption-attachment-7297\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7297\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/gaio004_006-1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/gaio004_006-1.jpg 567w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/gaio004_006-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7297\" class=\"wp-caption-text\">Poema (1979), Lenora de Barros.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Witz<\/em><\/strong><strong> \u2013 o prazer da surpresa e a surpresa do prazer<\/strong><\/p>\n<h6><em>Marco Aur\u00e9lio Monteiro Peluso<br \/>\n<\/em><em>Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/em><\/h6>\n<p>\u201cO que lhes disse da vez passada concernia ao Outro, esse bendito Outro que, na comunica\u00e7\u00e3o do <em>Witz<\/em>, vir\u00e1 completar \u2013 de certa maneira preencher \u2013 a hi\u00e2ncia constitu\u00edda pela insolubilidade do desejo. Podemos dizer que o\u00a0<em>Witz<\/em>\u00a0restitui o gozo \u00e0 demanda essencialmente insatisfeita, sob o duplo aspecto, ali\u00e1s id\u00eantico, da surpresa e do prazer \u2013 o prazer da surpresa e a surpresa do prazer.\u201d<sup>1<\/sup><\/p>\n<p>Assim Lacan aborda o chiste em seu Semin\u00e1rio \u201cAs forma\u00e7\u00f5es do inconsciente\u201d<sup>2<\/sup> . Relaciona-o ao Outro, sem o qual n\u00e3o se completa, e ao desejo, cuja insolubilidade essencial ser\u00e1, \u201cde certa maneira\u201d, preenchida por esse dizer.<\/p>\n<p>No caso do analisante ser o autor do chiste, o papel do Outro que, \u201cde certa maneira\u201d, preenche a hi\u00e2ncia do desejo cabe ao analista. Ao ser colocado nessa posi\u00e7\u00e3o \u2013 posi\u00e7\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, de quem preenche a hi\u00e2ncia do desejo \u2013, n\u00e3o estaria o analista respondendo \u00e0 demanda?<\/p>\n<p>E no caso do analista ser o autor do chiste, n\u00e3o haveria o risco do mesmo? Afinal, se \u201co <em>Witz<\/em>\u00a0restitui o gozo \u00e0 demanda essencialmente insatisfeita\u201d<sup>3<\/sup>, n\u00e3o estaria o analista, novamente, respondendo \u00e0 demanda?<\/p>\n<p>Lacan responde: \u201cO Outro \u00e9 indispens\u00e1vel para o fechamento do circuito que o discurso constitui&#8230;\u201d. \u201cEsse circuito \u00e9 a autentica\u00e7\u00e3o, pelo Outro, daquilo que, em suma, \u00e9 uma alus\u00e3o ao fato de que nada na demanda, desde que o homem entrou no mundo simb\u00f3lico, pode ser alcan\u00e7ado, a n\u00e3o ser por uma sucess\u00e3o infinita de passos-de-sentido. O homem, novo Aquiles perseguindo uma outra tartaruga, est\u00e1 fadado, em raz\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o de seu desejo no mecanismo da linguagem, a essa aproxima\u00e7\u00e3o infinita e nunca satisfeita, ligada ao pr\u00f3prio mecanismo do desejo, que chamaremos simplesmente de discursividade\u201d<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>A possibilidade que se apresenta a um analista, ent\u00e3o, \u00e9 utilizar esse \u201ccircuito\u201d, tanto de um lado como do outro, de maneira a acentuar a \u201caproxima\u00e7\u00e3o infinita e nunca satisfeita\u201d que o gozo restitu\u00eddo pelo <em>Witz<\/em>\u00a0permite evidenciar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><sup>1<\/sup> LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 5: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999, p.126.<\/h6>\n<h6><em><sup>2 <\/sup><\/em><em>Ibid<\/em>.<\/h6>\n<h6><sup>3<\/sup> <em>Ibid<\/em>.<\/h6>\n<h6><sup>4<\/sup> <em>Ibid<\/em>, p. 127.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Witz \u2013 o prazer da surpresa e a surpresa do prazer Marco Aur\u00e9lio Monteiro Peluso Participante da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas \u201cO que lhes disse da vez passada concernia ao Outro, esse bendito Outro que, na comunica\u00e7\u00e3o do Witz, vir\u00e1 completar \u2013 de certa maneira preencher \u2013 a hi\u00e2ncia constitu\u00edda pela insolubilidade do desejo. 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