{"id":7207,"date":"2023-06-19T19:17:43","date_gmt":"2023-06-19T22:17:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=7207"},"modified":"2023-06-19T19:17:43","modified_gmt":"2023-06-19T22:17:43","slug":"editorial-boletim-gaio-03","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/editorial-boletim-gaio-03\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Gaio #03"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7218\" aria-describedby=\"caption-attachment-7218\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7218\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-001-001-2.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-001-001-2.jpg 439w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-001-001-2-300x211.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7218\" class=\"wp-caption-text\">Mujer sonriente (1969), Rufino Tamayo<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>M\u00f4nica Bueno<br \/>\n<\/em><em>Membro da EBP\/AMP<\/em><\/h6>\n<p>Neste terceiro n\u00famero do Boletim Gaio, avan\u00e7amos um pouco mais na nossa caminhada rumo \u00e0s XII Jornadas da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo em torno do tema R.I.S.o, que com esta grafia proposta, d\u00e1 \u00eanfase ao enodamento entre os registros real, imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico. As diversas provoca\u00e7\u00f5es do argumento apresentado por R\u00f4mulo Ferreira da Silva est\u00e3o gerando seus frutos.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>V\u00e1rios textos presentes nesse n\u00famero orbitam em torno do <em>Witz<\/em>, o qual apresenta um importante vi\u00e9s lingu\u00edstico, mas tamb\u00e9m coloca em jogo uma economia de gozo, fazendo ressoar no corpo falante outra coisa que o sentido. Uma articula\u00e7\u00e3o ao real \u00e9 colocada por Gustavo Stiglitz, nosso convidado para as Jornadas, ao afirmar que essa economia \u201capresenta-se em termos de equ\u00edvoco, escritura e palavra; escritura como redu\u00e7\u00e3o a respeito da palavra, como acontecimento que marca o corpo, reenganchando o imposs\u00edvel de dizer.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Na rubrica de textos epist\u00eamicos <strong>Escrita Gaia,<\/strong> o texto de Marie-Claude Sureau (ECF) traz a quest\u00e3o do riso no final de an\u00e1lise como uma descarga no corpo, num movimento topol\u00f3gico em um momento de reviramento que envolve <em>lal\u00edngua<\/em>. Ela faz no seu texto um instigante percurso que passa pela anamorfose, por uma pe\u00e7a de Moli\u00e8re e retoma o <em>familion\u00e1rio<\/em>, famoso exemplo de Freud, trazendo \u00e0 tona a aproxima\u00e7\u00e3o da estrutura da interpreta\u00e7\u00e3o e do <em>Witz<\/em>.<\/p>\n<p>Resson\u00e2ncias destas dimens\u00f5es de l\u00edngua e corpo tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no texto de Andrea Zelaya (EOL), que ressalta a implica\u00e7\u00e3o do corpo, afirmando que \u201co valor cl\u00ednico do riso que o chiste gera \u00e9 sua dimens\u00e3o disruptiva e de impacto no corpo\u201d. Irrup\u00e7\u00e3o contingente que causa impacto no material do corpo. Algo do pulsional \u00e9 tocado, havendo resson\u00e2ncia e um efeito no Outro. A quest\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 tocada, ressaltando que tanto o <em>Witz<\/em> quanto a interpreta\u00e7\u00e3o se encontram fora da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desdobramento desses pontos tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no texto de Jessica Jara Bravo (NEL), que escreve sobre a intelig\u00eancia artificial onde n\u00e3o se apresenta a possibilidade de ler entrelinhas. Numa tentativa de propor um chiste ao ChatGPT este responde que n\u00e3o tem corpo para dan\u00e7ar o chat chat chat, somente conseguindo oferecer respostas objetivas. O que a autora desenvolve \u00e9 que ali n\u00e3o h\u00e1 corpo para ressoar um chiste, ficando restrito a um saber absoluto, empuxo do contempor\u00e2neo. O <em>Witz<\/em>, ao articular algo desviado, torcido, torto, abre brecha para um \u201csaber rir a\u00ed\u201d que pode fazer frente a um real.<\/p>\n<p>E por fim, nessa mesma rubrica, encontramos o texto de Mariana G. Ferretti, que seguindo pela linha do c\u00f4mico nos leva ao mundo de Shakespeare com destaque para a figura do bobo ou<em> fool, <\/em>do texto<em> Rei Lear.<\/em>\u00a0 O lugar do <em>fool<\/em> implica uma ambiguidade, estar dentro e fora, ser dejeto e ao mesmo tempo dizer verdades. O riso como efeito da queda do semblante<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> pode ser evocado. Ao final temos a hip\u00f3tese de que o <em>fool <\/em>pode encarnar o falo com toda a ambiguidade que representa.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es levantadas sobre o <em>Witz<\/em> tamb\u00e9m se articulam aos textos muito interessantes trazidos pelo<strong> Eixo Tem\u00e1tico 2: <em>O riso e a pol\u00edtica<\/em><\/strong><em>, <\/em>que aborda a tend\u00eancia no contempor\u00e2neo da queda da regula\u00e7\u00e3o do gozo pela ordem f\u00e1lica e seu consequente aumento da segrega\u00e7\u00e3o.\u00a0 Isso decorre de uma nega\u00e7\u00e3o dos efeitos do inconsciente, o qual tem estrutura <em>Witz<\/em>.<\/p>\n<p>Em um<strong> Esp de um riso <\/strong>temos a contribui\u00e7\u00e3o de Marisa Nubile sobre uma cita\u00e7\u00e3o de Lacan em rela\u00e7\u00e3o ao riso e o imagin\u00e1rio, onde o que se articula \u00e9 a ambiguidade da rela\u00e7\u00e3o dual. O riso eclode numa \u201cliberta\u00e7\u00e3o da coer\u00e7\u00e3o da imagem\u201d, ou seja, quando a ambiguidade vem \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Na rubrica <strong>Est\u00e3o fazendo arte <\/strong>James Alberto de Moura Valeriano, alinhado \u00e0 ideia de que \u201ca arte interpreta e transmite o que se passa na cultura\u201d, baseia-se no filme de Almodovar,<em> Fale com ela, <\/em>para interrogar a quest\u00e3o do desejo e seu car\u00e1ter perverso, que \u00e9 \u201cdesmascarado na com\u00e9dia, e n\u00e3o refutado\u201d.<\/p>\n<p>E por fim, temos ainda <strong>Acontece na cidade <\/strong>com a indica\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o <em>A cole\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de Paulo Kuczinski,<\/em> panorama da arte brasileira no s\u00e9culo XX. \u201cColecionar ou vender\u201d \u00e9 a quest\u00e3o que sempre acompanhou Kuczinski, que \u00e9 marchand e \u201cguiado pela sua paix\u00e3o apresenta sua cole\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Finalizo com um convite especial: participem destas investiga\u00e7\u00f5es em torno desse tema bastante rico de nuances e articula\u00e7\u00f5es! Inscrevam-se! Escrevam sobre suas quest\u00f5es e contribuam enviando seus textos!<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SILVA, R. F. \u201cArgumento\u201d. <em>In: Boletim Gaio 1, <\/em>2023. <a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/xii-jornadas-r-i-s-o\/xii-jornadas-r-i-s-o-argumento\/\">Argumento \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo (ebp.org.br)<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> STIGLITZ, G. \u201c<em>Witz<\/em>, o peor<em>\u201d. In:<\/em> <em>Revista Lacaniana<\/em>. Buenos Aires: Publicaci\u00f3n de Escuela de la orientaci\u00f3n lacaniana, a\u00f1o XVI, n\u00b0 29, 2021, p. 103 e 106. (Tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibid<\/em>. Essa \u00e9 uma das quest\u00f5es colocadas no argumento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00f4nica Bueno Membro da EBP\/AMP Neste terceiro n\u00famero do Boletim Gaio, avan\u00e7amos um pouco mais na nossa caminhada rumo \u00e0s XII Jornadas da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo em torno do tema R.I.S.o, que com esta grafia proposta, d\u00e1 \u00eanfase ao enodamento entre os registros real, imagin\u00e1rio e simb\u00f3lico. 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