{"id":7185,"date":"2023-06-19T18:58:13","date_gmt":"2023-06-19T21:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=7185"},"modified":"2023-06-19T18:58:13","modified_gmt":"2023-06-19T21:58:13","slug":"esp-de-um-riso-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/esp-de-um-riso-2\/","title":{"rendered":"Esp de um Riso"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7169\" aria-describedby=\"caption-attachment-7169\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7169\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-003-003-1.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-003-003-1.jpg 264w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/boletim_gaio_003-003-003-1-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-7169\" class=\"wp-caption-text\">Confuse, Linda Vachon.<\/figcaption><\/figure>\n<h6><em>Marisa Nubile<br \/>\n<\/em><em>\u00a0Associada ao CLIN-a<br \/>\n<\/em><em>\u00a0Participante da comiss\u00e3o de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/em><\/h6>\n<blockquote><p>(&#8230;) h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o muito intensa, muito estreita, entre os fen\u00f4menos do riso e a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio no homem. A imagem tem, como tal, um car\u00e1ter cativante, que vai al\u00e9m dos mecanismos instintivos que lhe s\u00e3o correspondentes, como evidencia a exibi\u00e7\u00e3o, seja ela sexual ou de combate. A isso vem somar-se, no homem, um toque suplementar, que se prende ao fato de que a imagem do outro, para ele, est\u00e1 muito profundamente ligada \u00e0 tens\u00e3o de que falava h\u00e1 pouco, e que leva a que ele seja colocado a uma certa dist\u00e2ncia, conotada de desejo ou hostilidade. N\u00f3s o relacionamos com a ambiguidade que est\u00e1 na pr\u00f3pria base da forma\u00e7\u00e3o do eu e que faz com que sua unidade fique fora dele mesmo, com que seja em rela\u00e7\u00e3o a seu semelhante que ele erija, e com que ele encontre aquela unidade de defesa que \u00e9 a de seu ser como narc\u00edsico. \u00c9 nesse campo que o fen\u00f4meno do riso deve ser situado.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Lacan retoma a ambiguidade da rela\u00e7\u00e3o dual com o semelhante (desejo e hostilidade) que est\u00e1 na base da forma\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio eu. O riso eclode, diz Lacan, numa \u201cliberta\u00e7\u00e3o da coer\u00e7\u00e3o da imagem\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, ou seja, quando aquilo que se supunha encontrar na bela forma \u00e9, de alguma maneira, descontinuado. Nesse sentido, ele d\u00e1 o exemplo do riso produzido quando vemos algu\u00e9m levando um tombo.<\/p>\n<p>Como podemos observar, o riso enquanto fen\u00f4meno, est\u00e1 neste momento do ensino de Lacan, essencialmente relacionado \u00e0 dualidade imagin\u00e1ria, n\u00e3o sem que o simb\u00f3lico esteja implicado.\u00a0 Mesmo que seja uma concep\u00e7\u00e3o datada, parece interessante retomar o riso por esse vi\u00e9s, uma vez que ela nos remete \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do eu e ao narcisismo, como ele mesmo pontuou no verbete selecionado.<\/p>\n<p>Lembremos que em seu texto princeps <em>O est\u00e1dio do Espelho<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><em><strong>[3]<\/strong><\/em><\/a>, de 1949, Lacan faz refer\u00eancia \u00e0 assun\u00e7\u00e3o jubilosa da crian\u00e7a diante da imagem especular. Nos anos seguintes ele trabalhar\u00e1 a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do Eu ideal, ideal do Eu utilizando v\u00e1rios esquemas \u00f3ticos. No Semin\u00e1rio da <em>Ang\u00fastia<\/em>, ele retoma, mais uma vez, a experi\u00eancia do espelho ressaltando a constitui\u00e7\u00e3o do ideal do Eu no espa\u00e7o do Outro simb\u00f3lico exatamente no momento em que a crian\u00e7a vira a cabe\u00e7a para o Outro \u201ca fim de comunicar com um sorriso as manifesta\u00e7\u00f5es de seu j\u00fabilo por alguma coisa que a faz comunicar-se com a imagem especular\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma pot\u00eancia do olhar, para o melhor e o pior. H\u00e1 o j\u00fabilo diante da imagem unificada do corpo, mas o olhar no espelho pode tamb\u00e9m ser angustiante uma vez que esta totalidade tem um limite. H\u00e1 um resto, um menos n\u00e3o especulariz\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 5<\/em>: <em>as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente.<\/em> Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p. 136-137<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Ibidem<\/em> , p. 137<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. \u201cO est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu tal como nos \u00e9 revelada na experi\u00eancia psicanal\u00edtica\u201d (1949). <em>In: Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 96<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 10 \u2013 a ang\u00fastia<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2005, p. 135<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marisa Nubile \u00a0Associada ao CLIN-a \u00a0Participante da comiss\u00e3o de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas (&#8230;) h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o muito intensa, muito estreita, entre os fen\u00f4menos do riso e a fun\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio no homem. 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