{"id":6822,"date":"2022-10-26T11:19:57","date_gmt":"2022-10-26T14:19:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6822"},"modified":"2022-10-26T11:19:57","modified_gmt":"2022-10-26T14:19:57","slug":"o-litoral-e-o-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-litoral-e-o-sonho\/","title":{"rendered":"O LITORAL E O SONHO"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Magno Azevedo<br \/>\n<\/strong><strong>Mariana Galletti Ferretti<br \/>\n<\/strong><strong>Rubens Berlitz<br \/>\n<\/strong><strong>Pela Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas destas Jornadas da EBPSP<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6823\" aria-describedby=\"caption-attachment-6823\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6823\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/010_002-1.jpg\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/010_002-1.jpg 493w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/010_002-1-298x300.jpg 298w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/010_002-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6823\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @franckgerardart<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>\u201cOs sonhos, ent\u00e3o, tomariam seu estatuto de sonhos que interpretam<\/p>\n<p>o inconsciente somente quando se atribui a eles esse estatuto, ou<\/p>\n<p>seja, no tratamento. Mas o tra\u00e7o que eles podem deixar se inscreve<\/p>\n<p>no corpo pela pot\u00eancia mesma do significante. Se o sonho \u00e9 tra\u00e7o<\/p>\n<p>fora do sentido no corpo vivo, o trabalho de an\u00e1lise pode permitir o<\/p>\n<p>surgimento de uma significa\u00e7\u00e3o: S<sub>2<\/sub>. Desde o in\u00edcio, os dois estatutos<\/p>\n<p>do inconsciente, real e transferencial, s\u00e3o encontrados na<\/p>\n<p>interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. O sonho muda de estatuto em fun\u00e7\u00e3o do<\/p>\n<p>sonhador. O sonho pode ser efeito de verdade e \u00edndice do real.\u201d<\/p>\n<p>Dupont, Laurent; \u201cDa decifra\u00e7\u00e3o \u00e0 letra, o caminho do sonho na an\u00e1lise\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Nosso convidado das XI Jornadas da EBP-SP, &#8220;\u023a verdade e o gozo que n\u00e3o mente &#8220;, Laurent Dupont, escreveu um texto para o Papers 4 <em>Sonho, real, verdade<\/em><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a><em>,<\/em> do XII Congresso da AMP de Buenos Aires que tinha como t\u00edtulo: <em>O Sonho, sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso no tratamento lacaniano.<\/em><\/p>\n<p>No texto, \u201c<em>Da decifra\u00e7\u00e3o \u00e0 letra, o caminho do sonho na an\u00e1lise\u201d, <\/em>Dupont afirma que o Sonho tem uma ambival\u00eancia que se apresenta somente no dispositivo anal\u00edtico, ele \u00e9 ao mesmo tempo, &#8220;efeito de verdade e \u00edndice de real&#8221;. Essa afirma\u00e7\u00e3o nos remete ao conceito de &#8220;litoral&#8221; que Lacan apresenta no Semin\u00e1rio, livro 18: <em>de um discurso que n\u00e3o fosse semblante<\/em><a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><em><strong>[2]<\/strong><\/em><\/a>, no cap\u00edtulo <em>Lituraterra<\/em>. O conceito de &#8220;litoral&#8221; poderia ent\u00e3o ser colocado como uma chave para interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos?<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Talvez uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o seja a articula\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do tratamento dos conceitos de inconsciente transferencial e inconsciente real. \u00c9 justamente por ter estrutura de fic\u00e7\u00e3o que uma an\u00e1lise constr\u00f3i um inconsciente. O trabalho interpretativo promovido pela escuta anal\u00edtica produz o inconsciente transferencial, j\u00e1 que o sentido que surge na cadeia significante \u00e9 interpretado pelo analista, que faz surgir o encadeamento dos elementos simb\u00f3licos, favorecendo novas formas imagin\u00e1rias. Conforme uma an\u00e1lise caminha, se trope\u00e7a naquilo que n\u00e3o pode ser traduzido numa interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inconsciente transferencial e inconsciente real est\u00e3o presentes na interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos. Por um lado, n\u00e3o \u00e9 sem o analista que faz parte do conceito de inconsciente, que uma interpreta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, portanto h\u00e1 Outro; por outro lado, no final do ensino de Lacan, podemos dizer com Miller<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>, que o Outro foi substitu\u00eddo pelo corpo, h\u00e1 Um. Este Outro, que reinava quando da primazia do simb\u00f3lico \u00e9 \u201c<em>opacionado<\/em>\u201d, pela \u201cmarca de gozo que imprime no corpo o significante Um antes de obter a significa\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Neste litoral, ainda que estejam presentes desde o in\u00edcio na interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos, inconsciente transferencial e real, a transfer\u00eancia muda de estatuto, e o que adv\u00e9m no \u00faltimo ensino \u00e9 a urg\u00eancia de dizer que evoca ao\u00a0<em>troumatisme<\/em>. Desta forma, ainda que n\u00e3o excludentes na dire\u00e7\u00e3o do tratamento, evidencia-se quanto aos sonhos, uma forma\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do inconsciente, mas tamb\u00e9m h\u00e1 algo da ex-sist\u00eancia do real em jogo no sonho<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>E se isso acontece de fato quando isso opera em uma an\u00e1lise?<\/p>\n<p>Lacan vai nos oferecer, tamb\u00e9m no Semin\u00e1rio 18, uma pista desse momento quando nos diz &#8220;a altera\u00e7\u00e3o me vem aos l\u00e1bios e a inven\u00e7\u00e3o ao ouvido&#8221;<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>, ou seja, poder\u00edamos dizer que o sonho e o sonhador se encontram na enuncia\u00e7\u00e3o, no ato de fala ao analista?<\/p>\n<p>\u00d3timas quest\u00f5es para serem cozidas enquanto o convidado n\u00e3o chega.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Dupont, L. O Sonho &#8211; sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso no tratamento lacaniano. In: Papers 4 Sonho, real, verdade, do XII Congresso da AMP. Buenos Aires. 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Lacan, J. O semin\u00e1rio, livro 18: de um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Rio de Janeiro. Zahar. 2009<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>\u00a0 Miller, J-A. El ultim\u00edssimo Lacan. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014. p.226.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Yeyati, E.L. Posi\u00e7\u00e3o do inconsciente transfer\u00eancial\/real. In: Scilicet: O Sonho &#8211; sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso no tratamento lacaniano. S\u00e3o Paulo. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2020, p.26.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Grigg, R. Sonhos e o inconsciente real. n: Scilicet: O Sonho &#8211; sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso no tratamento lacaniano. S\u00e3o Paulo. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2020. p.60.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Lacan, J. O semin\u00e1rio, livro 18: de um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Rio de Janeiro. Zahar. 2009. p.105 lacaniano. S\u00e3o Paulo. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2020. p. 60.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magno Azevedo Mariana Galletti Ferretti Rubens Berlitz Pela Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas destas Jornadas da EBPSP \u201cOs sonhos, ent\u00e3o, tomariam seu estatuto de sonhos que interpretam o inconsciente somente quando se atribui a eles esse estatuto, ou seja, no tratamento. 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