{"id":6788,"date":"2022-10-26T08:19:18","date_gmt":"2022-10-26T11:19:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6788"},"modified":"2022-10-26T08:19:18","modified_gmt":"2022-10-26T11:19:18","slug":"intervencao-sobre-o-vetor-o-gozo-que-nao-mente-e-o-gozo-como-tal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/intervencao-sobre-o-vetor-o-gozo-que-nao-mente-e-o-gozo-como-tal\/","title":{"rendered":"INTERVEN\u00c7\u00c3O SOBRE O VETOR: \u201cO GOZO QUE N\u00c3O MENTE \u00c9 O GOZO COMO TAL?\u201d"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Fernando Prota<br \/>\n<\/strong><strong>Membro da EBP e da AMP<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6789\" aria-describedby=\"caption-attachment-6789\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6789\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/006-1.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"559\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/006-1.jpg 444w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/006-1-238x300.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6789\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @gnmh_award_chief<\/figcaption><\/figure>\n<p>O vetor que me foi solicitado trabalhar foi: \u201cO gozo que n\u00e3o mente \u00e9 o gozo como tal?\u201d. A formata\u00e7\u00e3o da frase nos remete \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de Miller sobre o \u00faltimo ensino de Lacan, a qual se apresenta no pr\u00f3prio argumento no terceiro par\u00e1grafo: \u201co gozo feminino, esse que \u00e9 concebido \u2018como princ\u00edpio do regime do gozo como tal (&#8230;) reduzido ao acontecimento de corpo\u2019\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>. Ent\u00e3o, esta pergunta assim formulada no argumento, associa o \u201cgozo que n\u00e3o mente\u201d ao gozo feminino.<\/p>\n<p>Gostaria de me ater \u00e0s palavras, digamos, \u201cmenos fortes\u201d desta cita\u00e7\u00e3o. Na primeira parte temos \u201cprinc\u00edpio do regime\u201d. A inclus\u00e3o da palavra \u201cprinc\u00edpio\u201d, introduz uma dist\u00e2ncia epist\u00eamica prudente quanto a uma poss\u00edvel imaginarizac\u00e3o do gozo como tal<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>. J\u00e1 o termo regime implica que podemos estabelecer um modo de acontecer, um modo de existir do gozo feminino, o qual pode ser apreendido em um processo de an\u00e1lise. Miller deixa claro que foi avan\u00e7ando em rela\u00e7\u00e3o ao gozo feminino que Lacan p\u00f4de formular a ideia de Sinthoma: \u201cNo fundo, foi por ter generalizado essa f\u00f3rmula do gozo feminino que Lacan p\u00f4de extrair alguma coisa a qual chamou de sinthoma\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Na segunda parte da cita\u00e7\u00e3o temos \u201cacontecimento de corpo\u201d. Quero me ater mais na quest\u00e3o do acontecimento do que do corpo. Lacan define o sintoma como \u201cum acontecimento de corpo\u201d em seu texto \u201cJoyce o Sintoma\u201d, de 1976. \u00c9 a \u00fanica vez que surge a express\u00e3o, mas J.-A. Miller a extraiu para fazer dela uma no\u00e7\u00e3o-chave do \u00faltimo ensino de Lacan<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Acontecimento de corpo n\u00e3o \u00e9 simplesmente algo que ocorre com o corpo, mas especificamente algo que testemunha do choque traum\u00e1tico do significante com o corpo. O valor de acontecimento de corpo de determinada experi\u00eancia se dar\u00e1 na an\u00e1lise uma vez que ela testemunhe do excesso produzido por esse choque n\u00e3o absorvido pelo simb\u00f3lico<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. Excesso que ser\u00e1 contingente e singular \u00e0 maneira de cada sujeito sofrer e gozar<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Pensar no gozo feminino como gozo que n\u00e3o mente, como est\u00e1 no argumento, me envia diretamente \u00e0 ideia de \u201corienta\u00e7\u00e3o\u201d. A rigor, n\u00e3o haveria porque falar em gozo que n\u00e3o mente, pois o campo pr\u00f3prio ao gozo n\u00e3o \u00e9 o da mentira\/verdade, mas o da exist\u00eancia. O gozo, como tal, ex-siste. Se o tomamos como \u201cgozo que n\u00e3o mente\u201d, j\u00e1 introduzimos a\u00ed uma leitura e um parceiro leitor, uma inst\u00e2ncia que frente a esta exist\u00eancia introduz uma dimens\u00e3o do \u201cdeixar-se levar ou n\u00e3o\u201d, tomar ou n\u00e3o esse gozo como um orientador, como algo \u201cconfi\u00e1vel\u201d. Trata-se da fun\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o a que esse vetor do argumento me envia \u00e9: o quanto nos deixamos orientar pelo gozo feminino em nossa pr\u00e1tica? A dimens\u00e3o da verdade n\u00e3o relacionada a um conte\u00fado, a um suposto referente, mas relacionada a esse orientador. Essa me parece ser uma quest\u00e3o a ser explorada em nossas mesas simult\u00e2neas nas Jornadas: como cada um de n\u00f3s, como praticantes, reconhecemos o que \u00e9 da ordem do gozo feminino em cada caso e como nos deixamos guiar por ele? Como o tomamos como um gozo que n\u00e3o mente?<\/p>\n<p>Trata-se ent\u00e3o de poder orientar-se pelo gozo feminino, o qual se relaciona ao acontecimento de corpo. Assim, trago uma pequena vinheta em que busco seguir a trilha dos princ\u00edpios do acontecimento de corpo: Conting\u00eancia (imprevisto) \/ Itera\u00e7\u00e3o \/ Vazio (furo)<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Luiza aguarda ser chamada para a sess\u00e3o. Por equivoco chamo o analisante que deveria entrar depois dela. Ela resta, preterida. Quando este sai, ao ser chamada, bate sua coxa no bra\u00e7o da cadeira. A dor sentida produz um efeito corporal inquietante e que a leva imediatamente \u00e0 lembran\u00e7a de ser exatamente ali, naquela coxa, que ela por muitas vezes apanhava da m\u00e3e psic\u00f3tica, surras que iam muito al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o causal com algo que ela tivesse feito. A marca de um gozo insensato que incide sobre seu corpo e causa seu pr\u00f3prio gozo, o qual, organizado pela via fantasm\u00e1tica a partir de palavras agregadas pela m\u00e3e a estas cenas, tra\u00e7ou determinado destino.<\/p>\n<p>Neste momento, Luiza n\u00e3o se deixou enredar mais uma vez pela significa\u00e7\u00e3o impressa pelo fantasma da preterida, n\u00e3o amada, que poderia ter sido reatualizada via amor transferencial. Ela consente com a conting\u00eancia do choque com a cadeira, claramente um choque significante, e algo da itera\u00e7\u00e3o do gozo que h\u00e1 muito escorre pelas brechas do seu discurso organizado pelo fantasma, se apresenta circunscrito. A cena fantasm\u00e1tica em si n\u00e3o lhe era novidade, o novo foi que algo do seu corpo toma preval\u00eancia neste gozo e n\u00e3o o Outro. Neste momento n\u00e3o se dedica a compreender o incompress\u00edvel do gozo materno, o qual \u00e9 perfurado pela assun\u00e7\u00e3o da singularidade de um gozo que se marca em seu corpo. Um novo tempo se inaugura em seu processo de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Nesta pequena vinheta, conting\u00eancia e itera\u00e7\u00e3o se conectam num acontecimento de corpo. O regime da surpresa ou do inesperado \u00e9 fundamental na dimens\u00e3o do acontecimento, entretanto uma certa repeti\u00e7\u00e3o, estabelecida na din\u00e2mica transferencial, \u00e9 fundamental para que algo possa a\u00ed aparecer como irrup\u00e7\u00e3o. Aquilo que itera se apresenta naquilo que repete, sem se confundir com ele<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>. Foi na repeti\u00e7\u00e3o que Freud p\u00f4de escutar a puls\u00e3o de morte em <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>. De que modo escutarmos e nos deixarmos orientar pelo que itera no que se repete pode permitir um outro fazer com o gozo mort\u00edfero?<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o seja f\u00e1cil captar a dimens\u00e3o do furo aqui nesta vinheta, pois a experi\u00eancia que circunscreve o gozo a uma regi\u00e3o do corpo e sua emoldura\u00e7\u00e3o pela cena fantasm\u00e1tica recobrem a experi\u00eancia da itera\u00e7\u00e3o. Onde a\u00ed o n\u00e3o-todo? Onde o sem limite, a infinitiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ao furo? No caso, a circunscri\u00e7\u00e3o do gozo, ao condens\u00e1-lo numa parte do corpo, \u00e9 aquilo que faz borda e permite ao vazio apresentar-se como \u201cconjunto vazio\u201d. Isso tem efeitos. Trata-se de borda e n\u00e3o de origem. Como nos adverte Anne Lyzy: N\u00e3o nos deixemos obcecar pelo acontecimento de corpo \u201cna origem\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Pode-se captar o efeito de furo que o consentimento \u00e0 itera\u00e7\u00e3o apresenta na organiza\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica, ao permitir que, a partir do gozo do corpo pr\u00f3prio que se \u201cOutrop\u00f5e\u201d<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>, o sujeito experimente um afastamento da sua posi\u00e7\u00e3o de objeto no fantasma que fazia consistir o gozo do Outro materno. A possibilidade de sustentar um furo no Simb\u00f3lico; n\u00e3o mais tamponar o Outro fornecendo sentidos.<\/p>\n<p>E, para al\u00e9m disso, o murm\u00fario pr\u00f3prio ao turbilh\u00e3o que consiste o furo como algo de um corpo vivo<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>, fluxo que mantem o furo enquanto tal (essa pode ser uma forma din\u00e2mica de entender a tal reta infinita) que antes se fazia aud\u00edvel apenas enquanto um pano de fundo da organiza\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica &#8211; \u00a0e por vezes se apresentava ruidosamente em sua faceta de devasta\u00e7\u00e3o &#8211; a partir de ent\u00e3o, devido ao consentimento do sujeito ao acontecimento, p\u00f4de se fazer letra a ser lida em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Ram Mandil, em seu relato de passe, diz assim sobre acontecimento de corpo: \u201cacontecimento de corpo toma a forma do vazio e do saco (de \u201cum saco furado\u201d), que poderia se escrever com o s\u00edmbolo {\u0444} \u2013 s\u00edmbolo do conjunto vazio, do vazio como subconjunto \u2013, tra\u00e7o, marca, letra, ou ainda como S<sub>1<\/sub> referido a esse gozo produzido pelo choque entre a l\u00edngua e o corpo\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>. Trata-se, ent\u00e3o, do tra\u00e7o da inscri\u00e7\u00e3o de um vazio no corpo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Miller, J.-A. La jouissance f\u00e9minine n\u2019est-elle pas la jouissance comme telle? Quarto, Belgique, n. 122, juil. 2019. p. 11. (trad. livre). (Refer\u00eancia utilizada no argumento da jornada EBP\/SP de 2022).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Dias, E.C.\u00a0 Gozo Feminino: princ\u00edpio do regime do gozo como tal (texto apresentado no \u00e2mbito do Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u2013 Se\u00e7\u00e3o SP em novembro 2021) (texto in\u00e9dito).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Miller, J-A. <em>O Ser e o Um.<\/em> Li\u00e7\u00e3o V (02\/03\/2011). Tradu\u00e7\u00e3o para uso interno da EBP.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Lyzy, A. Acontecimento de corpo e final de an\u00e1lise, Boletim Ecos n\u00b01, EBP\/MG, 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Simonetti<em>, <\/em>A<em>. Scilicet: Os objetos a na experi\u00eancia psicanal\u00edtica, <\/em>Contra Capa, Rio de Janeiro,<em> p. 13.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Rego Barros, R. Lacan e o acontecimento de corpo. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00b062, dezembro de 2011, p.218.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Mandil, R.A. H\u00e1 um acontecimento de corpo, in Op\u00e7\u00e3o Lacaniana on \u2013line nova s\u00e9rie, ano 5, n\u00b013, mar\u00e7o 2014.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Rego Barros, R. <em>op cit,<\/em> p. 218.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Lyzy A. <em>Op cit.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Lacan, J. \u201cO Semin\u00e1rio, livro 19&#8230; ou pior\u201d. Rio de Janeiro: Zahar, 2021, p.117.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Lacan, J. \u201cA posi\u00e7\u00e3o no inconsciente\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, \u00a0p. 861.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Mandil, R.A. <em>Op cit<\/em>.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Prota Membro da EBP e da AMP O vetor que me foi solicitado trabalhar foi: \u201cO gozo que n\u00e3o mente \u00e9 o gozo como tal?\u201d. A formata\u00e7\u00e3o da frase nos remete \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de Miller sobre o \u00faltimo ensino de Lacan, a qual se apresenta no pr\u00f3prio argumento no terceiro par\u00e1grafo: \u201co gozo feminino,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-6788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-inter-dito","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6788"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}