{"id":6779,"date":"2022-10-26T08:14:59","date_gmt":"2022-10-26T11:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6779"},"modified":"2022-10-26T08:14:59","modified_gmt":"2022-10-26T11:14:59","slug":"o-cogito-lacaniano-e-o-corpo-que-se-goza-sob-a-perspectiva-do-parletre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-cogito-lacaniano-e-o-corpo-que-se-goza-sob-a-perspectiva-do-parletre\/","title":{"rendered":"O COGITO LACANIANO E O CORPO QUE SE GOZA, SOB A PERSPECTIVA DO PARL\u00caTRE"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Cynthia Gon\u00e7alves Gindro<br \/>\n<\/strong><strong>Associada ao CLIN-a<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6781\" aria-describedby=\"caption-attachment-6781\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6781\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/008-1.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/008-1.jpg 340w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/008-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/008-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6781\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @konradloder<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jacques Lacan, em R.S.I., traz o neologismo que condensa a fala e o ser, traduzido para o portugu\u00eas por <em>falasser<\/em>. Chama-me a aten\u00e7\u00e3o o <em>l<\/em><em>\u00eatre<\/em>, quando escrito <em>parl\u00eatre<\/em>, pois parece p\u00f4r em evid\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o do falante com a letra quando se fala.<\/p>\n<p>Para que essa ideia se esclare\u00e7a, recorro \u00e0 refer\u00eancia de Jacques-Alain Miller<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>, quando ele cita uma localiza\u00e7\u00e3o do gozo articulado em um dispositivo significante, apontando para o que do gozo pela via significante tamb\u00e9m tem marca no corpo. Miller<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> esclarece mais sobre esse ponto, trazendo a ideia da subst\u00e2ncia gozante. H\u00e1 um estatuto do corpo como corpo de gozo, e que isso n\u00e3o impede que esse gozo se condense em partes do corpo.<\/p>\n<p>Interessa-me tanger essa condensa\u00e7\u00e3o de gozo em partes do corpo, que s\u00f3 me parece poss\u00edvel com a marca de <em>lal\u00edngua<\/em>, trauma da marca de gozo que se faz com uma extra\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia gozante pela l\u00edngua, pelo encontro entre corpo e linguagem. Nessa jun\u00e7\u00e3o causada por esse encontro traum\u00e1tico entre corpo e l\u00edngua, pode-se dizer que causa uma localiza\u00e7\u00e3o de gozo articulado \u00e0 palavra, dando corpo \u00e0s letras necess\u00e1rias para um fantasma se inscrever.<\/p>\n<p>Miller<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> claramente diz: \u201ca busca pelo fantasma fundamental \u00e9 um suporte v\u00e1lido da investiga\u00e7\u00e3o no marco da verdade mentirosa\u201d. Com isso, surge cada vez mais a aproxima\u00e7\u00e3o entre fantasma e sintoma, justamente nesse ponto de gozo do corpo articulado ao significante traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>Aparece aqui tamb\u00e9m o que se chama de \u201cefeito significante\u201d, o modo particular como o significante privilegiado de <em>lal\u00edngua<\/em> afetar\u00e1 o corpo de cada um. \u00c9ric Laurent, diz: \u201ca partir de 1970 Lacan vai deduzir a rela\u00e7\u00e3o com o corpo a partir da certeza de gozo que o furo d\u00e1 ao corpo\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Um longo caminho a se percorrer, mas o que me parece bastante chamativo nessa articula\u00e7\u00e3o \u00e9, como bem marca Lacan: \u201c<em>Lal\u00edngua<\/em> nos afeta primeiro por tudo que ela comporta como efeitos que s\u00e3o afetos. Se se pode dizer que o inconsciente \u00e9 estruturado como uma linguagem, \u00e9 no que os efeitos de <em>lal\u00edngua<\/em>, que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1 como saber, v\u00e3o bem al\u00e9m de tudo que o ser que fala \u00e9 suscet\u00edvel de enunciar\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Ou seja, seria com essa ideia dos efeitos de afetos que <em>lal\u00edngua<\/em> produz, que poderia nos servir de dire\u00e7\u00e3o de tratamento. J\u00e1 que, a partir dessa perspectiva, podem surgir perguntas e problemas para a constitui\u00e7\u00e3o subjetiva e o problema do final de an\u00e1lise. Por\u00e9m, apesar de, em uma an\u00e1lise, o caminho ser inverso ao da constitui\u00e7\u00e3o subjetiva, ainda assim uma dire\u00e7\u00e3o do tratamento se extrai, ao interrogar: seria, ent\u00e3o, com os efeitos de afetos, que um modo de gozo pode se tocar e localizar nas letras ao longo de uma an\u00e1lise? E esse modo de gozar pode se modificar ao final com a constitui\u00e7\u00e3o de um <em>sinthome<\/em>?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> MILLER, J.-A., Sutilezas anal\u00edticas. 1ra ed. 2da reimp. Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2014. p. 144.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Idem. p. 264.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Idem. p. 265.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> LAURENT, \u00c9., Los objetos de la Pasi\u00f3n, Editorial Tres Haches. p. 69.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> LACAN, J., Semin\u00e1rio, livro 20: mais ainda, (1972-73). Texto estabelecido por J.-A. Miller; [vers\u00e3o brasileira de M. D. Magno]. Rio de Janeiro, Zahar, 2008. p 149.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cynthia Gon\u00e7alves Gindro Associada ao CLIN-a Jacques Lacan, em R.S.I., traz o neologismo que condensa a fala e o ser, traduzido para o portugu\u00eas por falasser. Chama-me a aten\u00e7\u00e3o o l\u00eatre, quando escrito parl\u00eatre, pois parece p\u00f4r em evid\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o do falante com a letra quando se fala. 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