{"id":6776,"date":"2022-10-26T08:12:35","date_gmt":"2022-10-26T11:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6776"},"modified":"2022-10-26T08:12:35","modified_gmt":"2022-10-26T11:12:35","slug":"o-que-nao-se-formaliza-se-torna-som","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/o-que-nao-se-formaliza-se-torna-som\/","title":{"rendered":"O QUE N\u00c3O SE FORMALIZA SE TORNA SOM"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Elisangela Miras<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6777\" aria-describedby=\"caption-attachment-6777\" style=\"width: 396px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6777 size-full\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/009-1.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/009-1.jpg 396w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/009-1-235x300.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6777\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @mam.rio<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote><p>O\u00a0<em>falasser\u00a0<\/em>habita a linguagem e tem um corpo que \u201cse goza\u201d: N\u00e3o \u00e9 o corpo que fala por iniciativa pr\u00f3pria, \u00e9 sempre o homem que fala\u00a0<em>com<\/em>\u00a0seu corpo, [\u2026] ele se serve de seu corpo para falar. [\u2026] A fala passa pelo seu corpo e, em retorno, afeta o corpo que \u00e9 seu emissor [\u2026], assim inconsciente e puls\u00e3o s\u00e3o equivalentes, t\u00eam uma origem comum, que \u00e9 o efeito da fala sobre o corpo, os afetos som\u00e1ticos da l\u00edngua, da lal\u00edngua<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>A partir da cita\u00e7\u00e3o acima que se encontra no Eixo 4 das Jornadas, ressoou para mim a <em>fala que passa pelo corpo afetando-o<\/em>. A partir dessa resson\u00e2ncia, voltei \u00e0 Freud quando afirma que o <em>eu<\/em> \u00e9 primeiro e acima de tudo um <em>eu <\/em>corporal<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan, em seu Discurso de Roma, trata a ordem simb\u00f3lica como a ordem em que se situa a psican\u00e1lise, n\u00e3o em detrimento do imagin\u00e1rio ligado ao est\u00e1gio do espelho; coloca o imagin\u00e1rio na base da consci\u00eancia e a estende por toda parte: \u201co reflexo da montanha no lago, diria eu, talvez desempenhe seu papel num sonho do cosmo, sim, por\u00e9m nunca saberemos nada sobre ele enquanto o cosmo n\u00e3o tiver sa\u00eddo de seu mutismo\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Para Lacan a no\u00e7\u00e3o de <em>eu <\/em>para Freud, notadamente no texto sobre o narcisismo, \u00e9 de miragem e desconhecimento, a matriz da agressividade inter-humana; mas \u00e9 a partir da distin\u00e7\u00e3o entre a pessoa que deita no div\u00e3 e aquela que fala que a an\u00e1lise pode operar.<\/p>\n<p>Lacan busca, neste momento do Discurso de Roma, encontrar o caminho de uma dial\u00e9tica mais rigorosa, e uma delas se tratar\u00e1 mais tarde de S(\u023a), que segundo Miller:<\/p>\n<blockquote><p>Esse matema nota exatamente o significante do inintegr\u00e1vel ao universo do discurso, o significante da heterotopia do suposto universo do discurso. E penso ser poss\u00edvel mostrar como, a cada vez, esses termos diferentes, o sujeito, o objeto, o nome do Pai, o falo, podem ser inscritos nesse lugar, assim como tantas maneiras (&#8230;) de ser da falta, de modaliza\u00e7\u00f5es (&#8230;) diversidade do nada (&#8230;) \u00e9 esta concep\u00e7\u00e3o propriamente dial\u00e9tica<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 esta ordem simb\u00f3lica que traz o sintoma como mensagem. A este respeito, Tarrab<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> diz que em nossa orienta\u00e7\u00e3o lacaniana o sintoma come\u00e7a com um acontecimento concernente \u00e0 linguagem e termina como um acontecimento de corpo, um corpo perturbado, modificado, marcado pelo Outro e pelo Real.<\/p>\n<p>Segundo Miller<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> o inconsciente \u00e9 feito de <em>lalangue <\/em>e seus efeitos v\u00e3o al\u00e9m de comunicar, porque perturbam o corpo, alma e o pensamento; por outro lado, a linguagem tem a mesma estrutura do discurso do mestre. H\u00e1 na l\u00edngua um real rebelde que n\u00e3o se formaliza, que o Outro tamb\u00e9m tenta capturar, mas que um chiste pode derrubar.<\/p>\n<p>Miller cita Lacan no Semin\u00e1rio XX, quando retrata a linguagem como uma elocubra\u00e7\u00e3o de saber sobre <em>lalangue<\/em>, bem como de que h\u00e1 mais coisas na <em>lalangue<\/em> do que sabe a linguagem.<\/p>\n<p>A <em>lalangue<\/em> \u00e9 aquela que a an\u00e1lise libera e desencadeia; \u00e9 dep\u00f3sito, colet\u00e2nea de tra\u00e7os de outro sujeito, aquilo do qual cada um inscreveu seu desejo na <em>lalangue<\/em>, pois o ser falante precisa do significante para desejar e o <em>parl\u00eatre<\/em> goza de suas fantasias, de significantes. Esta <em>lalangue<\/em> n\u00e3o se aloja no Outro da linguagem e ela s\u00f3 se sustenta no mal-entendido.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir do mal-entendido que, aquilo que da l\u00edngua se rebela, faz o som pr\u00f3prio de cada um.\u00a0 <em>Lalangue<\/em> de cada um que resulta em uma verdade pr\u00f3pria advinda daquilo que toca o corpo?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Miller, J.-A. \u201c<em>Habeas corpus\u201d<\/em>,\u00a0<em>Scilicet As psicoses ordin\u00e1rias e as outras, sob transfer\u00eancia<\/em>, p.16 e 17.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Freud, S.\u00a0O ego e o id.\u00a0Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Lacan, J. Discurso de Roma. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1998, p.169.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Miller, J.-A. Teoria d\u2019al\u00edngua (rudimento). In: Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 66.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Tarrab, M. Notas sobre el cuerpo. In: <a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2072-06962004000100016\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2072-06962004000100016<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Miller, J-A, 1985, op, cit.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elisangela Miras O\u00a0falasser\u00a0habita a linguagem e tem um corpo que \u201cse goza\u201d: N\u00e3o \u00e9 o corpo que fala por iniciativa pr\u00f3pria, \u00e9 sempre o homem que fala\u00a0com\u00a0seu corpo, [\u2026] ele se serve de seu corpo para falar. 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