{"id":6731,"date":"2022-09-25T09:40:07","date_gmt":"2022-09-25T12:40:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6731"},"modified":"2022-09-25T09:40:07","modified_gmt":"2022-09-25T12:40:07","slug":"a-fala-plena-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-fala-plena-nao-existe\/","title":{"rendered":"A FALA PLENA N\u00c3O EXISTE"},"content":{"rendered":"<h5><strong>\u00c9lida Biasoli<br \/>\n<\/strong><strong>Associada ao CLIN-a<\/strong><\/h5>\n<figure id=\"attachment_6720\" aria-describedby=\"caption-attachment-6720\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6720\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/007-1-300x294.jpg\" alt=\"Imagem \u2013 Instagram: oddstorage.aa\" width=\"300\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/007-1-300x294.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/007-1.jpg 523w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6720\" class=\"wp-caption-text\">Imagem \u2013 Instagram: oddstorage.aa<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Eixo 2: Transfer\u00eancia: paradoxos entre saber, amor e gozo<\/strong><\/p>\n<p>Miller, em seu curso <em>Os paradoxos da puls\u00e3o<\/em>, explora o que ele chama \u201ca mola da inven\u00e7\u00e3o conceitual de Lacan\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>, que \u00e9 traduzir a puls\u00e3o freudiana na ordem da linguagem. Seguindo o fio de seu racioc\u00ednio, ele coloca dois pontos dessa investiga\u00e7\u00e3o. Ponto 1: \u00e9 o ponto de partida em uma an\u00e1lise em que o que se visa \u00e9 um dizer verdadeiro, e para que ele advenha, \u00e9 preciso liberar a verdade do sintoma. Nesse ponto h\u00e1 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do gozo. Ponto 2: aqui gozar ganha a import\u00e2ncia e \u00e9 ele, o gozar, que fornece a pr\u00f3pria raz\u00e3o de dizer. E assim se op\u00f5e, ent\u00e3o, valor de verdade e valor de gozo, criando o problema da sua concilia\u00e7\u00e3o: \u00e9 \u201c<em>o<\/em> problema do ensino de Lacan\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, uma das faces do tratamento anal\u00edtico consiste em encontrar o recalcado, isto \u00e9, o significado, e devolv\u00ea-lo ao significante: isto \u00e9 o sintoma! O recalque \u00e9 o que separa o significante do significado no sintoma. Existiria, ent\u00e3o, uma fala sem o recalque, uma <em>fala plena<\/em> em que o sujeito converte a verdade de seus sintomas? \u00c9 Lacan quem conclui: \u201cA fala plena n\u00e3o existe\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>. Nessa fala, o significado do sintoma deixaria de ter o suporte do corpo e do imagin\u00e1rio, sendo apenas simb\u00f3lico. \u201cE o que chamamos o ensino de Lacan talvez n\u00e3o seja outra coisa sen\u00e3o o ensino do imposs\u00edvel da fala plena\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. E justamente a impossibilidade de dizer na fala a verdade da fala \u00e9 o que Lacan chamou de S(\u023a), ou seja, a verdade n\u00e3o \u00e9 toda.<\/p>\n<p>Esses momentos da an\u00e1lise, momentos em que se topa com um imposs\u00edvel \u201c\u00e9 a emerg\u00eancia de um tra\u00e7o que se dirige ao analista, por vezes de maneira mal-intencionada, um momento de agressividade\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. Ent\u00e3o, quando a elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica se encontra com um imposs\u00edvel a dizer, pode ocorrer do sujeito deslizar para o eixo imagin\u00e1rio, e, nesse preciso momento, ele se d\u00e1 conta da presen\u00e7a do analista como pequeno outro, assim experimentando uma tens\u00e3o agressiva. Aqui, a recomenda\u00e7\u00e3o de Lacan n\u00e3o segue na via de alguns p\u00f3s-freudianos que visam interpretar a defesa, a resist\u00eancia. \u201c\u00c9 preciso fazer a volta e interpretar ao n\u00edvel simb\u00f3lico\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>. Mas a pr\u00e1tica evidencia que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel esse relance ao simb\u00f3lico. \u00c0s vezes, tudo que resta ao analista \u00e9 bater em retirada. Quais sa\u00eddas diante dessa encruzilhada?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> MILLER, J-A. Silet &#8211; Os paradoxos da puls\u00e3o, de Freud a Lacan, Rio de Janeiro: Zahar, 2005, p. 52.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Idem, p. 52.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Idem, p. 53.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Idem, p. 53.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Idem, p. 60.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Idem, p. 62<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9lida Biasoli Associada ao CLIN-a Eixo 2: Transfer\u00eancia: paradoxos entre saber, amor e gozo Miller, em seu curso Os paradoxos da puls\u00e3o, explora o que ele chama \u201ca mola da inven\u00e7\u00e3o conceitual de Lacan\u201d[1], que \u00e9 traduzir a puls\u00e3o freudiana na ordem da linguagem. 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