{"id":6728,"date":"2022-09-25T09:39:02","date_gmt":"2022-09-25T12:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6728"},"modified":"2022-09-25T09:39:02","modified_gmt":"2022-09-25T12:39:02","slug":"a-mentira-veridica-o-eu-ideal-e-a-interpretacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-mentira-veridica-o-eu-ideal-e-a-interpretacao\/","title":{"rendered":"A MENTIRA VER\u00cdDICA, O EU IDEAL E A INTERPRETA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Cristiana Chacon Gallo<br \/>\n<\/strong><strong>Membro da EBP e da AMP<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6719\" aria-describedby=\"caption-attachment-6719\" style=\"width: 243px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6719\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/008-1-243x300.jpg\" alt=\"Imagem \u2013 Instagram: beyond_print\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/008-1-243x300.jpg 243w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/008-1.jpg 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6719\" class=\"wp-caption-text\">Imagem \u2013 Instagram: beyond_print<\/figcaption><\/figure>\n<p>Partindo do Eixo 3 de nossas Jornadas, gostaria de explorar o \u201c<em>ponto<\/em> desde o qual uma verdade se produz\u201d, tal como apresentado por Lacan no Semin\u00e1rio 11, ao abordar o seu esquema \u00f3tico.<\/p>\n<blockquote><p>Este esquema torna claro \u2013 [&#8230;] \u2013 que ali onde o sujeito se v\u00ea, isto \u00e9, onde se forja essa imagem real e invertida de seu pr\u00f3prio corpo que \u00e9 dado no esquema do eu, n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 de onde ele se olha.<\/p>\n<p>Mas, certamente, \u00e9 no espa\u00e7o do Outro (A) que ele se v\u00ea, e o ponto de onde ele se olha tamb\u00e9m est\u00e1 nesse espa\u00e7o. Ora, \u00e9 bem aqui tamb\u00e9m que est\u00e1 o ponto de onde ele fala, pois, no que ele fala, \u00e9 no lugar do Outro (A) que ele come\u00e7a a constituir essa mentira ver\u00eddica pela qual tem come\u00e7o aquilo que participa do desejo no n\u00edvel inconsciente.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Neste p<em>onto<\/em> em que imagem e fala se conjugam, o circuito da puls\u00e3o esc\u00f3pica se revela a\u00ed tamb\u00e9m em jogo &#8211; em termos freudianos se destaca a atividade-passividade implicada no <em>ver<\/em> e <em>ser visto,<\/em> que se desdobra no \u201c<em>se fazer ver<\/em>\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> e leva a \u201cperceber que a puls\u00e3o \u00e9 sempre ativa.\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Apontar para o circuito pulsional na constitui\u00e7\u00e3o da <em>mentira ver\u00eddica<\/em> neste ponto de partida comum da imagem e da linguagem &#8211; em que a fala que veicular\u00e1 os significantes do Outro se conjuga \u00e0 captura por uma imagem de si enquanto eu ideal &#8211; descreve um exerc\u00edcio que pareceu interessante realizar, indo do est\u00e1dio do espelho a este esquema \u00f3tico e levantando quest\u00f5es que encontrar\u00e3o melhor esclarecimento a partir da l\u00f3gica dos n\u00f3s.<\/p>\n<p>A poss\u00edvel articula\u00e7\u00e3o entre a <em>mentira ver\u00eddica <\/em>e o que Lacan apresentar\u00e1 mais tarde como a \u201cimpot\u00eancia da verdade\u201d frente ao imposs\u00edvel de decifrar no sintoma, despertou um maior interesse no imagin\u00e1rio \u201cconservado\u201d nos restos sintom\u00e1ticos, a que uma an\u00e1lise que dura se destina.<\/p>\n<p>Neste sentido, uma quest\u00e3o trazida por Brousse permitiu melhor circunscrever este ponto de interesse:<\/p>\n<blockquote><p>O\u00a0<em>Semin\u00e1rio 23<\/em>\u00a0permite fazer uma hip\u00f3tese: esses elementos, cristais do imagin\u00e1rio, indel\u00e9veis ao processo anal\u00edtico, conservando uma refer\u00eancia ao corpo e \u00e0 sua imagem, n\u00e3o poderiam ser considerados como o n\u00facleo do ego? [&#8230;] Estas cenas, efetivamente, apresentam a imagem, o corpo, fora de toda perspectiva totalizante, mas, por outro lado, n\u00e3o sem rela\u00e7\u00e3o com o circuito do gozo. Isto d\u00e1 tamb\u00e9m uma pista para responder \u00e0 quest\u00e3o do futuro do narcisismo num tratamento levado a seu termo.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Em outro momento, Brousse apontou para \u201co poder de uma imagem como real\u201d uma vez que \u201cpor ser uma imagem, ela n\u00e3o deixa de ter consequ\u00eancias reais\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, tal como entendo a da destina\u00e7\u00e3o de um corpo: um poss\u00edvel sobre o fundo de um imposs\u00edvel de dizer acerca do gozo que escapa \u00e0 imagem, n\u00e3o sendo apreens\u00edvel no espelho, uma vez que se encontra no circuito descrito em torno do objeto enquanto n\u00e3o especulariz\u00e1vel.<\/p>\n<p>Imagem articulada aos significantes mestres e sobre a qual a interpreta\u00e7\u00e3o poder\u00e1 incidir, vindo a produzir resson\u00e2ncias no corpo enquanto suporte do gozo a\u00ed implicado.<\/p>\n<p>Silvia Salman, no relato do final de sua an\u00e1lise, apresenta uma \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o contratransferencial\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> do analista que produz um efeito imediato de fuga e, na sequ\u00eancia, efeitos de esclarecimento da \u201cgram\u00e1tica pulsional\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a> e o pr\u00f3prio \u201cabalo libidinal\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Em um gesto surpreendente, o analista \u201c<em>agarra\u201d<\/em> o ponto de jun\u00e7\u00e3o entre uma imagem de si para o Outro, nomeada como \u201cdesenho animado\u201d, e a satisfa\u00e7\u00e3o pulsional implicada em se fazer fugidia \u2013 \u201cum corpo que escapole, que n\u00e3o pode ser agarrado j\u00e1 que n\u00e3o se trata de um corpo de carne e osso, mas de um desenho.\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Nas palavras de Silvia Salman, a partir deste ponto a an\u00e1lise caminhou em dire\u00e7\u00e3o ao desinvestimento da via significante e do sentido, articulada ao \u201cdesenho animado\u201d, seguindo por \u201cuma l\u00f3gica encarnada\u201d e a sua sa\u00edda da an\u00e1lise.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> LACAN, J.\u00a0<em>O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise<\/em>. RJ: Zahar, 1988, p. 137.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Idem, <em>ibidem<\/em>, p. 184.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> SALMAN, S. \u00c2nimo de amar. In<em>: Revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 58, out. 2010, p.106<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> BROUSSE, M.-H. <a href=\"http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/08\/xx-encontro-brasileiro-do-campo_15.html\">AMP Blog: XX Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: O amor ao sinthoma contra o \u00f3dio da diferen\u00e7a, por Marie H\u00e9l\u00e8ne Brousse (ampblog2006.blogspot.com)<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> BROUSSE, M-H. Corpos lacanianos: novidades contempor\u00e2neas sobre o Est\u00e1dio do espelho. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie<\/em>, Ano 5, n.15, nov. 2014, p.2-3<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> \u00a0SALMAN, S. <em>Op. Cit<\/em>. p.106<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> \u00a0SALMAN, S. <em>Op. Cit<\/em>. p.107<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> \u00a0SALMAN, S. <em>Op. Cit<\/em>. p.107<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> SALMAN, S. <em>Op. Cit<\/em>. p.106<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cristiana Chacon Gallo Membro da EBP e da AMP Partindo do Eixo 3 de nossas Jornadas, gostaria de explorar o \u201cponto desde o qual uma verdade se produz\u201d, tal como apresentado por Lacan no Semin\u00e1rio 11, ao abordar o seu esquema \u00f3tico. 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