{"id":6643,"date":"2022-08-29T07:40:19","date_gmt":"2022-08-29T10:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6643"},"modified":"2022-08-29T07:40:19","modified_gmt":"2022-08-29T10:40:19","slug":"uma-joia-intramuros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/uma-joia-intramuros\/","title":{"rendered":"UMA JOIA INTRAMUROS"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h6><strong>Maria do Carmo Dias Batista<br \/>\n<\/strong><strong>AME, membro da EBP e da AMP<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_6635\" aria-describedby=\"caption-attachment-6635\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6635\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_010-1-300x296.jpg\" alt=\"Imagem \u2013 Instagram: @debra_frances\" width=\"300\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_010-1-300x296.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/interdito_003_010-1.jpg 497w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6635\" class=\"wp-caption-text\">Imagem \u2013 Instagram: @debra_frances<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Estou falando com as paredes <\/em>[<em>Je parle sux murs<\/em>] \u00e9 um pequeno livro, \u00faltimo da s\u00e9rie dos pequenos livros <em>Paradoxos de Lacan<\/em>, lan\u00e7ada pela Zahar no Brasil entre a primeira e a segunda d\u00e9cada dos anos 2000 e dirigida por Judith e Jacques-Alain Miller.<\/p>\n<p><em>Estou falando com as paredes<\/em> re\u00fane tr\u00eas aulas do Semin\u00e1rio <em>O saber do psicanalista<\/em>, proferidas por Lacan na capela do Hospital Sainte-Anne em quatro de novembro de 1971, dois de dezembro de 1972 e seis de janeiro de 1972. Essas aulas foram separadas por Jacques-Alain Miller da publica\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio 19, conforme o pr\u00f3prio Miller exp\u00f5e na nota introdut\u00f3ria ao livro, indicando seus motivos.<\/p>\n<p>O pequeno livro \u00e9 uma joia para se estudar <em>\u023a verdade e o gozo que n\u00e3o mente<\/em>, tema das Jornadas da EBP-SP de 2022. A primeira das aulas tem como t\u00edtulo \u201cSaber, ignor\u00e2ncia, verdade e gozo\u201d. Nela Lacan vai da douta ignor\u00e2ncia de Nicolau de Cusa at\u00e9 passagens dos textos freudianos <em>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer<\/em> e <em>Mal-estar na Civiliza\u00e7\u00e3o<\/em> para dizer que \u201ca sexualidade, sem nenhuma d\u00favida, est\u00e1 no centro de tudo o que se passa no inconsciente. Mas est\u00e1 no centro por ser uma falta. Isso quer dizer que, no lugar de seja o que for que pudesse escrever-se da rela\u00e7\u00e3o sexual como tal, surgem em substitui\u00e7\u00e3o os impasses gerados pela fun\u00e7\u00e3o do gozo sexual [&#8230;]\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Na \u00faltima aula, de seis de janeiro de 1972, cujo t\u00edtulo <em>Estou Falando com as Paredes <\/em>d\u00e1 nome ao livro, Lacan trabalha detidamente cada um dos versos da poesia de Antoine Tudal<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>, j\u00e1 citada por ele muito tempo antes em <em>Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem<\/em><a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Entre o homem e a mulher <\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 o amor.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>Entre o homem e o amor <\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um mundo.<\/em><\/p>\n<p><em>Entre o homem e o mundo <\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um muro.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Diz Lacan: \u201c[&#8230;] esses seis versos de p\u00e9 quebrado s\u00e3o poesia, apesar de tudo. \u00c9 poesia proverbial, porque ronrona\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. E continua:<\/p>\n<p>Haver o amor entre o homem e a mulher \u00e9 \u00f3bvio \u201cs\u00f3 existe isso\u201d. Ele se comunica, circula, vai do fluxo ao influxo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, existir um mundo entre o homem e o amor \u201cquer dizer que voc\u00eas nunca chegar\u00e3o l\u00e1\u201d. Pois, se o amor gruda, o mundo flutua&#8230;<\/p>\n<p>No entanto, se entre o homem e o mundo h\u00e1 um muro, lugar no qual a jun\u00e7\u00e3o entre saber e verdade est\u00e1 barrada, cortada pelo muro, pelo muro da castra\u00e7\u00e3o, logo \u201co saber deixa intacto o campo da verdade e vice-versa, ali\u00e1s\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEsse muro est\u00e1 em toda a parte [&#8230;]\u201d. \u201cAs paredes [&#8230;] eu as reconstruo logicamente. Esse S barrado, esses S1, S2 e esse <em>a <\/em>s\u00e3o exatamente isto, a parede atr\u00e1s da qual voc\u00eas podem p\u00f4r o sentido do que nos concerne, daquilo que acreditamos saber o que querem dizer a verdade, o semblante, o gozo, o mais-de-gozar\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>A parede sempre pode nos servir de espelho&#8230; [<em>miroir<\/em> \u2013 <em>muroir<\/em>].<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> LACAN. J. <em>Estou falando com as paredes. Conversas na Capela de Saint-Anne<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p.33-34.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> LACAN, J. <em>op. cit., <\/em>p.90.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> LACAN, J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise\u201d. In: <em>Escritos. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p.290.<em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> LACAN, J. <em>Estou falando com as paredes. op. cit.<\/em>, p.90-91.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> LACAN, J. <em>Estou falando com as paredes<\/em>. <em>op. cit<\/em>., p.94.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> <em>Idem<\/em>, p.97.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;6423&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Maria do Carmo Dias Batista AME, membro da EBP e da AMP Estou falando com as paredes [Je parle sux murs] \u00e9 um pequeno livro, \u00faltimo da s\u00e9rie dos pequenos livros Paradoxos de Lacan, lan\u00e7ada pela Zahar no Brasil entre a primeira e a segunda d\u00e9cada dos anos 2000 e dirigida por&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-6643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-inter-dito","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6643"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}