{"id":6370,"date":"2022-06-01T17:03:00","date_gmt":"2022-06-01T20:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6370"},"modified":"2022-06-01T17:03:00","modified_gmt":"2022-06-01T20:03:00","slug":"atualidade-do-texto-alem-do-principio-do-prazer-um-retorno-a-letra-de-freud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/atualidade-do-texto-alem-do-principio-do-prazer-um-retorno-a-letra-de-freud\/","title":{"rendered":"Atualidade do texto Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer:  um retorno \u00e0 letra de Freud.\u00a0"},"content":{"rendered":"<h6>Relatoria do texto: <em>Eduardo Vallejos<br \/>\n<\/em>Integrantes da sub-comiss\u00e3o Leituras da Biblioteca: <em style=\"font-size: 16px;\">Eduardo Vallejos, Gabriela Malvezzi, Mirmila Musse, Raquel Diaz Degenszajn, Ros\u00e2ngela Turim e Silvia Jacobo.<\/em><span style=\"font-size: 16px;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/span><\/h6>\n<p>A comiss\u00e3o de biblioteca da EBP-SP (2021-2023), sob as orienta\u00e7\u00f5es da Diretora de Biblioteca, Fabiola Ramon, seguindo na esteira do tema\u00a0 de trabalho sugerido pela diretoria nacional de bibliotecas da EBP, promoveu entre agosto de 2021 e mar\u00e7o de 2022 a atividade<em> Leituras da Biblioteca<\/em> que consistiu em tr\u00eas conversa\u00e7\u00f5es em torno do texto de Freud <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em>. Na \u00e9poca de seu centen\u00e1rio, tal proposta de retorno \u00e0 letra de Freud nos inspirou a problematizar a atualidade deste texto, interrogando seu edif\u00edcio te\u00f3rico constru\u00eddo at\u00e9 ent\u00e3o sobre a base do princ\u00edpio do prazer e do princ\u00edpio da realidade.<\/p>\n<p>Partimos de quatro quest\u00f5es centrais extra\u00eddas de nossas primeiras conversas na comiss\u00e3o: qual a atualidade deste texto e o que ele comporta de subversivo? Quais as consequ\u00eancias do texto no interior da teoria freudiana e qual sua import\u00e2ncia na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise hoje? A partir da leitura singular de cada integrante da comiss\u00e3o, o texto foi desdobrado e novas quest\u00f5es puderam ser lan\u00e7adas ao debate.<\/p>\n<p>Em nosso primeiro encontro, Mirmila Musse nos apresentou o percurso que fez do texto freudiano, partindo da hip\u00f3tese de que o estilo da pr\u00f3pria estrutura do texto apresenta algo que escapa \u00e0 constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica daquilo que est\u00e1 al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. As tens\u00f5es e distens\u00f5es apresentadas no decorrer do texto marcariam um movimento que parece fundamental para forjar o conceito de puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>Silvia Jacobo localizou o ponto de virada que marca um antes e um depois no modo de pensar a paradoxal satisfa\u00e7\u00e3o que habita o ser falante, no momento em que Freud conceitualiza a compuls\u00e3o a repeti\u00e7\u00e3o de onde deriva a puls\u00e3o de morte. Este giro o leva a reconsiderar o trauma vinculado \u00e0 exig\u00eancia pulsional, localizando assim um resto irredut\u00edvel e inaugurando a experi\u00eancia anal\u00edtica orientada pelo real.<\/p>\n<p>No segundo encontro Gabriela Malvezzi e Raquel Degenszajn animaram a conversa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m apontando de maneira clara para a rela\u00e7\u00e3o do <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em> com a teoria do gozo em Lacan. Gabriela pautou sua quest\u00e3o a partir de uma afirma\u00e7\u00e3o de Fabi\u00e1n Fajnwaks em seu texto <em>Jacques Lacan, precursor das teorias queer<\/em>: \u201co gozo sexual, entendido como aquele que designa uma rela\u00e7\u00e3o particular dos seres falante com o prazer, n\u00e3o \u00e9 o gozo tal como Lacan o entende\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Neste sentido, seria a puls\u00e3o e n\u00e3o o gozo sexual que situaria os seres falantes em uma rela\u00e7\u00e3o particular e irredut\u00edvel com o al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer.<\/p>\n<p>Pela via do conceito de compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o, Raquel nos introduziu \u00e0 mesma tem\u00e1tica. Ao revelar sua face oculta, a compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o seria a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte ou o real imposs\u00edvel de ser simbolizado? Neste sentido, como poder\u00edamos entender a no\u00e7\u00e3o de gozo formulada por Lacan em seu segundo ensino?<\/p>\n<p>No \u00faltimo encontro Eduardo Valejjos e Ros\u00e2ngela Turim se encarregaram de disparar a conversa\u00e7\u00e3o. Eduardo problematizou se poder\u00edamos estabelecer alguma aproxima\u00e7\u00e3o entre o afeto do \u00f3dio e \u201co gozo que se faz presente na viol\u00eancia concebida como satisfa\u00e7\u00e3o da puls\u00e3o de morte\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, ideia desenvolvida por J.-A. Miller a partir do ensino de Lacan. Nessa mesma l\u00f3gica prosseguiu interrogando se poder\u00edamos dizer que o amor j\u00e1 viria como resposta e tratamento ao \u00f3dio, uma vez que este \u00e9 anterior em rela\u00e7\u00e3o ao amor no que se refere \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p>Por fim, Ros\u00e2ngela articulou o texto de Freud com o tema do ato a partir de Miller. Segundo ele, \u201ctodo ato verdadeiro \u00e9 de fato um suic\u00eddio do sujeito\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, indicando a passagem ao ato como paradigma do ato. Neste sentido que sua quest\u00e3o se colocou: qual a rela\u00e7\u00e3o entre a puls\u00e3o de morte e o suic\u00eddio do sujeito, na medida em que h\u00e1 no suic\u00eddio e na passagem ao ato seu apagamento? No ato o sujeito pode renascer, diferente. Teria o ato do analista alguma rela\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o de morte, tal como Freud prop\u00f5e em <em>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do prazer<\/em>?<\/p>\n<p>O trabalho desta subcomiss\u00e3o produziu uma discuss\u00e3o que localizou no conceito de puls\u00e3o de morte um uso para ler nossa \u00e9poca e sua especial conex\u00e3o com a teoria do gozo em Lacan. Os sintomas contempor\u00e2neos evidenciam a tese de Freud, de que h\u00e1 um al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer em jogo nos sintomas. A assun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o sexuada, o tema das identifica\u00e7\u00f5es, das identidades e das comunidades de gozo exigem que sigamos este fio que Freud nos deixou, indicando a dimens\u00e3o de uma satisfa\u00e7\u00e3o desprazerosa do sintoma, que resiste ao sentido. Ele ainda nos revela que a puls\u00e3o de morte \u00e9 inelimin\u00e1vel, assim como o trauma da sexualidade, sempre contingente e a partir do qual cada sujeito deve se fazer respons\u00e1vel.\u00a0 Em outras palavras, Freud nos indica que a castra\u00e7\u00e3o escava um furo que n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de simboliza\u00e7\u00e3o e que produz efeitos no sujeito a partir de sua rela\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o e seus objetos. Trata-se, agora seguindo o ensino de Lacan, do real do sintoma, da parcela de gozo que n\u00e3o se inscreve no simb\u00f3lico, mas que pode ser lida e escrita no corpo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Freud, S. (1920). Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. In: <em>Obras incompletas de Sigmund Freud<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Fajnwaks, F. Jacques Lacan, precursor das teorias queer.<em> In: Psican\u00e1lise e psicopatologia lacanianas: impasses e solu\u00e7\u00f5es. <\/em>Curitiba: CRV, 2020, p. 17.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. (2017). Crian\u00e7as violentas, 2017. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana.<\/em> n\u00ba 77, p. 26.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Miller, J-A. (2014) Jacques Lacan: observa\u00e7\u00f5es sobre seu conceito de passagem ao ato. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online<\/em> \u2013 ano 5, n\u00ba 13.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatoria do texto: Eduardo Vallejos Integrantes da sub-comiss\u00e3o Leituras da Biblioteca: Eduardo Vallejos, Gabriela Malvezzi, Mirmila Musse, Raquel Diaz Degenszajn, Ros\u00e2ngela Turim e Silvia Jacobo.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0 A comiss\u00e3o de biblioteca da EBP-SP (2021-2023), sob as orienta\u00e7\u00f5es da Diretora de Biblioteca, Fabiola Ramon, seguindo na esteira do tema\u00a0&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-6370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leituras-da-biblioteca","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6370"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}