{"id":6078,"date":"2021-10-05T12:19:53","date_gmt":"2021-10-05T15:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=6078"},"modified":"2021-10-05T12:19:53","modified_gmt":"2021-10-05T15:19:53","slug":"flashes-da-comissao-de-orientacao-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/flashes-da-comissao-de-orientacao-2-2\/","title":{"rendered":"Flashes da Comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<figure id=\"attachment_6111\" aria-describedby=\"caption-attachment-6111\" style=\"width: 722px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6111\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/travessias004_002-1.jpg\" alt=\"Imagem: Pixabay\" width=\"722\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/travessias004_002-1.jpg 722w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/travessias004_002-1-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 722px) 100vw, 722px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-6111\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n[\/vc_column_text][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O Ato: de Freud a Lacan<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Milena Vicari Crastelo (EBP\/AMP)<\/strong><\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Existe psican\u00e1lise que n\u00e3o seja em ato?<\/p>\n<p>Quest\u00e3o levantada na atividade preparat\u00f3ria para estas jornadas e que seguiu ecoando para mim.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia da psican\u00e1lise est\u00e1 fundada no ato freudiano, que ao dar lugar de fala para as hist\u00e9ricas <em>descobre<\/em> o inconsciente. O ato tem lugar primordial para Freud, est\u00e1 no in\u00edcio e nos meados de seu ensino \u201c[&#8230;] \u00e9 na perspectiva do ato falho ou do ato sintom\u00e1tico que o ato surge na psican\u00e1lise freudiana\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Lacan, seguindo Freud, em ato funda uma Escola, que tem sua base assentada em dois dispositivos: o cartel e o passe.<\/p>\n<p>Penso que o passe nos fornece elementos para iluminar esta quest\u00e3o, visto que \u00e9 neste dispositivo que temos o testemunho do que \u00e9 a passagem de psicanalisante a psicanalista, e esta passagem tem em seu cerne o ato anal\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cO ato psicanal\u00edtico, ningu\u00e9m sabe, ningu\u00e9m viu al\u00e9m de n\u00f3s, ou seja, nunca situado e muito menos questionado, eis que n\u00f3s o supomos a partir do momento eletivo em que o psicanalisante passa a psicanalista\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, escreve Lacan no texto resumo do semin\u00e1rio de 1967-1968, <em>O ato psicanal\u00edtico<\/em>, e acrescenta: \u201cAssim isolado desse momento de instala\u00e7\u00e3o, o ato fica ao alcance de cada entrada numa psican\u00e1lise\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Levar em conta que existe um real que n\u00e3o se elimina, sustentar o incur\u00e1vel de um percurso de an\u00e1lise, \u00e9 o \u00edndice de que estamos numa psican\u00e1lise e penso que isso n\u00e3o se faz fora da dimens\u00e3o do ato. Psican\u00e1lise&#8230; experi\u00eancia que s\u00f3 acontece em ato?! Seguimos falando&#8230;<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BRODSKY, G. <em>Short Story os princ\u00edpios do ato anal\u00edtico<\/em>. Rio de Janeiro: Contracapa, 2004. p. 12.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. \u201cO ato psicanal\u00edtico\u201d (1969). In:\u00a0<em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 371.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>Ibid<\/em>, p. 371<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O ATO E A INTERPRETA\u00c7\u00c3O DA ESCOLA<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Daniela de Camargo Barros Affonso (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>Todo ato verdadeiro \u00e9 transgress\u00e3o, afirma Miller, em \u201cJacques Lacan: observa\u00e7\u00f5es sobre seu conceito de passagem ao ato\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. N\u00e3o h\u00e1 ato verdadeiro que n\u00e3o comporte uma ultrapassagem, a infra\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo, uma lei, que o ato tem a oportunidade de remanejar. \u00c9, tamb\u00e9m, da estrutura do ato, a destrui\u00e7\u00e3o do sujeito: \u201ctodo ato \u00e9 um suic\u00eddio do sujeito\u201d, diz Miller, na medida em que o sujeito n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo antes e depois do ato.<\/p>\n<p>Em <em>A er\u00f3tica do tempo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, Miller refere-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o como um momento n\u00e3o homog\u00eaneo, imprevisto, ap\u00f3s o qual todas as condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias a ele s\u00e3o perturbadas, apagadas, remanejadas. A interpreta\u00e7\u00e3o, para que esse efeito ocorra, n\u00e3o pode ser dita em qualquer momento ou em qualquer contexto, ou seja, ela se inscreve numa modalidade temporal espec\u00edfica: a surpresa. A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 o ato anal\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cA vida de uma Escola deve se interpretar\u201d, defende Miller em \u201cA teoria de Turim sobre o sujeito da Escola\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Para ele, o processo de forma\u00e7\u00e3o de uma Escola lacaniana precisa se desenvolver a c\u00e9u aberto, pois se trata de uma comunidade que s\u00f3 pode se constituir no pr\u00f3prio movimento de sua subjetiva\u00e7\u00e3o. Cabe ao AE interpretar a Escola, e ele o faz pela transmiss\u00e3o de sua diferen\u00e7a absoluta.<\/p>\n<p>Interpretar a Escola, portanto, passa por um ato que surpreende, remaneja, transgride, subverte. Foi isso que presenciamos quando Sandra Grostein<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> transmitiu seu \u00faltimo testemunho na Se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo da EBP. Neste, relata que passou de uma rela\u00e7\u00e3o com a psican\u00e1lise em que buscava um \u201csaber todo\u201d para uma rela\u00e7\u00e3o ao saber como \u201cn\u00e3o todo\u201d, mas n\u00e3o sem sentir resist\u00eancia em abandonar o \u201csaber todo\u201d, que percebe retornar de tempos em tempos em sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o e na Escola.<\/p>\n<p>Sandra relata identificar em si e na EBP momentos de apelo ao \u201ctodo saber\u201d, levando a comunidade Escola a poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o. Lembra que a vida na Escola \u00e9 feita de crises cujo efeito pode ser um gozo presente no autoritarismo que imp\u00f5e pelo convencimento e n\u00e3o proporciona as condi\u00e7\u00f5es para que surja o desejo de saber.<\/p>\n<p>Se o ato mata o sujeito para que ele renas\u00e7a transgredido, Sandra Grostein, em seu exerc\u00edcio de AE, proporcionou, a meu ver, este efeito disruptivo na Escola-sujeito, movimento imprescind\u00edvel que, ao fazer surgir o novo, permite que a Escola permane\u00e7a viva tendo sempre, como horizonte, o car\u00e1ter perturbador da descoberta freudiana do inconsciente.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Jacques-Alain Miller. \u201cJacques Lacan: observa\u00e7\u00f5es sobre seu conceito de passagem ao ato\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie<\/em>, Ano 5, n\u00ba 13, mar\u00e7o 2014.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> J.-A. Miller. <em>A er\u00f3tica do tempo<\/em>. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2000.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> J.-A. Miller. \u201cA teoria de Turim sobre o sujeito da Escola\u201d. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie<\/em>, Ano 7, n\u00ba 21, novembro 2016.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Testemunho de Sandra Grostein transmitido no dia 29 de setembro de 2021. As passagens aqui mencionadas s\u00e3o oriundas de notas pessoais feitas no momento da transmiss\u00e3o.<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator border_width=&#8221;3&#8243;][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Passagem ao ato e recha\u00e7o do saber<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Val\u00e9ria Ferranti (EBP\/ AMP)<\/h6>\n<p>Um dos poss\u00edveis modos de tomar a passagem ao ato \u00e9 como uma forma contumaz de recha\u00e7o ao saber.<\/p>\n<p>S1 em sua articula\u00e7\u00e3o com S2, portanto na produ\u00e7\u00e3o mesma de saber, resulta em perda de gozo e no gozo parcial que Lacan escreve com a letra <em>a. <\/em>Para Guy Trobas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, Lacan introduz a substitui\u00e7\u00e3o da perda de gozo com o mais-de-gozar em uma nova articula\u00e7\u00e3o do gozo com a lei. N\u00e3o mais sob a \u00e9gide da lei Edipiana, do Nome-do-Pai, mas da lei do mercado, do capitalismo e esta substitui\u00e7\u00e3o implica uma nova alian\u00e7a entre o gozo e a lei. Quais consequ\u00eancias para a amea\u00e7a da presen\u00e7a do objeto <em>a<\/em>, ou seja, da ang\u00fastia?<\/p>\n<p>Este novo tratamento do gozo &#8211; pelas leis do mercado &#8211; produz\u00a0 a s\u00e9rie infinita de <em>gadgets, <\/em>de objetos de consumo incapazes de proporcionar um gozo que possa satisfazer, que possa suturar o que insiste em n\u00e3o se escrever. E aqui localizamos a passagem ao ato: uma defesa frente a ang\u00fastia, ang\u00fastia que n\u00e3o \u201cse liga\u201d &#8211; como nos diz Freud -, a nenhum representante, a nenhum significante, portanto n\u00e3o se articula ao S2, a nenhuma elucubra\u00e7\u00e3o de saber e que nenhum objeto do consumo apazigua de modo perene.<\/p>\n<p>Para Trobas na\u00a0 passagem ao ato se trata da exclus\u00e3o do saber em sua\u00a0 raiz, h\u00e1 a exclus\u00e3o do fantasma fundamental.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Guy Trobas. \u201cTres respuestas del sujeto ante la angustia: inhibici\u00f3n, pasaje al acto y atinge out\u201d. In: <em>Logos 1<\/em>, Nueva Escuela Lacaniana. Buenos Aires: Serie Tri. Grama Ediciones. 2003.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] [\/vc_column_text][vc_column_text] O Ato: de Freud a Lacan Milena Vicari Crastelo (EBP\/AMP) \u00a0Existe psican\u00e1lise que n\u00e3o seja em ato? Quest\u00e3o levantada na atividade preparat\u00f3ria para estas jornadas e que seguiu ecoando para mim. A exist\u00eancia da psican\u00e1lise est\u00e1 fundada no ato freudiano, que ao dar lugar de fala para as hist\u00e9ricas descobre o inconsciente. 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