{"id":5262,"date":"2020-10-20T11:40:35","date_gmt":"2020-10-20T14:40:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=5262"},"modified":"2020-10-20T11:40:35","modified_gmt":"2020-10-20T14:40:35","slug":"politica-do-sintoma-e-extravio1-do-gozo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/politica-do-sintoma-e-extravio1-do-gozo\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica do sintoma e extravio[1] do gozo"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Miquel Bassols (ELP)<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_5246\" aria-describedby=\"caption-attachment-5246\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5246\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/002-2-300x182.png\" alt=\"Imagem: Pixabay\" width=\"300\" height=\"182\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/002-2-300x182.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/002-2.png 425w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5246\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u201cNo desatino de nosso gozo, s\u00f3 h\u00e1 o Outro para situ\u00e1-lo, mas na medida em que estamos separados dele. Da\u00ed as fantasias, in\u00e9ditas quando n\u00e3o nos met\u00edamos nisso.<\/em><\/p>\n<p><em>Deixar esse Outro entregue a seu modo de gozo, eis o que s\u00f3 seria poss\u00edvel n\u00e3o lhe impondo o nosso, n\u00e3o o tomando por subdesenvolvido.<\/em><\/p>\n<p><em>Somando-se a isso a precariedade de nosso modo, que agora s\u00f3 se situa a partir do mais-de-gozar e j\u00e1 nem sequer se enuncia de outra maneira, como esperar que se leve adiante a humanitarice de encomenda de que se revestiam nossas exa\u00e7\u00f5es<\/em>?<\/p>\n<p><em>Deus, recuperando a for\u00e7a, acabaria por ex-sistir, o que n\u00e3o pressagia nada melhor do que um retorno de seu passado funesto.\u201d <\/em>(Jacques Lacan: \u201cTelevis\u00e3o\u201d, <em>Outros Escritos<\/em>, Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 2003, p. 533.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica do sintoma tamb\u00e9m se orienta por esta resposta que Jacques Lacan deu a Jacques-Alain Miller, em um documento que mant\u00e9m sua atualidade. A pergunta era sobre a indica\u00e7\u00e3o que Lacan fizera nos anos 60, t\u00e3o inclinados aos ideais do humanismo, a respeito da ascens\u00e3o irrefre\u00e1vel a ser esperada do racismo e das diversas formas de segrega\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nos extraviamos em nosso gozo, na adi\u00e7\u00e3o com a qual ele se alimenta a cada dia. H\u00e1 que se insistir ainda? Qualquer um pode denunci\u00e1-lo sem perceber o combust\u00edvel que aporta para alimentar, ao mesmo tempo, esta maquinaria infernal. A puls\u00e3o de morte, dizia Freud, realimentada pelo imperativo do supereu: \u201cGoza, goza sempre um pouco mais!\u201d Ultrapassado o limite, n\u00e3o h\u00e1 mais bordas quando se trata de gozar. Este seria um assunto que somente importaria a cada um, se n\u00e3o fosse pelo fato desse imperativo ser correlativo ao recha\u00e7o que se alimenta, ao mesmo tempo, daquilo que percebemos como o gozo do Outro. Mas \u00e9, precisamente, unicamente este Outro que podemos ter como refer\u00eancia, como b\u00fassola para distinguir e situar nosso modo de gozar; inclusive para limit\u00e1-lo, para ter em conta a perda necess\u00e1ria que isso implica, e n\u00e3o ser somente um ser-para-a-morte, ofertado \u00e0 puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>Deste Outro do gozo, estamos necessariamente separados, \u00e9 um Outro radical, t\u00e3o radicalmente Outro que chega a nos parecer inumano. Mas, de fato, \u00e9 t\u00e3o inumano como nosso pr\u00f3prio modo de gozar. E ao Outro, quando o fazemos existir como Outro, nosso modo de gozar tamb\u00e9m lhe parecer\u00e1 inumano? Tudo isso se cristaliza em fantasias mais ou menos perversas, mais ou menos adequadas ao prazer de cada um, fantasias com as quais tentamos interpretar o modo de gozar do Outro quando nos parece inumano. S\u00e3o fantasias in\u00e9ditas que nos parecem absolutamente originais e nunca vistas, at\u00e9 que nos metemos nisso que chamamos agora, devido a uma fantasia precisamente, de \u201cmulticulturalidade\u201d. O que quer dizer: os modos de gozar do outro me parecem estranhos, mas somente s\u00e3o estranhos a minha fantasia, segundo a forma com a qual interpreto meu pr\u00f3prio modo de gozar.<\/p>\n<p>Deste gozo e deste Outro, o melhor \u00e9 dizer que n\u00e3o quero saber nada, melhor dizer-me isso do que pensar ingenuamente que sei mais do que ele a respeito desse gozo do qual n\u00e3o quero saber nada. Ent\u00e3o, o que devo fazer com este Outro, ao mesmo tempo t\u00e3o estranho e t\u00e3o familiar, uma vez que reconhe\u00e7o aquilo que n\u00e3o queria saber de mim, do meu gozo? \u201cDeixar esse Outro entregue a seu modo de gozo&#8230;\u201d seria uma sa\u00edda poss\u00edvel, deix\u00e1-lo entregue a seu pr\u00f3prio modo de gozo, e que ele me deixe com o meu, cada um em seu tonel, como um par de Di\u00f3genes, cada um em seu cinismo, sem que cada um veja o furo por onde flui seu des-ser, e o do Outro.<\/p>\n<p>De fato, essa era a observa\u00e7\u00e3o de Claude Levi Strauss que alarmou a UNESCO em duas interven\u00e7\u00f5es que constitu\u00edram um marco: a separa\u00e7\u00e3o entre as culturas era uma b\u00fassola melhor do que os ideais vaporosos da multiculturalidade mesclada, ideais que parecem finalmente destinados a segregar ainda mais o gozo do Outro. O turbilh\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es que causou \u00e9 conhecido. Sua segunda interven\u00e7\u00e3o, \u201cRa\u00e7a e cultura\u201d, foi ouvida em 1971, com um mal-estar especial por parte de alguns defensores do universalismo e da integra\u00e7\u00e3o entre as culturas. O ideal de toler\u00e2ncia rec\u00edproca quando se trata dos modos de gozar, o ideal de uma reciprocidade entre o gozo de cada ser falante e o gozo do Outro se mostram imposs\u00edveis de sustentar. \u00c9 o que Lacan p\u00f4de elaborar a respeito do gozo, como um registro radicalmente diferente do desejo, sempre desejo do Outro. O gozo, pelo contr\u00e1rio, nunca \u00e9 o gozo do Outro. Cinquenta anos depois, na \u00e9poca da chamada globaliza\u00e7\u00e3o, a observa\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica de L\u00e9vi-Strauss parece o mais atual. L\u00e9vi-Strauss j\u00e1 intu\u00eda, naquele momento, as condi\u00e7\u00f5es da impossibilidade de uma reciprocidade entre diversos modos de gozar, e o fazia recorrendo \u00e0 no\u00e7\u00e3o lacaniana do \u201cgozo do Outro\u201d, ainda que n\u00e3o escrevesse este Outro com mai\u00fascula, nem citasse explicitamente Lacan: \u201ca toler\u00e2ncia rec\u00edproca sup\u00f5e realizadas duas condi\u00e7\u00f5es que as sociedades contempor\u00e2neas est\u00e3o mais longe do que nunca de conhecerem: por um lado, uma igualdade relativa e, por outro, uma dist\u00e2ncia f\u00edsica suficiente [&#8230;] Porque n\u00e3o se pode, ao mesmo tempo, fundir-se no gozo do outro.\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> Quando se trata do gozo do Outro, a igualdade \u00e9 sempre relativa \u00e0 fantasia de cada sujeito, segundo o que deste Outro lhe pare\u00e7a semelhante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria imagem que tenha si mesmo e de seu modo de gozar. Por outro lado, quando este Outro se faz presente de um modo que se torna intrusivo, a dist\u00e2ncia f\u00edsica parece o \u00fanico recurso poss\u00edvel. \u201cDistanciamento social\u201d, como \u00e9 chamado nestes dias de pandemia, confundindo o sujeito da linguagem e do gozo com seu corpo.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o do gozo do Outro, a suposi\u00e7\u00e3o de uma diferen\u00e7a radical do modo de gozar dos outros, assume um relevo especial quando se trata da toler\u00e2ncia rec\u00edproca entre coletivos que se pensam diferentes. \u00c9 a\u00ed onde a observa\u00e7\u00e3o de Lacan adquire sua dimens\u00e3o pol\u00edtica. O ideal de reciprocidade dos modos de gozar tem um pre\u00e7o, um pre\u00e7o muito alto quando passamos da \u201cpsicologia individual\u201d \u00e0 \u201cpsicologia de grupo\u201d, para retomar os termos de Freud em sua \u201cPsicologia das massas e an\u00e1lise do Eu\u201d. Chega o momento inevit\u00e1vel em que o gozo do Outro, o gozo como alteridade, \u00e9 imposs\u00edvel de ser reduzido ao semelhante, \u00e0quilo que a fantasia considerava como homog\u00eaneo \u00e0 pr\u00f3pria imagem e ao pr\u00f3prio modo de gozar. E a\u00ed faz-se presente aquilo que do Outro n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo \u00e0 fantasia, faz-se presente a dimens\u00e3o do pr\u00f3ximo como imposs\u00edvel de reduzir ao semelhante. Ent\u00e3o, a irrup\u00e7\u00e3o do gozo do Outro nos mostra que nosso pr\u00f3prio gozo n\u00e3o estava t\u00e3o orientado como parecia, que nosso modo de gozar segue t\u00e3o \u00e0 deriva como qualquer outro. \u00c9 quando o modo de gozar do outro pode ser considerado como uma forma subdesenvolvida, tal como indica o termo de Lacan. O fen\u00f4meno do etnocentrismo, t\u00e3o bem isolado pela antropologia como um fen\u00f4meno geral de todas as culturas, tem aqui sua raiz. Queremos impor ao outro, o qual consideramos ent\u00e3o um subdesenvolvido, nosso modo de gozar, seguindo, por vezes, um ideal humanit\u00e1rio. Mas, para manter mais secreta ainda a causa das exa\u00e7\u00f5es do nosso modo de gozar.<\/p>\n<p>O termo \u201cexa\u00e7\u00e3o\u201d, utilizado por Lacan, tem v\u00e1rias conota\u00e7\u00f5es. Em espanhol<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> \u00e9 um termo jur\u00eddico que designa a a\u00e7\u00e3o de exigir o pagamento de impostos ou de tributos. Podemos falar, por exemplo, de uma exa\u00e7\u00e3o ilegal como o delito cometido por uma autoridade ou por um funcion\u00e1rio p\u00fablico, ao exigir o pagamento de impostos n\u00e3o autorizados devidamente, ou ao exigir direitos superiores aos que lhe s\u00e3o assinalados no exerc\u00edcio de suas atribui\u00e7\u00f5es. Em franc\u00eas, \u201cexactions\u201d inclui o sentido de exigir, geralmente pela for\u00e7a, o pagamento daquilo que, na realidade, n\u00e3o se deve ou um pagamento superior ao valor devido. Por extens\u00e3o, uma \u201cexa\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um maltrato, um ato de viol\u00eancia em todas suas formas poss\u00edveis. Digamos ent\u00e3o que somente consideramos o outro como um subdesenvolvido, afetado de um modo de gozar e de viver inferior ao nosso, para exigir-lhe que pague por nosso modo de gozar. E assim tamponar nossas pr\u00f3prias exa\u00e7\u00f5es, as do nosso modo de gozar.<\/p>\n<p>E aqui come\u00e7a o racismo, aqui come\u00e7a a l\u00f3gica da segrega\u00e7\u00e3o do n\u00e3o semelhante, do Outro que pode chegar ao ponto de querer sua extermina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, tal como a Europa <span style=\"text-decoration: line-through;\">a<\/span> conheceu nos tempos do fascismo. E isto \u00e9 algo que n\u00e3o se corrige com nenhuma boa pedagogia, com nenhum humanismo, por mais bondoso que se queira. A fantasia do gozo do Outro \u00e9 o limite das melhores inten\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas e humanit\u00e1rias. Ao fracasso do princ\u00edpio do prazer descoberto por Freud, \u00e9 preciso acrescentar agora o fracasso do princ\u00edpio do gozo, mais espinhoso ainda.<\/p>\n<p>M\u00e1quina infernal, com efeito. Acrescenta-se ainda, para azeitar seu mecanismo, um fato hoje incontest\u00e1vel: nosso modo de gozar \u00e9, como assinala Lacan, t\u00e3o prec\u00e1rio que ningu\u00e9m pode duvidar, j\u00e1 que leva por si mesmo ao desastre ecol\u00f3gico, \u00e0 fal\u00eancia econ\u00f4mica e a um aumento progressivo das desigualdades, com os efeitos de segrega\u00e7\u00e3o implicados. A l\u00f3gica do discurso capitalista se alimenta deste mecanismo que Marx descobriu como a produ\u00e7\u00e3o da mais-valia, mais-valia que \u00e9 de fato um mais-de-gozar, sempre um pouco mais. Disso Marx vislumbrou a forma sintom\u00e1tica, por exemplo, quando fala do fetichismo da mercadoria. Lacan reconhece a import\u00e2ncia desta descoberta marxista e desenvolve suas consequ\u00eancias: a cada um seu gozo, a cada um seu sintoma, sua pr\u00f3pria maneira de extraviar-se no gozo. De fato, o mais-de-gozar \u00e9 hoje a b\u00fassola, o objeto que ocupa o lugar de comando, o objeto que vem no lugar do significante Mestre, uma vez que os diferentes significantes Mestres t\u00eam ca\u00eddo do seu lugar de autoridade, um ap\u00f3s o outro. E o significante \u201cdemocracia\u201d n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo a cair.<\/p>\n<p>A Humanidade tamb\u00e9m tem sido um significante Mestre para uma pol\u00edtica do gozo que n\u00e3o pode reconhecer em si mesma a maquinaria infernal do mais-de-gozar. O recurso ao Humanismo, que atravessou o Ocidente desde o Renascimento at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial, ficou, para Lacan, inevitavelmente reduzido a um \u201chumanitarismo\u201d, em uma \u201chumanitarer\u00eda\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a> se queremos transportar ao espanhol o ir\u00f4nico neologismo que inventa aqui &#8211; <em>humanitairerie<\/em>. N\u00e3o deixa de ser outra forma de justificar um modo de gozar que n\u00e3o quer saber nada da segrega\u00e7\u00e3o que ele engendra. E hoje, pode ser muito bem em nome deste humanismo uma forma de se impor um modo de gozo ao outro. Ainda que seja com a pretens\u00e3o de salv\u00e1-lo. Sim, mas salv\u00e1-lo de qu\u00ea e para qu\u00ea? Salv\u00e1-lo para faz\u00ea-lo t\u00e3o servo, como n\u00f3s mesmos, da maquinaria do nosso gozo? Cuidado ent\u00e3o com o humanitarismo. Pode ser somente uma forma de revestir com um bom ideal a exa\u00e7\u00e3o do meu pr\u00f3prio modo de gozar, impondo-o aos demais, que pretendo salvar do seu.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das religi\u00f5es \u00e9 o melhor exemplo deste mal-entendido estrutural entre os modos de gozar, das diversas vers\u00f5es daquilo que se considera, em cada caso, a melhor maneira de gozar do Outro. Com todos seus para\u00edsos prometidos. Em rela\u00e7\u00e3o ao gozo, podemos considerar-nos todos, e cada um, religiosos. Come\u00e7ando por Di\u00f3genes que optou pelo gozo solit\u00e1rio em seu tonel. Ou dito ao modo freudiano: a religi\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma forma coletiva da neurose individual. E existem tantas quantas queiramos para alimentar \u201cos deuses obscuros\u201d, como Lacan os denominou, sempre dispostos, com seu retorno, a pedir o sacrif\u00edcio do sujeito ou de todo um coletivo, se for preciso, \u00e0 fantasia do gozo do Outro.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise descobriu que o sintoma &#8211; o sintoma que se aninha no mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 aquilo que pode deter<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a> este mecanismo infernal que hoje vemos funcionar em escala coletiva. A singularidade do sintoma implica em si mesma um modo de gozar que n\u00e3o se reconhece como tal e que \u00e9 preciso decifrar para que o sujeito possa toler\u00e1-lo e saber fazer algo com ele al\u00e9m de sofr\u00ea-lo. \u00c9 por isso que Lacan tamb\u00e9m p\u00f4de dizer que a psican\u00e1lise \u00e9 uma pol\u00edtica do sintoma<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>. N\u00e3o do sintoma que \u00e9 preciso fazer desaparecer a qualquer pre\u00e7o, mas sim do sintoma como portador de uma verdade do sujeito de nosso tempo, do seu mais-de-gozar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Paola Salinas<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Nohem\u00ed Brown<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> N.T.: Na tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas desta cita\u00e7\u00e3o de Lacan, a express\u00e3o utilizada \u00e9 <em>desatino do gozo.<\/em> Optamos por utilizar no t\u00edtulo a palavra extravio da tradu\u00e7\u00e3o espanhola, como foi dado. No original em franc\u00eas a palavra utilizada por Lacan \u00e9 <em>\u00e9garement.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> L\u00e9vi-Strauss, C. Ra\u00e7a e Cultura<em>. In: O olhar distanciado<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1983, pp. 45 e 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> N.T.: Em portugu\u00eas, o termo exa\u00e7\u00e3o, segundo o dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio: (do lat. <em>Exactione<\/em>) 1. Cobran\u00e7a rigorosa de d\u00edvida ou de impostos. 2. Exatid\u00e3o, pontualidade, corre\u00e7\u00e3o. 3. Exatid\u00e3o, precis\u00e3o, justeza. S\u00f3 a primeira defini\u00e7\u00e3o se aproxima do sentido que M. Bassols o explora no texto.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> N.T. <em>humanitarice <\/em>como foi traduzido em portugu\u00eas.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> N. T.: O autor usa uma express\u00e3o idiom\u00e1tica muito comum no espanhol, a saber: \u201c&#8230;es el palo puesto en la rueda\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> \u201c&#8230; o sintoma instituir a ordem pela qual se comprova nossa pol\u00edtica&#8230;\u201d. Lacan, J. Lituraterra, <em>Outros Escritos, <\/em>Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed. 2003, p. 23.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miquel Bassols (ELP) \u201cNo desatino de nosso gozo, s\u00f3 h\u00e1 o Outro para situ\u00e1-lo, mas na medida em que estamos separados dele. Da\u00ed as fantasias, in\u00e9ditas quando n\u00e3o nos met\u00edamos nisso. 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