{"id":4793,"date":"2020-09-23T18:05:09","date_gmt":"2020-09-23T21:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4793"},"modified":"2020-09-23T18:05:09","modified_gmt":"2020-09-23T21:05:09","slug":"douta-ignorancia-subversao-da-verdade-subversao-do-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/douta-ignorancia-subversao-da-verdade-subversao-do-saber\/","title":{"rendered":"Douta ignor\u00e2ncia &#8211; Subvers\u00e3o &#8211; Da verdade &#8211; Subvers\u00e3o do saber"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4375 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-300x76.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-768x194.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_4767\" aria-describedby=\"caption-attachment-4767\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4767\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/004-2.png\" alt=\"Imagem: Instagram @contemporary_art\" width=\"275\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/004-2.png 275w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/004-2-255x300.png 255w\" sizes=\"auto, (max-width: 275px) 100vw, 275px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4767\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @contemporary_art<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Maria Bernadette Soares de Sant\u00b4Ana Pitteri (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>Se em Psican\u00e1lise \u00e9 de verdade que se trata, mas \u201cdiz\u00ea-la toda n\u00e3o se consegue: faltam palavras<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>\u201d, h\u00e1 a\u00ed um imposs\u00edvel a ser encarado. Pode-se pensar na verdade que n\u00e3o pode ser dita, mas alcan\u00e7ada por uma via que, com cuidado, chamaremos \u201cm\u00edstica\u201d, tema que apontamos num texto publicado na Carta de S\u00e3o Paulo<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas Psican\u00e1lise tamb\u00e9m tem a ver com saber. Em \u201cO Saber do Psicanalista<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>\u201d, Lacan diz que \u201ca ignor\u00e2ncia est\u00e1 ligada ao saber. \u00c9 um modo de estabelecer o saber, de fazer disso um saber estabelecido<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>\u201d. Ao afirmar a correla\u00e7\u00e3o entre ignor\u00e2ncia e saber, a ignor\u00e2ncia aparece como paix\u00e3o, n\u00e3o como d\u00e9ficit ou menos-valia \u2013 e esta \u00e9 a \u00fanica paix\u00e3o que cabe ao analista.<\/p>\n<p>Estamos frente a paradoxos de Lacan. A verdade \u00e9 sempre n\u00e3o-toda e, n\u00e3o por acaso, \u00e9 um lugar onde se alojam, em diferentes momentos, os termos dos quatro discursos. O saber ligado \u00e0 ignor\u00e2ncia \u00e9 um termo, um significante, que circula pelos diferentes lugares, destes mesmos quatro discursos, tal como expostos no Semin\u00e1rio 17 \u201cO Avesso da Psican\u00e1lise<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade, Lacan se afasta da defini\u00e7\u00e3o encontrada na Metaf\u00edsica de Arist\u00f3teles<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>. Na linguagem comum, o sentido da palavra \u201cverdade\u201d \u00e9 o da conformidade aos fatos, defini\u00e7\u00e3o que, se questionada atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, foi sempre encarada como ponto de partida para tais questionamentos. Nos \u00faltimos anos o dicion\u00e1rio da Universidade de Oxford introduziu \u201cp\u00f3s-verdade\u201d, substantivo \u201cque se relaciona ou denota circunst\u00e2ncias nas quais fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia em moldar a opini\u00e3o p\u00fablica do que apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e cren\u00e7as pessoais\u201d.<\/p>\n<p>Verdade, enquanto correspondendo ao objeto designado, verdade enquanto intrinsecamente ligada ao referente, nossa \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o a tem com tanta seguran\u00e7a, embora n\u00e3o esteja totalmente banida da mente humana.<\/p>\n<p>Na teoria lacaniana ent\u00e3o, \u201cverdade\u201d \u00e9 um lugar nos discursos, e no discurso do analista, \u201csaber\u201d \u00e9 um termo que entra neste lugar, no lugar da verdade. Se no discurso do analista o saber est\u00e1 no lugar da verdade, carrega a necessidade de interrogar o que \u00e9 da verdade numa an\u00e1lise; afinal, um saber entra neste lugar. De qual saber falamos?<\/p>\n<p>Em <em>Encore<\/em>, <em>Mais ainda<\/em>, temos que \u201cA an\u00e1lise veio nos anunciar que h\u00e1 saber que n\u00e3o se sabe, um saber que se baseia no significante como tal<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>\u201d.\u00a0 Em \u201cO Saber do Analista\u201d Lacan surpreende ao colocar ignor\u00e2ncia ao lado do saber. Ele cita \u201cDe Docta Ignorantia\u201d, texto do s\u00e9culo XIV, no qual o Cardeal de Cusa<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a> considera a ignor\u00e2ncia como o \u201csaber mais, elevado\u201d. Nesta obra renascentista emerge o paradoxo sobre o saber e se, \u201ca ignor\u00e2ncia, a partir de certo momento, numa certa zona, leva o saber a seu n\u00edvel mais baixo, n\u00e3o \u00e9 pela falta da ignor\u00e2ncia, \u00e9 o contr\u00e1rio<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Do que trata Nicolau de Cusa ao falar de ignor\u00e2ncia douta? Fala da perplexidade do ser humano que, ao buscar o saber nos diferentes campos (saber enciclop\u00e9dico, comum no per\u00edodo renascentista), percebe com espanto que, ao final do percurso nada sabe, ou que o conhecimento enciclop\u00e9dico adquirido tem limites intranspon\u00edveis, o que levou S\u00e3o Tom\u00e1s<strong>, <\/strong>ao final da vida, a chamar tudo o que conheceu e produziu como \u201csicut palea<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Nicolau de Cusa \u00e9 um homem do Renascimento, per\u00edodo entre o mundo medieval e o mundo moderno, fronteira que lhe propiciou interrogar o que \u00e9 do humano, do mundo, do universo, da natureza. Assumindo a heran\u00e7a recebida dos s\u00e9culos anteriores, o Cardeal de Cusa faz uso da cr\u00edtica, da liberdade e da ousadia que pululava em sua \u00e9poca, na composi\u00e7\u00e3o desta obra memor\u00e1vel. Pode-se ver, analisando-a, que o mesmo era um fil\u00f3sofo, ou seja, um homem que viveu e pensou seu tempo como queria Hegel, mas tamb\u00e9m como quer Lacan quando fala do psicanalista.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o sobre conhecimento e saber remonta a S\u00f3crates. Este, buscando atender \u00e0 demanda do Deus Apolo que, atrav\u00e9s da pitonisa o classificou como o mais s\u00e1bio dos homens, peregrina pela polis, em busca deste saber que afirmava desconhecer. Interrogando a todos que cruzavam suas andan\u00e7as, atrav\u00e9s de sua dial\u00e9tica ir\u00f4nica, demonstra a incompletude e o n\u00e3o-saber de cada um daqueles \u201cs\u00e1bios\u201d (o que provavelmente o levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte). Sua busca se conclui com uma frase, aparentemente tola (\u201cs\u00f3 sei que nada sei\u201d), mas que carrega em si alta densidade. Depois de percorrer as modalidades de saber de seu tempo, atrav\u00e9s de personagens consideradas s\u00e1bias, chegou ao grau zero do conhecimento, ao final de sua busca da verdade &#8211; o que o levou ao \u201cs\u00f3 sei que nada sei<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Na douta ignor\u00e2ncia h\u00e1 um questionamento da verdade, embora o Cardeal n\u00e3o mergulhe no ceticismo, tendo o ser humano para ele, por defini\u00e7\u00e3o, a finitude como marca da exist\u00eancia, o que ele contrap\u00f5e ao infinito incognosc\u00edvel. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o desconsidera a quest\u00e3o da linguagem e a v\u00ea \u201cn\u00e3o como um dado sistema de palavras e estruturas, fechado em si e j\u00e1 pronto, mas compreende-a a partir do homem que fala e do homem que ouve\u201d \u2013 como se expressa o tradutor de sua obra aqui utilizada<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>. Pode-se imaginar que algo mais despertou o interesse de Lacan, al\u00e9m do conceito de ignor\u00e2ncia douta.<\/p>\n<p>Explorando esse conceito, a teoria lacaniana prop\u00f5e uma alian\u00e7a entre saber e verdade ao colocar o termo \u201csaber \u2013 S\u00b2\u201d no lugar da verdade, guardando cuidadosamente a especificidade de cada um<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Ocorre uma subvers\u00e3o que se produz na fun\u00e7\u00e3o, na estrutura do saber, que passa de conhecimento, a um termo circulante entre os diferentes lugares, nos diferentes discursos.<\/p>\n<p>Ao sujeito que se apresenta na cl\u00ednica, o analista oferece sua ignor\u00e2ncia, mas uma ignor\u00e2ncia douta, ignor\u00e2ncia sobre este sujeito, permitindo que ele confesse seu desejo e apare\u00e7a, nos interst\u00edcios, seu gozo. Ignor\u00e2ncia, \u00fanica paix\u00e3o que cabe ao analista na condu\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o diametralmente oposta ao discurso do mestre, avessa a este: v\u00ea-se aqui o discurso do analista a subverter o discurso do mestre.<\/p>\n<p>Dessa subvers\u00e3o surge a paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia e o saber do analista, saber que se coloca no lugar da verdade: este saber, numa an\u00e1lise, se articula e \u00e9 estruturado como uma linguagem.<\/p>\n<p>Num primeiro momento \u201co inconsciente \u00e9 estruturado como uma linguagem\u201d apresenta o inconsciente transferencial e, a partir deste princ\u00edpio, o analista interpreta. A insist\u00eancia com a qual o inconsciente entrega o que formula \u2013 chistes, atos falhos, sonhos, sintomas &#8211; resulta na interpreta\u00e7\u00e3o que remarca o que o sujeito a\u00ed encontra: o gozo. Para gozar, \u00e9 preciso um corpo.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um ser falante, h\u00e1 um corpo que goza, e a\u00ed entra outro ponto fundamental do saber do analista: \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, no sentido de que seria imposs\u00edvel escrev\u00ea-la.<\/p>\n<p>A sexualidade est\u00e1 no centro do que se passa no inconsciente, no centro do que \u00e9 uma falta. No lugar onde se poderia escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual, est\u00e3o os impasses que engendram a fun\u00e7\u00e3o do gozo sexual, enquanto ele aparece como ponto de miragem de um gozo absoluto. Gozo absoluto, primeiro porque se volta para as diferentes formas de fracasso que constituem a castra\u00e7\u00e3o para o gozo masculino, e depois para a diferen\u00e7a radical para o que \u00e9 do feminino, pois \u201ca mulher se define por uma posi\u00e7\u00e3o que apontei como o <em>n\u00e3o-todo<\/em> no que se refere ao gozo f\u00e1lico<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a>\u201d. Um corpo participa em algum grau do gozo sexual, o que faz entrar em jogo o <em>phallus <\/em>(que designa o significado de certo significante evanescente) para definir o que \u00e9 do homem ou da mulher (que n\u00e3o existe). Neste ponto, a psican\u00e1lise mostra a impossibilidade, impossibilidade da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao que o gozo leva, nada tem a ver com a copula\u00e7\u00e3o, que no ser falante entra para possibilitar a reprodu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual no ser falante, mas h\u00e1 a reprodu\u00e7\u00e3o da vida, o que, no entanto, n\u00e3o demonstra logicamente a possibilidade de rela\u00e7\u00e3o: esta impossibilidade aparece com clareza nas t\u00e1buas da sexua\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a>, localizadas no Cap\u00edtulo VII do Semin\u00e1rio 20.<\/p>\n<p>H\u00e1 saber do analista, o que prov\u00e9m da \u201cDocta Ignorantia\u201d, aquele que deve advir no lugar da verdade no discurso anal\u00edtico. Neste saber entram o \u201cinconsciente estruturado como uma linguagem\u201d e \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d &#8211; saber adquirido no al\u00e9m do conhecimento, saber que passa atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Lacan, Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003, p. 508.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Pitteri, M.B.S.S. Plat\u00e3o e Lacan: encontro da verdade na solid\u00e3o. Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise \u2013 S\u00e3o Paulo: Ano 27 &#8211; n\u00ba 1, maio 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Semin\u00e1rio oferecido por Lacan em Sainte-Anne em 1971, destinado aos internos de psiquiatria. Os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos deste semin\u00e1rio foram publicados in \u201cJe Parle Aux Murs\u201d e os quatro \u00faltimos (cap\u00edtulos V, VII, XI, XIV) como parte do Semin\u00e1rio 19 \u201c&#8230; ou pior\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Lacan, Je parle aux murs. France: \u00c9ditions Du Seuil, 2011, p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Lacan, Semin\u00e1rio 17 \u201cO Avesso da Psican\u00e1lise\u201d. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> \u201cDizer que o Ente n\u00e3o \u00e9 ou que o N\u00e3o-Ente \u00e9, \u00e9 falso; e dizer que o Ente \u00e9 e que o N\u00e3o-Ente n\u00e3o \u00e9, \u00e9 verdadeiro\u201d. In: Arist\u00f3teles Livro IV, Metaf\u00edsica.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Lacan, \u2018O Semin\u00e1rio 20, Mais Ainda [Encore]. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 129.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Nicolau de Cusa, A Douta Ignor\u00e2ncia. Trad. Int. e Notas: Jo\u00e3o Maria Andr\u00e9. Lisboa: Ed. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2003.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Lacan, Je parle aux murs. France: \u00c9ditions Du Seuil, 2011, p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> S\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/519884-obra-de-tomas-de-aquino-ilumina-idade-media-artigo-de-luiz-felipe-ponde\"><strong>Tom\u00e1s de Aquino<\/strong><\/a> (1225\/1274 &#8211; \u201cDoctor Angelicus\u201d), frade cat\u00f3lico, exerceu decisiva influ\u00eancia na teologia e filosofia do per\u00edodo medieval, estabelecendo as bases da tradi\u00e7\u00e3o Escol\u00e1tica. Ao final da vida afirma que suas obras s\u00e3o &#8220;<em>sicut palea<\/em>&#8221; (como palha), ou seja, lixo, estrume. A refer\u00eancia parece ligar-se ao fato de que, no per\u00edodo, o piso das casas de terra batida era forrado com palha que, depois de certo tempo, era varrida junto com a sujeira, lixo.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Plat\u00e3o exp\u00f5e a caminhada socr\u00e1tica em busca da sabedoria, num bel\u00edssimo di\u00e1logo, \u201cA Apologia de S\u00f3crates\u201d.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Nicolau de Cusa, A Douta Ignor\u00e2ncia. Trad. Int. e Notas: Jo\u00e3o Maria Andr\u00e9. Lisboa: Ed. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2003. Introdu\u00e7\u00e3o: Jo\u00e3o Maria Andr\u00e9.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Lacan, Semin\u00e1rio 17 \u201cO Avesso da Psican\u00e1lise\u201d. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992 \u2013 Cap. III e IV.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Lacan, \u2018O Semin\u00e1rio 20, Mais Ainda [Encore]. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p.15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> Lacan, \u2018O Semin\u00e1rio 20, Mais Ainda {Encore]. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p.105.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Bernadette Soares de Sant\u00b4Ana Pitteri (EBP\/AMP) Se em Psican\u00e1lise \u00e9 de verdade que se trata, mas \u201cdiz\u00ea-la toda n\u00e3o se consegue: faltam palavras[1]\u201d, h\u00e1 a\u00ed um imposs\u00edvel a ser encarado. 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