{"id":4776,"date":"2020-09-23T18:05:10","date_gmt":"2020-09-23T21:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4776"},"modified":"2020-09-23T18:05:10","modified_gmt":"2020-09-23T21:05:10","slug":"a-verdade-de-todas-as-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-verdade-de-todas-as-coisas\/","title":{"rendered":"A verdade de todas as coisas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4375 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-300x76.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-768x194.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_4772\" aria-describedby=\"caption-attachment-4772\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4772\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/014-2.png\" alt=\"Imagem: Pixabay\" width=\"424\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/014-2.png 424w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/014-2-300x168.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4772\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Atan\u00e1sio Mykonios (Membro do Grupo Cr\u00edtica Social)<\/h6>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato, proporcional a uma subvers\u00e3o. Muitas vezes, entendemos a subvers\u00e3o como a intervers\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es em senso-comum. Por longo tempo, a subvers\u00e3o esteve presa aos revolucion\u00e1rios de esquerda ou do espectro da extrema-esquerda. Subvers\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o pareciam caminhar de m\u00e3os dadas. O subversivo era temido, especialmente em ambientes de aparente normalidade ou sob a repress\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica ou social. Interverter ou perverter, em certo sentido implica mudar os rumos ou mudar a imagem daquilo que vemos como verdade. A cria\u00e7\u00e3o inverte algo, pode abrir um buraco naquilo que aparentemente \u00e9 vivido e significado como normal. Mas, afinal, qual o poder de uma cria\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o surge, parafraseando Hegel, em grande medida, com a ru\u00edna do mundo real, o real como a verdade de todas as coisas. Quando queremos apenas e t\u00e3o-somente reviver a verdade de todas as coisas, n\u00e3o temos nenhuma necessidade de criar, no m\u00e1ximo de nossos horizontes, quem sabe, reproduzir o estado de coisas, repeti-lo \u00e0 exaust\u00e3o, encontrar pequenos elementos que nos d\u00e3o algum prazer, diante da verdade de todas as coisas. A verdade de todas as coisas parece estar estampada no mundo que tamb\u00e9m parece verdadeiro. Tudo est\u00e1 aqui ou ali, do jeito que queremos ou do modo como nos acostumamos a interpretar a verdade de todas as coisas. Isto \u00e9 t\u00e3o importante que vivemos boa parte de nossa transitoriedade, como se estiv\u00e9ssemos seguros no meio da verdade de todas as coisas e assim, por um passe de m\u00e1gica, transformamos at\u00e9 mesmo a arte \u2013 cujo princ\u00edpio \u00e9 a subvers\u00e3o e a pervers\u00e3o \u2013 em instrumentos religiosos para que, com seus ritos, possamos reproduzir a verdade de todas as coisas. Quando estamos seguros, n\u00e3o temos necessidade alguma de criar, apenas de reproduzir.<\/p>\n<p>Plat\u00e3o, em alguma medida, parece ter raz\u00e3o ao afirmar que a \u00fanica e verdadeira obra de arte \u00e9 o que chamou de \u201cprot\u00f3tipo\u201d, o primeiro. O primeiro sopro, a primeira revolu\u00e7\u00e3o interna, o primeiro grito e a primeira sensa\u00e7\u00e3o, que deixa de ser exata, que abala, que estremece, que cria rachaduras no mundo da verdade de todas as coisas. Criar \u00e9 o ato supremo em que n\u00f3s nos desfraldamos de modo \u00fanico e absoluto, \u00e9 o tiro no escuro, \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o de n\u00f3s diante da verdade de todas as coisas. Criar n\u00e3o pode ser um ato reprodutivo, um mantra, como em ritos religiosos nos quais podemos atingir nossos transes pessoais. A cria\u00e7\u00e3o vem da extrema necessidade de romper, interverter, inverter, fazer ruir e \u00e9 por isso que o ato, o fazer-criar tem um componente extraordin\u00e1rio, \u00e9 o ato supremo, a revolta total contra a verdade de todas as coisas. O fazer-criar \u00e9 o apelo de cada um quando surge o momento decisivo, criar, em sentido radical, \u00e9 o ato de coragem, que revela a compaix\u00e3o para com o mundo que, por ter se tornado a verdade de todas as coisas, tais devem ser totalmente expostas, suas v\u00edsceras t\u00eam de ser removidas, refeitas. Tudo, na verdade de todas as coisas t\u00eam de ser revoltas e cuspidas. O criar e o fazer-criar surge dessa tempestade que \u00e9 profundamente hist\u00f3rica, humana, \u00e9 a revolta que nos d\u00e1 a necessidade imperiosa de mergulharmos no nada para criar. N\u00e3o h\u00e1 nada mais implicante, nada mais extraordin\u00e1rio do que o fazer-criar, e quando ainda pudermos nos dar esse direito supremo, o direito do homem para al\u00e9m de si, como Friedrich Nietzsche tantas vezes nos apontou. Que a cria\u00e7\u00e3o nos desvele, nos desnude, nos irrompa e nos deixe ser o que temos de ser, subversivos no mais alto grau de nossa exist\u00eancia, fr\u00e1gil, incerta, improv\u00e1vel e imponder\u00e1vel!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Atan\u00e1sio Mykonios (Membro do Grupo Cr\u00edtica Social) A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um ato, proporcional a uma subvers\u00e3o. Muitas vezes, entendemos a subvers\u00e3o como a intervers\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es em senso-comum. Por longo tempo, a subvers\u00e3o esteve presa aos revolucion\u00e1rios de esquerda ou do espectro da extrema-esquerda. Subvers\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o pareciam caminhar de m\u00e3os dadas. 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