{"id":4661,"date":"2020-08-31T18:26:22","date_gmt":"2020-08-31T21:26:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4661"},"modified":"2020-08-31T18:26:22","modified_gmt":"2020-08-31T21:26:22","slug":"pontuacoes-do-texto-subversao-do-sujeito-e-a-dialetica-do-desejo-no-inconsciente-freudiano-como-nos-servir-desse-texto-em-tempos-atuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/pontuacoes-do-texto-subversao-do-sujeito-e-a-dialetica-do-desejo-no-inconsciente-freudiano-como-nos-servir-desse-texto-em-tempos-atuais\/","title":{"rendered":"PONTUA\u00c7\u00d5ES DO TEXTO: SUBVERS\u00c3O DO SUJEITO E A DIAL\u00c9TICA DO DESEJO NO INCONSCIENTE FREUDIANO  COMO NOS SERVIR DESSE TEXTO EM TEMPOS ATUAIS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4375 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-300x76.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-768x194.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_4644\" aria-describedby=\"caption-attachment-4644\" style=\"width: 162px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4644\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/boletim_fora_da_serie_002_003_003-1.png\" alt=\"Imagem: Instagram @canalacultura\" width=\"162\" height=\"175\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4644\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Instagram @canalacultura<\/figcaption><\/figure>\n<h6>Alessandra S. Pecego (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>Nas Jornadas da Se\u00e7\u00e3o SP em 2019, com o tema \u201cSolid\u00e3o\u201d, fui instigada a elaborar quest\u00f5es da solid\u00e3o do momento de entrada em an\u00e1lise e do pr\u00f3prio encontro com o inconsciente. Agora, pergunto o que de subversivo podemos derivar desse encontro?<\/p>\n<p>Texto fundamental e orientador<em>, Subvers\u00e3o do Sujeito e a dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano<\/em>, remarca quest\u00f5es sobre o inconsciente como cadeia de significantes, sua estrutura de linguagem e aonde n\u00e3o podemos mais ter um sujeito designado por um significante, aonde n\u00e3o temos a sincronia do significante, a puls\u00e3o se apresenta como resultado da demanda do Outro e\u00a0 abre vias para a quest\u00e3o do desejo e gozo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, em um processo anal\u00edtico, arrisco dizer que o desejo do analista e a quest\u00e3o de como ser analista \u00e0 altura de nossa \u00e9poca, permeiam algo da subvers\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma fun\u00e7\u00e3o orientadora cl\u00ednica ao marcar a hi\u00e2ncia onde emerge o sujeito do inconsciente, \u00e9 propor a radicalidade da fun\u00e7\u00e3o do corte no discurso para localiz\u00e1-lo. Nesse vi\u00e9s, a an\u00e1lise pode fazer com os furos do sentido e com os trope\u00e7os do discurso e as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, ancorando algum ponto de basta na retroa\u00e7\u00e3o da cadeia significante. Lacan: \u201cPara que n\u00e3o seja v\u00e3 nossa ca\u00e7ada, a n\u00f3s, analistas, conv\u00e9m reduzir tudo \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de corte no discurso, sendo o mais forte aquele que serve de barra entre o significante e o significado. Ali se surpreende o sujeito que nos interessa&#8230;\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O sujeito, nem sequer sabe que fala. \u00c9 atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o da falta do Outro, que temos acesso a demanda. Essa suposta demanda do Outro assume a fun\u00e7\u00e3o de objeto na fantasia, podendo situar a fantasia como desejo do Outro.<\/p>\n<p>Lacan: \u201cCom efeito, \u00e9 muito simplesmente- (&#8230;)- como desejo do Outro que o desejo ganha forma, por\u00e9m, antes de mais nada, somente guardando uma opacidade subjetiva, para representar nele a necessidade. Opacidade que diremos de que maneira constitui como a subst\u00e2ncia do desejo\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Posto que a pergunta <em>\u201cque quer voc\u00ea?\u201d,<\/em> tomada como um or\u00e1culo, retroage e nos conduz ao caminho de nosso pr\u00f3prio desejo. Eis onde, em uma an\u00e1lise e em um encontro com um analista, deve poder reverberar a pergunta o que quer o Outro de mim \u00bf Esse Outro encarnado na pessoa do analista.\u00a0 Pergunta que pode alavancar uma an\u00e1lise, inicialmente, n\u00e3o s\u00f3 incluindo seus efeitos terap\u00eauticos, mas tamb\u00e9m o para al\u00e9m deles, ou seja, pode produzir um analista em \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, podemos dizer que o desejo do analista \u00e9 um tensor que subverte\u00bf Um semblante, e que aliado a \u00e9tica da psican\u00e1lise, sustenta tamb\u00e9m o seu discurso da psican\u00e1lise para al\u00e9m do div\u00e3, ecoando o discurso da psican\u00e1lise frente\u00a0 a transfer\u00eancia com a Escola e o desejo de lev\u00e1-lo a subverter outros discursos no contempor\u00e2neo.\u00a0 Penso que esse compromisso toca a pol\u00edtica de nossa Escola.<\/p>\n<p>Miller, ao falar sobre o sujeito da Escola, nos faz uma precis\u00e3o quanto a quest\u00e3o do desejo do analista e interpreta o desejo de Lacan: \u201cEste desejo n\u00e3o \u00e9 por isso um desejo puro. \u00c9 o desejo de separar o sujeito dos significantes mestres que o coletivizam, de isolar sua diferen\u00e7a absoluta, de circunscrever a solid\u00e3o subjetiva, e tamb\u00e9m o objeto mais de gozar que se sustenta deste vazio e o tampona ao mesmo tempo. Este \u00e9 o desejo de Lacan. A Escola procede dele\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>E nessa medida, fui capturada por uma interven\u00e7\u00e3o de Miquels Bassols<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>, em uma <em>live <\/em>que tomo como Fora da S\u00e9rie, em \u00e9poca de isolamento pela pandemia que nos assola. \u00c9poca em que tempo e espa\u00e7o est\u00e3o curto circuitados, que nos impele a novos e desconhecidos arranjos.<\/p>\n<p>Nessa interven\u00e7\u00e3o, no que pude escutar dela, h\u00e1 algo do efeito que somos impelidos pelo Real dos tempos atuais, com as dificuldades do que n\u00e3o se deixa representar, marcado pela dist\u00e2ncia f\u00edsica e pela morte. N\u00e3o temos a mesma rela\u00e7\u00e3o com tempo e espa\u00e7o. Essa marca atual \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o que toca e pode ser tomada como esfacelamento social. Cen\u00e1rio tomado para justificar os apelos ao autoritarismo de nossos tempos, e o engodo da promessa de resolu\u00e7\u00e3o e tamponamento. Reflex\u00f5es que s\u00e3o trazidas nessa interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bassols marca um efeito de trauma, um antes e depois nesses tempos de pandemia. J\u00e1 que nesse tempo, muitas vezes, o sujeito n\u00e3o se situa em sua enuncia\u00e7\u00e3o e est\u00e1 imerso em perplexidade. Coloca a quest\u00e3o de que ao falar em uma an\u00e1lise, o sujeito da enuncia\u00e7\u00e3o, pode se situar nessa experi\u00eancia traum\u00e1tica sendo outro para si mesmo, tomando certa dist\u00e2ncia apesar da total proximidade.<\/p>\n<p>O desafio est\u00e1 em sustentar o discurso da psican\u00e1lise em tempos de retorno \u00e0s pol\u00edticas segregativas e autorit\u00e1rias, que oferecem a falsa salva\u00e7\u00e3o pela via do universal, do para todos. Ir na contra m\u00e3o disso, fazer da singularidade, do um a um e tomar os dejetos como restos e marcas, \u00e9 o que devemos ter como sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da psican\u00e1lise lacaniana.<\/p>\n<p>Bassols retoma 1968, quando Lacan se dirigia aos estudantes que se rebelavam contra os significantes mestres daquela \u00e9poca. Marca que ele n\u00e3o dava consist\u00eancia ao car\u00e1ter de den\u00fancia, esse n\u00e3o era o vi\u00e9s que orientava sua escuta, logicamente. Toma como uma orienta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e um comprometimento \u00e9tico e pol\u00edtico da psican\u00e1lise lacaniana, que nos ocupemos de dar voz, de escutar aos que fazem dessa rebeldia uma causa e que possamos recolher os efeitos disso. Cito em tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cSaber escutar os efeitos de subvers\u00e3o do sujeito contra os significantes mestres e saber dirigi-los \u00e0 sua singularidade contra o universal. O mais decisivo \u00e9 o singular e o um a um, os efeitos de sujeito e que possamos acompanh\u00e1-los\u201d.<\/p>\n<p>Ainda segue: \u201catentos ao fato de que cada um vive a pandemia de maneira distinta, e que o sujeito se singulariza a cada discurso. Portanto, pensar no local para atuar no global e na in\u00e9rcia dos significantes da \u00e9poca. Desafio de estender ao pol\u00edtico e social, tomando o coletivo como sujeito individual.\u201d<\/p>\n<p>Penso que poder ler nossa \u00e9poca, \u00e9 resultado da \u00e9tica da psican\u00e1lise. Fazer algum la\u00e7o com o discurso de outras \u00e1reas, infiltrar o discurso anal\u00edtico e poder recolher da\u00ed um efeito de sujeito, interpretaria os la\u00e7os sociais, a puls\u00e3o de morte e o modo gozo. Isso contempla uma pol\u00edtica subversiva, ou pelo menos diz um pouco de meu desejo.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> LACAN.J A subvers\u00e3o do sujeito e a dial\u00e9tica do desejo no inconsciente freudiano. In: Escritos, Jorge Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1998, pg.815.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Ibid. p. 828.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Miller, JA. Teoria de Turim: sobre o sujeito da Escola, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online nova s\u00e9rie, ano 7, N\u00famero 21, novembro 2016.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> BASSOLS, M. Fala via Zoom em \u201cLa falta que me hace\u201d, em 5 de julho de 2020. Acesso em: www.facebook.com\/groups\/Malaletra\/permalink\/313531793655<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandra S. 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