{"id":4430,"date":"2020-07-27T17:54:16","date_gmt":"2020-07-27T20:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4430"},"modified":"2020-07-27T17:54:16","modified_gmt":"2020-07-27T20:54:16","slug":"subversao-criativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/subversao-criativa\/","title":{"rendered":"Subvers\u00e3o criativa"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #3366ff;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4375 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1.jpg 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-300x76.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/banner_jornada_2020-1-768x194.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/strong><\/span><\/h6>\n<h6>Daniela de Camargo Barros Affonso (EBP\/AMP)<\/h6>\n<figure id=\"attachment_4463\" aria-describedby=\"caption-attachment-4463\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4463\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/boletim_fora_da_serie_001_texto_subersao-1.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/boletim_fora_da_serie_001_texto_subersao-1.png 200w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/boletim_fora_da_serie_001_texto_subersao-1-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4463\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sempre imaginei a cena seguinte como um momento solene. Freud, convidado a ir aos Estados Unidos pelo psic\u00f3logo norte-americano Stanley Hall, para falar na Universidade Clark, em Worcester, Massachussets, em 1909, orgulhoso da expans\u00e3o de suas ideias, diz aos disc\u00edpulos Carl Jung e Sandor Ferenczi, que o acompanhavam na viagem de navio e com os quais conversava sobre a import\u00e2ncia dessas confer\u00eancias para o futuro da psican\u00e1lise: \u201celes n\u00e3o sabem que n\u00f3s estamos levando a peste\u201d. Ao idealizar esse momento, eu estava tomada pelos ideais freudianos com respeito \u00e0 psican\u00e1lise, a qual traria uma resposta aos imperativos da cultura, provocando subvers\u00f5es.<\/p>\n<p>Sabemos que a peste n\u00e3o veio, mas a psican\u00e1lise se mant\u00e9m na civiliza\u00e7\u00e3o. Somos testemunhas de que persiste, mas que usos se faz dela? Desde Freud, por quais veredas seguiu, que tra\u00e7os tem deixado na cultura? Ainda podemos farejar algo de sua \u201cvirul\u00eancia\u201d?<\/p>\n<p>\u201cVirul\u00eancia\u201d, significante mais do que imiscu\u00eddo em nossas vidas marcadas por uma pandemia, cuja viol\u00eancia e imprevisibilidade s\u00e3o marcas do real. A cat\u00e1strofe sanit\u00e1ria, al\u00e9m de escancarar a inexorabilidade da morte, explicitou algo que, se n\u00e3o olharmos com aten\u00e7\u00e3o, poderia parecer somente indiferen\u00e7a, esp\u00e9cie de desafec\u00e7\u00e3o social diante da morte e da destrui\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o para a\u00ed: sobrev\u00e9m um gozo funesto, quase j\u00fabilo obsceno diante da morte e de tudo que potencialmente extermine valores civilizat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar Freud quando, em <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>, adverte: \u201cA quest\u00e3o fat\u00eddica para a esp\u00e9cie humana parece-me ser saber se, e at\u00e9 que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguir\u00e1 dominar a perturba\u00e7\u00e3o de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agress\u00e3o e autodestrui\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Para Freud, o progresso traria um resto, do qual a agressividade seria efeito. Vaticinou que nosso tempo traria avan\u00e7os, possibilitando ao homem tornar-se um \u201cdeus prot\u00e9tico\u201d, mas que n\u00e3o o tornariam necessariamente mais feliz. Uma aporia se revela: como a cultura seria capaz de dominar as perturba\u00e7\u00f5es causadas pela agressividade inerente ao humano, se ela mesma \u00e9 produtora de agressividade?<\/p>\n<p>Um real, fruto da pandemia, um gozo mort\u00edfero, por ele escancarado: a combina\u00e7\u00e3o explosiva para perturba\u00e7\u00f5es de toda ordem, ang\u00fastia generalizada, perplexidade. O real, diz Lacan, \u201cn\u00e3o d\u00e1, for\u00e7osamente, prazer\u201d, e acrescenta: \u201co gozo \u00e9 do real\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Lembremos que Freud, em \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d, afirma que a busca do prazer \u00e9 submetida \u00e0 barreira do recalque e condutas que buscam satisfazer prazeres recalcados podem gerar profundo desprazer para a consci\u00eancia<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Em \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo\u201d, Lacan diz: \u201cMas n\u00e3o \u00e9 a Lei em si que barra o acesso do sujeito ao gozo; ela apenas faz de uma barreira quase natural um sujeito barrado. Pois \u00e9 o prazer que introduz no gozo seus limites, o prazer como liga\u00e7\u00e3o da vida, incoerente, at\u00e9 que uma outra proibi\u00e7\u00e3o, esta incontest\u00e1vel, se eleve da regula\u00e7\u00e3o descoberta por Freud como processo prim\u00e1rio e pertinente lei do prazer<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Para Lacan, no <em>Semin\u00e1rio 7<\/em> \u2013 e talvez haja a\u00ed uma articula\u00e7\u00e3o com o par\u00e1grafo extra\u00eddo da \u201cSubvers\u00e3o&#8230;\u201d \u2013, o pr\u00f3prio simb\u00f3lico, representado pela lei moral, se coloca como uma barreira para esse gozo que ele exclui. A outra barreira \u00e9 a do imagin\u00e1rio, que Lacan formula sob a forma do belo, que tem a fun\u00e7\u00e3o de ser a \u00faltima defesa a <em>das Ding<\/em>, descrita a partir do exemplo de Ant\u00edgona.<\/p>\n<p>Penso na fun\u00e7\u00e3o da arte durante a pandemia, em especial o efeito da m\u00fasica, como propiciadora deste prazer do belo, para fazer barreira ao real excruciante que se imp\u00f4s. A s\u00e9rie \u201c\u00d4 de casas\u201d, publicada pela cantora M\u00f4nica Salmaso, por exemplo, instaurou um momento de delicadeza, algum alento. A cantora faz v\u00eddeos com outros m\u00fasicos produzindo, ao mesmo tempo, melodia e encontros. Um ato pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Trata-se da arte promovendo subvers\u00f5es em corpos confinados, corpos imbricados entre si, corpos cuja extimidade explicita-se quando a amea\u00e7a de o corpo pr\u00f3prio ser ve\u00edculo de cont\u00e1gio ao corpo do outro \u00e9 permanente. A m\u00fasica ressoa nos corpos, experi\u00eancia ao mesmo tempo pulsional e promotora de anteparo ao gozo opaco e mortal, produtora, talvez seja poss\u00edvel concluir, do prazer aqui evocado.<\/p>\n<p>Podemos dizer que h\u00e1 arte na psican\u00e1lise? Qual seria sua arte? A arte da psican\u00e1lise \u00e9 a arte de <em>fazer nada<\/em>. \u201cImp\u00f5e-se dizer\u201d, diz Miller em <em>Donc, <\/em>\u201cque o que se chama um analista seria um sujeito a quem n\u00e3o angustia seu fazer nada. (&#8230;) conservou-se uma forma contempor\u00e2nea do vagabundo. \u00c9 o psicanalista. H\u00e1 de se reconhecer que escutar sem fazer nada \u00e9 a base da posi\u00e7\u00e3o, o resultado da forma\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. O nada da psican\u00e1lise \u00e9 aquele que se contrap\u00f5e ao excesso da \u201csociedade da abund\u00e2ncia\u201d. Diz respeito ao tratamento daquilo que \u00e9 rejeitado, o lixo, o dejeto, o resto. A psican\u00e1lise, portanto, subverte ao descompletar a l\u00f3gica do mercado em que se ganha por algo que se oferece ao consumo, um produto, um objeto. O psicanalista ganha para <em>fazer nada<\/em>.<\/p>\n<p>O nada, que cabe ao analista fazer, significa passar ao largo das exig\u00eancias do capitalismo, n\u00e3o sucumbir \u00e0s suas asceses do desempenho que mascaram a divis\u00e3o do sujeito, obscurecendo a singularidade. O \u201cfazer nada\u201d \u00e9 recolher os dejetos e neles localizar restos fecundos. Em <em>O lugar e o la\u00e7o<\/em>, Miller, retomando Lacan, coloca o psicanalista como \u201coperador da experi\u00eancia\u201d, destacando que ele faz parte do teclado que tecla, mas sempre falta algo em seu teclado. Isto permite ao analisando bascular em dire\u00e7\u00e3o a esta falta de estrutura do analista. \u201cO resultado\u201d, conclui, \u201c\u00e9 esta esp\u00e9cie de lugar fundamental, ressaltado por Lacan, que se chama despejo (\u201clix\u00e3o\u201d). Nisso, o analista \u00e9 um lugar \u2013 como se diz, \u2018o lugar\u2019 \u2013 e nesse lugar se estabelece um la\u00e7o\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan, que, segundo Miller, amava a palavra subvers\u00e3o, come\u00e7ou por subverter a obra freudiana. \u201cO car\u00e1ter pr\u00f3prio da cria\u00e7\u00e3o de Lacan na psican\u00e1lise tem algo de subversivo\u201d, diz. O desejo de Lacan tem a ver com a subvers\u00e3o criativa da autoridade. \u201cFreud lhe era familiar, sua familiaridade de leitor foi, precisamente, o que lhe permitiu a subvers\u00e3o criativa da obra freudiana\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, resume Miller.<\/p>\n<p>O fazer nada da psican\u00e1lise diz respeito, portanto, a uma subvers\u00e3o criativa. N\u00e3o se trata de uma pr\u00e1tica contestat\u00f3ria do discurso da atualidade, de uma den\u00fancia aos seus significantes mestres, mas, como aponta Bassols, de saber escutar os efeitos de subvers\u00e3o no sujeito contra esses significantes mestres, que se mant\u00eam reprimidos, sob a barra, e saber dirigir-se a eles para lhes dar sua singularidade, contrariamente ao universal que representam<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan interpretou Freud ao dizer, em <em>A coisa freudiana<\/em>, que a frase \u201celes n\u00e3o sabem que n\u00f3s estamos levando a peste\u201d, foi um chiste. Seria de se esperar que ao analista coubesse levar o tratamento, mas o <em>Witz<\/em> de Freud consistiu em dizer que a psican\u00e1lise estaria levando a doen\u00e7a. A interpreta\u00e7\u00e3o de Lacan indica que foram, de fato, os Estados Unidos que trouxeram a peste \u00e0 psican\u00e1lise. \u201cFreud, que de um certo modo pensava vencer a pot\u00eancia da grande na\u00e7\u00e3o com esse <em>Witz<\/em>, foi preso na armadilha de sua pr\u00f3pria aud\u00e1cia\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, conclui Miller.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>FREUD, S. <em>O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o <\/em>(1930), Ed. Standard Brasileira. RJ, Imago, 1980, vol. XXI, p. 170.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 23: o sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007, p. 76.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FREUD, S. \u201cAl\u00e9m do princ\u00edpio do prazer\u201d. In: <em>Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud<\/em>, vol. XII, Rio de Janeiro: Imago pp. 11-76.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> LACAN, J. \u201cSubvers\u00e3o do sujeito e dial\u00e9tica do desejo\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 836.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> MILLER, J.-A. <em>Donc<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, pp. 234 e 235 (tradu\u00e7\u00e3o livre nossa).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Idem, <em>O lugar e o la\u00e7o<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, pp. 14 e 15. (tradu\u00e7\u00e3o livre de Maria do Carmo Dias Batista).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Idem, <em>Lacan elucidado: palestras no Brasil. <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 412.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>BASSOLS, M. Fala via Zoom em \u201cLa falta que me hace\u201d, em 5 de julho de 2020. Acesso em: www.facebook.com\/groups\/Malaletra\/permalink\/3135317936552300\/<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>MILLER, J.-A. <em>Lacan elucidado<\/em>. Op. Cit., p. 409.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniela de Camargo Barros Affonso (EBP\/AMP) Sempre imaginei a cena seguinte como um momento solene. 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