{"id":4127,"date":"2019-10-07T06:51:49","date_gmt":"2019-10-07T09:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4127"},"modified":"2019-10-07T06:51:49","modified_gmt":"2019-10-07T09:51:49","slug":"do-ser-a-solidao-da-existencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/do-ser-a-solidao-da-existencia\/","title":{"rendered":"Do ser \u00e0 solid\u00e3o da exist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4122\" aria-describedby=\"caption-attachment-4122\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4122\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/tracos_006_005-300x229.png\" alt=\"Imagem: instagram @cmz.photo\" width=\"300\" height=\"229\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4122\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: instagram @cmz.photo<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong>Por S\u00edlvia Sato<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>EBP\/AMP<\/strong><\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Uma das perspectivas que a comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o dessas Jornadas prop\u00f4s diz respeito \u00e0 solid\u00e3o referida ao <em>falasser<\/em><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>, para quem o efeito da aus\u00eancia do Outro \u00e9 \u201cuma ruptura do saber\u201d e a solid\u00e3o d\u00e1 acesso ao \u201cimposs\u00edvel de intercambiar, comunicar, ao que n\u00e3o se pode falar\u201d.<\/p>\n<p>O tra\u00e7o das solid\u00f5es que proponho parte das resson\u00e2ncias da cl\u00ednica, mais especificamente com uma frase de uma adolescente que me parece apontar para essa ruptura do saber.<\/p>\n<p>\u201c<em>\u00c9 dif\u00edcil existir assim<\/em>\u201d, ela diz ao falar sobre um ponto de exclus\u00e3o no la\u00e7o social, frente ao impasse em rela\u00e7\u00e3o ao outro que a rejeita, apesar de sua tentativa de fazer valer seu modo de existir, resistindo \u00e0 cr\u00edtica e \u00e0 hostilidade que vem do outro. No entanto, escuto que essa frase ressoa mais al\u00e9m do la\u00e7o que nasce do desejo do Outro, colocando em quest\u00e3o seu gozo, logo sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em <em>\u201cO ser e o um\u201d<\/em> Miller<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a> faz uso da experi\u00eancia anal\u00edtica com o ultrapasse distinguindo o ser e a exist\u00eancia. Segundo ele o ser est\u00e1 no n\u00edvel do universal, que como tal \u00e9 indiferente \u00e0 exist\u00eancia, enquanto essa est\u00e1 no n\u00edvel da singularidade.<\/p>\n<p>Ele diz: \u201c\u00c9 na solid\u00e3o do Um sozinho que o \u00faltimo ensino de Lacan tem seu ponto de partida: o Um sozinho que fala sozinho\u201d.<\/p>\n<p>Nessa medida, podemos pensar que a exist\u00eancia mais al\u00e9m do sentido da vida, atrelado ao Outro e \u00e0 fantasia, remete ao que permanece silencioso do sintoma, do que n\u00e3o se faz sintoma e n\u00e3o se pode falar.<\/p>\n<p>Se \u00e9 no n\u00edvel da fantasia onde se pergunta ao Outro \u201c<em>Quem eu sou?\u201d<\/em> e se espera ser desatada a quest\u00e3o do ser do sujeito,\u00a0 no \u00faltimo ensino, que tem como b\u00fassola o sintoma, se trata da rela\u00e7\u00e3o com a exist\u00eancia e com um saber que n\u00e3o passa.<\/p>\n<p>Assim, proponho considerar que a ruptura do saber na solid\u00e3o do <em>falasser<\/em> faz par com a no\u00e7\u00e3o de furo e \u00e0 desordem do sentimento de vida, que tem como resposta a sa\u00edda sintom\u00e1tica frente ao real.<\/p>\n<p>\u00c9 ao falar sobre a forclus\u00e3o que Lacan<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a> localiza a desordem na jun\u00e7\u00e3o mais \u00edntima do sentimento de vida do sujeito, momento em que na estrutura\u00e7\u00e3o subjetiva, frente \u00e0 falha na fun\u00e7\u00e3o paterna, encontra o furo no lugar da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica.<\/p>\n<p>Segundo Stiglitz<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>, \u201cUma vez enunciado \u201cjun\u00e7\u00e3o \u00edntima\u201d, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s em um ponto: a vida dos seres falantes, seus la\u00e7os, suas paix\u00f5es e satisfa\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de pe\u00e7as soltas, que de alguma forma devem ser juntadas\u201d.<\/p>\n<p>Assim, para Stiglitz, a experi\u00eancia anal\u00edtica com a psicose ordin\u00e1ria nos ensina que n\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o muito precisa e \u00e9 essa imprecis\u00e3o que nos permite escutar o singular, o dissonante em si e faz ressoar o que marca o singular.<\/p>\n<p>Nesse caminho o sintoma \u00e9 itera\u00e7\u00e3o, um acontecimento que permanece, segundo Miller<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, autossimilar e remete \u00e0 identidade de si a si.<\/p>\n<p>Deste modo, na experi\u00eancia anal\u00edtica a linguagem mais al\u00e9m de comunicar, \u00e9 \u00f3rg\u00e3o, um parasita fora do vivente que n\u00e3o s\u00f3 permite falar sobre o que n\u00e3o existe, mas tamb\u00e9m permite ao <em>falasser<\/em> enodar aquilo que, como Stiglitz<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a> aponta, s\u00e3o pe\u00e7as soltas, disjuntas.<\/p>\n<p>Podemos nos perguntar como se enodam essas pe\u00e7as soltas ligadas ao sentimento de vida? Segundo Lacan<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>, a vida \u00e9 um n\u00f3 e est\u00e1 no real, de modo que n\u00e3o se sabe mais al\u00e9m de que se goza da vida.<\/p>\n<p>Em tempos atuais onde os sintomas indicam uma tend\u00eancia ao autoconsumo, com o triunfo do objeto sobre os ideais, resta a quest\u00e3o sobre como cada um pode enodar a vida de modo a sustentar a pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Entendo que a experi\u00eancia anal\u00edtica \u00e9 em si uma resist\u00eancia \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o, a universaliza\u00e7\u00e3o, na medida em que tem em sua pr\u00e1tica a manuten\u00e7\u00e3o dessa solid\u00e3o do Um sozinho e da singularidade. Resta em cada encontro ou em cada experi\u00eancia anal\u00edtica, sustentar um desejo onde o analista segue o analisando em sua inven\u00e7\u00e3o, em seu modo de enodar os semblantes a partir do real, para viver a puls\u00e3o, sem abrir m\u00e3o de si e do que d\u00e1 valor \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Telles H: in https:\/\/ebp.org.br\/sp\/jornadas\/ix-jornadas\/perspectivas-do-tema-ix-jornadas\/<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Miller, J-A: O ser e o um, li\u00e7\u00e3o de 04 de maio de 2011, in\u00e9dito<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Lacan, J; De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel das psicoses, in Escritos, JZE, RJ, 1998, p.564<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>Stiglitz G.: O retorno \u00e0 jun\u00e7\u00e3o, in\u00a0 https:\/\/congresoamp2018.com\/pt-pt\/textos-del-tema\/retorno-a-juncao\/<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Stiglitz G., op.cit.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Stiglitz G., op.cit.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Lacan, J: A terceira, in Op\u00e7\u00e3o Lacaniana: Revista brasileira internacional de psican\u00e1lise. S\u00e3o Paulo: Eolia Ed., n. 62, dez 2011.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por S\u00edlvia Sato EBP\/AMP \u00a0Uma das perspectivas que a comiss\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o dessas Jornadas prop\u00f4s diz respeito \u00e0 solid\u00e3o referida ao falasser[1], para quem o efeito da aus\u00eancia do Outro \u00e9 \u201cuma ruptura do saber\u201d e a solid\u00e3o d\u00e1 acesso ao \u201cimposs\u00edvel de intercambiar, comunicar, ao que n\u00e3o se pode falar\u201d. 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