{"id":4070,"date":"2019-09-09T14:38:07","date_gmt":"2019-09-09T17:38:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=4070"},"modified":"2019-09-09T14:38:07","modified_gmt":"2019-09-09T17:38:07","slug":"lacos-em-sampa-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/lacos-em-sampa-4\/","title":{"rendered":"La\u00e7os em Sampa"},"content":{"rendered":"<h6><strong>por Gustavo Oliveira Menezes<br \/>\n<\/strong><strong>(Associado ao CLIN-a)<\/strong><\/h6>\n<h3><strong>Bar Balc\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4068 alignnone\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_006-1.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_006-1.png 429w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_006-1-300x285.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu tava s\u00f3, sozinho, mais solit\u00e1rio que um paulistano\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>&#8230; S\u00e3o Paulo para muitos \u00e9 a cidade da solid\u00e3o, daqueles que se perdem nas ruas de concreto e que para um estrangeiro ou turista parece ser hostil e pouco acolhedora \u00e0 primeira vista. Por outro lado, \u00e9 uma cidade que surpreende e promove la\u00e7os onde menos se espera. H\u00e1 sempre um programa para se fazer sozinho, mas h\u00e1 tamb\u00e9m alternativas para aqueles que querem sair do isolamento.<\/p>\n<p>Para quem busca um ambiente acolhedor e pretende conhecer pessoas, o bar Balc\u00e3o \u00e9 uma boa aposta. Localizado no Jardim Paulista, este simp\u00e1tico e discreto bar traz como principal atra\u00e7\u00e3o um balc\u00e3o de 25 metros que desliza sobre o sal\u00e3o. Com bancos altos dos dois lados, a proposta \u00e9 interagir, sozinho ou em pequenos grupos, com desconhecidos que dividem o espa\u00e7o. Para aqueles que preferem se manter mais reservados, h\u00e1 tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de pequenas mesas no mezanino.<\/p>\n<p>O card\u00e1pio conta com uma variedade de lanches em p\u00e3o ciabata, como o de carne de panela desfiada com queijo de minas, entre outros sabores, inclusive com op\u00e7\u00e3o vegetariana. No inverno h\u00e1 tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de sopas. A carta de bebidas inclui diversos drinks, cervejas importadas e vinhos. Destaque para o caju-amigo, bebida feita da mistura da fruta e vodka, e a marguerita.<\/p>\n<p>O ambiente \u00e9 todo decorado com obras de arte e nosso olhar \u00e9 rapidamente captado pelo enorme quadro do artista norte-americano de pop art, Roy Lichtenstein. Al\u00e9m disso, \u00e9 frequentado por diferentes p\u00fablicos: artistas, m\u00fasicos, publicit\u00e1rios, comunicadores, jornalistas, colegas de happy hour. Vale a pena descobrir que o paulistano, afinal, n\u00e3o est\u00e1 (t\u00e3o) s\u00f3.<\/p>\n<h6>Endere\u00e7o: Rua Doutor Melo Alves, 150 &#8211; Jardim Paulista &#8211; S\u00e3o Paulo \u2013 SP<br \/>\nHor\u00e1rios: segunda a domingo, das 18h \u00e0s 01h<br \/>\nTelefone: (11) 30636091<br \/>\nFaixa de pre\u00e7o: de R$36,00 a R$70,00<br \/>\nFormas de pagamento: cart\u00f5es de cr\u00e9dito, d\u00e9bito ou dinheiro<br \/>\nCapacidade: 92 lugares<\/h6>\n<hr \/>\n<h3><strong>Indica\u00e7\u00e3o de leitura: \u201cO cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio\u201d, de Carson McCullert<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4069 alignnone\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_007-1.png\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_007-1.png 264w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/tracos_005_007-1-201x300.png 201w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><\/p>\n<p>Este romance que se passa no final dos anos 30, em uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, traz para o leitor a imagem de um ambiente conturbado, pobre, p\u00f3s-depress\u00e3o e prop\u00edcio ao isolamento. N\u00e3o \u00e0 toa, o livro \u00e9 considerado como um retrato social e psicol\u00f3gico da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em \u201cO cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um ca\u00e7ador solit\u00e1rio\u201d, encontramos personagens marginais, exclu\u00eddos e sem voz na sociedade. Logo no primeiro cap\u00edtulo somos apresentados ao personagem central, o mudo John Singer, o qual \u00e9 descrito como um homem triste, enigm\u00e1tico e solit\u00e1rio. Al\u00e9m deste, um dono de bar em uma cidade sempre desperta, um m\u00e9dico negro que luta contra o preconceito racial, uma adolescente que tenta lidar com seu corpo e um agitador marxista e alco\u00f3latra comp\u00f5em o enredo. Em comum, apenas a solid\u00e3o e a tentativa de encontrar em Singer uma via para se fazer ouvir.<\/p>\n<p>A autora McCullers, cujo nome verdadeiro \u00e9 Lula Carson Smith, \u00e9 considerada uma das mais influentes do s\u00e9culo XX. Nascida em 1917, na Ge\u00f3rgia, com apenas dezesseis anos lan\u00e7ou seu primeiro livro. Algumas curiosidades: o t\u00edtulo, que originalmente seria apenas \u201cO mudo\u201d, foi sugest\u00e3o de um dos editores a partir de um poema de William Sharp: <em>But my heart is lonely hunter that hunts on a lonely hill<\/em>. O livro de McCullers tamb\u00e9m ganhou uma adapta\u00e7\u00e3o para o cinema que foi traduzido para o portugu\u00eas como \u201cPor que tem que ser assim?\u201d (1968), o qual recebeu duas indica\u00e7\u00f5es ao Oscar.<\/p>\n<p>Apesar dos 80 anos que nos separam do contexto do livro, sua tem\u00e1tica se mant\u00e9m atual. As personagens d\u00e3o voltas em busca de uma poss\u00edvel comunica\u00e7\u00e3o e depositam sua esperan\u00e7a no muro da linguagem, atrav\u00e9s justamente daquele que n\u00e3o oferece palavras, mas \u00e9 apenas na solid\u00e3o do Um que se recai. Jacques-Alain Miller em \u201cTeoria de Turim\u201d cita o romance, juntamente a uma obra de sociologia, ao propor uma teoria sobre o sujeito da Escola: <em>The School is a lonely crow<\/em> (A Escola \u00e9 uma multid\u00e3o solit\u00e1ria). Cada um est\u00e1 s\u00f3, seja com o Outro do significante, seja com seu gozo, e por isso a Escola seria essa soma de solid\u00f5es. Caber\u00e1 ao leitor de Carson se deixar levar pela solid\u00e3o dos personagens, da autora e de si pr\u00f3prio nos efeitos que a leitura pode trazer.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>T\u00edtulo original: \u201cThe heart is a lonely hunter\u201d<br \/>\nAutor: Carson McCullers<br \/>\nEditora: Companhia das letras (2007)<br \/>\nP\u00e1ginas: 456<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Sonia Moreira<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Trecho da m\u00fasica \u201cTelegrama\u201d de Zeca Baleiro.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Gustavo Oliveira Menezes (Associado ao CLIN-a) Bar Balc\u00e3o \u201cEu tava s\u00f3, sozinho, mais solit\u00e1rio que um paulistano\u201d[1]&#8230; S\u00e3o Paulo para muitos \u00e9 a cidade da solid\u00e3o, daqueles que se perdem nas ruas de concreto e que para um estrangeiro ou turista parece ser hostil e pouco acolhedora \u00e0 primeira vista. 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