{"id":3984,"date":"2019-07-17T06:01:57","date_gmt":"2019-07-17T09:01:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3984"},"modified":"2019-07-17T06:01:57","modified_gmt":"2019-07-17T09:01:57","slug":"um-laco-extimo-solidao-com-laco-sobre-o-ato-analitico-e-a-garantia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/um-laco-extimo-solidao-com-laco-sobre-o-ato-analitico-e-a-garantia\/","title":{"rendered":"Um la\u00e7o \u00eaxtimo: solid\u00e3o com la\u00e7o &#8211; Sobre o ato anal\u00edtico e a garantia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3973\" aria-describedby=\"caption-attachment-3973\" style=\"width: 452px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3973\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tracos003_005-1.png\" alt=\"\u201cLabor\u201d. Instagram: @oskarmetsavaht\" width=\"452\" height=\"472\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tracos003_005-1.png 452w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/tracos003_005-1-287x300.png 287w\" sizes=\"auto, (max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3973\" class=\"wp-caption-text\">\u201cLabor\u201d. Instagram: @oskarmetsavaht<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 sujeito sem Outro, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 ser falante que n\u00e3o se encontre ligado aos tra\u00e7os, \u00e0s marcas, de uma hist\u00f3ria singular. Como falar de solid\u00e3o? De que solid\u00e3o falamos no que diz respeito ao ato anal\u00edtico? \u00c9 poss\u00edvel pensar em uma articula\u00e7\u00e3o entre essa solid\u00e3o que acompanha o ato e a garantia?<\/p>\n<p>Sob o t\u00edtulo \u201cUm la\u00e7o \u00eaxtimo\u201d, tentarei desenvolver essa rela\u00e7\u00e3o paradoxal. O \u201c\u00eaxtimo\u201d sup\u00f5e mais que uma articula\u00e7\u00e3o, sup\u00f5e a inclus\u00e3o do \u201csozinho\u201d no la\u00e7o. Proponho partir da\u00ed para pensarmos a garantia como uma solid\u00e3o \u201ccom\u201d.<\/p>\n<p>Come\u00e7arei pela resenha do Semin\u00e1rio do Ato anal\u00edtico\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a> e avan\u00e7aremos, com o \u00faltimo ensino de Jacques Lacan, a fim de nos aproximarmos da ideia da solid\u00e3o do ato anal\u00edtico. Tenho uma hip\u00f3tese para responder \u00e0 pergunta sobre o que permite operar no lugar de analista e ter alguma garantia sobre esta fun\u00e7\u00e3o: para al\u00e9m de nos instalarmos como tal e dos diferentes modos de identifica\u00e7\u00e3o, imagin\u00e1rios e\/ou simb\u00f3licos \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o nada mais que rela\u00e7\u00f5es e que se inscrevem no que Lacan chama (no mencionado Semin\u00e1rio) de \u201cfalso ser\u201d \u2013, \u00e9 necess\u00e1rio realizar a experi\u00eancia que chamarei, desde j\u00e1, \u201cde solid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Lacan, \u201c<em>o ato psicanal\u00edtico [&#8230;] eis que n\u00f3s o supomos a partir do momento eletivo em que o psicanalisante passa a psicanalista<\/em>. [&#8230;] <em>O ato tem lugar por um dizer, e pelo qual modifica o sujeito<\/em>\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>1. Momento eletivo, uma decis\u00e3o;<\/p>\n<p>2. Um passo, passa-se de uma posi\u00e7\u00e3o a outra: de psicanalisante a psicanalista;<\/p>\n<p>3. O ato vem no lugar do dizer.<\/p>\n<p>Falemos do ato anal\u00edtico. Ato anal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 o ato do analista, nem o ato do analisante; refere-se a \u201c<em>um momento seletivo<\/em>\u201d, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de um analista. E Lacan segue: \u201co ato anal\u00edtico \u00e9 o que nunca foi visto nem ouvido por nos <em>ningu\u00e9m sabe, ningu\u00e9m viu al\u00e9m de n\u00f3s<\/em>\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>; ou seja, ele fala do Ato como algo nunca referido e, menos ainda, questionado por n\u00f3s, para introduzir uma nova perspectiva, uma que difere da maneira como Freud o havia feito<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Sabemos que Freud o concebeu, primeiro, como um ato fracassado, ato sintom\u00e1tico; isto \u00e9, em termos de forma\u00e7\u00e3o do inconsciente e\/ou significa\u00e7\u00e3o \u2013 algo a ser interpretado. Em um segundo momento, tratou-o como algo que se op\u00f5e ao inconsciente, \u00e0 rememora\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. Nessa perspectiva, mais que ser interpret\u00e1vel, o ato \u00e9 resist\u00eancia, \u00e9 obst\u00e1culo. Em Lacan, al\u00e9m da diferen\u00e7a radical entre ato e a\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a novidade de introduzir a dimens\u00e3o do ato de fora do Outro, em suas diferentes variantes (\u023a). O ato n\u00e3o deve ser tomado como correlato \u00e0 significa\u00e7\u00e3o, mas como correlato \u00e0 puls\u00e3o; ou seja, o circuito libidinal do paciente, onde o analista passa a ser objeto. \u00c9 isso que permite \u00e0 Lacan dizer que o ato anal\u00edtico tem estrutura tal na qual o objeto \u00e9 ativo e o sujeito, subvertido \u2013 fundamento do discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Lacan introduz dois conceitos, na resenha: ato anal\u00edtico e passe. Dois conceitos que transformaram a psican\u00e1lise, tanto no que tange \u00e0 problem\u00e1tica do fim de an\u00e1lise, com a introdu\u00e7\u00e3o do ato anal\u00edtico, quanto ao que se refere \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, atrav\u00e9s do passe. S\u00e3o dois conceitos que devem ser diferenciados e que n\u00e3o acontecem, necessariamente, em um mesmo momento.<\/p>\n<p>Se o ato anal\u00edtico, como diz Brousse<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>, pode ser entendido como o momento de produ\u00e7\u00e3o do analista, podemos pensar o passe como o momento de verifica\u00e7\u00e3o dessa produ\u00e7\u00e3o do analista. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel dizer que, para n\u00f3s, \u00e9 \u201cregra\u201d \u2013 e \u00e9 isso que nos diferencia de outras terapias da palavra \u2013 que o analista precisa estar analisado. H\u00e1 uma continuidade entre o tratamento anal\u00edtico e o tornar-se analista.<\/p>\n<p>O ato anal\u00edtico (tamb\u00e9m podemos dizer isso do passe) \u00e9 um momento de ruptura, de corte, no qual o tornar-se analista est\u00e1 implicado como consequ\u00eancia de uma modifica\u00e7\u00e3o do sujeito pela psican\u00e1lise; modifica\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o tem a ver com a pura a\u00e7\u00e3o do saber, mas com o ser do analista. O que sustenta a ideia desse corte \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do ato anal\u00edtico a partir da op\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de Lacan<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>, que produz uma apreens\u00e3o do desejo. Encontro de dois vazios: a destitui\u00e7\u00e3o subjetiva e o des-ser do analista, que conhecemos como travessia da fantasia.<\/p>\n<p>Mais que os significantes mestres \u2013 que, sem d\u00favida, n\u00e3o s\u00e3o os mais favor\u00e1veis para dar conta desta aus\u00eancia \u2013 quero enfatizar o que Brousse nomeia como um desprender-se, \u201cum sem\u201d. Tr\u00eas modalidades de sil\u00eancio, tr\u00eas modalidades de soltar -se: soltar-se do olhar, soltar-se do contrato, soltar-se do nome \u2013 onde se produz um encontro com um gozo no corpo, como uma epifania, um la\u00e7o direto, sem intermedi\u00e1rios, entre o corpo, o evento de corpo, e a marca de um sem. \u00c9 a solid\u00e3o do \u201csem\u201d, como ela menciona na entrevista conduzida por Lucila Darrigo<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Isso equivale ao que acontece quando a mulher se descobre como Outra para si mesma no espa\u00e7o do gozo marcado pela infinitude \u2013 esse gozo Outro, feminino. Neste sentido, podemos dizer que, do ponto de vista anal\u00edtico propriamente dito, \u00e9 necess\u00e1rio pensar a solid\u00e3o a partir da l\u00f3gica feminina, a l\u00f3gica do n\u00e3o-todo. Nessa solid\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 garantia alguma entendida como garantia que vem do Outro, ou do eu; h\u00e1 apenas um \u201csi mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u201csi mesmo\u201d evoca a autoriza\u00e7\u00e3o do analista enunciada por Lacan, no Ato de Funda\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>, como a autoriza\u00e7\u00e3o de si mesmo \u2013 e que Jacques-Alain Miller prop\u00f5e escrever com a sigla S(\u023a), significante do Outro que n\u00e3o existe<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Essa sigla comporta dupla leitura: escreve o furo que se cava no processo anal\u00edtico e, ao mesmo tempo, o significante que ex-siste a este furo; um significante novo, inventado a partir do conjunto de significantes do Outro. Esse S que ex-siste \u2013 e que por ser imposs\u00edvel de negativizar, adquire valor de real \u2013 \u00e9 o que, nesta f\u00f3rmula, d\u00e1 lugar ao autorizar-se de si mesmo<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Assim, \u201c<em>a autoriza\u00e7\u00e3o anal\u00edtica<\/em> \u2013 como diz Miller \u2013 <em>vem da anula\u00e7\u00e3o de qualquer garantia que viria do Outro e, portanto, habita radicalmente fora do Outro<\/em>\u201d; isto \u00e9, vem do \u201csi mesmo\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o estofo desse \u201csi mesmo\u201d? Ele \u00e9 sem Outro. Lacan o nomeou de Um; \u00e9 o mais aut\u00eantico de cada um. Est\u00e1 do lado do real, ou seja, enraizado no material, no que est\u00e1 fora de sentido. \u00c9 \u00edndice do feminino, do continente negro, ou enigma indecifrado, correspondente ao que Miquel Bassols chamou de \u201c<em>lugar de ex\u00edlio interior do ser falante<\/em>\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>, lugar do real irrepresent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se, ent\u00e3o, de uma l\u00f3gica que n\u00e3o \u00e9 a do significante, mas da letra; l\u00f3gica que tenta cifrar algo desse espa\u00e7o, dessa alteridade sem Outro, desse a-sexuado. Autorizar-se de si mesmo \u00e9 autorizar-se no mais Outro de si mesmo \u2013 o que permite a Lacan dizer, na Nota Italiana, \u201c<em>que \u00e9 do n\u00e3o-todo que depende o analista<\/em>\u201d<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio \u201cMais ainda\u201d, Lacan enuncia que frente ao <em>n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever<\/em> da rela\u00e7\u00e3o sexual, a \u00fanica coisa que se escreve naquele que fala \u00e9 a solid\u00e3o, \u201c<em>essa solid\u00e3o, ela, de ruptura do saber, n\u00e3o somente ela se pode escrever, mas ela \u00e9 mesmo o que se escreve por excel\u00eancia, pois ela \u00e9 o que, de uma ruptura do ser, deixa tra\u00e7o<\/em>\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma solid\u00e3o irredut\u00edvel a\u00ed, a solid\u00e3o do gozo do Um, imposs\u00edvel de ser representada. Esse Um absoluto, que demonstra n\u00e3o haver dois \u2013 mas que h\u00e1 corpo \u2013, \u00e9 um gozo opaco ao sentido, diante do qual cada ser falante inventa uma solu\u00e7\u00e3o singular, um modo de nomear e de se arranjar com o Um sozinho. Esse \u201csi mesmo\u201d \u00e9 chamado, por Miller, de <em>identidade sinthomal<\/em>, a identidade com Um mesmo. Esta \u00e9 a \u201c<em>identifica\u00e7\u00e3o que cristaliza em uma identidade<\/em>\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[16]<\/a>, segundo Lacan, salientando que ela surge das marcas que o encontro com o corpo instilou, ali onde subst\u00e2ncia gozante e subst\u00e2ncia significante se conjugam em Um dizer. Troumatisme.<\/p>\n<p>Lacan adverte que a identidade <em>sinthomal<\/em> envolve uma esp\u00e9cie de dist\u00e2ncia, um saber manobrar com seu ser de <em>sinthome<\/em> como o avesso da mortifica\u00e7\u00e3o do sintoma \u2013 ponto nodal da satisfa\u00e7\u00e3o do fim de an\u00e1lise, que Lacan elabora como inconsciente real.<\/p>\n<p>A \u201c<em>defini\u00e7\u00e3o do inconsciente como real surge sobre o fundo de uma solid\u00e3o do sujeito<\/em>\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[17]<\/a>, o que significa o t\u00e9rmino do inconsciente transferencial, um momento em que a rela\u00e7\u00e3o com o psicanalista \u00e9 radicalmente transformada, um momento que envolve a liquida\u00e7\u00e3o do analista (no sentido de que n\u00e3o h\u00e1 demanda para o analista, j\u00e1 que sabemos que n\u00e3o h\u00e1 liquida\u00e7\u00e3o total). Ali se inscreve a fun\u00e7\u00e3o do <em>esp de um laps<\/em>. \u201c<em>Quando o esp de um laps \u2013 ou seja, visto que s\u00f3 escrevo em franc\u00eas, o espa\u00e7o de um lapso \u2013 j\u00e1 n\u00e3o tem nenhum impacto de sentido (ou interpreta\u00e7\u00e3o), s\u00f3 ent\u00e3o temos certeza de estar <\/em><em>no inconsciente. O que se sabe, consigo<\/em>\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[18]<\/a>. O que significa esse <em>lapsus <\/em>ou esse sonho? H\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de um saber sem Outro. A solid\u00e3o do sinthome \u00e9 da ordem do furo, o que n\u00e3o impede, como demonstrou Lacan \u2013 e vamos ver \u2013, o fazer la\u00e7o.<\/p>\n<p>Recapitulando, o ato anal\u00edtico vem no lugar de um dizer. O ato anal\u00edtico faz ressoar Um dizer, esse que \u00e9 eco do dizer no corpo<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[19]<\/a>, que \u00e9 a resson\u00e2ncia corporal da palavra.<\/p>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos que dar conta de como \u00e9 o ato anal\u00edtico na pr\u00e1tica, ou seja, como, por meio de sua escuta, o analista se encarrega de colocar essa pol\u00edtica em ato, dir\u00edamos que \u2013 ao menos no \u00faltimo ensino \u2013 o modelo seria o corte. O corte \u00e9 um ato, diz Miller, \u201c<em>que n\u00e3o seria d\u00e9bil mental, que n\u00e3o passaria pelo pensamento. \u00c9 o que permite elevar a psican\u00e1lise \u00e0 dignidade da cirurgia, elevar a debilidade psicanal\u00edtica \u00e0 seguran\u00e7a soberana do gesto cir\u00fargico: cortar<\/em>\u201d<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>Trata-se de obter um S<sub>1<\/sub> sem esperar por um S<sub>2<\/sub>. Essa \u00e9 a nossa pol\u00edtica, diz Miller, retomando Lacan: \u201c<em>\u2018aguardo, mas n\u00e3o espero nada\u2019. O S<sub>1<\/sub>, justamente por ter sentido de Um, implica, aguarda, pede um S<sub>2<\/sub>, mas sabendo, ao mesmo tempo, que ele n\u00e3o vir\u00e1<\/em>\u201d<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p>No momento do ato se est\u00e1 sozinho; solid\u00e3o que vem do desprendimento do S<sub>2<\/sub>, do corte na articula\u00e7\u00e3o. No ato, o sujeito est\u00e1 cortado da rela\u00e7\u00e3o com o Outro. Ali, como diz Miller, n\u00e3o h\u00e1 amizade com o inconsciente, nem pretens\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o. No ato n\u00e3o h\u00e1 la\u00e7o entre o Um e o Outro; o desejo do analista \u00e9 colocado em jogo, \u201c<em>como um desejo de se chegar ao real, de reduzir o Outro a seu real e liber\u00e1-lo do sentido<\/em>\u201d<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>Sozinho com la\u00e7o&#8230; A Escola, uma garantia de forma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Recentemente, em uma confer\u00eancia sobre o \u00f3dio dada na NEL, Sergio Laia fez refer\u00eancia a um texto de Simone Souto, &#8220;Amar no outro o insuport\u00e1vel de si mesmo&#8221;, que eu, posteriormente, tive a oportunidade de ler (acredito que o conhe\u00e7am, pois foi apresentado em um recente Congresso da EBP<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[23]<\/a>). Nesse texto, Souto trata da natureza dos la\u00e7os que sustentam a comunidade da Escola. Ela aponta, dentre outros, que quanto mais se \u00e9 fiel \u00e0 escolha solit\u00e1ria (ou seja, quanto mais her\u00e9tica essa escolha \u00e9), mais dif\u00edcil \u00e9 fazer la\u00e7o com o coletivo. Ent\u00e3o, que tipo de la\u00e7o \u00e9 poss\u00edvel a partir desse Um, dessa solid\u00e3o? Que tipo de la\u00e7o que n\u00e3o rejeite o gozo Um \u00e9 poss\u00edvel; la\u00e7o no qual, al\u00e9m de n\u00e3o excluir esse gozo, ainda se inclua a solu\u00e7\u00e3o sinthom\u00e1tica singular? Como fazer la\u00e7o com outros sem eliminar as diferen\u00e7as, admitindo as disc\u00f3rdias?<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise permite construir uma solid\u00e3o que n\u00e3o suponha a exclus\u00e3o do Outro \u2013 o inv\u00e9s ao \u00fanico e ao isolamento. \u00c9 o que Lacan faz \u201cem ato\u201d na funda\u00e7\u00e3o de sua Escola: \u201c<em>Mas se de fato estive s\u00f3, sozinho ao fundar a Escola [&#8230;], ter-me-ei nisso acreditado o \u00fanico? [&#8230;] N\u00e3o existe homossemia entre o \u2018\u00fanico\u2019 [le seul] e \u2018sozinho\u2019 [seul]. Minha solid\u00e3o foi justamente aquilo a que renunciei ao fundar a Escola, e que tem ela a ver com aquela em que se sustenta o ato psicanal\u00edtico sen\u00e3o poder dispor de sua rela\u00e7\u00e3o com esse ato?<\/em>\u201d<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[24]<\/a>. Ele prop\u00f5e construir uma solid\u00e3o que torne poss\u00edvel um la\u00e7o com outros. Uma solid\u00e3o, como diz Vicente Palomera, f\u00e9rtil<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos porcos-espinhos que n\u00e3o podem estar uns com os outros, mas que se aproximam por n\u00e3o conseguirem ficar sozinhos com seus pr\u00f3prios espinhos<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[26]<\/a>, Lacan prop\u00f5e a Escola como um lugar onde se elabora com outros \u2013 experi\u00eancia singular que sup\u00f5e tornar-se analista a s\u00f3s.. Ou seja, a Escola como um lugar onde a autoridade anal\u00edtica, o Um mesmo, essa solid\u00e3o, pode se enla\u00e7ar \u00e0 transmiss\u00e3o de uma experi\u00eancia, seja experi\u00eancia de an\u00e1lise (passe), experi\u00eancia da pr\u00e1tica (garantia) ou experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan prop\u00f5e a Escola como um lugar onde se p\u00f5e em ato o n\u00f3 entre o Um e o m\u00faltiplo, onde \u00e9 poss\u00edvel articular o individual e o coletivo de uma maneira diferente daquela que Freud ensinou em \u201cPsicologia das massas\u201d<a href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[28]<\/a>. Ao inv\u00e9s de ser fundada com base na identifica\u00e7\u00e3o a um l\u00edder, na Escola trata-se de \u201c<em>por em primeiro plano a solid\u00e3o subjetiva; porque se trata [a Escola] de uma forma\u00e7\u00e3o coletiva que n\u00e3o pretende fazer desaparecer a solid\u00e3o subjetiva, mas que pelo contr\u00e1rio se funda nela, a manifesta, a revela<\/em>\u201d<a href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[29]<\/a> \u2013 ou como Souto recordou: trata-se de fazer la\u00e7o a partir de uma primeira rejei\u00e7\u00e3o pulsional.<\/p>\n<p>Assim, Lacan reenvia cada um \u00e0 sua pr\u00f3pria solid\u00e3o de sujeito, \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que cada um mant\u00e9m com o S<sub>1<\/sub> do Ideal sob o qual est\u00e1, em oposi\u00e7\u00e3o a nos juntarmos porque parecemos iguais. Embora a rela\u00e7\u00e3o de cada um com o significante do Ideal n\u00e3o seja algo a ser compartilhado, Lacan prop\u00f5e que se compartilhe, fundando um coletivo com base em uma identifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 de outra ordem \u2013 uma identifica\u00e7\u00e3o, como diz Miller, suplementar, que n\u00e3o faz Um com o Outro, nem implica o reconhecimento ou a complementaridade. \u00c9 uma identifica\u00e7\u00e3o que nos re\u00fane em torno de uma causa, que \u00e9 a mesma para todos e a mais singular para cada um.<\/p>\n<p>A causa \u00e9 comum, mas n\u00e3o o la\u00e7o com a causa, uma vez que cada um entra na Escola a partir de seu pr\u00f3prio gozo sintom\u00e1tico \u2013 que n\u00e3o tem nada a ver com o do vizinho. A identifica\u00e7\u00e3o sinthom\u00e1tica, como vimos, promove a solid\u00e3o mais que o agrupamento; entretanto, \u00e9 com essa solid\u00e3o que se faz la\u00e7o dentro da Escola. Inclusive, o sinthoma do final \u00e9 posto \u00e0 servi\u00e7o do grupo anal\u00edtico (por exemplo, um modo de trabalhar mais entusiasmado, mais ligado ao trabalho do que \u00e0 queixa e \u00e0quilo de que se gozava).<\/p>\n<p>Essa identifica\u00e7\u00e3o fundada na l\u00edngua do Um (l\u00edngua cifrada e especial) \u2013 que n\u00e3o \u00e9 a l\u00edngua do Outro Social (nem pol\u00edtico, nem hist\u00f3rico) \u2013 \u00e9 o fundamento da cria\u00e7\u00e3o da Escola de Lacan, ref\u00fagio que ele quis isolar do discurso universal do mestre, ref\u00fagio para os psicanalistas, onde se trata de articular essas solid\u00f5es com o Outro.<\/p>\n<p>Assim, Lacan redireciona a dimens\u00e3o do Outro fundamental a partir da comunidade de analistas da Escola (Escola-sujeito), na medida em que eles est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o \u201canalisante\u201d. Ou seja, esses analistas fazem a experi\u00eancia de si mesmo (da solid\u00e3o) e contam com o \u201calguns outros\u201d para acentuar a inexist\u00eancia do Outro no tornar-se psicanalista.<\/p>\n<p>Com essa inclus\u00e3o do \u201calguns outros\u201d cria-se a necessidade da Escola, \u00e0 qual se atribui exig\u00eancia maior na forma\u00e7\u00e3o de psicanalistas. Assim, ali onde n\u00e3o h\u00e1 garantia poss\u00edvel no que diz respeito ao ato anal\u00edtico, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do analista e \u00e0 sua solid\u00e3o, uma garantia de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecida. Uma aposta de forma\u00e7\u00e3o que \u00e9 uma aposta para que haja Um e Um e Um. Cada Um &#8211; porque os Um n\u00e3o se somam. Cada Um se sustenta no n\u00f3 de seu sinthoma.<\/p>\n<p>Perguntemo-nos, agora, como este Outro pode dar garantia. Como garantir o que \u00e9 um analista e como garantir a pr\u00e1tica quando, por um lado, n\u00e3o temos regulamenta\u00e7\u00e3o, nem sequer diploma e\/ou autoriza\u00e7\u00e3o, para o exerc\u00edcio da pr\u00e1tica e, por outro, o discurso do mestre e o discurso universit\u00e1rio ganham mais for\u00e7a na tentativa de substituir as autoridades da Escola?<\/p>\n<p>N\u00e3o basta p\u00f4r em primeiro plano o Um, pois poder\u00edamos correr o risco de cada um se fechar em sua solu\u00e7\u00e3o sinthom\u00e1tica, em uma sa\u00edda c\u00ednica ou em uma instala\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a. Que n\u00e3o haja garantia, n\u00e3o significa, como diz Miller, que a Escola pare por a\u00ed. Segue sendo necess\u00e1rio provar e demonstrar tudo<a href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n<p>Encontramos a resposta no Ato de Funda\u00e7\u00e3o, onde Lacan prop\u00f5e uma Escola, um Outro, que dispense uma forma\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[31]<\/a>. Por\u00e9m, vejamos: como diz Miller, que a Escola ofere\u00e7a uma forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que ela garanta esse ou aquele membro. Inclusive, devemos lembrar que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o na Escola, Lacan, de fato, a habilitou \u00e0queles que haviam sido formados por ele, mas nunca disse que lhes havia permitido exercer a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>A Escola garante que um analista surja de sua forma\u00e7\u00e3o, garante a forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o o analista que ela forma. Aqui, h\u00e1 a necessidade de enfatizar o que h\u00e1 de espec\u00edfico em uma forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica que leva em conta a dimens\u00e3o prim\u00e1ria do inconsciente como tal. Ou seja, o analista como um produto \u201c<em>formado tanto na ret\u00f3rica do inconsciente e de suas forma\u00e7\u00f5es, de sua gram\u00e1tica, como na produ\u00e7\u00e3o de seu inconsciente; isto \u00e9, enquanto ele se permite ser ensinado por seu inconsciente<\/em>\u201d<a href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[32]<\/a>. E como diz Cristiane Alberti: \u201c<em>enquanto a Escola garante a rela\u00e7\u00e3o entre o analista e a forma\u00e7\u00e3o que dispensa, nenhum formato \u00e9 obrigat\u00f3rio, como seria desejado por uma regula\u00e7\u00e3o administrativa e cont\u00e1bil das pr\u00e1ticas<\/em>\u201d<a href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n<p>A Escola de Lacan \u00e9 uma aposta por criar uma institui\u00e7\u00e3o que possa garantir a rela\u00e7\u00e3o do analista com a forma\u00e7\u00e3o que a dita Escola dispensa, \u201c<em>forma\u00e7\u00e3o que <\/em><em>n\u00e3o se faz por uma ascens\u00e3o progressiva, seguindo uma carreira, mas que se faz por \u2018imers\u00e3o\u2019, de acordo com a express\u00e3o que J-A-Miller prop\u00f4s. S\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es desta imers\u00e3o que devem ser continuamente reajustadas, renovadas, em fun\u00e7\u00e3o das demandas da \u00e9poca<\/em>\u201d<a href=\"#_edn34\" name=\"_ednref34\">[34]<\/a>.<\/p>\n<p>O \u201calguns outros\u201d desempenha um papel fundamental, pois \u00e9 necess\u00e1rio que a experi\u00eancia seja transmitida, que esse Um seja colocado \u00e0 prova, que seja verificado repetidas vezes, consentindo que se fa\u00e7a da Escola, Outro. Que esse Outro que \u00e9 a Escola, seja um assunto no qual se pense, uma fic\u00e7\u00e3o operativa, como Miller diz na \u201cDoutrina Secreta\u201d<a href=\"#_edn35\" name=\"_ednref35\">[35]<\/a>.<\/p>\n<p>Para isso, contamos com os dispositivos inventados por Lacan, que enquanto experi\u00eancias transindividuais, colocam em ato o n\u00f3 entre o Um e o M\u00faltiplo. S\u00e3o experi\u00eancias coletivas onde o Um, que \u00e9 nossa orienta\u00e7\u00e3o, \u00e9 aplicado ao dispositivo; o Um passa pelo Outro, que n\u00e3o \u00e9 um Outro do Outro.<\/p>\n<p>A Escola \u00e9 um meio para garantir a efic\u00e1cia, a operatividade do discurso anal\u00edtico, uma vez que seu objetivo \u00e9 \u201c<em>a produ\u00e7\u00e3o de um analista<\/em>\u201d<a href=\"#_edn36\" name=\"_ednref36\">[36]<\/a>. Ela assegura as condi\u00e7\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o por meio dos dois pilares que s\u00e3o o passe e a garantia. Na medida em que o discurso anal\u00edtico \u00e9 o \u00fanico discurso que tem em seu centro o fato de n\u00e3o saber o que \u00e9 um analista, \u00e9 necess\u00e1rio criar instrumentos para questionar o que \u00e9 um analista e garantir sua pr\u00e1tica. Se do lado do AE, que \u00e9 quem d\u00e1 provas como analisado, temos o dispositivo do passe como instrumento para verificar e confirmar, do lado do AME, que \u00e9 quem d\u00e1 provas como praticante, temos a Comiss\u00e3o da Garantia \u2013 que tem o controle<a href=\"#_edn37\" name=\"_ednref37\">[37]<\/a> como seu instrumento fundamental.<\/p>\n<p>No caso do <strong>passe<\/strong>, trata-se do paradoxo da garantia, no qual o AE sem saber o que \u00e9 um analista, ensina como ele se tornou analista de sua pr\u00f3pria an\u00e1lise, bordejando esse furo onde sua fantasia n\u00e3o serve mais como tamp\u00e3o. Ele se confronta com esse gozo Um e faz la\u00e7o com a Escola atrav\u00e9s do testemunho. O dispositivo do passe, que \u00e9 uma experi\u00eancia coletiva, verifica a autoriza\u00e7\u00e3o de si mesmo atrav\u00e9s dos passadores, do cartel e do p\u00fablico. Cada um atesta se passa ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 <strong>garantia, nosso ponto de interesse, <\/strong>estamos no caminho de interrogar a subvers\u00e3o da psican\u00e1lise; isto \u00e9, as vias de a\u00e7\u00e3o do analista, garantindo a efic\u00e1cia, a operatividade do discurso anal\u00edtico. Trata-se da garantia da pr\u00e1tica, do controle da pr\u00e1tica anal\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00e3o contamos com um aparato conceitual para conceder a algu\u00e9m essa habilita\u00e7\u00e3o, da\u00ed a import\u00e2ncia do controle. Nele coloca-se \u00e0 prova o compromisso do analista em sua pr\u00e1tica e no social \u2013 e, por que n\u00e3o tamb\u00e9m, mais amplamente, no pol\u00edtico. O controle acompanha o analista, o praticante, durante toda sua forma\u00e7\u00e3o, indo mais al\u00e9m de indica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou receitas, na medida em que o que \u00e9 submetido ao controle \u00e9 o desejo do analista. \u201c<em>O controle n\u00e3o acaba com a solid\u00e3o; no m\u00e1ximo, a acompanha. Objetiva escutar especialmente aquilo no que a <\/em><em>rotina do praticante, mesmo do cl\u00ednico, o torna surdo<\/em>\u201d<a href=\"#_edn38\" name=\"_ednref38\">[38]<\/a>, fazer escutar a materialidade do significante, o corte, esse S<sub>1<\/sub> desconectado do S<sub>2<\/sub>. Controla-se o ato anal\u00edtico, que \u00e9 na solid\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNesta experi\u00eancia que \u00e9 o controle (superaudi\u00e7\u00e3o), verifica-se a particularidade da experi\u00eancia anal\u00edtica, onde se pode transmitir algo do que diz um sujeito a um terceiro. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que se pode transmitir o impacto do que um sujeito diz a outro no tratamento, porque, justamente, n\u00e3o se trata de uma grava\u00e7\u00e3o. Nessa transmiss\u00e3o est\u00e1 em jogo a \u2018dritte Person\u2019. De um lado est\u00e1 a transmiss\u00e3o do que o paciente (o analisante) diz e o efeito que isso tem sobre o analista; e de outro lado, a transmiss\u00e3o a outro analista (controlador), que est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de terceiro. \u00c9 uma experi\u00eancia transindividual, mas n\u00e3o h\u00e1 um Outro do Outro\u201d<a href=\"#_edn39\" name=\"_ednref39\">[39]<\/a>. N\u00e3o existe controle ideal, nem especializado, como n\u00e3o h\u00e1 analista ideal ao final da an\u00e1lise. O fundamental do controle \u00e9 como transmitir o fato de que a palavra dentro da psican\u00e1lise tem uma fun\u00e7\u00e3o criacionista.<\/p>\n<p>A <strong>Comiss\u00e3o de Garantia<\/strong>, enquanto respons\u00e1vel por reconhecer aqueles que d\u00e3o provas de sua pr\u00e1tica, nomeia algu\u00e9m AME pela mesma raz\u00e3o que Lacan fundou sua Escola; isto \u00e9, pelo seu compromisso com a psican\u00e1lise na Escola e no mundo. \u00c9 algu\u00e9m que se fez reconhecer pela comunidade em sua rela\u00e7\u00e3o com a causa freudiana.<\/p>\n<p>Com o t\u00edtulo AME, o membro reconhecido como tal, ao se comprometer com a designa\u00e7\u00e3o dos passadores, passa a representar a Escola de psican\u00e1lise enquanto uma associa\u00e7\u00e3o legal, no discurso do mestre. A garantia \u00e9 insepar\u00e1vel tanto da pol\u00edtica da psican\u00e1lise (h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre garantia e passe) como da pol\u00edtica como tal (h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel com a subjetividade da \u00e9poca pois, como diz Alberti, nossa \u00e9poca \u00e9 atingida pela devasta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea).<\/p>\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s do AME que conseguimos interrogar as poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es do analista, seja na pr\u00e1tica, nas institui\u00e7\u00f5es e mesmo, como prop\u00f5e Miller com o lan\u00e7amento do Campo Freudiano, Ano Zero, comprometendo-nos no campo da pol\u00edtica, podemos \u201c<em>estender o discurso anal\u00edtico ao n\u00edvel da opini\u00e3o<\/em>\u201d (Zadig)<a href=\"#_edn40\" name=\"_ednref40\">[40]<\/a> \u2013 onde, mais que representar a Escola, se incorpora a <em>pata social<\/em>, como ele diz. N\u00e3o somos apenas espectadores, somos parte ativa do mundo ao nosso redor, o que sup\u00f5e as formas de implica\u00e7\u00e3o do sujeito na \u201csubjetividade de sua \u00e9poca\u201d, um compromisso que coloca em jogo a nossa rela\u00e7\u00e3o com a causa. Chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a garantia, como diz Alberti, na medida em que se orienta pela psican\u00e1lise em intens\u00e3o, \u201c<em>controla a extens\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#_edn41\" name=\"_ednref41\">[41]<\/a>.<\/p>\n<p>Por fim, marco que precisamos de dois momentos l\u00f3gicos: um, o momento do ato anal\u00edtico \u2013 como propus aqui \u2013 que implica a solid\u00e3o, que \u00e9 um \u201csem\u201d, e dois, a rela\u00e7\u00e3o com a causa, onde este \u201csem\u201d est\u00e1 inclu\u00eddo no \u201ccom\u201d:<\/p>\n<ol>\n<li>Solid\u00e3o do ato anal\u00edtico implica autoriza-se sem Outro, ali onde se produz uma inven\u00e7\u00e3o, que toma a forma do sinthome (no \u00faltimo ensino). Uma forma de autoriza\u00e7\u00e3o que sup\u00f5e \u201cprescindir do pai na condi\u00e7\u00e3o de servir-se dele\u201d, onde ocorre a passagem do inconsciente transferencial ao inconsciente real.<\/li>\n<li>Rela\u00e7\u00e3o com a causa, que Miller chama de Passe bis. Se, em um primeiro momento, tratava-se da passagem do inconsciente transferencial ao inconsciente real, Miller prop\u00f5e \u2013 o que aqui chamo \u2013 um segundo momento l\u00f3gico, que sup\u00f5e a passagem do inconsciente real ao inconsciente transferencial. Passar do Um ao Outro.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 um momento em que a rela\u00e7\u00e3o com o psicanalista \u00e9 radicalmente transformada, em que se produz uma liquida\u00e7\u00e3o, no sentido \u2013 como foi dito \u2013 de que n\u00e3o h\u00e1 demanda para o analista. \u00c9 uma liquida\u00e7\u00e3o para o analista, para estabelecer uma outra via, a da rela\u00e7\u00e3o do inconsciente real com a causa anal\u00edtica. Ou seja, uma transfer\u00eancia com a an\u00e1lise, tal como proposto por Lacan em &#8217;64.<\/p>\n<p>\u201c<em>Convida-se cada um a reunir-se com Freud e Lacan em sua solid\u00e3o<\/em>\u201d<a href=\"#_edn42\" name=\"_ednref42\">[42]<\/a>, ou seja, para encontrar-se com a causa anal\u00edtica. Tanto Freud como Lacan s\u00e3o exemplos disso. Sozinho, mas com outros.<\/p>\n<p>Termino com isso, propondo-os a pensar a garantia a partir da solid\u00e3o com. Um la\u00e7o \u00eaxtimo, onde o que se privilegia \u2013 mais que a rela\u00e7\u00e3o com o Outro \u2013 \u00e9 com o que se faz la\u00e7o: cada um a partir da sua solu\u00e7\u00e3o singular, arranjadas para fazer existir o discurso anal\u00edtico.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o ato anal\u00edtico e a garantia sup\u00f5e um la\u00e7o entre a solid\u00e3o que p\u00f5e em jogo o \u201csem\u201d e o la\u00e7o que introduz o \u201ccom\u201d. H\u00e1 solid\u00e3o e h\u00e1 la\u00e7o. Concili\u00e1vel, mas inconcili\u00e1vel. N\u00e3o apenas consentimos ao efeito sintom\u00e1tico que cada um \u00e9, que se obt\u00e9m como resultado de pr\u00f3pria experi\u00eancia anal\u00edtica, mas tamb\u00e9m consentimos \u00e0s resson\u00e2ncias que isso tem nos outros, na Escola<a href=\"#_edn43\" name=\"_ednref43\">[43]<\/a>. Consentimos ao Outro ficcional operativo, de onde apostamos na orienta\u00e7\u00e3o do Um, que d\u00e1 nome \u00e0 Escola Una. Isto \u00e9, a uma solid\u00e3o fecunda.<\/p>\n<p>A Escola Una \u00e9 o nome dessa identifica\u00e7\u00e3o que funciona sem Outro e sem o outro a quem se fazer semelhante. \u201c<em>\u00c9 a voz dessa fun\u00e7\u00e3o que cada membro deve, idealmente, exercer<\/em>\u201d<a href=\"#_edn44\" name=\"_ednref44\">[44]<\/a>, caso se escolha fazer a experi\u00eancia da verdade, a experi\u00eancia da solid\u00e3o.<\/p>\n<h6><strong>por Clara M. Holguin\u00a0<\/strong><strong>(<\/strong><strong>AME NEL- Bogot\u00e1\/AMP)<\/strong><\/h6>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Gabriela Malvezzi do Amaral<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Silvia Jacobo<\/h6>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Lacan, J. <em>O Semin\u00e1rio: livro 15: O ato psicanal\u00edtico (1967-1968)<\/em>. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Lacan, J. \u201cO ato psicanal\u00edtico\u201d (1969). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 371. N.T.: No original: \u201c<em>El acto anal\u00edtico lo vamos a suponer a partir del momento selectivo en que el psicoanalizante pasa a psicoanalista. <\/em><em>El acto ha lugar de un decir, cuyo sujeto cambia<\/em>\u201d (Lacan, J. Rese\u00f1as de ense\u00f1anza. Buenos Aires. Manantial, 1988, p. 47).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Lacan, J. Rese\u00f1as de ense\u00f1anza. Manantial, p. 47.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> Brodsky, G. \u201cFundamentos. El acto anal\u00edtico\u201d. In: <em>Cuadernos del Instituto Cl\u00ednico de Buenos Aires<\/em>, n. 5, Buenos Aires: Ed. ICBA, 2009, p. 12.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> Freud, S. \u201cRecordar, Repetir y Elaborar\u201d (1914). In: <em>Obras Completas<\/em>, vol. 12, Buenos Aires: Amorrortu Editores S.A., 1991. pp. 145-157.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Brousse, M-H. \u201cCharla sobre el pase y el acto anal\u00edtico\u201d. In: <em>Freudiana<\/em>, n.10, 1994, p. 88.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> Idem. <em>Ibidem<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Cf. v\u00eddeo da entrevista realizada em abril de 2019, dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WFjmP6nSk9o&amp;feature=youtu.be&gt;. Acesso em 09 de julho de 2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> Lacan, J. \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o\u201d (1971). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 235.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Miller, J-A. <em>El lugar y el lazo<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013. p. 381.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Salman. S. \u201cLa autoridad anal\u00edtica. Causa y consentimiento\u201d. In: <em>Freudiana<\/em>, n. 85, abril de 2019, p. 73.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Miller, J-A. <em>Op. cit<\/em>, p. 392.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> Bassols, M. \u201cO feminino, entre centro e aus\u00eancia\u201d. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, ano 8, n. 23, julho 2017. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_23\/O_feminino_entre_centro_e_ausencia.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_23\/O_feminino_entre_centro_e_ausencia.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 9 de julho de 2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[14]<\/a> Lacan, J. \u201cNota italiana\u201d (1973). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 312.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[15]<\/a> Lacan, J. \u201cRodinhas de Barbante\u201d. In: <em>O Semin\u00e1rio: livro 20: mais, ainda (1972-1973). <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. p. 163.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[16]<\/a> Lacan, J. Li\u00e7\u00e3o de 11 de novembro de 1976. In: <em>O Semin\u00e1rio: livro 24: L\u00b4insu que sait de l\u00b4une-bevue s\u00b4aile a mourre (1976-1977)<\/em>. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[17]<\/a> Miller, J-A. \u201cEl reverso del pase\u201d. In: <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014, p. 96.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[18]<\/a> Lacan, J. &#8220;Pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa do <em>Semin\u00e1rio <\/em>11\u201d (1976). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 567.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[19]<\/a> Miller, J-A. \u201cSentido y agujero\u201d. In: <em>El ultim\u00edsimo Lacan<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2014, p. 170.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[20]<\/a> Ibid. p. 195.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[21]<\/a> Ibid. p. 158.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[22]<\/a> Miller, J-A. Apresenta\u00e7\u00e3o do tema do IX Congresso da AMP. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"http:\/\/www.congresamp2014.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Presentation-du-theme_Jacques-Alain-Miller.html\">http:\/\/www.congresamp2014.com\/pt\/template.php?file=Textos\/Presentation-du-theme_Jacques-Alain-Miller.html<\/a>&gt;. Acesso em 09 de julho de 2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[23]<\/a> N.T.: Clara Holgu\u00edn faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de Simone Souto na tarde de conversa\u00e7\u00f5es do dia 13 de abril de 2019, no XIII Congresso de Membros da EBP, em S\u00e3o Paulo.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[24]<\/a> Lacan, J. \u201cDiscurso na Escola Freudiana de Paris\u201d (1970). In: <em>Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 267.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[25]<\/a> Palomera, V. \u201cSoledad y final de an\u00e1lisis\u201d. In: <em>Freudiana<\/em>, n. 66, septiembre\/diciembre 2012, p. 51.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[26]<\/a> N.T.: A autora faz men\u00e7\u00e3o ao dilema do porco-espinho, criado por Arthur Schopenhauer e exposto em forma de par\u00e1bola em sua obra \u201cParerga und Paralipomena\u201d, publicada em 1851. A met\u00e1fora, tornada popular por Sigmund Freud, diz que alguns porcos-espinhos \u200b\u200bse amontoaram, em busca de calor em um dia frio de inverno, mas que come\u00e7aram a se machucar com seus espinhos e foram obrigados a se afastar. No entanto, o frio fazia com que eles voltassem a se reunir e, quando tornavam a se machucar, outra vez se afastavam. Depois de v\u00e1rias tentativas, perceberam que podiam manter certa dist\u00e2ncia uns dos outros, sem se dispersarem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[27]<\/a> Salman, S. <em>Op cit.<\/em>, p. 79.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[28]<\/a> Freud, S. \u201cPsicologia de grupo e a an\u00e1lise do ego\u201d (1921). In: <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 77-154 (Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud, vol. 18).<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[29]<\/a> Miller, J-A. \u201cTeoria de Turim: sobre o sujeito da Escola\u201d (2000). In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana Online<\/em>, ano 7, n. 21, novembro de 2016. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_21\/teoria_de_turim.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 9 de julho de 2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[30]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[31]<\/a> Lacan, J. (1971). <em>Op. cit<\/em>. p. 235.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[32]<\/a> Laurent, \u00c9. \u201cPr\u00e1ctica y control\u201d. In: <em>Bit\u00e1cora Lacananiana<\/em>, n. 6, septiembre 2017, p. 59.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\">[33]<\/a> Alberti, C. \u201cGarant\u00eda. \u00bfPara qu\u00e9, para qui\u00e9n?\u201d. In: Escuela Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, novembro 2018. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref34\" name=\"_edn34\">[34]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref35\" name=\"_edn35\">[35]<\/a> Miller, J.A. \u201cLa Doctrina Secreta de Lacan sobre la Escuela\u201d. In: <em>El Caldero de la Escuela<\/em>, n. 24, Buenos Aires: Grama Ediciones, 2015, p. 3.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref36\" name=\"_edn36\">[36]<\/a> Alberti, C. <em>Op cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref37\" name=\"_edn37\">[37]<\/a> N.T.: em portugu\u00eas, temos \u201ccontrole\u201d e \u201csupervis\u00e3o\u201d, sendo o \u00faltimo mais de uso comum. Como a autora refere-se \u00e0 \u201ccontrole\u201d, optou-se por manter assim, considerando que o termo \u00e9 compreens\u00edvel em portugu\u00eas. No entanto, vale recuperar que existe uma discuss\u00e3o sobre diferen\u00e7as entre \u201ccontrole\u201d e \u201csupervis\u00e3o\u201d; diferen\u00e7as essas que perpassam a pr\u00e1tica. A tese de doutorado de R\u00f4mulo Ferreira da Silva \u00e9 uma das refer\u00eancias, dentro do Campo Freudiano, para essa discuss\u00e3o. Uma atividade baseada nela foi realizada na Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, se\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo, em 08\/08\/2018 e est\u00e1 dispon\u00edvel no endere\u00e7o: &lt; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U2TSH8BWIrg\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U2TSH8BWIrg<\/a>&gt;. Acesso em 9 de julho de 2019.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref38\" name=\"_edn38\">[38]<\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref39\" name=\"_edn39\">[39]<\/a> Laurent, \u00c9. <em>Op. cit.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref40\" name=\"_edn40\">[40]<\/a> Miller. Zadig. Ano zero <a href=\"http:\/\/www.nel-amp.org\/index.php?file=zadig\/zadig-y-zadig-lml\/textos-fundacionales\/campo-freudiano-ano-cero.html\">http:\/\/www.nel-amp.org\/index.php?file=zadig\/zadig-y-zadig-love my life\/textos-fundacionales\/campo-freudiano-ano-cero.html<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref41\" name=\"_edn41\">[41]<\/a> Alberti, C. <em>Op cit<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref42\" name=\"_edn42\">[42]<\/a> Miller, J-A. \u201cEl reverso del pase\u201d. <em>Op cit.<\/em> p. 99.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref43\" name=\"_edn43\">[43]<\/a> Salman, S. <em>Op. cit.<\/em> p. 75.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref44\" name=\"_edn44\">[44]<\/a> Bassols, M. \u201cSaber contar la experiencia de la Escuela\u201d. In: Bit\u00e1cora Lacaniana, n. 7, octubre 2018, p. 22.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 sujeito sem Outro, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 ser falante que n\u00e3o se encontre ligado aos tra\u00e7os, \u00e0s marcas, de uma hist\u00f3ria singular. Como falar de solid\u00e3o? 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