{"id":3914,"date":"2019-06-10T09:00:46","date_gmt":"2019-06-10T12:00:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3914"},"modified":"2019-06-10T09:00:46","modified_gmt":"2019-06-10T12:00:46","slug":"uns-tracos-solidao-a-impossibilidade-de-fazer-dois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/uns-tracos-solidao-a-impossibilidade-de-fazer-dois\/","title":{"rendered":"Uns Tra\u00e7os &#8211; Solid\u00e3o, a impossibilidade de fazer dois"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3912\" aria-describedby=\"caption-attachment-3912\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3912\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/boletim002_002-1.png\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/boletim002_002-1.png 408w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/boletim002_002-1-300x300.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/boletim002_002-1-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3912\" class=\"wp-caption-text\">Almeida J\u00fanior. Pinacoteca SP<\/figcaption><\/figure>\n<h6><strong>Lucila Darrigo &#8211;\u00a0<\/strong><strong>EBP\/AMP<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<p>A ideia deste pequeno texto \u00e9 levantar alguns pontos a respeito da solid\u00e3o no ensino de Lacan a partir deste recorte do semin\u00e1rio 20:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Eu<\/em>, n\u00e3o \u00e9 um ser, \u00e9 um suposto a quem fala. Quem fala s\u00f3 tem a ver com a solid\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que s\u00f3 posso definir dizendo (&#8230;) que ela n\u00e3o se pode escrever. Essa solid\u00e3o, (..) de ruptura do saber, n\u00e3o somente ela se pode escrever, mas ela \u00e9 mesmo o que se escreve por excel\u00eancia, pois ela \u00e9 o que, de uma ruptura do ser, deixa tra\u00e7o<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>Partir do Um para pensar a solid\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>De onde partimos, faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Miller, no curso \u201c<em>Los signos del goce<\/em>\u201d nos orienta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de paradigma no ensino de Lacan a partir do Semin\u00e1rio 20: \u201cN\u00e3o \u00e9 o mesmo tentar alcan\u00e7ar o Um a partir do Outro e tentar alcan\u00e7ar o Outro a partir do Um. Neste novo axioma, o que vem antes n\u00e3o \u00e9 o Outro mas o gozo e, por conseguinte, o Um, a posi\u00e7\u00e3o do Um, a tese do Um<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO Um est\u00e1 a\u00ed apenas para representar a solid\u00e3o<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>.\u201d Esse Um que n\u00e3o faz dois, define o campo do \u00faltimo ensino de Lacan onde o Outro deixa de existir.<\/p>\n<p>Ao longo do semin\u00e1rio 20, Lacan vai demonstrando tudo aquilo que do gozo \u00e9 gozo uno, ou seja, gozo sem o Outro. A rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe pode ser tomada como correlata ao H\u00e1 Um e s\u00f3 pode ser pensado no n\u00edvel do real do gozo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>H\u00e1 gozo. H\u00e1 um. H\u00e1 solid\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>A solid\u00e3o, uma ilus\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Quando partimos do significante, o Outro \u00e9 aquele que lhes responde. \u00c9 o lugar do c\u00f3digo, daquele que sanciona. Neste sentido, como nos disse Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse na entrevista sobre o tema das Jornadas, a solid\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Ilus\u00e3o, uma vez que n\u00e3o podemos pensar o sujeito sem o Outro. \u00c9 contradit\u00f3rio falar em solid\u00e3o do sujeito&#8230; Enquanto ser falante, a solid\u00e3o \u00e9 um imposs\u00edvel<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>. Sem o Outro da linguagem, n\u00e3o h\u00e1 ser falante. Falamos sozinhos, certamente, mas h\u00e1 sempre um endere\u00e7amento quando falamos: falamos para o Outro, com o Outro, a partir do Outro.<\/p>\n<p>O Eu (<em>le moi<\/em>), \u00e9 o companheiro permanente que n\u00e3o nos deixa s\u00f3s e que, ao mesmo tempo, nos falta, por ser apenas \u201cum suposto a quem fala<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[6]<\/a>\u201d. Ilus\u00e3o de estar s\u00f3 e, ao mesmo tempo, ilus\u00e3o de n\u00e3o estar s\u00f3. O ser falante est\u00e1 sempre \u00e0s voltas com esse dilema&#8230;.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>A solid\u00e3o quando o Outro n\u00e3o existe<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Quando o Outro n\u00e3o existe, o que acessamos s\u00e3o os efeitos desta aus\u00eancia: efeitos de linguagem, efeitos do Inconsciente. E \u00e9 isso que d\u00e1 uma ideia da verdadeira solid\u00e3o<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando partimos do gozo somos conduzidos a Um-totalmente-s\u00f3, separado do Outro. O Outro aparece como Outro do Um<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[8]<\/a>. Neste caso, o gozo do Outro se torna muito problem\u00e1tico pois ele passa a ser t\u00e3o somente o Outro do sexo.<\/p>\n<p>Mesmo no encontro com o Outro do sexo, o lugar do gozo \u00e9 o corpo pr\u00f3prio, sempre solit\u00e1rio, por qualquer que seja o meio de gozo.<\/p>\n<p>Por isso, no n\u00edvel do gozo, o <em>falasser<\/em> s\u00f3 encontra a solid\u00e3o. Ou, dito de outro modo: talvez s\u00f3 sejamos <em>falasseres<\/em> na experi\u00eancia da solid\u00e3o<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Mais uma vez, se tomarmos o gozo como ponto de partida, temos que tomar a palavra como n\u00e3o estando dirigida ao Outro<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[10]<\/a>. A fala n\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o com o Outro. A fala \u00e9 gozo e, nessa perspectiva, ela n\u00e3o visa reconhecimento nem compreens\u00e3o. Ela \u00e9 apenas uma modalidade do gozo uno. Por isso Lacan inventou o conceito de <em>lalangue<\/em>. Mais aqu\u00e9m da linguagem \u2013 cujo estatuto \u00e9 hom\u00f3logo ao do inconsciente \u2013 est\u00e1 <em>lalangue<\/em> como gozo. A linguagem passa, ent\u00e3o, a ser definida como uma elucubra\u00e7\u00e3o de saber sobre <em>lalangue<\/em><a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #003366;\"><strong>O sintoma que recobre a solid\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Podemos dizer, de outro modo, que a solid\u00e3o toca fundamentalmente aquilo que n\u00e3o fala no sujeito. Sabemos tamb\u00e9m que o sujeito s\u00f3 pode responder a esse real fazendo sintoma<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Desta maneira, abre-se a dimens\u00e3o que articula sintoma e solid\u00e3o: o sintoma como o tra\u00e7o escrito de nossa solid\u00e3o, de nosso n\u00e3o saber fazer com o gozo<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Lacan fala da solid\u00e3o quando h\u00e1 uma ruptura de saber. Ruptura do saber constru\u00eddo como uma estrat\u00e9gia para recobrir o gozo do Um na forma de uma fabula\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica do sintoma, por exemplo. \u00c9 quando esse saber ou o ser constru\u00eddo a partir da linguagem se rompe que h\u00e1 solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Tra\u00e7o de solid\u00e3o, efeito do encontro traum\u00e1tico de <em>lalangue<\/em> com o corpo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Lacan, J.\u00a0\u201cO semin\u00e1rio, livro 20: Mais, ainda<em>\u201d.<\/em>\u00a0Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2008(terceira edi\u00e7\u00e3o), p. 128.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a> Miller, J.-A.\u00a0 \u201cLos signos del goce<em>\u201d.<\/em> Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2010, <strong>\u00a0<\/strong>p.343<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a> Miller, J.-A. \u201cLos signos del goce<em>\u201d. <\/em>op.cit. p. 343.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WFjmP6nSk9o&amp;feature=youtu.be\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WFjmP6nSk9o&amp;feature=youtu.be<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a> idem<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[6]<\/a> Lacan, J. \u201cO semin\u00e1rio, livro 20: Mais, ainda<em>\u201d.<\/em> op. cit. p.137.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[7]<\/a> La Sagna, P. \u201cDe l\u2019isolement a la solitude\u201d. <em>La Cause freudienne, <\/em>n.66. Paris:ECF, p.49.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[8]<\/a> Miller, J.-A. \u201cOs seis paradigmas do gozo\u201d. in Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online, nova s\u00e9rie, ano III, n.7, mar\u00e7o2012<a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_7\/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_7\/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[9]<\/a> La Sagna, P. \u201cDo isolamento \u00e0 solid\u00e3o pela via da ironia\u201d. <em>Revista Curinga,<\/em>n. 44, EBP-MG, p.74<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[10]<\/a> Miller, J.-A. \u201cLos signos del goce<em>\u201d. <\/em>op.cit. p. 343.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[11]<\/a> Lacan, J. \u201cO semin\u00e1rio, livro 20: Mais, ainda<em>\u201d.<\/em> op. cit. p.149<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[12]<\/a> Laurent, E. \u201cEl rev\u00e9s del trauma\u201d <em>Virtualia, n.6 <\/em><a href=\"http:\/\/www.revistavirtualia.com\/storage\/articulos\/pdf\/gH8svg5G3gcbDVYcZ2ikYMIOPd1J5Esgb3mmgXrn.pdf\">http:\/\/www.revistavirtualia.com\/storage\/articulos\/pdf\/gH8svg5G3gcbDVYcZ2ikYMIOPd1J5Esgb3mmgXrn.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[13]<\/a> La Sagna, P. \u201cDo isolamento \u00e0 solid\u00e3o pela via da ironia\u201d. op. cit.\u00a0 p.77<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucila Darrigo &#8211;\u00a0EBP\/AMP\u00a0 A ideia deste pequeno texto \u00e9 levantar alguns pontos a respeito da solid\u00e3o no ensino de Lacan a partir deste recorte do semin\u00e1rio 20: &#8220;Eu, n\u00e3o \u00e9 um ser, \u00e9 um suposto a quem fala. 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