{"id":3715,"date":"2018-12-19T06:54:53","date_gmt":"2018-12-19T08:54:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3715"},"modified":"2018-12-19T06:54:53","modified_gmt":"2018-12-19T08:54:53","slug":"do-justo-lugar-ao-objeto-no-cartel1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/do-justo-lugar-ao-objeto-no-cartel1\/","title":{"rendered":"Do justo lugar ao objeto no cartel(1)"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3103 size-full\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/Niraldo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"171\" \/>Niraldo Santos <\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><strong>(Associado da CLIPP)<\/strong><\/h4>\n<h4>Como o mais-um um pode ser um agente provocador e, ao mesmo tempo, trabalhador? Miller(2) nos diz que uma elabora\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre provocada, uma vez que a voca\u00e7\u00e3o do ser humano est\u00e1 para a pregui\u00e7a. A partir da teoria dos Discursos em Lacan, Miller nos aponta o discurso que melhor corresponde ao mais-um.<\/h4>\n<h4>\u201cO mais-um tem a incumb\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o&#8221;(3). Miller nos diz que h\u00e1 uma tend\u00eancia a exercer esta incumb\u00eancia como senhor. Por\u00e9m, caso ocupe este lugar, o trabalho se resumiria a uma produ\u00e7\u00e3o de saber que j\u00e1 estava l\u00e1. Por outro lado, caso o apelo ao mais-um seja \u00e0quele que sabe ou saberia, produzir\u00e1 $, o apelo ao mais-um como analista.<\/h4>\n<h4>Ent\u00e3o, para Miller, o discurso que melhor corresponde \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do mais-um \u00e9 o da hist\u00e9rica: \u201c\u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que Lacan dizia que era quase a (estrutura) do discurso da ci\u00eancia\u201d(4). No discurso hist\u00e9rico, $ que se dirige a S1 para produzir S2, o agente se permite ocultar, em seu vazio, a causa do desejo, sob as apar\u00eancias de agalma: $ sobre <em>a<\/em>. O que fazer do <em>a<\/em> no cartel?<\/h4>\n<h4>Miller sugere uma altera\u00e7\u00e3o no discurso hist\u00e9rico, colocando a como elemento pulsional que se dirige a $ antes deste \u00faltimo se dirigir a S1 e produzir S2: \u201cEsvazio o <em>a<\/em> de seu lugar estatut\u00e1rio. Seria a ascese do mais-um. O mais-um n\u00e3o deve se esgotar encarnando a fun\u00e7\u00e3o do mais-um. Ele n\u00e3o \u00e9 o sujeito do cartel; cabe a ele inserir o efeito de sujeito no cartel\u201d(5).<\/h4>\n<h4><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3716 size-full\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/new\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Cartel-1.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"131\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Cartel-1.jpg 512w, https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Cartel-1-300x77.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/h4>\n<h4>Para Miller, de <em>a<\/em> a $ h\u00e1 trabalho de transfer\u00eancia, mas prolongando-a no cartel, transforma-se em transfer\u00eancia de trabalho: \u201cDar ent\u00e3o o justo lugar ao objeto no cartel exige que o mais-um n\u00e3o se aproprie do efeito de atra\u00e7\u00e3o, mas que o refira a outro lugar \u2013 entre n\u00f3s, a Freud e a Lacan\u201d(6).<\/h4>\n<h4>Quatro jovens psicanalistas formularam o pedido para integrarmos um cartel sobre a transfer\u00eancia. Dentre estas integrantes, duas n\u00e3o frequentam a EBP. Por que me escolheram para mais-um? N\u00e3o se tratou de uma quest\u00e3o de experi\u00eancia ou inexperi\u00eancia. Uma interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel: a extimidade do mais-um, \u201cn\u00e3o-membro\u201d.<\/h4>\n<h4>Lacan(7) refere que o mais-um fica encarregado de dar um destino ao trabalho de cada um, sendo este destino a Escola. Uma condi\u00e7\u00e3o de partida em nosso cartel, e que foi prontamente aceita: declarar o cartel junto \u00e0 EBP.<\/h4>\n<h4>Para Seldes(8), o cartel \u201cpossui a caracter\u00edstica essencial de ser o \u00f3rg\u00e3o de trabalho da Escola onde se considera o um por um, junto ao coletivo, (&#8230;) com os outros, pois a Escola inclui tamb\u00e9m quem n\u00e3o \u00e9 membro de Escola\u201d.<\/h4>\n<h4>Ao final, mesmo ap\u00f3s duas integrantes do cartel terem se tornado m\u00e3es, com tudo o que isso demanda, a participa\u00e7\u00e3o se manteve ativa, via Skype, e p\u00f4de testemunhar o efeito de \u201caguilh\u00e3o\u201d que este dispositivo tem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Escola e ao ensino de Lacan, n\u00e3o sem contribuir com a forma\u00e7\u00e3o permanente de cada um de n\u00f3s.<\/h4>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p>1 Trabalho realizado como produ\u00e7\u00e3o do cartel \u201cTransfer\u00eancia\u201d, composto por Camila Popadiuk, Cristiane Mendes, Lucia Dezan, Tatisa dos Santos e Niraldo Santos (mais-um).<\/p>\n<p>2 Miller, J.-A. Cinco varia\u00e7\u00f5es sobre o tema da elabora\u00e7\u00e3o provocada. In: Jimenez, S. (org). Rio de Janeiro: Campus, 1994.<\/p>\n<p>3 ________ Ibid.<\/p>\n<p>4 ________ Ibid. p. 5.<\/p>\n<p>5 ________ Ibid. p. 6.<\/p>\n<p>6 ________ Ibid. p. 8.<\/p>\n<p>7 Lacan, J. \u201cAto de funda\u00e7\u00e3o\u201d. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.<\/p>\n<p>8 Seldes, R. \u201cA dimens\u00e3o pol\u00edtica do cartel\u201d. Dispon\u00edvel em:\u00a0<em><a href=\"http:\/\/ebp.org.br\/acaodobradica\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Dobradica_Edicao_Especial_novembro_2011_Boletim_Eletronico_Carteis_EBP.pdf\">http:\/\/ebp.org.br\/acaodobradica\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Dobradica_Edicao_Especial_novembro_2011_Boletim_Eletronico_Carteis_EBP.pdf<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Niraldo Santos (Associado da CLIPP) Como o mais-um um pode ser um agente provocador e, ao mesmo tempo, trabalhador? 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