{"id":3707,"date":"2018-12-19T06:36:06","date_gmt":"2018-12-19T08:36:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3707"},"modified":"2018-12-19T06:36:06","modified_gmt":"2018-12-19T08:36:06","slug":"a-presenca-do-discurso-do-analista-faz-desconexao-com-o-discurso-institucional1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/a-presenca-do-discurso-do-analista-faz-desconexao-com-o-discurso-institucional1\/","title":{"rendered":"A presen\u00e7a do discurso do analista faz (des)conex\u00e3o com o discurso institucional?(1)"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3687 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Nat\u00e1lia-300x232.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"232\" \/>Nat\u00e1lia Cassim<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">\u201cN\u00f3s n\u00e3o fazemos diferen\u00e7a, em psican\u00e1lise,<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">entre a realidade ps\u00edquica e a realidade social.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">A realidade ps\u00edquica \u00e9 a realidade social\u201d<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\">J. \u2013A. Miller(2)<\/h4>\n<h4>O Hospital de Amor \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade filantr\u00f3pica brasileira especializada no tratamento e preven\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer com sede em Barretos-SP, e era nomeada Hospital de C\u00e2ncer de Barretos anteriormente. Em uma manobra institucional r\u00edgida, o significante c\u00e2ncer foi apagado em decorr\u00eancia da imposi\u00e7\u00e3o do novo significante: amor. O sujeito est\u00e1 exclu\u00eddo desta associa\u00e7\u00e3o significante, uma vez que essa decis\u00e3o n\u00e3o foi discutida em nenhum \u00e2mbito. No lugar da \u201cmorte\u201d (c\u00e2ncer) imp\u00f4s-se a \u201cvida\u201d (amor). Uma tens\u00e3o que se acirra entre morte x vida sem advir o sujeito, o falar sobre e diante disso.<\/h4>\n<h4>A partir da\u00ed aceitou-se o convite da institui\u00e7\u00e3o, que era elaborar um trabalho com os colaboradores da pediatria do hospital Infantil. Um dos efeitos do discurso institucional foi percebido no impacto da morte dos pacientes, que era recalcado em decorr\u00eancia do amor, e n\u00e3o era verbalizado. Este engodo retorna na forma de adoecimento. Em 2003, diz Laurent: \u201cNeste primeiro sentido de tor\u00e7\u00e3o, h\u00e1 de in\u00edcio a institui\u00e7\u00e3o. O sintoma vem em segundo lugar, (como) consequ\u00eancia do funcionamento institucional(&#8230;)\u201d(3).<\/h4>\n<h4>A partir disso, foi realizado um diagn\u00f3stico inicial, ouvindo um a um dos colaboradores, operando um espa\u00e7o que movimentou os corpos e deu voz \u00e0s palavras que n\u00e3o se ouviam. Emergiram questionamentos sobre a fantasia que estava recalcada (morte x vida) aparecendo um dizer que implicou o sujeito\/institui\u00e7\u00e3o. Afirma Vigan\u00f3 que \u201co analista se encontra no lugar de escutar aquilo que se diz, na estrutura mesma do dito \u2013 qualquer que seja a inten\u00e7\u00e3o do sujeito (&#8230;)\u201d(4).<\/h4>\n<h4>O discurso institucional que se ampara no discurso do mestre, espera uma resposta assertiva dos colaboradores. Afirma Pommier que \u201co mestre recobre a posi\u00e7\u00e3o do sujeito que ignora seu pr\u00f3prio saber (&#8230;)\u201d(5). Se o sujeito do inconsciente tende a ser exclu\u00eddo na institui\u00e7\u00e3o, o ato anal\u00edtico, por sua vez, o inclu\u00ed, na medida em que favorece o bem dizer.<\/h4>\n<h4>A institui\u00e7\u00e3o demanda da praticante da psican\u00e1lise uma contabiliza\u00e7\u00e3o dos colaboradores atendidos; a sustenta\u00e7\u00e3o do discurso anal\u00edtico faz desconex\u00e3o com a fala recha\u00e7ada pelo mestre que tudo normatiza, sustentando a l\u00f3gica do um a um. A sustenta\u00e7\u00e3o deste trabalho fez circular um novo discurso que incidiu na introdu\u00e7\u00e3o de um novo saber, um novo amor, no qual o dizer dos colaboradores p\u00f4de incluir a morte e n\u00e3o recha\u00e7\u00e1-la, imperativamente, em fun\u00e7\u00e3o do \u201camor\u201d.<\/h4>\n<h4>Conclui-se que o enigma com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de nome da institui\u00e7\u00e3o recorreu ao dom\u00ednio do mestre inscrito no acirramento da morte x vida; uma v\u00e3 tentativa de suavizar\/apagar o c\u00e2ncer com amor. Se o sujeito nunca \u00e9 mais do que suposto, \u00e9 a aposta no la\u00e7o com a singularidade que pode permitir uma localiza\u00e7\u00e3o digna a essa nova nomea\u00e7\u00e3o, que pode dar lugar a um novo amor-hospital. Frente a essa abertura, que se enla\u00e7a ao desejo da praticante, tem-se a presen\u00e7a do entusiasmado na constru\u00e7\u00e3o do \u201csaber fazer\u201d dentro da institui\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n<p>_______________________________<\/p>\n<p>1 N.A.: Texto elaborado a partir das discuss\u00f5es no cartel: \u201cTr\u00e2nsfer\u00eancias: (Des)conex\u00e3o?<\/p>\n<p>2 MILLER,J.A. Interven\u00e7\u00e3o no PIPOL 4. In: Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, \u201cA transfer\u00eancia nos dispositivos da psican\u00e1lise aplicada\u201d, Entrev\u00e1rios: Revista de Psican\u00e1lise. CLIN-a. S\u00e3o Paulo. 2009, p. 25.<\/p>\n<p>3 LAURENT, \u00c9. \u201cDois aspectos da tor\u00e7\u00e3o entre sintoma e institui\u00e7\u00e3o\u201d, Os Usos da Psican\u00e1lise &#8211; Primeiro encontro do Campo freudiano. Rio de Janeiro: Contra Capa. 2003, p. 87.<\/p>\n<p>4 VIGANO, C. \u201cO uso da transfer\u00eancia na institui\u00e7\u00e3o\u201d, Semin\u00e1rio proferido em Mendrizio \u2013 It\u00e1lia. 1996, p. 1.<\/p>\n<p>5 POMMIER, G. \u201cFreud Apol\u00edtico?\u201d. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas. 1989, p. 45.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nat\u00e1lia Cassim \u201cN\u00f3s n\u00e3o fazemos diferen\u00e7a, em psican\u00e1lise, entre a realidade ps\u00edquica e a realidade social. A realidade ps\u00edquica \u00e9 a realidade social\u201d J. \u2013A. 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