{"id":3665,"date":"2018-11-20T11:06:02","date_gmt":"2018-11-20T13:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/?p=3665"},"modified":"2018-11-20T11:06:02","modified_gmt":"2018-11-20T13:06:02","slug":"comentario-sobre-o-seminario-livro-11%c2%b9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/comentario-sobre-o-seminario-livro-11%c2%b9\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rio sobre o Semin\u00e1rio, livro 11\u00b9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-3625 size-medium\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Sandra-Grostein-2-288x300.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"300\" \/>Sandra Arruda Grostein (EBP\/AMP)<\/strong><\/h4>\n<h4>Este texto \u00e9 um breve coment\u00e1rio sobre uma passagem do <em>Semin\u00e1rio 11<\/em>, de Lacan, visando uma atualiza\u00e7\u00e3o do que era proposto nos anos 60, nos seguintes termos:<\/h4>\n<h4>\u201cEsse objeto paradoxal, \u00fanico, especificado, que chamamos de objeto a \u2013 retom\u00e1-lo seria repis\u00e1-lo. Mas eu o presentifico&#8230; sublinhando que o analisando diz a seu parceiro, ao analista:<\/h4>\n<h4><em>Eu te amo, mas, porque inexplicavelmente amo em ti algo que \u00e9 mais que tu \u2013 o objeto a min\u00fasculo, eu te mutilo.\u201d(2)<\/em><\/h4>\n<h4>Al\u00e9m disso, quando ocorre a virada, o analisante diz:<\/h4>\n<h4><em>Eu me doo a ti, mas esse dom de minha pessoa, mist\u00e9rio! Se transforma inexplicavelmente em presente de uma merda.\u201d(3)<\/em><\/h4>\n<h4>Para comentar estes dois par\u00e1grafos do Semin\u00e1rio sobre os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise, recorreu-se a dois destes conceitos: a transfer\u00eancia e a puls\u00e3o.<\/h4>\n<h4>Buscou-se atualizar o conceito de transfer\u00eancia a partir da releitura destes dois par\u00e1grafos \u00e0 luz de dois textos mais recentes \u2013 \u201cO ultim\u00edssimo Lacan\u201d, do Curso de Miller de 2011(4), e o texto apresentado por \u00c9ric Laurent em Barcelona em 2018 e publicado em <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>(5).<\/h4>\n<h4>Do texto de Laurent destaca-se aquela proposi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em sua subdivis\u00e3o denominada: \u201cDa transfer\u00eancia sem Nome-do-Pai \u00e0 transfer\u00eancia sem o Outro.\u201d(6)<\/h4>\n<h4>Neste texto, Laurent est\u00e1 tratando do conceito de transfer\u00eancia tanto na psicose quanto nos tratamentos dos sintomas atuais; para tanto, algo que foi proposto por Freud como o piv\u00f4 da experi\u00eancia psicanal\u00edtica, isto \u00e9 o amor de transfer\u00eancia, sofre uma b\u00e1scula que a proposi\u00e7\u00e3o acima nos ajuda a acompanhar. Ao recuperar no texto lacaniano a articula\u00e7\u00e3o \u201creconhecer que h\u00e1 ali (na transfer\u00eancia) um momento muito significativo da passagem de poderes do sujeito ao Outro \u2013 o lugar da fala, virtualmente o lugar da verdade\u201d(7), como tratar ent\u00e3o o lugar da fala se consideramos a transfer\u00eancia sem o Outro?<\/h4>\n<h4>Miller observa que, no ultim\u00edssimo Lacan, a transfer\u00eancia deixa de ter o mesmo lugar de import\u00e2ncia para a experi\u00eancia anal\u00edtica; no entanto, a ideia de que o analisante mutila o analista com a sua transfer\u00eancia amorosa, permite pensar que algo do objeto destacado \u00e9 que est\u00e1 associado \u00e0 mutila\u00e7\u00e3o. A face pulsional da transfer\u00eancia se mant\u00e9m at\u00e9 o \u00faltimo momento do ensino de Lacan, deixando para tr\u00e1s a rela\u00e7\u00e3o com o Outro do significante.<\/h4>\n<h4>A transfer\u00eancia pode ser abordada tanto da perspectiva do significante qualquer quanto da perspectiva do objeto a; de um lado temos o analista mutilado e de outro o analisante com seu dom \u2013 merda.<\/h4>\n<h4>Algo se processa nesta troca que pode ser entendido como a formula\u00e7\u00e3o deste artif\u00edcio que \u00e9 a experi\u00eancia anal\u00edtica, onde o amor \u00e9 elevado \u00e0 categoria de conceito, cuja troca se d\u00e1 no campo pulsional. A face de gozo da transfer\u00eancia, Lacan come\u00e7a a esbo\u00e7ar com a frase em quest\u00e3o, isto \u00e9, amar \u00e9 subtrair algo do outro, para transform\u00e1-lo em causa de desejo e dejeto.<\/h4>\n<h4>O que \u00e9 poss\u00edvel retirar do parceiro para que se configure uma psican\u00e1lise \u00e9 o objeto pulsional que o analisante localiza no analista e este, por sua vez, pode sustent\u00e1-lo como semblante.<\/h4>\n<h4>Portanto, a face da transfer\u00eancia que permanece at\u00e9 o \u00faltimo Lacan, \u00e9 aquela que para Freud se apresentava mais como resist\u00eancia do que como amor. O analista, ao apelar ao desejo do analista, pode isolar o objeto a e, desta maneira, colocar a maior dist\u00e2ncia poss\u00edvel do I (Ideal do Eu) que o analista \u00e9 chamado a encarnar.<\/h4>\n<p>______________________________________<\/p>\n<p>1 N.E.: Extrato da apresenta\u00e7\u00e3o da Noite \u201cEnsino dos AMEs\u201d, ocorrido na EBP-Se\u00e7\u00e3o SP em 26 de setembro de 2018.<\/p>\n<p>2 Lacan, J. O Semin\u00e1rio livro 11 &#8211; Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. p. 254<\/p>\n<p>3 ______ Ibid.<\/p>\n<p>4 Miller, J.-A. El ultim\u00edsimo Lacan. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2013. p. 143.<\/p>\n<p>5 Laurent, \u00c9. \u201cDisrup\u00e7\u00e3o do gozo nas loucuras sob transfer\u00eancia\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n. 79. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2018.<\/p>\n<p>6 _______ Ibid., p. 55<\/p>\n<p>7 Lacan, J. Op. cit., p. 258<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandra Arruda Grostein (EBP\/AMP) Este texto \u00e9 um breve coment\u00e1rio sobre uma passagem do Semin\u00e1rio 11, de Lacan, visando uma atualiza\u00e7\u00e3o do que era proposto nos anos 60, nos seguintes termos: \u201cEsse objeto paradoxal, \u00fanico, especificado, que chamamos de objeto a \u2013 retom\u00e1-lo seria repis\u00e1-lo. Mas eu o presentifico&#8230; sublinhando que o analisando diz a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-3665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-carta-de-sao-paulo","category-sem-categoria","entry","no-media"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3665"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/sp\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=3665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}